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A ARTE COMO EXPRESSÃO
Matilde Gomes
Created on December 27, 2023
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Transcript
A arte como expressão
Teoria expressivista da arte
Robin George Collingwood
foi um dos grandes críticos da teoria representacionista da arte. O filósofo britânico, no seu livro "The principles of Art" (1938) propõem-se responder de uma forma diferente à questao: "O que é a arte?" A resposta de Collingwood é uma das mais conhecidas versões da chamada teoria expressivista da arte.
Teoria expressivista de arte
"Algo é arte se, e só se, é expressão imaginativa de emoções."
"A arte tem algo que ver com a emoção; o que faz com ela parece ser estimulá-la, mas não é estimulá-la. [...]Uma vez que o artista em sentido próprio tem algo a fazer com as emoções e o que faz não é estimulá-las, então o que é que ele faz? [...] Nada podia ser mais absolutamente normal do que dizer que ele as expressa [...] Quando se diz que um homem expressa emoções, o que está a ser dito resume-se ao seguinte. A princípio, tem consciência de ter uma emoção, mas não de que emoção se trata. A única coisa de que tem consciência é de uma perturbação ou agitação, que sente ocorrer no seu interior, mas cuja natureza desconhece. Enquanto está neste estado, tudo o que pode dizer acerca da sua emoção é: "Sinto... não sei bem o que sinto." Liberta-se desta condição indefesa e oprimida fazendo aquilo a que chamamos expressar-se. [...] [A] emoção expressa é uma emoção de cuja natureza a pessoa que a sente já tem consciência."
R. G. Collingwood
A argumentação de Collingwood pode ser reconstruída conforme se segue:
(1) A arte é estimulada de emoções, ou expressão de emoções.(2) Mas a arte não é estimulação de emoções. (3) Logo, a arte é expressão de emoções.
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Premissa 1
Premissa 2
- A produção artística envolve sempre determinadas emoções;
- Há apenas duas coisas que os artistas podem fazer com a emoção:
- ESTIMULÁ-LA ou EXPRESSÁ-LA
- A arte não é estimulação de emoções;
- Para defender esta ideia, Collingwood estabelece uma distinção entre: "ARTE EM SENTIDO PRÓPRIO" e "ARTE EM SENTIDO IMPRÓPRIO"
"Arte em sentido próprio"
arte propriamente dita
Collindwood acredita que a arte em sentido próprio não pode, nem deve, ser considerada um mero ofício. Se a função da arte fosse simplesmente a de encontrar os meios adequados para estimular um auditório certas emoções específicas de acordo com um plano prévio, então a arte seria apenas um ofício. Portanto, a arte não é estimulação de emoções.
"Arte em sentido impróprio"
ofícios
Isto permite-lhe concluir que a arte é expressão de emoções. De facto, ao contrário do que acontece com a estimulação, a expressão de emoções não pode ser considerada um ofício, pois não corresponde à transformação consciente de uma matéria-prima num produto final de acordo com um plano preconcebido.
O verdadeiro artista não se limita a produzir algo preconcebido - isto é, um produto final previamente idealizado - de acordo com um plano prévio, recorrendo a determinada técnica. Como acontece, por exemplo, quando alguém faz um copo, um sapato ou uma mesa. Em vez disso, o artista começa por sentir uma agitação emocional vaga e confusa e recorre à expressão artística para explorar, de forma consciente e deliberada, aquilo que sente, de maneira que só depois desse processo é que é capaz de compreender in- teiramente os seus sentimentos. Nas palavras de Collingwood:
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Criticas à teoria expressiva
É demasiado inclusiva
É demasiado restrita
correntes artísticas
Incorre na chamada "falácia intencional"
De acordo com a teoria expressivista de Collingwood, a questão de saber se algo é ou não uma obra de arte não depende das propriedades da própria obra, mas sim de considerações acerca da sua origem, mais especificamente de considerações acerca das intenções que o artista tinha quando a produziu. No caso de o artista ter pretendido expressar as suas emoções, a obra será uma obra de arte em sentido próprio, mas, caso a sua intenção seja apenas despertar certas emoções no seu auditório, então a obra não passará de ofício. Ora, um dos problemas desta abordagem é que, na melhor das hipóteses, apenas o próprio artista sabe dizer ao certo que intenções tinha ao criar a sua obra (na pior das hipóteses nem o próprio artista tinha uma noção clara das suas intenções). Aos apreciadores da obra restalhes então dar os seus melhores palpites, Mas isto não parece fornecer um critério muito claro para distinguir arte de não-arte. Muitos críticos e filósofos da arte consideram que apreciar uma obra em função da intenção que o artista tinha quando a criou é cometer aquilo que apelidaram "falácia intencional". Para estes autores, a intenção original do artista é irrelevante para se apreciar genuinamente uma obra, bem como para determinar se esta é ou não uma obra de arte. Na sua opinião, a partir do momento que a obra é apresentada a público, deixa de pertencer ao artista. Neste sentido, pode dizer-se que a arte deve valer por si mesma e pelas interpretações que suscita, independentemente daquilo que o artista pretendia quando a concebeu.
A teoria expressivista de Collingwood é demasiado restrita porque exclui do domínio da arte alguns dos seus exemplos mais paradigmáticos. Isto acontece porque a distinção entre arte e ofício faz com que, por exemplo, grande parte das encomendas de arte religiosa não sejam consideradas arte em sentido próprio, visto que, muitas ve- zes, foram concebidas de acordo com um plano prévio, com o objetivo de estimular uma determinada emoção específica no seu público: a devoção religiosa. Além disso, parte do pressuposto de que a arte tem necessariamente algo a ver com a emoção. Contudo, existem vários contraexemplos a esta tese, pois várias correntes artísticas não têm nenhum tipo de conteúdo emocional, como, por exemplo, a arte aleatória, a arte conceptual, a arte percetiva, etc.
"Até que um homem seja capaz de exprimir a sua emoção, ele ainda não sabe de que emoção se trata. O ato de exprimir é, portanto, uma exploração das nossas próprias emoções. Ele está a tentar descobrir quais são essas emoções. Existe aqui certamente um processo direto, ou seja, um esforço dirigido para um certo fim; mas esse fim não é algo de previsto e preconcebido, para o qual é possível pensar-se nos meios adequados à luz do nosso conhecimento da natureza particular do mesmo. A expressão é uma atividade para a qual nunca haverá uma técnica."
É demasiado inclusiva, pois implica implausivelmente que a psicoterapia é arte. Isto acontece porque, por vezes, quando consultamos um psicoterapeuta começamos com um sentimento vago e confuso. Posteriormente, somos desafiados a recorrer à imaginação para expressar e dar corpo através da linguagem a esse sentimento de uma forma progressivamente mais clara e organizada. O psicoterapeuta, por sua vez, pode refazer na sua própria mente esse processo, tal como os espetadores fazem perante as obras de arte. Contudo, a maioria das pessoas não considera que a psicoterapia é arte. Portanto, parece haver algo de fundamentalmente errado com a teoria de Collingwood.