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Mariana pinto

Created on April 8, 2024

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Transcript

Alexandre O'neil

Tradutor, escritor e poeta português, nasceu a 19 de dezembro de 1924 e faleceu a 21 de agosto de 1986.

"AOS vindouros se os houver"

"Perfiladas de medo"

Ana Luísa Amaral

Poetisa portuguesa, nascida em Lisboa no dia 5 de abril de 1956. Faleceu a 5 de agosto de 2022, deixando um importante legado cultural e literário.

"Entre as Duas e as três"

"Imagens"

Aos Vindouros, Se os Houver

computai, computai a nossa falha sem perfurar demais vossa memória, que nós fomos práqui uma gentalha a fazer passamanes com a história que nós fomos (fatal necessidade!) quadrúmanos da vossa humanidade.

Vós, que trabalhais só duas horasa ver trabalhar a cibernética que não deixais o átomo a desoras na gandaia, pois tender uma ética que do amor sabeis o ponto e a vírgula e vos engaldinhais livres de medo, sem pecários, calendários, Pílula, jaculatórias fora, tarde ou cedo;

Sou Excelente!

"Sou excelente!"

“Entre as duas e as três” Queria falar do que não tem concerto: as letras desenhadas e compostas com que confundo o espaço do papel, a angústia compassada no contar e a súbita alegria de ser eu penosamente, às duas da manhã Queria escrever do que não tem lugar: a branca, doce e sonolenta estrada onde espaçadas as palavras crescem, suavizadas pelo lento sono que devagar percorre as coisas todas penosamente, às duas da manhã

Queria dizer do que não tem conserto: ou seja, eu; ou seja, o papel branco sombrio agora por já ser demais, as letras excedentes e sonoras desmembrando o silêncio e a noite toda penosamente, às duas da manhã Só então falarei do que ficou: compassada alegria desenhada na angústia de dizer sem me contar, o papel confundido de impotente e todavia prontas as palavras. Quase às três da manhã. Penosamente.

Perfilados de Medo

Perfilados de medo, sem mais voz, o coração nos dentes oprimido, os loucos, os fantasmas somos nós. Rebanho pelo medo perseguido, já vivemos tão juntos e tão sós que da vida perdemos o sentido…

Perfilados de medo, agradecemos o medo que nos salva da loucura. Decisão e coragem valem menos e a vida sem viver é mais segura. Aventureiros já sem aventura, perfilados de medo combatemos irónicos fantasmas à procura do que não fomos, do que não seremos.

Mas é que não és tu: sou eu que ando estragada: as minhas solidões não as preciso e a minha paz, coitada, já teve a mesma sorte que os bocados mentais de que falava no verso três da página anterior.

“Imagens” Estragas-me a paz. E eu preciso das minhas solidões, de bocados mentais sem ti. *** Começo a ser doença obsessiva ao repetir-me por poemas isto: as tuas invasões à minha paz. (Podia até em jeito original pôr aqui umas notas sobre ti: cf., vide: textos tal e tal) Mas é que a minha paz fica toda es- tragada quando te penso amor. ***

Interrompi os versos por laranjas. E volto sempre a ti mesmo que não. É estranho que pacíficas laranjas não me consigam afastar de ti. E que senil te pendure outra vez na mesma corda, as molas sempre iguais e que se chove corra a apanhar -te, não te vás desbotar ou romper, ou sei lá, por húmida metáfora ou bolorenta imagem de cordel. ***