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Se isto é um homem
Matilde MV
Created on November 22, 2023
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Transcript
"Se Isto É Um Homem"
Primo Levi
"As personagens destas páginas não são homens. A sua humanidade está sepultada, ou eles mesmos a sepultaram, debaixo da ofensa que sofreram ou que infligiram a outrem."
Biografia e contextualização
Sobre a obra
Apreciação crítica
Síntese
Primo Levi foi um químico que se revelou enquanto escritor como testemunha da experiência vivida no campo de concentração.
- Nasceu em Turim, Itália, em 1919 e aí morreu, por suicídio, em 1987.
- Em 11 de fevereiro de 1944 Levi foi transportado para Auschwitz, onde ficou onze meses sendo, mais tarde, libertado em 27 de janeiro de 1945 pelas forças da SS .
- Viveu numa época caracterizada pela Segunda Guerra Mundial (Holocausto), algumas revoluções e pela Idade Contemporânea.
- Primo Levi experimentou, com sucesso, diversos géneros, desde contos, romances, poesia, em parte utilizando pseudônimos.
- O italiano manteve sempre a fama de admoestador respeitado e incansável, lutando de forma engajada contra o fascismo e o nacional-socialismo.
biografía
frases
Home
1945 Fim da guerra e libertação de Primo Levi
1987 Falecimento de Primo Levi
1919 Nascimento de Primo Levi
1947 Primeira publicação do livro "Se isto é um homem"
1939 Início da Segunda Guerra Mundial
Foi na literatura que Primo Levi encontrou uma forma de falar sobre o horror nazi. Da sua experiência surgiu o livro Se isto é um homem, onde ele retrata o que viu e como era o tratamento desumano dado aos prisioneiros nos campos de concentração. Este título traduz uma tentativa de reflexão e até um sentimento de inconformismo e indignação, traduzindo, assim, a desumanidade a que o autor foi sujeito.
Autor: Primo Levi Editora: Colecção Mil Folhas Ano de edição: 2002 Nº de páginas: 190 Idioma: Português Coleção: Colecção Mil Folhas nº 15
Fig.1 Capa do livro em análise
Home
Fig.2 Primo Levi e o seu escritório
Uso da segunda pessoa do plural que convoca o leitor para a reflexão
Vós que viveis tranquilos Nas vossas casas aquecidas, Vós que encontrais regressando à noite Comida quente e rostos amigos: Considerai se isto é um homem Quem trabalha na lama Quem não conhece paz Quem luta por meio pão Quem morre por um sim ou por um não. Considerai se isto é uma mulher, Sem cabelos e sem nome Sem mais força para recordar Vazios os olhos e frio o regaço Como uma rã no Inverno. Meditai que isto aconteceu:Recomendo-vos estas palavras. Esculpi-as no vosso coração Estando em casa andando pela rua, Ao deitar-vos e ao levantar-vos; Repeti-as aos vossos filhos. Ou então que desmorone a vossa casa, Que a doença vos entreve, Que os vossos filhos nos virem a cara.
Ordem de carácter imperativo: Levi torna os seus leitores participantes, reforçando o que estes deveriam fazer.
Recursos expressivos: Anáfora Comparação Metáfora Disfemismo Polissíndeto
A viagem
Na noite de 13 de dezembro de 1943, Primo Levi é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em fevereiro do ano seguinte. Levi viajou a bordo de um comboio com 650 mulheres, homens e crianças. Neste capítulo, o autor descreve o tempo e as condições a que esteve sujeito durante várias semanas.
