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O fim da Guerra Fria e a dicotomia norte-sul

Renata Moniz

Created on January 22, 2024

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Transcript

O fim do sistema internacional da Guerra Fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul

Índice

O impacto da desagregação do Bloco de Leste

1.

A persistência de tensões no mundo após a Guerra Fria

2.

A hegemonia americana

3.

A União Europeia após a Guerra Fria: aprofundamento, alargamento e desafios

4.

5.

A modernização da China

1. O impacto da desagregação do Bloco do Leste

1.1. Sinais de mudança na URSS: a perestroika

1.2. A dissolução da URSS: a mudança na configuração política e ideológica interna

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1.3. Evolução política e social dos países do bloco soviético

1.4. Uma nova geopolítica internacional

1.5. As transformações económicas no Leste Europeu

1.1. Sinais de mudança na URSS: a perestroika

Em março de 1985, Mikhail Gorbachev foi eleito Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Assumiu o poder disposto a enfrentar os problemas que afetavam a URSS.

Problemas económicos

  • Estagnação da economia;
  • Queda do preço do petróleo;
  • Escassez crónica de bens de consumo;
  • Aumento da dívida do Estado.

Problemas ambientais

  • Acidente nuclear de Chernobyl (Ucrânia), em 1986.

Problemas políticos

  • Burocracia excessiva;
  • Corrupção do aparelho do Estado;
  • Ineficácia política na resposta ao acidente nuclear de Chernobil, que acentuou a descredilização do regime.

Problemas militares

  • Desgaste provocado pela manutenção da Guerra do Afeganistão (1979 - 1989);
  • Elevados gastos com o envolvimento em conflitos da Guerra Fria e o reforço do armamento para responder ao programa dos EUA "Guerra das Estrelas".

Mikhail Gorbachev, apesar da oposição dos setores mais conservadores do Partido Comunista, implementou a Perestroika.

Perestroika - em russo, significa "reestruturação", ou seja, um conjunto de reformas económicas para reestrtuturas e modernizar a economia, com o reconhecimento da livre iniciativa e a abetura das relações comerciais com o Ocidente.

No plano interno, a Perestroika traduziu-se, ao nível económico, em diversas iniciativas de modernização, e em termos políticos, na adoção de medidas de abertura política e social, conhecida como Glasnot (transparência).

Reestruturação económica

  • Promoção da autonomia na gestão das esmpresas;
  • Liberdade de criação de cooperativas de produção de bens de consumo;
  • Legalização de empresas privadas no comércio e serviços;
  • Autorização de sociedades mistas com capital estrangeiro;
  • Arrendamento de terras aos camponeses.

Política da Transparência

  • Libertação dos dissidentes políticos;
  • Reabilitação das vítimas do estalinismo;
  • Abrandamento da censura e liberdade de expressão, com possibilidade de discussão de assuntos políticos em público;
  • Abertura da vida cultural e inteletual;
  • Democratização do Partido Comunista e abertura ao multipartidarismo e ao voto secreto.

No plano externo, Gorbachev pôs fim à ocupação soviética do Afeganistão, regularizou as relações diplomáticas com a China e aproximou a URSS da Europa Ocidental e dos Estados Unidos.

Em 1987, foi assinado em Washington, o Tratado Americano-Soviético sobre armas nuclerares de médio alcance, incluindo SS-20 e Pershing II. Foi considerado o primeiro verdadeiro acordo de desarmamento nuclear e assinalou o fim da corrida às armas entre as duas superpotências.

Em 1991, foi assinado o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I), sobre o controlo de armas nucleares, entre a administração norte-americana de George Bush e a URSS.

O desejo de pôr fim à Guerra Fria era evidente.

No Bloco Ocidental, em especial nos EUA, a perestroika foi encarada com expectativa e a opinião pública olhou esperançosa para a hipótese de uma nova atitude da URSS nas relações internacionais.

A política de abertura e de reestruturação interna não obteve os efeitos desejados em vários domínios, evidenciando várias contradiçoes, em resultado de diversos fatores.

Fatores da não concretização/ implementação da Perestroika e Glasnost

Falta de legislação específica para regular a reestruturação económica

  • A introdução da prática da economia de mercado não foi acompanhada por um sistema de regulação;
  • Surgiu uma economia paralela e a produção colapsou;
  • O sistema foi afetado por manifestações e greves.

A constestação e a crise política agudizaram-se

  • A liberdade de expressão e de associação possibilitou a divulgação de acontecimentos e ideias;
  • Abriu caminho à crítica interna, que pôs em causa o regime e a ideologia.

O nacionalismo dos povos não russos (que integravam a URSS), sujeitos à russificação, eclodiu

  • A maior liberdade possibilitou a eclosão de movimentos autonomistas/ independentistas.

O acidente no Central Nuclear de Chernobyl na República Soviética da Ucrânia

  • Enfraqueceu a política reformista, afetou a imagem da URSS e pôs em causa a capacidade do Estado em garantir a segurança dos cidadãos;
  • O tardio reconhecimento público do desastre contrariou a ideia de transparência;
  • A eficácia do Estado soviético na defesa e na segurança dos cidadãos foi posto em causa.

A nível político e militar - limitação de compromissos internacionais

  • A redução das despesas militares e o fim do envolvimento soviético em diferentes partes do mundo puseram em causa o papel da URSS como superpotência.

A situação tornou-se quase caótica. Gorbachev tornou-se impopular junto da opinião pública interna (tanto dos conservadores como dos reformistas), ao contrário do que aconteceu no Ocidente, onde ganhou popularidade.

1.2. A dissolução da URSS: a mudança na configuração política e ideológica interna

A dinâmica de desintegração face ao poder central da URSS não foi interrompida. Os setores conservadores resistiram às políticas reformistas e Gorbachev ficou cada vez mais isolado. Deu-se uma tentativa de golpe de Estado, em 1991, que apesar do seu insucesso, comprometeu, irreversivelmente, a liderança, já abalado, de Gorbachev. Deu, no entanto, protagonismo a Boris Ieltsin, que veio a tornar-se presidente da Federação Russa (estado que sucedeu a URSS, em 1991, e que abrange três quartos do antigo território).

1.3. Evolução política e social dos países do bloco soviético

A desintegração do espaço geopolítico da União Soviética provocou, ao longo da década de 90, transformações profundas.

Na Federação Russa

A Federação Russa, após o fim da URSS, procurou exercer a sua influência no espaço da CEI mas os interesses divergentes dos vários Estados provocaram tensões.

