Análise da mensagem de Fernado Pessoa
"O BANDARRA" E "O MONSTRENGO"
Primeiro: O BANDARRA
Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.
Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português mas Portugal.
Análise de "O BANDARRA"
Estrutura externa
Estrutura interna
Recursos Expressivos
Quem foi o Bandarra?
Porque foi escolhido por Fernando Pessoa?
IV. O MONSTRENGO
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
Análise de "O MONSTRENGO"
Estrutura externa
Estrutura interna
Recursos Expressivos
Quem foi o Monstrengo?
Porque foi escolhido por Fernando Pessoa?
Fim Esperamos que tenham gostado do nosso trabalho<3
Estrutura Externa
Esquema rimático: Rima cruzada
Oito versos - Alusão a Bandarra ter 8 letras - Mensagem também tem 8 letras- Versos octossilábicos
Estrutura interna
Este poema é o quarto poema de «Mar português» e por este ser dividido em 12 poemas, é comparado com os signos do zodiaco. Como este seria o quarto poema, também seria o do signo do Caranguejo, regido pela Lua, representa o mundo interior, o fim das coisas, o subconsciente e a parte inferior da mandala astrológica, chamada “o fundo do céu”.
Recursos Expressivos
Sonhava, anónimo e disperso,O Império por Deus mesmo visto, Confuso como o Universo E plebeu como Jesus Cristo. -comparação Não foi nem santo nem herói, Mas Deus sagrou com Seu sinal -Aliteração do som S Este, cujo coração foi Não português mas Portugal. - sinédoque
Recursos Expressivos
«Quem vem poder o que só eu posso, Que moro onde nunca ninguém me visse E escorro os medos do mar sem fundo?» - metáforaE o homem do leme tremeu, e disse: «El-Rei D. João Segundo!» Três vezes do leme as mãos ergueu, Três vezes ao leme as reprendeu, - Anáfora E disse no fim de tremer três vezes: «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo; - Anáfora Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!»
O mostrengo que está no fim do marNa noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-Rei D. João Segundo!» «De quem são as velas onde me roço? De quem as quilhas que vejo e ouço?» -Anáfora Disse o mostrengo, e rodou três vezes, - Personificação Três vezes rodou imundo e grosso,
Quem foi o Monstrengo?
O Monstrengo é o famoso Adamastor, o gigante que é a incorporação do Cabo das Tormentas/Cabo da Boa Esperânça. Ao contrário de Luis de Camões nos Lusíadas, Pessoa não põe a atravessar o cabo o navegador Vasco da Gama e sim Bartolomeu Dias que foi o primeiro a conseguir dobrá-lo, descrevendo assim o primeiro encontro dos portugueses com esta figura fictícia que representa a ferocidade do mar. Além disso Pessoa coloca o Adamastor como um gigante alado, não sendo esta a sua forma original. O monstrengo é um ser territorial e forte, espantando-se portanto da coragem e precistencia que um pequeno povo pode ter, temendo até a perca de seu território.
Porque foi escolhido por Pessoa?
Bandarra foi escolhido por ser um poeta que apresenta o sonho do regresso espiritual de D.Sebastião e por ser virtuoso em humildade visto que era um simples sapateiro, no entanto carregava um sonho que Deus via, transformando este num profeta.
Quem foi o Bandarra
O primeiro a anunciar o regresso de D. Sebastião – mesmo antes de este ter nascido – é “O Bandarra”, de seu nome Gonçalo Annes Bandarra, sapateiro de origem humilde, nascido em Trancoso presumivelmente nos inícios de 1500, portanto contemporâneo de Nostradamus. Profeta popular, escreveu as Trovas, que conheceram sucessivas edições e nas quais aparece pela primeira vez a referência a um “Rei Encoberto”. Pessoa encontrou ali grande inspiração para o seu texto, analisando muitas das trovas do sapateiro de Trancoso.
Estrutura externa
Esquema rimático: Rima irregular em esquema aabaacdcd. Versos de 7 a dez sílabas. 3 estrofes - Alusão ao «três vezes» que é repetido 7 vezes durante o poema nonas - Alusão à palavra monstrengo ter 9 letras - 3x3=9
Porque ele foi escolhido por Pessoa?
Neste poema Pessoa escolhe o monstrengo pois este encorpora as dificuldades que o povo português teve que ultrupassar no passado e porque demonstra a coragem e percistência e curiosidade em relação ao desconhecido que o povo português apresenta.
Estrutura interna
«O Bandarra» é o primeiro de «Os avisos» da segunda subdivisão da Terceira parte da Mensagem de Fernando Pessoa.
O bandarra e O monstrengo
Beatriz Antunes (2022/EBSAS/11C)
Created on February 14, 2024
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Análise da mensagem de Fernado Pessoa
"O BANDARRA" E "O MONSTRENGO"
Primeiro: O BANDARRA
Sonhava, anónimo e disperso, O Império por Deus mesmo visto, Confuso como o Universo E plebeu como Jesus Cristo. Não foi nem santo nem herói, Mas Deus sagrou com Seu sinal Este, cujo coração foi Não português mas Portugal.