Páginas 9 - 18
“Mas na manhã de 21 soube-se que no dia seguinte os judeus iriam partir. Todos, sem exceção. [….] Por cada um que faltasse à chamada, dez seriam fuzilados.” pág. 11
“Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também uma infelicidade perfeita é, igualmente, não realizável. [...]. Opõe-se-lhe o nosso sempre insuficiente conhecimento do futuro; e a isto de chama, num caso, esperança; no outro, incerteza do amanhã. Opõe-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor." pág. 13
"Surgiram, entratanto [...] dois grupos de estranhos indivíduos. [...] Na cabeça traziam um boné ridículo e vestiam um casaco comprido às riscas. [...] Amanhã também nós seríamos como eles." pág. 17
Fig.3 Entrada do campo de concentração de Aushwitz
Neste capítulo é-nos apresentado a forma como o autor e poucos dos que conseguiram sobreviver à viagem reagiram à entrada e às condições que lhes foram apresentadas. Logo no início, aquando da chegada ao campo de Auschwitz, inicia-se o ritual paranoico das contagens, das esperas, da indignidade, do arbítrio, da desumanização.
No fundo
Páginas 19 - 35
“Então pela primeira vez nos apercebemos de que a nossa língua carece de palavas para exprimir esta ofensa, a destruição de um homem. Num ápice, com uma intuição quase profética, a realidade revelou-se-nos: chegámos ao fundo. [...] Já nada nos pertence: tiraram-nos a roupa, os sapatos, até os cabelos; [...] Tirar-nos-ão também o nome." pág. 24
“Imagine-se agora um homem ao qual, juntamente com as pessoas amadas, tiram a casa, os hábitos , a roupa, enfim, tudo: será um homem vazio, reduzido ao sofrimento e à carência, esquecido da dignidade e bom senso, pois acontece facilmente, a quem tudo perdeu, perder-se a si próprio." pág. 24
Fig.4 Roupa usada por detentos em Auschwitz
"O meu nome é 174 517; guardaremos até à morte a marca tatuada no braço esquerdo"
iniciação e ka-be
Páginas 37 - 41 / 43 - 57
Ka-Be é o nome que se dá à enfermaria e aonde Levi foi parar após um acidente durante uma das muitas tarefas exigidas ao longo do dia. Devido a essa mesma ocorrência, Levi conseguiu descansar durante algumas semanas, escapando do trabalho árduo.
O capítulo Iniciação, apesar de pequeno, descreve os primeiros dias como sendo bastante duros, caracterizados, principalmente, pela luta por um pequeno, mas sagrado pedaço de pão e falta de limpeza.
“Que somos escravos, privados de de qualquer direito, exposto a qualquer injúria, condenados quase com certeza à morte, mas que uma faculdade nos restou, e temos de a defender com todo o vigor porque é a última: a faculdade de negar o nosso consentimento." pág. 40
“Em redor tudo nos é hóstil. [...] somos apertados por todos os lados pela esqualidez aformentada do ferro. Nunca vimos os seus limites, mas sentimos a presença maligna do arame farpado que nos segraga do mundo." pág. 43
“[...]marchas e canções populares estão gravadas nas nossas memórias [...] Mas era preciso sair do encantamento, como acontecia no Ka-Be para perceber por que medita razão os Alemães criaram este rito monstruoso, e por que é que, ainda hoje [...] ficamos conscientes de que ter regressado não foi uma pequena sorte." pág. 53
"Os alemães conseguiram. São 10 mil prisioneiros; não pensam e não têm vontade, apenas marcham."
as nossas noites e o trabalho
Estes dois capítulos descrevem as novas dificuldades que Levi teve de enfrentar após sair do Ka-Be, a dificuldade em dormir e se defender ou defender os seus poucos pertences e as duras e longas horas de trabalho a que esteve sujeito.