A partir dos anos 2000, com a presidência de Vladimir Putin, a Rússia procurou renovar o seu estatuto de grande potência e reafirmir a sua hegemonia no espaço pós-soviético e contexto internacional.

Conflitos interétnicos e territoriais

  • As fronteiras herdades da era soviética provocaram contestações territoriaís que originaram conflitos interétnicos;
  • A Rússia envolveu-se em conflitos noutras repúblicas do novo espaço geopolítico e procurou ganhar influência:
  • Na região de Nagorno-Karabakh, no Azerbaijão;
  • Na Ossétia do Sul e Abcásia, na Geórgia;
  • Na Transnístria, na Moldávia.

Tensões interétnicas e exigências separatistas dentro das fronteiras da Rússia

  • Algumas repúblicas demonstraram a sua oposição ao governo central, colocando as suas leis acima da lei federal, como a Chechénia

Na Europa de Leste

A consequência imediata da perestroika e da política de transparência foi a contestação do controlo soviético nos países satélites da URSS. Iniciou-se um movimento de emancipação relativamente ao domínio do partido único e à ideologia comunista, que teve na queda do Muro de Berlim um momento símbolico.

Subida ao poder de líderes não comunistas, entre 1989 e 1990

  • Lech Walesa, na Polónia;
  • Václav Havel, na Checoslováquia.

Na Hungria

  • As manifestações contra o regime multiplicaram-se entre 1987 e 1988;
  • Em outubro de 1989, adotou o pluralismo político e, em maio, pós fim à "cortina de ferro" que a separava da Áustria.

Na República Democrática Alemã (RDA)

  • A queda do Muro de Berlim ocorreu a 9 de novembro de 1989;
  • Início do processo de reunificação da Alemanha, concretizado em outubro de 1990.

A desagregação da URSS determinou, em junho e julho de 1991, a extinção do COMECON e a dissolução do Pacto de Varsóvia, respetivamente. A retirada do Exército Vermelho dos países da Europa de Leste foi outra decisão que competou o processo.

No espaço geopolítico pós-soviético, colocaram-se muitos desafios ao nível da evolulçao política e social:

  • Fluxos migratórios provocados pela independência das repúblicas soviéticas, com implicações sociais e económicas;
  • Recuo dos partidos comunistas e alargamento do espetro político a partidos com várias matrizes ideológicas;
  • Dificuldade de afirmação democrática perante o avanço de governos populistas com contornos autoritários.

O retorno à Europa democrática e liberal e a integração na União Europeia (UE) afirmou-se como o objetivo político dos Estados bálticos e de algumas antigas democracias populares, que se afigurou como o meio para alcançar um futuro de prosperidade e desenvolvimento.

1.4. Uma nova política geopolítica internacional

As mudanças analisadas implicaram a criação de uma nova ordem internacional a partir dos anos 90 do século XX, em que a geopolítica, estudo da influência dos fatores geográficos, económicos e culturais sobre a ação política dos Estados sobre as relações internacionais, ficou associada ao fim da Guerra Fria e do mundo bipolar.

A geopolítica resultante do colapso dos regimes comunistas da URSS e do Pacto de Varsóvia foi caracterizada pela recomposição territorial e fragmentação política. Redesenharam-se as fronteiras e criaram-se novos Estados.

Muitos dos novos países do antigo Bloco de Leste realizaram uma aproximação ao Ocidente para obter assistência económica, a fim de facilitar a transição. Essa aproximação concretizou-se através da integração no Conselho da Europa e na adesão à União Europeia, com alargamentos geográficos para Leste.

Acompanhando essa tendência, a NATO propôs em 1994 uma "parceria para a paz" aos antigos membros da Pacto de Varsóvia. Em 1991, a Hungria, a República Checa e a Polónia aderiram à NATO e, em 2005, foi a vez da Estónia, Letónia, Lituânia, Bulgária, Roménia, Eslováquia e Eslovénia.

Após as revoluções na Geórgia e na Ucrânia, estes países, juntamente com a Moldávia, manifestaram o seu desejo de aderir à Aliança Atlântica, mas a sua candidatura foi rejeitada na Cimeira de Bucareste, em 2008, enquanto a Croácia e a Albânia foram convidadas a aderir em 2009. O alargamento da NATO a Leste é um dos motivos da tensão entre o Ocidente e a Federação Russa.

O fim da Guerra Fria e do bipolarismo abriu perspectivas para uma nova era de paz no mundo e de afastamento da ameaça nuclear, bem como a difusão da democracia e do capitalismo. A ONU adquiriu maior protagonismo e reforçou a sua intervenção no mundo. Os Estados Unidos afirmaram-se como a potência liderante do mundo unipolar dos anos 90, a União Europeia consolidou a importância e a China evidenciou-se como potência mundial.

1.5. As transformações económicas no Leste Europeu

A evolução política, económica e social da Federação Russa, nas ex-repúblicas soviéticas e nos ex-países satélites seguiu vias diferentes, ainda que a consolidação da democracia e do capitalismo constituíssem um objetivo comum.

A transição para a economia de mercado

Com a queda do bloco soviético, em 1991, a Federação Russa confrontou-se com diversas dificuldades, associadas à transição para a economia de mercado.

Como se processou a liberalização da economia? Quais as consequências desta liberalização?

O fim do apoio do Estado às empresas originou diversos problemas, uma vez que as práticas associadas à livre iniciativa e à livre concorrência, próprias de uma economia de mercado, eram então inexistentes.

A legalização da propriedade privada foi insuficiente para criar o sistema capitalista e o mercado livre. A corrupção acentuou-se, a par do crescimento das máfias. As dificuldades económicas acentuaram as desigualdades sociais e a riqueza centrou-se nas mãos de uma minoria (antigos gestores estatais e altos funcionários do partido).

A liberalização da economia não correspondeu às expectativas da maioria da população. Uns estavam descontentes com o agravamento das condições de vida e preocupados em garantir a sobrevivência quotidiana, enquanto outros se mostravam esperançosos com as transformações que podiam ocorrer.

2. A persistência das tensões no mundo após a Guerra Fria

O fim das rivalidades entre EUA e URSS não significou o fim das tensões. Novos problemas emergiram no mundo que deixou de ser bipolar. Tensões de diversos tipos estiveram na base da eclosão de novos conflitos localizados e de guerras regionais.

Que tipo de conflitos marcaram o mundo depois da Guerra Fria?

Conflitos étnicos

  • Resultaram do acentuar das diferenças de populações com origens históricas, culturais e, étnicas diversas que, vivendo no mesmo Estado, mantinham uma cultura e até línguas distintas.

