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Claudia Jiménez
Created on April 8, 2024
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Henriqueta lisboa
Autor/a: Claudia Jiménez Regalado
Empezar
‘Em 1963, foi a primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras. Nasceu em Lambari o 15 de julho de 1901 e morreu em Belo Horizonte o 9 de outubro de 1985. É a tia materna do economista e membro da Academia Brasileira de Letras Edmar Bacha.
Índice
01. História
04. Fogo-fátuo
02. Obras
05. Melhores poemas
06. Vídeo
03. Prêmios
01. História
General
Henriqueta Lisboa foi a segunda filha do farmacêutico e deputado federal João de Almeida Lisboa, um dos políticos de maior expressão da Primeira República, e de sua esposa Maria de Vilhena. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1926, onde o pai foi eleito deputado federal. Em 1935 mudou-se para Belo Horizonte, onde exerceu várias atividades profissionais, como inspetora federal de ensino secundário, professora de literatura hispano-americana e de literatura brasileira da Pontifícia Universidade Católica e professora de história da literatura da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
02. Obras
Informação
- Fogo-fátuo (1925)
- Enternecimento (1929)
- Velário (1936)
- Prisioneira da noite (1941)
- O menino poeta (1943)
Um dos maiores impactos em sua carreira literária é a participação no movimento modernista, em 1945. Nesta época ela foi incentivada a integrar esta escola pelo amigo Mário de Andrade, principalmente através das cartas que ambos trocaram entre 1940 e 1945. Além dos poemas, Henriqueta produziu várias traduções, ensaios e antologias. Escritora de intensa sensibilidade, ela se devotou de corpo e alma à criação de seus poemas.
03. Prêmios
Ocupou a 26 cadeira da Academia Mineira de Letras. Ao longo da vida, foi retratada diversas vezes por sua amiga Aurélia Rubião, tendo seu retrato sido premiado pelo Terceiro Salão de Belas Artes da cidade de Belo Horizonte.
Henriqueta Lisboa recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Ela também foi inspetora de alunos, professora de literatura e tradutora — traduziu os Cantos de Dante Alighieri e poemas de Gabriela Mistral, estes publicados no livro Poemas escolhidos de Gabriela Mistral.
04.
Fogo-fátuo
Sobre sua obra
Fogo-fátuo foi o primeiro livro de Henriqueta Lisboa, publicado em 1925. Esse volume não foi incluído em sua obra completa e raramente é mencionado pela crítica, como sempre o fez também a própria poeta, que jamais o incluiu em sua bibliografia, tendo até mesmo fixado em 1929, data de publicação de Enternecimento, seu segundo livro, a sua estreia literária. José Afrânio Moreira Duarte, em Henriqueta Lisboa: poesia plena, publicado em 1996, no entanto, dedicou uma resenha crítica à obra, destacando as qualidades daquela poesia parnasiana.
A escritora e educadora Alaíde Lisboa, irmã de Henriqueta, em prefácio à obra de José Afrânio, arrisca-se a creditar essa renegação à tardança na publicação do livro:
05. Melhores poemas
4. Poema da solidão
1. Repouso
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5. A morte
2. Tuas palavras, amor
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6. Convite
3 A mais suave.
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06. Vídeo
Graciaspor su atención
¿Alguna pregunta?
Por milagre, a flor mais suave, não a colheram os ventos. Ficou na haste toda a noite, trêmula e alta sob a chuva. Quando foi de madrugada, o jardim pasmou: suas corolas jaziam sobre a terra umedecida; uma entretanto, a mais suave, sustinha-se contra a aragem.
Como são belas e misteriosas tuas palavras, Amor! Eu não as tinha pressentido, eu era como a terra sonolenta e exausta sob a inclemência do céu carregado de nuvens, quando, igual a uma chuva torrencial de verão, tuas palavras caíram da altura em cheio e se infiltraram nos meus tecidos. Ó a minha pletora de alegria! As árvores bracejaram recebendo as bátegas entre [as ramas, as coroas bailaram numa ostentação de taças repletas, os frutos amadurecidos rolaram bêbedos no solo, E eu vivi minha hora máxima de lucidez e loucura sob a chuva torrencial de verão!
“Talvez assim se explique o fato: atrasou-se um pouco a publicação e o movimento modernista explodiu no intervalo. Henriqueta, que já estava vivendo as ideias renovadoras, na forma e no conteúdo, quis esquecer um pouco sua poesia parnasiana, tradicional. José Afrânio, ao analisar o referido livro, soube marcar as belezas permanentes do estilo do passado e cita um trecho do prefácio de Augusto de Lima: ‘Henriqueta demonstra vitoriosamente poder a arte moderna caber na forma clássica, sem perder absolutamente o frêmito de asas do espírito do progresso’.
Varanda em sombra à hora do sol. Preguiça mais doce que o mel. Água num copo de cristal com o vago reflexo azul do céu lavado de anil. Sobre a mesa flores e pão. (Quanta riqueza se contém numa lareira, num jardim!) Livros bem guardados e um rádio em silêncio. Que bom! Hora simples, hora feliz. Nada de novo para nós. Na transparência da luz como um lago em placidez talvez deslize o anjo da paz.
Cada dia que passa, cada dia que me leva um anseio e que me traz uma fadiga para o coração, sinto mais o perfume de poesia, o êxtase lívido, a pureza e a paz da minha solidão. Depois das noites carpideiras, quando um queimor de lágrimas enxutas punha goivos na cova das olheiras, ai! quantas vezes me internei nas grutas para esconder as faces! E tive sempre alguém que me guardasse a entrada como um cão: minha bravia solidão.
Eu sou a amiga dos que sofrem. Aproxima-te do meu coração, Amado. Amado, conta-me teus segredos. Onde nasceu a tristeza que nos teus olhos mora, que causa tem a palidez que unge teus lábios, e esse tremor que tuas mãos comunicam às minhas? Por que não vens, à hora confidencial do crepúsculo, sobre o banco de pedra esquecido entre as árvores, junto à fonte chorosa e os afagos de vento perfumado de flores, derramar no meu coração as palavras reveladoras que me fariam participar da tua amargura, do teu desespero, ou simplesmente do teu cansaço de viver?...
A morte é limpa. Cruel mas limpa. Com seus aventais de linho — fâmula — esfrega as vidraças. Tem punhos ágeis e esponjas. Abre as janelas, o ar precipita-se inaugural para dentro das salas. Havia impressões digitais nos móveis, grãos de poeira no interstício das fechaduras. Porém tudo voltou a ser como antes da carne e sua desordem.