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Horizonte - Mensagem

Matilde Ferro Palma

Created on December 14, 2023

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Transcript

HORIZONTE - MENSAGEM

Alexandra Cunha nº1, Inês Rodrigues nº17,Mafalda Silva nº19, Matilde Palma nº23

Este poema está inserido na segunda parte de "Mensagem": Mar Português, que aborda o tema da realização/concretização do sonho. Nesta etapa, os portugueses ultrapassam o receio do desconhecido, de modo a desvendar o que lhes era anteriormente escondido pelo horizonte - a Verdade.

A Baia de Marselha, Paul Cézanne

Horizonte

Recursos expressivos:

Ó mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 'Splendia sobre as naus da iniciação. Linha severa da longínqua costa - Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha. O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da Verdade.

  • Apóstrofe

coral e praias e arvoredos.

  • Enumeração
  • Enumeração
  • Antítese
  • Personificação
  • Personificação
  • Metáfora
  • Metáfora
  • Metáfora
  • Metáfora
  • Metáfora

ergue-se a encosta

abre-se a terra

ver as formas invisíveis

Fernando Pessoa, Mensagem

Primeira Estrofe

"Ó mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 'Splendia sobre as naus da iniciação."

Almirante Napier a bordo da nau "Rainha de Portugal", M. Yarwood

Assim, a “noite e a cerração” remetem para algo oculto que foi desvendado, findando com as “tormentas passadas e os mistérios” e guiadas pelos astros – o Sul sidério -, as naus pioneiras exploraram os mares.

É citado o mar anterior a nós, correspondente ao mar desconhecido, ou seja, o mar ainda não explorado pelos portugueses. Seguidamente, é descrito o que foi descoberto para lá do horizonte - “coral e praias e arvoredos” -, mostrando como os portugueses superaram os medos passados originados pelos mitos da época.

Segunda Estrofe

"Linha severa da longínqua costa -Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha."

Aqui está presente uma descrição mais detalhada do caminho feito pelos portugueses em direção à encosta e da sua chegada, e o que antes não passava de uma linha ténue no horizonte, sem nada, revela-se agora um lugar com árvores, pássaros, etc.

Mar Tempestuoso, Heimer, R.

Terceira Estrofe

"O sonho é ver as formas invisíveisDa distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da Verdade."

Concretizou-se o sonho de conquistar o desconhecido, de conhecer o que as “formas invisíveis” escondiam. Foi graças à esperança e vontade que se encontrou no horizonte a recompensa da procura pela verdade - praias, flores, aves e “beijos merecidos de Verdade”.

Dunas Costeiras, Lindsay Kilminster

Questionário

1. Explicite o sentido da referência ao mar na 1ª estrofe, inferindo o valor expressivo do pronome "nós" e do recurso expressivo do 1º verso.

Ao longo da primeira estrofe, as referências ao mar remetem para a oposição entre o “mar anterior a nós “, isto é, aquele ainda por explorar – o desconhecido – e o mar já por “nós” explorado – o conhecido – “as tormentas passadas é mistérios” (v.4), “Splendia sobre as naus da iniciação” (v. 6). O uso do pronome pessoal “nós” serve para enfatizar o facto dos portugueses, a nação, serem a barreira entre o mar por descobrir e aquele já descoberto, um passo essencial para o progresso dos Descobrimentos. No primeiro verso está presente uma apóstrofe (“Ó mar anterior a nós”), cujo propósito é invocar a entidade que permitiu aos portugueses adquirir a sua tamanha importância, ou seja, o mar que serviu como impulsionador da construção do Império Português.

2. Explicite a função da gradação presente na 2ª estrofe ao serviço do sentido do poema.

Uma gradação é uma sucessão de termos relacionados entre si e organizados segundo uma ordem crescente ou decrescente. Na segunda estrofe, este recurso expressivo é utilizado com o intuito de transparecer a ideia de que os portugueses se estão a aproximar gradualmente da terra, segundo uma ordem decrescente de distância. Em primeiro lugar avista-se a “linha secreta” (v.7) do horizonte, que rapidamente revela uma “encosta” (v.8) com “árvores “ (v.9). Por fim, o que antes não passava de uma “abstrata linha” (v.12) agora inclui os sons das aves e as cores das flores. Tendo em conta que “Horizonte” retrata a viagem em busca do conhecimento e descobrimento, a utilização da gradação contribui para o sentido do poema, na medida em que este processo é progressivo.

3. Selecione vocábulos ou expressões que completam a definição de sonho, apresentada na última estrofe, interpretando o sentido dos versos em que estão integrados.

Neste poema, o sonho é concebido como a descoberta, a chegada ao desconhecido: “O sonho é ver as formas invisíveis/ Da distância imprecisa” (vv. 13, 14). Neste caso, as “formas invisíveis” correspondem a todos os elementos que o horizonte escondia - “A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte” (v.17). Motivados pela “esperança e (...) vontade” (v.5), os portugueses procuravam persistentemente um novo mundo e, pelo seu esforço, veem-se recompensados com “Os beijos merecidos da Verdade” (v.18).

Questionário

4. Proceda à análise formal do poema.

Ó mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério 'Splendia sobre as naus da iniciação. Linha severa da longínqua costa - Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta Em árvores onde o Longe nada tinha; Mais perto, abre-se a terra em sons e cores: E, no desembarcar, há aves, flores, Onde era só, de longe a abstracta linha. O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da Verdade.

a a b c c b

O poema é constituído por três sextilhas e apresenta rima emparelhada e intercalada: esquema rimático a/a/b/c/c/b // d/d/e/f/f/e // g/g/h/i/i/h. Quanto à métrica, é possível encontrar versos e um verso

dodecassilábico.

decassilábicos

d d e f f e

g g h i i h