Conflitos religiosos

  • Resultaram da intolerância religiosa entre comunidades com diferentes crenças e práticas religiosa, associada a rivalidades políticas e a diferenças de tratamento com base em motivos religiosos.

Conflitos nacionalistas

  • O acentuar dos nacionalismos provocou conflitos violentos. A reunião de várias nacionalidades em Estados federados, em alguns casos, por conveniência política e ideológica, por exemplo a URSS e a Jugoslávia, contribuiu para o despoletar de rivalidades, manifestações de separatismo e movimentos de independência, acompanhadas, por vezes, de problemas étnicos.

Os nacionalismos e os conflitos étnicos e religiosos com base em questões políticas, territoriais e culturais reacenderam-se, no contexto da desestruturação que marcou o fim do Bloco de Leste e das mudanças políticas e ideológicas que levaram ao fim da Guerra Fria e do mundo bipolar. Em muitos casos, os defensores destas causas recorreram a ataques terroristas para fazerem valer as suas reivindicações.

Onde emergiram os conflitos?

Para além da Europa, fizeram-se sentir noutras regiões - Médio Oriente, África e Ásia.

Europa

Foram vários os conflitos de cariz nacionalista, de tipo separatista, associados a motivos étnicos e religiosos que deflagraram na Europa decorrentes do desfecho da Guerra Fria que persistiram no quadro geopolítico.

Balcãs - Guerras da Jugoslávia

  • A desagregação da Jugoslávia, a partir de 1991, fez ressurgir os nacionalismos, na sequência da proclamação da independência da Croácia;
  • Pôs em confronto sérvios, cristãos-ortodoxos e albaneses muçulmanos, que disputaram a soberania na Bósnia-Herzegovina e no Kosovo. Em 1992 foi proclamada a República da Bósnia-Herzegovina. A comunidade sérvia cristã ortodoxa confrontou-se com a comunidade bósnia muçulmana;
  • O cessar-fogo não foi respeitado e, em 1995, as forças da NATO foram mobilizadas para uma intervenção em Saravejo, capital da Bósnia. A guerra terminou com a assinatura dos Acordos de Dayton, que estabeleceram a partilha do território;
  • No Kosovo, entre 1998 e 1999, a Sérvia opôs-se à maioria albanesa e o confronto entre as duas comunidades levaram, uma vez mais, à intervenção da NATO;
  • Tanto na Bósnia como no Kosovo, a violência étnica e religiosa assumiu contornos de genocídio.
  • Matou aproximadamente 100.000 pessoas;
  • Expulsou mais de um milhão de pessoas do seu território;
  • Massacre de Srebenica: 8.000 bósnios muçulmanos foram arbitrariamente executados por tropas servas;
  • As Nações Unidas tentaram proteger a população muçulmana - "safe places", mas inclusive esses foram invadidos e destruídos.

Mapas relativos à evolução territorial dos países que atualmente ocupam o espaço da antiga Jugoslávia.

Cáucaso - Movimentos separatistas nas ex-repúblicas da União Soviética

  • A Chechénia lutou pela independência face à Federação Russa mas continua integrada na Rússia, com um governo apoiado por Vladimir Putin;
  • Na Geórgia os separatistas pró-russos da Ossétia do Sul e da Abecásia declararam, unilateralmente, a sua independência, que não foi reconhecida, apenas apoiada pela Rússia, que mantém pretensões sobre o território.

Ucrânia

  • A Crimeia foi anexada, em 2014, pela Federação Russa;
  • Em 24 de fevereiro de 2022, a Ucrânia foi invadida pelo exército russo.

Médio Oriente

Para além do conflito entre Israel e Palestina, o Irão, o Iraque e a Síria são outras regiões onde se vivem tensões. As motivações fronteiriças, decorrentes da descolonização e da Guerra Fria, a desigual repartição dos recursos petrolíferos e da água e as questões religiosas constituem-se como principais fatores das hostilidades. O sionismo (ideologia que defende o regresso dos judeus ao Estado de Israel, com a concessão da cidadania israelita, de modo a pôr fim à diáspora judaica) e o fundamentalismo islâmico motivam os nacionalismo que, associados a regimes políticos autoritários, são causadores de forte instabilidade, manifestando-se em conflitos.

Palestina e Israel

  • O expansionismo judaico fez despertar o nacionalismo palestiniano entre as populações árabes e muçulmanas;
  • As tensões entre israelitas e palestinos vêm desde o ínicio do século XX.
  • 1947: As Nações Unidas votaram a divisão da Palestina em dois estados: um judeu e um árabe.
  • 1948: O Estado de Israel é oficialmente criado.
  • 1964: formação da Organização da Libertação Palestiniana.
  • Década de 70: acordo entre Israel e o Egipto.

Isaac Rabin (Israel), Bill Cliton (EUA) e Yasser Arafat (líder da Autoridade Palestiniana).

  • Opôs o Estado de Israel à Organização da Libertação (OLP). O avanço na resolução do conflito ocorreu com a assinatura dos Acordos de Oslo (1993), mediados pelos EUA, que deram à Autoridade Palestiniana a possibilidade de exercer uma soberania limitada nos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Porque se mantêm a disputa entre Israel e a Palestina?

  • Ambos os Estados não entram em acordo sobre as delimitações das suas fronteiras;
  • Colonatos judeus em territórios palestinianos: são considerados ilegais, apesar dos argumentos de cariz histórico e biblíco utilizado pelos israelitas;
  • Jerusalém: ambos os Estados pretendem que a cidade seja a sua capital;
  • Refugiados: atualmente, entre 5 a 6 milhões de refugiados palestinianos permanecem apátridas, sendo que muitos vivem em campos sobrelotados. (Reuters, 2023)

Irão - Iraque

  • O Irão, desde 1979, data em que se constituiu como República Islâmica xiita, liderada por um líder religioso, tornou-se o centro do fundamentalismo islâmico. Desde então, reivindica a Guerra Santa contra o Ocidente;
  • O Iraque assistiu, em 2003, à queda do regime de Saddam Hussein, em resultado da intervenção dos EUA e de uma força internacional, sob pretextos que dividiram a comunidade internacional (luta contra o terrorismo e alegada posse de armas de destruição maciça). Desde 2003, é um país marcado por diversos conflitos que se agravaram com a rivalidade entre sunitas, xiitas e curdos. É um foco de conflitos que põe em risco a paz e a estabilidade na região.