Análise de "O BANDARRA"
Estrutura externa
Estrutura interna
Recursos Expressivos
Quem foi o Bandarra?
Porque foi escolhido por Fernando Pessoa?
IV. O MONSTRENGO
«Quem vem poder o que só eu posso, Que moro onde nunca ninguém me visse E escorro os medos do mar sem fundo?» E o homem do leme tremeu, e disse: «El-Rei D. João Segundo!» Três vezes do leme as mãos ergueu, Três vezes ao leme as reprendeu, E disse no fim de tremer três vezes: «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo; Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!»
O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-Rei D. João Segundo!» «De quem são as velas onde me roço? De quem as quilhas que vejo e ouço?» Disse o mostrengo, e rodou três vezes, Três vezes rodou imundo e grosso,
Análise de "O MONSTRENGO"
Estrutura externa
Estrutura interna
Recursos Expressivos
Quem foi o Monstrengo?
Porque foi escolhido por Fernando Pessoa?
Fim Esperamos que tenham gostado do nosso trabalho<3
Estrutura Externa
Esquema rimático: Rima cruzada Oito versos - Alusão a Bandarra ter 8 letras - Mensagem também tem 8 letras- Versos octossilábicos
Estrutura interna
Este poema é o quarto poema de «Mar português» e por este ser dividido em 12 poemas, é comparado com os signos do zodiaco. Como este seria o quarto poema, também seria o do signo do Caranguejo, regido pela Lua, representa o mundo interior, o fim das coisas, o subconsciente e a parte inferior da mandala astrológica, chamada “o fundo do céu”.
Recursos Expressivos
Sonhava, anónimo e disperso,O Império por Deus mesmo visto, Confuso como o Universo E plebeu como Jesus Cristo. -comparação Não foi nem santo nem herói, Mas Deus sagrou com Seu sinal -Aliteração do som S Este, cujo coração foi Não português mas Portugal. - sinédoque
Recursos Expressivos
«Quem vem poder o que só eu posso, Que moro onde nunca ninguém me visse E escorro os medos do mar sem fundo?» - metáforaE o homem do leme tremeu, e disse: «El-Rei D. João Segundo!» Três vezes do leme as mãos ergueu, Três vezes ao leme as reprendeu, - Anáfora E disse no fim de tremer três vezes: «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo; - Anáfora Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!»
O mostrengo que está no fim do marNa noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-Rei D. João Segundo!» «De quem são as velas onde me roço? De quem as quilhas que vejo e ouço?» -Anáfora Disse o mostrengo, e rodou três vezes, - Personificação Três vezes rodou imundo e grosso,
Quem foi o Monstrengo?
O Monstrengo é o famoso Adamastor, o gigante que é a incorporação do Cabo das Tormentas/Cabo da Boa Esperânça. Ao contrário de Luis de Camões nos Lusíadas, Pessoa não põe a atravessar o cabo o navegador Vasco da Gama e sim Bartolomeu Dias que foi o primeiro a conseguir dobrá-lo, descrevendo assim o primeiro encontro dos portugueses com esta figura fictícia que representa a ferocidade do mar. Além disso Pessoa coloca o Adamastor como um gigante alado, não sendo esta a sua forma original. O monstrengo é um ser territorial e forte, espantando-se portanto da coragem e precistencia que um pequeno povo pode ter, temendo até a perca de seu território.
Porque foi escolhido por Pessoa?
Bandarra foi escolhido por ser um poeta que apresenta o sonho do regresso espiritual de D.Sebastião e por ser virtuoso em humildade visto que era um simples sapateiro, no entanto carregava um sonho que Deus via, transformando este num profeta.
Quem foi o Bandarra
O primeiro a anunciar o regresso de D. Sebastião – mesmo antes de este ter nascido – é “O Bandarra”, de seu nome Gonçalo Annes Bandarra, sapateiro de origem humilde, nascido em Trancoso presumivelmente nos inícios de 1500, portanto contemporâneo de Nostradamus. Profeta popular, escreveu as Trovas, que conheceram sucessivas edições e nas quais aparece pela primeira vez a referência a um “Rei Encoberto”. Pessoa encontrou ali grande inspiração para o seu texto, analisando muitas das trovas do sapateiro de Trancoso.
Estrutura externa
Esquema rimático: Rima irregular em esquema aabaacdcd. Versos de 7 a dez sílabas. 3 estrofes - Alusão ao «três vezes» que é repetido 7 vezes durante o poema nonas - Alusão à palavra monstrengo ter 9 letras - 3x3=9
Porque ele foi escolhido por Pessoa?
Neste poema Pessoa escolhe o monstrengo pois este encorpora as dificuldades que o povo português teve que ultrupassar no passado e porque demonstra a coragem e percistência e curiosidade em relação ao desconhecido que o povo português apresenta.
Estrutura interna
«O Bandarra» é o primeiro de «Os avisos» da segunda subdivisão da Terceira parte da Mensagem de Fernando Pessoa.