texto dramático
Leandro, rei da helíria
Leandro, Rei da Helíria: fontes de inspiração
Texto dramático
Autora : Alice Vieira
Leandro, Rei da Helíria: estrutura
Texto principal e texto secundário
O livro: Leandro, Rei da Helíria
http://licoespraticas.blogspot.com/2015/05/sobre-leandro-rei-da-heliria-1991-de.html
O que é texto dramático?
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Resumo(s) da ação
Pelo menos, duas histórias terão servido de inspiração ao texto dramático de Alice Vieira:
Uma das mais famosas tragédias:
Um conto tradicional:
"O Sal e a Água"
"O rei Lear", de William Shakespeare
Estrutura
Estrutura externa da peça
Estrutura interna da peça
- exposição (introdução) 1.° ato: cenas I a VI
- conflito (desenvolvimento) 1.° ato: cena VII, até 2.° ato: cena VIII
- desenlace (conclusão) 2.° ato: cena IX até Cena XI
Conclusão
O Sal e a Água Um rei tinha três filhas; perguntou a cada uma delas, por sua vez, qual era a mais sua amiga.
A mais velha respondeu: – Quero mais a meu pai do que à luz do Sol. Respondeu a do meio:
– Gosto mais de meu pai do que de mim mesma. A mais moça respondeu:
– Quero-lhe tanto como a comida quer o sal. O rei entendeu por isto que a filha mais nova o não amava tanto como as outras, e pô-la fora do palácio.
Ela foi muito triste por esse mundo, e chegou ao palácio de um rei, e aí se ofereceu para ser cozinheira.
Um dia veio à mesa um pastel muito bem feito, e o rei ao parti-lo achou dentro um anel muito pequeno, e de grande preço. Perguntou a todas as damas da corte de quem seria aquele anel. Todas quiseram ver se o anel lhes servia; foi passando, até que foi chamada a cozinheira, e só a ela é que o anel servia. O príncipe viu isto e ficou logo apaixonado por ela, pensando que era de família de nobreza.
Começou então a espreitá-la, porque ela só cozinhava às escondidas, e viu-a vestida com trajos de princesa. Foi chamar o rei seu pai e ambos viram o caso.
O rei deu licença ao filho para casar com ela, mas a menina tirou por condição que queria cozinhar pela sua mão o jantar do dia da boda.
Para as festas do noivado convidou-se o rei que tinha três filhas, e que pusera fora de casa a mais nova. A princesa cozinhou o jantar, mas nos manjares que haviam de ser postos ao rei seu pai não botou sal de propósito.
Todos comiam com vontade, mas só o rei convidado é que nada comia. Por fim perguntou-lhe o dono da casa porque é que o rei não comia.
Respondeu ele, não sabendo que assistia ao casamento da filha:
– É porque a comida não tem sal.
O pai do noivo fingiu-se raivoso, e mandou que a cozinheira viesse ali dizer porque é que não tinha botado sal na comida.
Veio então a menina vestida de princesa, mas assim que o pai a viu, conheceu-a logo, e confessou ali a sua culpa, por não ter percebido quanto era amado por sua filha, que lhe tinha dito que lhe queria tanto como a comida quer o sal, e que depois de sofrer tanto nunca se queixara da injustiça de seu pai. Contos tradicionais portugueses do povo português,
recolha por Teófilo Braga, 1.ª ed. – Porto, 1860;
com várias reedições nos nossos dias
(utilizámos a ed. da D. Quixote, de 1995, com revisão de parágrafos).
«Um rei bondoso, duas filhas más, uma filha boa e um bobo fiel. É assim o reino de Helíria!
Tudo está em paz até ao dia em que o Rei tem um sonho muito estranho que o leva a crer que está na altura de abandonar o trono.
Como não tem filho varão decide entregar o reino à filha que mais o amar. Para isso, cada uma deve exprimir, por palavras, os seus sentimentos.
Amarílis e Hortênsia fazem um lindo discurso comparando o seu amor ao Sol, ao ar e a todos os elementos vitais.
Violeta, a filha mais nova, não encontra outra comparação senão a de que quer ao pai tanto como a comida quer ao sal.
O Rei não entende esta medida de amor e, furioso, expulsa a filha, para sempre, e entrega metade do reino a cada uma das outras filhas.
Mais tarde, as filhas más acabam por expulsar o pai, que caminha durante anos com o seu bobo fiel por terras desconhecidas.
Já velho, cansado e cego, encontra, sem saber, o reino de sua filha Violeta. Esta serve-lhe um manjar de comida sem sal.
O pai compreende, então, a falta de um bem tão essencial e pede perdão a Violeta por não ter percebido que ela era a única filha honesta e que realmente o amava.» Fonte: Helena, «Leandro, o rei da Helíria” de Alice Vieira», in blogue Português sem fronteiras, 19.01.2012.
Por fim, temos o perdão e o arrependimento transmitidos na última cena no momento em que Leandro se apercebe do quão foi injusto com a única filha que o amava realmente. Violeta perdoa o pai dizendo “Quem ama, senhor, não deve pedir nada em troca desse amor”.Esta história além de nos transmitir valores, fez-nos refletir sobre a importância do sal. Na verdade, este ingrediente tão usual no dia-a-dia, já serviu, em tempos, como pagamento dos ordenados, dando origem à palavra “salário”. O seu valor é de tal ordem que é comparado ao amor sentido por Violeta e à riqueza de uma casa: “Grande vai o mal na casa onde não há sal.” Além deste provérbio, existem mais alguns que passamos a citar: “A religião quer-se como o sal na comida, nem de mais nem de menos.”