Síria

  • A luta pela deposição do regime autoritário de Bashar al-Assad desencadeou, desde 2011, uma guerra civil onde se confrontaram diversas minorias étnicorreligiosas, e que conta com a intervenção estrangeira;
  • O regime de Bashar al-Assad é apoiado pela Rússia, através da sua intervenção no território desde 2015.

África

Com o fim da Guerra Fria, as duas superpotências retiraram o seu apoio político-militar a movimentos que se apoiavam em guerras civis e a países seus aliados. Foi o que aconteceu na África do Sul, com o fim do apoio americano ao regime de apartheid, abolido em 1991, ou do apoio à assinatura de acordos que puseram fim às guerras civis de Angola e Moçambique.

Este continente, marcado pelo contraste entre as riquezas que possui e a degradação das condições de existência humana, vive diversos conflitos que resultam de disputas pelo controlo de recursos naturais (diamantes, petróleo ou ouro), de razões étnicas, associadas ao tribalismo e, nos últimos anos, do fundamentalismo islâmico.

Ruanda

  • A oposição entre hutus e tutsis (minoria com poder político), em 1994, provocou o genocídio de milhares de tutsis.
  • Durante a primeira colonização realizada pelo Império Alemão, as fontes apontam que a intervenção os alemães não alteraram em muito as estruturas sociais.
  • A Bélgica irá manter essa estratégia, mas irá beneficiar os tutsis em detrimento dos hutus.
  • 1961: Independência de Ruanda.
  • 1974: Juvenal Habyarimana inicia um regime ditatorial, após dissolver todas as instituições de cariz democrático. Será um hutu a governar para hutus.

"A característica mais singular, e mais perturbadora, do genocídio ruandês foi ter sido um genocídio de proximidade. Entre Abril e Julho de 1994, o país dividiu­‑se de facto entre carrascos, vítimas e testemunhas. Foi um período em que professores mataram alunos, médicos mataram pacientes, padres mataram fiéis, irmãos mataram irmãos. As actividades do quotidiano ficaram suspensas e o país transformou­‑se num gigantesco campo de morte a céu aberto, num cenário em que a morte violenta, as pilhagens e violações se tornaram absolutamente banais, como se de uma extensão dos trabalhos do campo se tratasse." (Pinto, 2011, p. 48)

"A história nos revela que, durante séculos, “os corpos de civis não armados, principalmente mulheres e meninas, transformaram-se em ‘campos de batalha’ com taxas elevadas durante períodos de conflito" (Antunes, 2013, p. 10)

As violações praticadas em ambientes de conflito armado são uma estratégia. São uma tática de humilhação. São uma tática para gerar terror e demonstrar dominação sobre a população civil adversária.

A "Amnistia Internacional", contabiliza que foram entre 250 mil e meio milhão de mulheres vítimas desse crime.

Sudão

  • O Norte muçulmano confrontou-se com o Sul cristão e levou à independência do Sudão do Sul, de maioria cristã, em 2011;
  • Desde 2003, o conflito do Darfur opões grupos rebeldes ao poder central.

Nigéria

  • A luta entre cristãos e muçulmanos opõe o Sul ao Norte, respetivamente;
  • O grupo terrorista Boko Haram persegue, desde 2011, os cristãos do Sul e luta pela imposição da lei islâmica.

"A menina e o abutre", 1993 - Foto de Kevin Carter, com a qual o fotógrafo ganhou um Pulitzer.

Ásia

China

  • O Tibete, budista, procura libertar-se do domínio chinês, para manter a sua cultura e identidade nacional;
  • Na província de Xinjiang, grupos separatistas armados lutam pela independência do território, que consideram ter sido ilegalmente anexado;
  • Taiwan resiste à integraçao na República Popular da China.

Indonésia

  • A revisão política externa americana após o fim da Guerra Fria pressionou a Indonésia para a resolução da questão de Timor (invadido e ocupado desde 1975), o que veio a culminar com o referendo de 1999 e a independência de Timor, em 2002;
  • Em 2005, um acordo pôs fim ao conflito de Aceh, onde rebeldes muçulmanos lutavam pela separação face à Indonésia.

Afeganistão

  • A rivalidade entre os talibãs (radicais muçulmanos de maioria étnica pashtun) e os tajiques acentuou-se a partir de 1989, depois da retirada das tropas soviéticas do país;
  • Em outubro de 2001, os EUA e outros países ocidentais, à revelia da ONU, juntamente com a Aliança do Norte, enfrentaram os talibãs. O objetivo era encontrar Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda, responsabilizado pelos ataques terroristas às Torres Gémeas, em 11 de setembro de 2001;
  • Em 2003, a NATO assumiu o comando das forças internacionais;
  • Em 2021, as forças internacionais abandonaram o Afeganistão, que voltou a ser controlado pelos talibãs.

3. A hegemonia americana

Na nova ordem internacional nascida a partir de 1991, na sequência do colapso da URSS e do bloco comunista, os EUA assumiram a hegemonia enquanto superpotência, associada aos seguintes presidentes:

Quais os indicadores que evidenciam a hegemonia americana

A prosperidade económica

A prosperidade económica americana tornou-se um padrão de referência do seu desenvolvimento e símbolo do seu poder.

A economia americana cresceu ininterruptamente na última década do século XX, o que permitiu o aumento do PIB em cerca de 3,7% em média, refletindo-se de forma muito positiva ao nível dos seguintes indicadores:

  • Redução da taxa de desemprego;
  • Aumento da atividade empresarial;
  • Diminuição da inflação;
  • Crescimento dos incentivos ao investimento.

Como se desenvolveram os vários setores económicos?

Setor primário

  • Beneficiou dos progressos da mecanização, da irrigação e da biotecnologia: a aplicação da investigação e de novas técnicas à agricultura tornou-a uma atividade tecnologicamente inovadora;
  • Os EUA controlam 20% da exportação dos produtos agrícolas a nível mundial, através da sua participação da OMC;
  • A indústria alimentar beneficiou da mundialização das grandes empresas americanas, que colocam os seus produtos nos mercados internacionais (McDonald's, por exemplo).

