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Memorial do Convento cap. 23

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Created on March 19, 2024

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Transcript

Memorial do Convento

Capítulo 23

Índice

Temas abordados

Crítica de Saramago

Linhas de ação

Espaço e tempo

Os 18 santos

Recursos estilísticos

os 30 noviços

Simbolismos

Regresso de Baltasar a casa após o transporte dos santos até Mafra

Procissão dos 18 santos qe serão levados para o Convento

Deslocação dos 30 noviços que partiram de S.José de Ribamar até Mafra

Regresso do casal a casa e anúncio de Baltasar da sua deslocação a Monte Junto para observar o estado da passarola

Viagem de Baltasar até Monte Junto e posterior queda da personagem no interior da passarola, o que provocou o voo da mesma

Ida de Baltasar e Blimunda, durante a noite, ao convento para observar as estátuas dos santos

Linhas de ação

  • Linha de ação da gente que construiu o Convento (povo).
  • Linha de ação do Amor de Baltasar e Blimunda.

Os 18 Santos transportados até ao Convento de Mafra

As "dezoito estátuas em dezoito em dezoito carros (...)", transportados por "(...) juntas de bois à proporção, homens às cordas na conta do já sabido (...)" a quem José Saramago atribui especial atenção do início do 23º capítulo são as estátuas de: - S. Vicente e S.Sebastião; - Santa Isabel Rainha de Hungria, Santa Clara e Santa Teresa; -S.Francisco; -S.Domingos e S.Inácio; -S.Bento, S.Bruno, S.Bernardo; -S.João de Deus; -João da Mata, Francisco de Paula, Caetano, Félix de Valois, Pedro Nolasco e Filipe Neri

Santa Isabel Rainha de Hungria, Santa Clara e Santa Teresa

"entre S.Vicente e S.Sebastião estão as três santas, Isabel, Clara, Teresa, parecem minorcas ao pé deles, mas as mulheres não se medem ao palmos (...)" Adulteração do provérbio "Os homens não se medem aos palmos" Comparação

S.Domingos e S.Inácio

"(...) também em lugar certo vêm S.Domingos e S.Inácio, ambos ibéricos e sombrios, logo demoníacos (...) um santo seria capaz de inventar a inquisição e outro santo a modelação das almas."Crítica à hipocrisia

Viagem dos 30 noviços até ao Convento de Mafra

"(...) o provincial respondeu, ardendo em santo escrúpulo, (...) vão a pé, para exemplo e edificação dos povos, não são mais que Nosso Senhor, que só uma vez é que andou de burro.""Entraram assim em Mafra, recebidos triunfalmente, tão magoadinhos dos pés, táo transportados de fé nos desvairo dos olhadres, ou será fome, que desde S.José de Ribamar vêm caminhando, só roeram pão duro, molhado rm água da fonte (...)"

Regresso de Baltasar

"Tens a barba cheia de brancas, Baltasar, tens a testa carregada de rugas, Baltasar, já te descaem os ombros, Baltasar, nem pareces o mesmo homem, Baltasar (...)"Anáfora

Crítica de Saramago ao Convento de Mafra

"Parecia impossível que tantos anos de trabalho, treze, fizessem tão pouco vulto, uma igreja inacabada, um convento que, em duas alas, está levantado até ao segundo andar, o resto pouco mais que a altura dos portais do primeiro, ao todo quarenta celas acabadas, em vez de trezentas que vão ser precisas. Parece pouco e é muito, se não demasiado." "Ora, o mal desta obra de Mafra é terem posto homens a trabalhar nela em vez de gigantes e, se com estas e outras obras passadas e futurad sed quer provar que também o homem é capaz de fazer o trabalho que gigantes fariam, então aceite-se que leve o tempo que levam as formigas(...)"

Espaço

Espaço físico

No capítulo 23, os espaços físicos predominantes são o Convento de Mafra, a barraca onde Baltasar e Blimunda dormem em Monte Junto. Ainda assim são referidos outros espaços secundários como S.José de Ribamar, Pintéus, F anhões, Queluz...

Tempo

A principal marca temporal que nos permite contextualizar o capítulo 23 na obra, encontra-se presente na fala de Baltasar, quando este anuncia que irá a Monte Junto "Amanhã vou a Monte Junto ver como está a máquina, passaram seis meses desde a última vez (...)"

Tempo da história

Neste capítulo encontra-se ainda uma marca de tempo que nos permite retornar à infância de Baltasar: "era como ver aparecer o animal com os seus seirões ou com o rijo albardão, e a mãe dizendo lá de dentro da cozinha, vai ajudar o teu pai a descarregar a burra, ainda não era ajuda que valesse a pena, tão pequenino (...)"

Tempo psicológico

Recursos estilísticos

Metáfora e Quiasmo:"ainda ontem era a flor do bairro e hoje nem bairro nem flor" Dupla adjetivação: "as sombras eram negras e profundas" Personificação: "Uma nuvem solitária"

Simbolismos

Lua vermelha e nuvem:

  1. Símbolo de transformação e crescimento, medida de tempo (fases da lua), simbolizando que o tempo passa e há renovação constante;Cor vermelha da lua (sangue): vida e morte, destino fatal de Baltasar.
  2. Nuvem que "por um longo minuto cobriu a lua" prenúncio trágico de mudança, oculto e indefinido.

Montanha - Monte Junto

  1. Relação terra com o céu, centro do mundo, estabilidade e inalterabilidade, guardando o que nela permanece (passarola cai no Monte junto - protegida dos Homens e Santo Ofício. Levanta voo e dá sentido à trindade terrestre).

Barraca da burra

  1. Simboliza o amor intenso de Baltasar e Blimunda, a sensualidade, cumplicidade, transgressão das regras morais e sociais.