“O ovo quer sal e fogo.” “O sal quanto salga, quanto vale.” “Ovo sem sal não faz bem nem mal.” “Peixe podre, sal não cura.” “Quem quiser comer sem sal, vá para o hospital.” “Tudo se quer como o sal na comida”
Texto dramático
Sonia
Created on February 5, 2024
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texto dramático
Leandro, rei da helíria
Leandro, Rei da Helíria: fontes de inspiração
Texto dramático
Autora : Alice Vieira
Leandro, Rei da Helíria: estrutura
Texto principal e texto secundário
O livro: Leandro, Rei da Helíria
http://licoespraticas.blogspot.com/2015/05/sobre-leandro-rei-da-heliria-1991-de.html
O que é texto dramático?
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Resumo(s) da ação
Pelo menos, duas histórias terão servido de inspiração ao texto dramático de Alice Vieira:
Uma das mais famosas tragédias:
Um conto tradicional:
"O Sal e a Água"
"O rei Lear", de William Shakespeare
Estrutura
Estrutura externa da peça
Estrutura interna da peça
Conclusão
O Sal e a Água Um rei tinha três filhas; perguntou a cada uma delas, por sua vez, qual era a mais sua amiga. A mais velha respondeu: – Quero mais a meu pai do que à luz do Sol. Respondeu a do meio: – Gosto mais de meu pai do que de mim mesma. A mais moça respondeu: – Quero-lhe tanto como a comida quer o sal. O rei entendeu por isto que a filha mais nova o não amava tanto como as outras, e pô-la fora do palácio. Ela foi muito triste por esse mundo, e chegou ao palácio de um rei, e aí se ofereceu para ser cozinheira. Um dia veio à mesa um pastel muito bem feito, e o rei ao parti-lo achou dentro um anel muito pequeno, e de grande preço. Perguntou a todas as damas da corte de quem seria aquele anel. Todas quiseram ver se o anel lhes servia; foi passando, até que foi chamada a cozinheira, e só a ela é que o anel servia. O príncipe viu isto e ficou logo apaixonado por ela, pensando que era de família de nobreza. Começou então a espreitá-la, porque ela só cozinhava às escondidas, e viu-a vestida com trajos de princesa. Foi chamar o rei seu pai e ambos viram o caso. O rei deu licença ao filho para casar com ela, mas a menina tirou por condição que queria cozinhar pela sua mão o jantar do dia da boda. Para as festas do noivado convidou-se o rei que tinha três filhas, e que pusera fora de casa a mais nova. A princesa cozinhou o jantar, mas nos manjares que haviam de ser postos ao rei seu pai não botou sal de propósito. Todos comiam com vontade, mas só o rei convidado é que nada comia. Por fim perguntou-lhe o dono da casa porque é que o rei não comia. Respondeu ele, não sabendo que assistia ao casamento da filha: – É porque a comida não tem sal. O pai do noivo fingiu-se raivoso, e mandou que a cozinheira viesse ali dizer porque é que não tinha botado sal na comida. Veio então a menina vestida de princesa, mas assim que o pai a viu, conheceu-a logo, e confessou ali a sua culpa, por não ter percebido quanto era amado por sua filha, que lhe tinha dito que lhe queria tanto como a comida quer o sal, e que depois de sofrer tanto nunca se queixara da injustiça de seu pai. Contos tradicionais portugueses do povo português, recolha por Teófilo Braga, 1.ª ed. – Porto, 1860; com várias reedições nos nossos dias (utilizámos a ed. da D. Quixote, de 1995, com revisão de parágrafos).
«Um rei bondoso, duas filhas más, uma filha boa e um bobo fiel. É assim o reino de Helíria! Tudo está em paz até ao dia em que o Rei tem um sonho muito estranho que o leva a crer que está na altura de abandonar o trono. Como não tem filho varão decide entregar o reino à filha que mais o amar. Para isso, cada uma deve exprimir, por palavras, os seus sentimentos. Amarílis e Hortênsia fazem um lindo discurso comparando o seu amor ao Sol, ao ar e a todos os elementos vitais. Violeta, a filha mais nova, não encontra outra comparação senão a de que quer ao pai tanto como a comida quer ao sal. O Rei não entende esta medida de amor e, furioso, expulsa a filha, para sempre, e entrega metade do reino a cada uma das outras filhas. Mais tarde, as filhas más acabam por expulsar o pai, que caminha durante anos com o seu bobo fiel por terras desconhecidas. Já velho, cansado e cego, encontra, sem saber, o reino de sua filha Violeta. Esta serve-lhe um manjar de comida sem sal. O pai compreende, então, a falta de um bem tão essencial e pede perdão a Violeta por não ter percebido que ela era a única filha honesta e que realmente o amava.» Fonte: Helena, «Leandro, o rei da Helíria” de Alice Vieira», in blogue Português sem fronteiras, 19.01.2012.
Por fim, temos o perdão e o arrependimento transmitidos na última cena no momento em que Leandro se apercebe do quão foi injusto com a única filha que o amava realmente. Violeta perdoa o pai dizendo “Quem ama, senhor, não deve pedir nada em troca desse amor”.Esta história além de nos transmitir valores, fez-nos refletir sobre a importância do sal. Na verdade, este ingrediente tão usual no dia-a-dia, já serviu, em tempos, como pagamento dos ordenados, dando origem à palavra “salário”. O seu valor é de tal ordem que é comparado ao amor sentido por Violeta e à riqueza de uma casa: “Grande vai o mal na casa onde não há sal.” Além deste provérbio, existem mais alguns que passamos a citar: “A religião quer-se como o sal na comida, nem de mais nem de menos.” “O ovo quer sal e fogo.” “O sal quanto salga, quanto vale.” “Ovo sem sal não faz bem nem mal.” “Peixe podre, sal não cura.” “Quem quiser comer sem sal, vá para o hospital.” “Tudo se quer como o sal na comida”