Setor secundário

  • Reestruturação das indústrias tradicionais: a indústria têxtil desmoralizou-se para regiões a sul dos EUA, como o México, onde a mão de obra era mais barata;
  • A mão de obra abundante e barata permitiu assegurar a produção de 25% dos tecidos mundiais;
  • A indústria automóvel internacionalizou os seus investimentos e aliou-se a outros construtores e marcas;
  • A indústria química ocupa um lugar de destaque mundial;
  • A indústria de refinação do petróleo assume-se como uma das maiores do mundo;
  • As indústrias ligadas à tecnologia de ponta evidenciam um crescimento notável e constituem-se como gigantes mundiais (IBM, Hewlett-Packard, NCR, Digital Equipament, General Eletric);
  • As indústrias militar, aeronáutica e aeroespacial desempenham um papel relevante no dinamismo económico.

Setor terciário

  • Os serviços assumem-se como o primeiro setor gerador de emprego (ocupa mais de 70% da população ativa) e, por isso, os EUA constituem-se com o mais importante exportador de serviços;
  • Os EUA beneficiam da participação nos mercados regionais, por intermédio da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation - Cooperação Económica Ásia-Pacífico) e da NAFTA (North American Free Trade Agreement - Acordo de Comércio Livre Norte-Americana - ALENA);
  • Os EUA têm um papel de liderança em organizações económico-financeiras promotoras do capitalismo - como o GATT e o FMI.

A prosperidade económica americana beneficiou ainda de outros fatores:

  • Existência de infraestrutura modernas e desenvolvidas ao nível dos transportes e das comunicações;
  • Existência de recursos naturais, num território vasto e rico;
  • Elevado nível de educação e formação;
  • Forte investimento em investigação e inovação;
  • Sistema de impostos favorável, o que torna a economia dos EUA mais competitiva e atrativa ao investimento;
  • Espírito de iniciativa e de inovação;
  • Liberdade empresarial, o que permitiu não só o desenvolvimento de multinacionais, mas também de uma rede de Pequenas e Médias Empresas (1/3 dos postos de trabalho)

Também a política desenvolvida durante as presidências de Bill Clinton, entre 1993 e 2001, foi determinante para o crescimento da economia americana, devido à maior abertura do mercado e do sistema capitalista (NAFTA e APEC).

A década de 2000 revelou algumas dificuldades económicas que abalaram os EUA. O início do século XXI ficou marcado pela substituição do mundo unipolar que marcou a década de 90 do século XX, saído da Guerra Fria, por um mundo multipolar, marcado por vários centros de poder, no qual os Estados Unidos se confrontam com a rivalidade de outros países ou regiões (como a China e a União Europeia), que procuram afirmar-se na economia global.

Dinamismo científico e tecnológico

Desde os anos 90 que a política americana tem privilegiado a aposta na ciência e na tecnologia, na formação e no desenvolvimento de competência, sendo de destacar os seguintes fatores:

  • Aplicação do investimento no desenvolvimento científico e tecnológico através da iniciativa privada, do incentivo estatal e da investigação universitária;
  • Incentivo à atração de "cérebros" e à formação, detendo cerca dos 23% dos graduados a nível mundial;
  • Criação de polos científicos e tecnológicos que associam empresas e universidades, como Silicon Valley;
  • Aplicação das inovações ao nível da informática e das comunicações (TIC) e os avanços na biotecnologia contribuíram para o desenvolvimento de diversos setores económicos (agricultura, indústria química, indústria farmacêutica e medicina), tornando-os mais competitivos.

A informatização e o desenvolvimento das tecnologias de ponta, aplicadas aos diferentes setores produtivos e aos serviços, alteraram profundamente a competitividade económica, a forma de comunicar e de viver. Esta "nova economia" ou economia informacional, contribuiu para a supremacia americana no mundo.

Supremacia militar

Os EUA mantiveram, após o fim da Guerra Fria, o lugar de superpotência militar. Dispunham de um elevado orçamento destinado à defesa e de um exército numeroso e modernizado, apoiado numa indústria militar tecnologicamente avançada.

Como afirmara os EUA essa supremacia?

Após a vitória na guerra do Golfo (1990 - 1991, aquando da ameaça da soberania do Kuwait devido à invasão iraquiana), assistiu-se ao reforço do papel militar dos EUA. Líderes na difusão da democracia e do capitalismo, interfiram em diversas partes do mundo, sobretudo no quadro de cooperação e em parceria com a ONU e a NATO.

Quais as razões que levaram os Estados Unidos a intervir no mundo?

Manter a paz e a ordem mundiais

Consolidar o Capitalismo

Promover a democracia e destruir os regimes ditatoriais

A par do intervencionismo americano, a presença militar manifesta-se, ainda, através das frotas e efetivos materiais e humanos, bem como das bases militares em diversas regiões do mundo, em articulação com a superioridade tecnológica do seu armamento. Os EUA são considerados os "polícias do mundo".

Responder a ações de carácter humanitário

Combater o terrorismo

A hegemonia americana apoia-se igualmente na relação com os seus aliados e na liderança das alianças militares do tempo da Guerra Fria (como a NATO), entretanto alargadas a novos membros do Leste Europeu, ou em organismos internacionais, como a ONU.

Com vista a reforçar o seu papel militar, os EUA aplicam igualmente sanções económicas (unilateralmente ou em consonância com organismos internacionais) para punir os países que violam os valores da democracia, da liberdade, dos direitos humanos, da paz e da segurança mundial, privando-os das vantagens da participação no comércio internacional.

A supremacia americana no mundo unipolar dos anos 90 foi contestada a partir de 2000 e confrontou-se com vários desafios:

  • Atentados terroristas;
  • Surgimento de diversos conflitos no mundo;
  • Crescente supremacia comercial da China;
  • Consolidação da União Europeia;
  • Reafirmação Rússia no quadro geopolítica;
  • Ascensão de novos atores político e económicos - países emergentes, como a Índia, o Brasil, a África do Sul ou a Turquia.

4. A União Europeia após a Guerra Fria: aprofundamento, alargamento e desafios

4.1. O processo de aprofundamento: do Ato Único ao Tratado de Maastricht

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4.2. A instituição da cidadania europeia

4.3. Do Tratado de Amestradão ao Tratado de Lisboa

4.4. Os desafios sobre o futuro da Europa

4.5. A importância da União Europeia no sistema mundial

4.1. O processo de aprofundamento: do Ato Único ao Tratado de Maastricht

O relançamento da construção europeia ocorreu a partir de 1985, ano em que na URSS tiveram início as transformações políticas e económicas no contexto da perestroika.

Franços Mitterrand (França, entre 1981 e 1995), Helmut Khol (Alemanha, 1981 e 1996) e Jacque Delors (Presidente da Comissão Europeia, 1985 e 1995) foram os protagonistas deste processo do aprofundamento de políticas comuns e do alargamento a novos Estados. As mudanças impulsionadas nestes dois domínios permitiram construir uma Europa mais forte com mais peso na cena internacional, capaz de concorrer com os Estados Unidos e China.