Páginas 59 - 67 / 69 - 75
“Assim se arrastam as noites. [...] o sofrimento do dia, feito de fome, pancadas, frio, fadiga, medo e promiscuidade, transforma-se de noite em pesadelos sem forma, de uma indescritível violência, que na vida livre acontecem somente nas noites de febre." pág. 65
1º grande amigo - Alberto
“Mas durante a noite, através de todas as alternâncias de sono, de vigília e de pesadelo, vigiam a espera e o terror do momento de despertar." pág. 66
"[...] uma história dolorosa, cruel e comovente; pois que assim são todas as histórias, todas diferentes e todas cheias de uma trágica e surpreendente necessidade. Contamo-las uns aos outros à noite; e são simples e incompreensíveis como as histórias da Bíblia. E não são, elas próprias histórias de uma nova Bíblia?" pág. 70
Fig.5 Camas de Auschwitz
um bom dia e aquém do bem e do mal
Páginas 77 - 83 / 85 - 95
No capítulo Um bom dia estes esperam ansiosamente a chegada da Primavera, mostrando-se felizes com o aparecimento de um pouco de sol em dias de céu cinzento. Além disso é Um bom dia porque os prisioneiros conseguiram arranjar grandes quantidades de sopa dos civis que não as quiseram. Por outro lado, entre estes homens é possível estabelecer uma distinção: entre os que sucumbem e os que se salvam. Os fracos e ineptos são votados à selecção, ou seja, à morte. Os que ainda têm forças e competência são poupados e obrigados a trabalhar.
“A persuasão de que a vida tem uma finalidade está enraizada em todas as fibras do homem, é uma propriedade da substância humana. Os homens livres dão a esta finalidade muitos nomes, e sobre a sua natureza muito se debruçam e discutem; mas para nós a questão é mais simples. Agora e aqui, a nossa finalidade é chegar à Primavera” pág. 77
O salve-se quem puder como forma de conseguir sobreviver e os negócios que se faziam para arranjar mais um pedaço de pão cinzento, um pouco de sopa e algumas camisas eram feitos na bolsa.
“É preciso lutar contra a corrente, dar batalha à fadiga, à fome, ao frio, não ter piedade dos rivais, aguçar a inteligência, endurecer a paciência, afirmar a vontade.”
Neste capítulo, o autor explica-nos como é a vida ambígua do Lager. É afirmado, então, que existem duas classes bem distintas entre os homens: os que se salvam e os que sucumbem.
SUCUMBIR OU SALVAR-SE
- A luta para sobreviver é sem remissão e cada um luta por si mesmo;
- Com os aptos, com os indivíduos fortes e astutos, os chefes gostam de manter contactos;
- Os muçulmanos, pouco conhecedores importantes e vantajosos, "sofrem e arrastam-se numa íntima solidão baça, e em solidão morrem ou desparecem, sem deixar rasto na memória de alguém" pág. 99;
- Só sobreviviam os médicos, os músicos, os cozinheiros, jovens homossexuais atraentes, os amigos de outra autoridade do campo e indivíduos ferozes;
- Sucumbir - cumprir todas as ordens, comer só a ração, obedecer à disciplina do trabalho e do campo;
- Primo Levi conta-nos quatro histórias acerca de como alcançar a salvação.
Páginas 97 - 111
“Hesita-se em chamá-los vivos: hesita-se em chamar morte à sua morte, diante da qual não têm medo, pois estão demasiado cansados para poderem aperceber-se dela." pág. 100
"A sua vida é breve, mas o seu número é enorme."
Fig.6 Fornos crematórios
Exame de química, o canto de ulisses e os acontecimentos de verão
Páginas 113 - 120 / 121 - 127 / 129 - 135
A constituição do Kommando 98 (Químico) foi enunciada e fez parte do percurso do autor. Juntamente com alguns companheiros, Primo Levi participou num exame de química e, graças aos seus conhecimentos nesta área, ele foi bem-sucedido. Primo Levi recitou a Jean, Pikolo, alguns versos do Canto de Ulisses de forma a ensinar-lhe e a traduzir-lhe a sua língua e cultura, que tanto o fez recordar a sua terra e o quão ela anda esquecida da sua memória.
“Por um momento esqueci-me de quem sou e onde estou" pág. 126
O capítulo Os acontecimentos de verão relata os primeiros indícios do início do fim da guerra com aumento da esperança, conflitos, inquietação e medo no campo.