O processo de aprofundamento e de alargamento ficou associado a um conjunto de acontecimentos.

1986

  • Ato Único Europeu;
  • Entrada de Portugal e Espanha - Europa dos Doze.

1992

  • Tratado de Maastricht.

1995

  • Alargamento a três países - Europa dos Quinze.
  • Entrada em vigor dos Acordos de Schengen.

1997

  • Tratado de Amesterdão.

1998

  • Criação do BCE.

2001

  • Tratado de Nice.

2002

  • Entrada em vigor do euro.

2004

  • Tratado Constitucional.
  • Alargamento a dez países - Europa dos Vinte e Cinco

2005

  • Rejeição do Tratado Constitucional.

2007

  • Tratado de Lisboa.
  • Alargamento a dois países: Europa dos Vinte e Sete.

2013

  • Alargamento a um país - Europa dos Vinte e Oito.

2016

  • Referendo no Reino Unido.

2020

  • Brexit (saída do Reino Unido da UE) - Europa dos Vinte e Sete

O Ato Único Europeu, que entrou em vigor em 1987, assinado pelos 12 Estados-membros (Bélgica, Alemanha, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Grécia, Espanha e Portugal), foi importante no aprofundamento da Comunidade pelas disposições nele consagradas.

  • Criação do Mercado Único, um espaço sem barreiras alfandegárias para os produtos agrícolas e industriais, que entrou em vigor em 1993, e um mercado aberto para a livre circulação de capitais e pessoas;
  • Institucionalização do Conselho Europeu e reforço do papel do Parlamento Europeu, que passou a dispor de maior poder de decisão;
  • Intervenção em domínios da política comum, como a agricultura, pescas e educação (programas de mobilidade como Erasmus, Sócrates e Leonardo da Vinci);
  • Implementação do programa de apoio ao desenvolvimento regional (atraves do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) para combater as desigualdades entre as diversas regiões europeias;
  • Criação de programas de apoio ao desenvolvimento externo e intercâmbio com países de África, Caraíbas e Pacífico.

A partir dos anos 90, após a queda do Muro de Berlim, a reunificação alemã e a derrocada do mundo soviético, assitiu-se ao aprofundamento do projeto europeu, com a assinatura, em 1992, do Tratado de Maastricht, que criou a União Europeia.

  • A Comunidade Económica Europeia (CEE) deu lugar à União Europeia (UE);
  • Estabelecimento da ação da UE assente em três pilares: comunitário, diz respeito ao funcionamento das Comunidades Europeias e integra a CECA, a CEEA e CE; Política Externa e de Segurança Comum (PESC), para preservar a paz, a segurança e os valores comuns; cooperação política e judiciária em matéria penal, garantindo a proteção e segunrança dos indíviduos.
  • Instituição da União Económica e Monetária e do Banco Central Europeu (CEE);
  • Reforço das prerrogativas legislativas do Parlamento Europeu;
  • Criação da cidadania europeia para a aproximar a Europa dos cidadãos e promover a sua identificação com a UE.

O Tratado de Maastricht estabeleceu a entrada em vigor da moeda única - o Euro - nos mercados cambiais e financeiros, em 1999. O euro entrou em circulação, em 2002, no espaço geográfico dos Estados-membros que aderiram à moeda única - Zona Euro.

Qual o papel do BCE?

  • Política económica e monetária da UE;
  • Gestão da moeda única;
  • Fixação das tacas de juro com vista a controlar a inflação;
  • Supervisão e coordenação dos bancos centrais;
  • Equilíbrio das taxas de câmbio;
  • Emissão de moeda.

A adoção do PESC permitiu à UE a definição de um conjunto mais alargado de competências e de ações na gestão de crises, na definição de políticas militares e de missões de segurança e cooperação internacional. A PESC é um instrumento multinacional que abrange todos os Estados-membros.

A assinatura do Tratado de Maastricht significou a transferênccia de parte da soberania dos Estados-membros para a UE, o que reforçou a ideia de federalismo. Acentuou-se o debate nos Estados-membros (que se mantém atual): enquanto alguns cidadãos e políticos defendem a ideia de uma Europa política e fortalecimento das instituições supranacionais, associadas a uma opção federalista, outros defendem apenas um maior aprofundamento no sentido da cooperação e políticas comuns em áreas defenidas.

4.2. A instituição da cidadania europeia

A cidadania europeia, consagrada no Tratado de Maastricht, deu um novo dinamismo ao processo de aprofundamento da UE. A cidadania confere um conjunto de direitos e deveres a quem detêm a nacionalidade de um Estado-membro.

Para aprofundar a cidadania europeia, o Tratado de Lisboa (2007) instituiu o direito de iniciativa, segundo o qual uma comissão de Cidadãos (ONG, associação, partido político, etc.) tem a possibilidade de apresentar uma Iniciativa Europeia de Cidadãos, que entrou em vigor em 2012. Os cidadãos participam na definição de políticas, convidando a Comissão Europeia a apresentar propostas legislativas.

4.3. Do Tratado de Amesterdão ao Tratado de Lisboa

A partir de 1992, outros tratados e acordos continuaram o aprofundamento da UE, conforme se apresenta no esquema abaixo:

Abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas

No processo de aprofundamento destacou-se a abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas. Em 1995, com a assinatura do Acordo de Schengen, suprimiram-se os controlos nas fronteiras e passou a ser possível aos cidadãos deslocarem-se, viverem e trabalharem em qualquer Estado do Espaço Schengen.

Embora teoricamente não haja controlos nas fronteiras internas neste espaço, estas podem ser reativadas temporariamente para a manutenção da ordem pública ou da segurança nacional (como acorreu aquando das restrições durante a pandemia de COVID-19 em 2020-2021).

Reforço na estrutura e funcionamento das instituições europeias

Em 1997, o Tratado de Amesterdão instituiu o princípio da cooperação reforçada que marcou o início da Europa a várias velocidades (Europa "à la carte"). Os Estados-membros passaram a poder decidir sobre a sua participação no conjunto das políticas comuns, na adesão ao Espaço Schengen ou à Zona Euro.

O Tratado de Nice, assinado em 2001, procurou reforçar as instituições europeias para responderem ao alargamento a Leste. Conferiu mais poderes ao Parlamento Europeu e ao Presidente da Comissão Europeia e alargou a votação por maioria, no Conselho Europeu, a mais áreas.

O aprofundamento continuou com a elaboração do Tratado Constitucional, em 2004. A sua rejeição em 2005, por referendo, em Franca e nos Países Baixos, constituiu uma derrota na constituição de uma Europa Federal.

Uma vez suspenso o projeto de Constituição Europeia, o Tratado de Lisboa, assinado em 2007, coloco os poderes legislativos do Parlamento Europeu a par do Conselho da União Europeia. O Parlamento Europeu passou a dispor de maior poder de decisão política e de competências orçamentais. O Tratado de Lisboa passou a prever uma cláusula de saída que dá aos Estados-membros a possibilidade de abandonarem a UE (artigo 50.º). Com este tratado, a Europa ganhou maior visibilidade internacional com o reforço da representação externa através da criação de novos cargos.

Direitos fundamentais

A consolidação das instituições e do projeto da UE passou também pela consagração dos direitos fundamentais que constam na Carta dos Direitos Fundamentais da União dividida em seis capítulos: dignidade, liberdade, igualdade, solidariedade, cidadania e justiça, assinada em 2007. A Polónia é o único Estado-membro que, por razões políticas, a aplica parcialmente

4.4. Os desafios sobre o futuro da Europa

A questão dos alargamentos

A entrada de um Estado europeu estava prevista no Tratado de Roma, desde 1957, mas sem condições concretas definidas, para além da existência de um sistema político baseado em valores democráticos.

Os critérios de adesão a cumprir pelos candidatos à integração na União Europeia foram reforçados em 1993 pelo Conselho de Compenhaga e, em 1997, pelo Tratado de Amesterdão.

Critérios políticos

  • Possuir instituições estáveis e democráticas que garantam os direitos fundamentais dos cidadãos, no respeito pelos direitos humanos e pelo Estado de Direito.

Critérios económicos

  • Adotar o modelo económico liberal de modo a que a economia do país aderente tenha capacidade para fazer face ao mercado e à concorrência na UE.

Critérios jurídicos/ legislativos

  • Aceitar os objetivos e as diretrizes políticas da UE, através da aplicação da legislação europeia.

Em 1997, o Tratado de Amesterdão definiu as condições de alargamento a Leste e abriu caminho à adesão de dez novos Estados, cuja integração, em 2004, instituiu a Europa dos Vinte e Cinco.

O alargamento da UE continuou com a adesão, em 2007, da Bulgária e da Roménia e, em 2013, da Croácia, formando a Europa dos Vinte e Oito.

O processo de alargamento, ainda que seja entendido como uma força de transformação dos países no caminho da democratização e da liberalização, coloca diversas interrogações. A Europa afirma-se como uma entidade geográfica, cultural e história e, nesse sentido, a definição das fronteiras a Leste e a integração de populações maioritariamente muçulmanas constituem desafios com os quais a UE e os seus cidadãos se confrontam.

O euroceticismo, o défice democrático e o fraco sentimento europeísta

O aprofundamento da União Europeia tem sido motivo de debate e nem sempre tem havido consenso entre os diferentes Estados-membros. O projeto de construção europeia e de aprofundamento foi encarado, primeiro por parte do Reino e, mais recentemente, por diversos partidos populistas e extremistas, com desconfiança. O euroceticismo fez surgir vozes em defesa da soberania nacional no seio das instituições europeias, o que criou impasses no aprofundamento da UE.

Outros desafios com que a Europa se confronta é o chamado défice democrático, uma vez que, apesar do reforço dos poderes do Parlamento e da maior transparência no funcionamento institucional, o processo de tomada de decisão assenta nos altos funcionários que dirigem as instituições europeias, referidos como os burocratas de Bruxelas.

Apesar dos avanços na valorização da cidadania, da criação de símbolos da identidade europeia e do acesso a programas de mobilidade e cooperação (Erasmus e Erasmus+), a ideia da "Europa dos cidadãos" necessita de maior efetivação. A UE confronta-se com a necessidade de reforçar o sentimento europeu. O europeísmo continua a ser uma realidade distante para muitos cidadãos dos vários Estados-membros, que consideram que são pouco ouvidos nas instituições europeias e não se sentem plenamente integrados no projeto europeu. A demonstrá-lo tem sido um facto recorrente que a participação dos cidadãos nas eleições para o Parlamento Europeu continua a ficar aquém das expectativas e as taxas de abstenção atingem valores elevados.

Problemas da primeira década do século XXI

Desde o final da primeira década deste século, a UE confrontou-se com um conjunto de problemas.

2008: a crise financeira

  • Com a crise financeira mundial de 2008, assistiu-se na Zona Euro à crise de dívidas soberanas (2009-2010) associadas ao endividamento excessivo dos Estados como a Grécia, Irlanda, Itália, Espanha e Portugal;
  • O auxílio financeiro colocou estes países na dependência de mecanismos supranacionais (BCE, FMI e Comissão Europeia) e obrigou-os ao cumprimento de duras imposições financeiras;
  • A adoção de políticas de austeridade (+ euroceticismo);
  • A salvaguarda da Zona Euro levou à criação, em 2012, do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que prevê o equilíbrio das contas públicas dos Estados, sob pena de sanções.

2015: a crise migratória

  • A crise migratória provocou o fluxo de inúmeros migrantes, proveniente de países de África e do Médio Oriente;
  • O acolhimento e os pedidos de asilo dividiram a União Europeia quanto às medidas a tomar para enfrentar a explosão dos fluxos migratórios;
  • Enquanto uns criticam as políticas de controlo de fronteiras - Europa-fortaleza - para impedir a entrada de migrantes, outros consideram que a liberdade de circulação no Espaço Schengen favorece os fluxos migratórias ilegais;

2015: a crise migratória

  • A crise migratória acentuou a radicalização dos discursos dos partidos populistas e de extrema-direita, que conciliam o euroceticismo e xenofobia;
  • A ação da FRONTEX (Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira) foi reforçada em 2016, para exercer um maior controlo da migração, combater a criminalidade transfronteiriça e realizar ações de busca e salvamento.

2016- 2020: saída do Reino Unido da UE (Brexit)

  • O referendo sobre a permanência do Reino Unidoo na UE ocorreu em junho de 2016;
  • A vitória do "Sim" iniciou o processo de negociação entre o Reino Unido e a UE;
  • A saída da UE aconteceu em janeiro de 2020;
  • O Brexit significou o fim da irreversibilidade do processo de construção europeia iniciado em 1957.