“Cada um de nós sentia, dia após dia, as forças fugir, a vontade de viver dissover-se, a mente obscurecer-se." pág. 130
2º grande amigo - Lorenzo"creio que devo justamente a Lorenzo o facto de estar vivo hoje" "Lorenzo era um homem; Graças a Lorenzo, aconteceu-me não esquecer que também eu era um homem." pág. 135
“Estávamos demasiados destruidos para ter verdadeiramente medo." pág. 131
"Acabara o tempo em que os dias seguiam vivos. Para nós, a história parara."
outubro de 1944, kraus e die drei leute vom labor
Páginas 137 - 144 / 145 - 149 / 151 - 159
O inverno era a pior altura no campo, uma vez que "em cada dez de nós, sete irão morrer" devido à fome, frio, cansaço, medo e dor. Além disso, é nesta altura que aumenta a quantidade de prisioneiros e, assim, as confusões, as horas de trabalho das câmaras de gás e as seleções de quem vive e morre. Foi com Kraus, um companheiro, que Levi desabafou das quantas saudades sentia de casa. Mais tarde, em Itália, os dois reencontraram-se. Levi e mais outros dois prisioneiros foram, então, escolhidos para trabalhar no laboratório, sorte que adquiriram que os ajudou a superar o frio e fome.
Fig.7 Inverno em Aushwitz
"Mas quem poderia pensar seriamente no amanhã? ... até que um dia já não terá sentido o amanhã."
“Da mesma forma com que se vê a acabar uma esperança, assim hoje de manhã chegou o inverno." pág. 138
"Há quantos meses não via uma mulher? [...] Diantes das raparigas do laboratório, sentimo-nos morrer de vergonha e embaraço" pág. 157
o Último e história de dez dias
3º grande amigo - Charles
Páginas 161 - 166 / 167 - 190
O penúltimo capítulo é caracterizado pelas conversas acerca do trabalho, da comida, da ajuda de Lorenzo, etc, com Alberto e pelo enforcamento público de um homem que cometeu crimes, considerados pelos alemães. Mais no final, Levi adoeceu gravemente e voltou ao Ka-Be onde permaneceu quatro dias até à chegada dos russos. Foi a 18 de janeiro de 1945 que cerca de vinte mil prisioneiros partiram em marcha para longe do campo. Entretanto, Auschwitz foi bombardeado iniciando, assim, o fim do Holocausto. Levi demorou alguns dias a deixar as barracas da enfermaria com dez companheiros e foi a 24 de janeiro que Levi, juntamente com Charles, viu a liberdade.
“Destruir o homem é difícil, quase tanto quanto criá-lo; não foi fácil, não foi rápido, mas os alemães conseguiram-no." pág. 166
“pela primeira vez desde o dia da minha prisão, encontrava-me em liberdade, sem guardas, sem arames farpados entre mim e a minha casa." pág. 185
“É homem quem mata, é homem quem faz ou sofre injusticas; não é homem quem, perdida qualquer vergonha, divide a cama com um cadáver." pág. 189
“Em todas as barracas havia agora camas ocupadas por cadáveres, rijos como madeira, que ninguém procurava remover." pág. 183
"Em redor, tudo era destruição e morte."
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Este livro leva-nos ao coração do Holocausto da forma mais fria e chocante possível. Apesar de ser um livro com menos de 200 páginas, não foi uma leitura rápida e fácil. Cada parágrafo trouxe informação que precisei de digerir lentamente. É um relato bastante realista e emotivo, mas apesar disso julgo que é impossível conseguirmos algum dia entender a desumanidade a que tantos milhares de pessoas foram sujeitas sem termos passado por isso. O que mais me chocou foi a visão otimista de Levi. Por exemplo, quando comia um pouco mais de sopa. No fundo ele tentava encontrar onde mais ninguém encontrava um ponto positivo, de certa forma para se conseguir agarrar e sobreviver. O que menos gostei foi a falta de tradução em alguns termos, falas e expressões em francês e alemão, que dificultaram a compreensão. Aconselho sem qualquer margem dúvida este livro! No entanto, ele pode ser bastante forte e intenso para alguém um quanto sensível.
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- LEVI, Primo. Se Isto É Um Homem. 15. ed. Porto: Coleccção Mil Folhas, 2002
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