4.5. A importância da União Europeia no sistema mundial

A União Europeia adquiriu uma importância crescente na nova ordem internacional, nascida após a Guerra Fria, que se consolidou sobretudo na viragem para o século XXI.

No domínio económico, a UE rivaliza com os Estados Unidos e a china no comércio mundial e assume-se como um dos principais exportadores de bens e serviços; o euro é uma moeda forte e de referência nos mercados internacionais, a par do dólar e da libra.

Paz, segurança e diplomacia

  • Conseguiu assegurar um período de paz e estabilidade na Europa, com exceção do conflito na ex-Jugoslávia (1994-95) e na Ucrânia (2022);
  • Defende a democracia e os direitos fundamentais do Estado e dos indivíduos e contribui para soluções de paz no mundo, através da diplomacia e da mediação.

Direitos Humanos

  • Estabeleceu diretrizes sobre os direitos humanos que abrangem domínios como a pena de morte, a tortura e a liberdade de expressão;
  • O instrumento Europeu para a Democracia e os Direitos Humanos (EIDHR) dá apoio para reforçar aos direitos e liberdades fundamentais nos países e regiões onde estão em risco.

Ambiente

  • Apresenta alguns dos mais elevados padrões ambientais do mundo;
  • Luta pelo desenvolvimento sustentável do planeta e pela melhoria do ambiente, através de políticas promotoras das energias renováveis;
  • Estabelece metas para a preservação ambiental e de combate às alterações climáticas: metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa já cumpridas, transição de energias renováveis e descarbonizarão, objetivo de neutralidade climática para 2050, com vista a minimizar os riscos para o clima, saúde e a biodiversidade.

Ajuda Humanitária e Cooperação para o Desenvolvimento Internacional

  • Coopera com governos de 150 países parceiros em desenvolvimento com a sociedade civil e organizações internacionais;
  • Constitui-se como uma das maiores doadoras de ajuda ao desenvolvimento, de combate à fome e prevenção de recursos naturais;
  • Presta assistência a países e populações, dentro e fora da Europa, em caso de catástrofe grave ou de emergência humanitária;
  • Fornece alimentos, abrigo, proteção, cuidados de saúde e água potável a mais de 120 milhões de vítimas de catástrofes e conflitos em mais de 80 países.

5. A modernização da China

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5.1. A abertura à economia de mercado

5.2. A integração de Hong Kong e de Macau na soberania chinesa

5.1. A abertura da economia de mercado

Em 1978, a nova liderança de Deng Xiaoping, na China Comunista, rompeu com o maoísmo e o modelo económico planificado, autárquico e coletivista. Iniciou-se o processo de modernização e de abertura que transformou a economia e a sociedade chinesas.

A China beneficiou do facto de dispor de mão-de-obra abundante e barata, bem como de recursos naturais. A política de Deng Xiaoping, por meio das "quatro modernizações", concretizou um projeto político de desenvolvimento que fez deste país uma potência económica mundial, assumindo protagonismo no quadro da Ásia-Pacífico.

Em que consistiu o programa económico de Deng Xiaoping?

O líder chinês implementou diversas reformas para estabelecer a "economia socialista de mercado" (permite a manutenção do regime autoritário, recusando a democracia e adota práticas económicas liberais). Este modelo de desenvolvimento assentou na divisão do país em duas zonas económicas distintas.

Quem medidas foram postas em vigor no interior e no litoral da China para promover o desenvolvimento através do socialismo de mercado?

No interior, o Estado desenvolveu um plano de reformas no sistema agrário colectivizado, com vista a aumentar a produção e o rendimento dos camponeses, assente nas seguintes medidas:

  • Arrendamento das terras aos camponeses;
  • Venda de excedentes no mercado livre;
  • Apropriação dos lucros na produção.

No litoral, através do "sistema de porta aberta" atraiu o investimento estrangeiro, com as seguintes medidas:

  • Criação de ZEE (Zonas Económicas Especiais), nas quais os mecanismos da economia de mercado foram parcialmente implementadas;
  • Fixação de multinacionais, mediante a concessão de incentivos fiscais;
  • Associação de empresas estrangeiras e chinesas.

A política de desenvolvimento apostou, igualmente, na entrada de técnicos estrangeiros e no envio de estudantes universitários para outros países, o que favoreceu a qualificação da mão-de-obra. Esta caracteriza-se por ser disciplinada, abundante, mais barata e com poucas regalias sociais. O desenvolvimento da indústria pesada foi substituído pela aposta na indústria de bens de consumo para a exportação, que alcançou um lugar dominante. A modernização da China assentou também no desenvolvimento setores tecnológicos, que rivalizam com marcas globais americanas e europeias.

Que outras medidas possibilitaram o desenvolvimento económico e a modernização da China?

A abertura da China ao exterior, através de uma nova política externa foi determinante neste processo e associou-se às iniciativas apresentadas abaixo:

5.2. A integração de Hong Kong e de Macau na soberania chinesa

O desenvolvimento económico e a modernização da China iniciado na Era Deng beneficiou da implementação do modelo "um país, dois sistemas", em que a transferência da soberania de Hong Kong (1997) e de Macau (1999) para a China foi determinante. As negociações para a concretização destes acontecimentos iniciaram-se ainda durante a governação de Deng Xiaoping e ocorreram durante a presidência do seu sucessor, Jiang Zemin.

Em que consistiu o modelo "um país, dois sistemas"?

A expressão relaciona-se com o facto de na China coexistirem dois sistemas económicos: o "socialismo de mercado" na China Continental e o "capitalismo" em Hong Kong e Macau.

Como se processou a integração destes territórios?

Com a integração destes dois territórios, a china aproximou-se do Ocidente e do mundo capitalista, o que acabou por ser determinante no processo de modernização e de transformação por Deng Xiaoping que resultou no crescimento contínuo do PIB.

A modernização da China e o crescimento das desigualdades

O modelo de modernização e desenvolvimento da China, a política industrial e de urbanização implementadas criaram assimetrias sociais. O litoral, mais desenvolvido, moderno e aberto ao exterior, contrasta com o interior, rural e menos desenvolvido. As desigualdades entre as províncias das "Três Chinas" persistem: os rendimentos são superiores são zonas urbanas, o que contribuiu para o aumento do êxodo rural, apesar das restrições impostas pelo Estado, sobretudo nas cidades superpopulosas.

A abertura, ainda que parcial, ao capitalismo não significou a democratização: o Partido Comunista Chinês é o único autorizado, a pena de morte continua e liberdade de expressão é controlada, tal como o acesso à internet.