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PT - Apres. “Só o ter flores pela vista fora", Ricardo Reis

Ana Figueiredo

Created on November 22, 2023

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Transcript

Ricardo Reis

“Só o ter flores pela vista fora”

Análise por Afonso Soares, Ana Luísa Figueiredo e Samuel Almeida

“Só o ter flores pela vista fora”

Pouco tão pouco pesarei nos braços Com que, exilados das supernas luzes, Escolhermos do que fomos O melhor pra lembrar Quando, acabados pelas Parcas, formos, Vultos solenes de repente antigos, E cada vez mais sombras, Ao encontro fatal Do barco escuro no soturno rio, E os nove abraços do horror estígio, E o regaço insaciável Da pátria de Plutão."

Buscando o mínimo de dor ou gozo, Bebendo a goles os instantes frescos, Translúcidos como água Em taças detalhadas, Da vida pálida levando apenas As rosas breves, os sorrisos vagos, E as rápidas carícias Dos instantes volúveis.

"Só o ter flores pela vista fora Nas áleas largas dos jardins exactos Basta para podermos Achar a vida leve. De todo o esforço seguremos quedas As mãos. Brincando, pra que nos não tome Do pulso, e nos arraste. E vivamos assim.

"Só o ter flores pela vista fora Nas áleas largas dos jardins exactos Basta para podermos Achar a vida leve. De todo o esforço seguremos quedas As mãos. Brincando, pra que nos não tome Do pulso, e nos arraste. E vivamos assim.

menciona flores, pelo facto de estas serem belas quando são colhidas, e esse momento é aquele que tem de ser eternizado, e não o momento em que a flor murcha e apodrece remete ao carpe diem, ou seja, à apreciação do momento em que as coisas acontecem, pelo que não devemos pensar sobre o futuro, já que este já está determinado, ou seja, fora do nosso controlo

a menção à Natureza e a apreciação da mesma, em adendo do uso de um vocabulário mais robusto

"Só o ter flores pela vista fora Nas áleas largas dos jardins exactos Basta para podermos Achar a vida leve. De todo o esforço seguremos quedas As mãos. Brincando, pra que nos não tome Do pulso, e nos arraste. E vivamos assim.

a ataraxia, para não nos esforçarmos demasiado, pelo que não há necessidade para isso, já que o nosso destino já está traçado com o “nos não tome do pulso”, simboliza que este não quer que dependamos de algo o que remete à ideia que não devemos-nos apegar muito a algo, pelo que, quando isso acabar, ficariamos em sofrimento

a referência a que, novamente, não nos devemos esforçar muito, devido ao facto do nosso destino já estar prederminado conclui com "E vivamos assim", demonstra que é desta forma (sem preocupações) que devemos levar a vida

Buscando o mínimo de dor ou gozo, Bebendo a goles os instantes frescos, Translúcidos como água Em taças detalhadas, Da vida pálida levando apenas As rosas breves, os sorrisos vagos, E as rápidas carícias Dos instantes volúveis.

metáfora para viver os pequenos momentos, aqueles que são novos e bons aqueles momentos mais simples, e não os mais complexos, pelo que, aquilo que envolve o momento é bonito e grandioso

a utilização do gerúndio, com "buscando", "bebendo" e "levando", que demonstra uma ação que ainda esteja a decorrer, o que transmite a sensação de duração e continuidade

Buscando o mínimo de dor ou gozo, Bebendo a goles os instantes frescos, Translúcidos como água Em taças detalhadas, Da vida pálida levando apenas As rosas breves, os sorrisos vagos, E as rápidas carícias Dos instantes volúveis.

poema constítuido por 7 quadras "Da / vi/da / pá/li/da / le/van/do a/pe/nas" 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 --- - decassílabos "E as / rá/pi/das / ca/rí/cias" 1 2 3 4 5 6 ---- hexassílabos não existe rima, sendo versos brancos

carpe diem, com o viver somente o presente, dos sorrisos vagos e rápidas carícias com o estoicismo, com o não experienciar momentos muito intensos, mantendo o auto-controlo sobre as próprias emoções

Pouco tão pouco pesarei nos braços Com que, exilados das supernas luzes, Escolhermos do que fomos O melhor pra lembrar Quando, acabados pelas Parcas, formos, Vultos solenes de repente antigos, E cada vez mais sombras, Ao encontro fatal Do barco escuro no soturno rio, E os nove abraços do horror estígio, E o regaço insaciável Da pátria de Plutão."

Pouco tão pouco pesarei nos braços Com que, exilados das supernas luzes, Escolhermos do que fomos O melhor pra lembrar Quando, acabados pelas Parcas, formos, Vultos solenes de repente antigos, E cada vez mais sombras, Ao encontro fatal Do barco escuro no soturno rio, E os nove abraços do horror estígio, E o regaço insaciável Da pátria de Plutão."

menção, agora, da aceitação da morte iminente à qual todos estamos destinados, como visualizado em "encontro fatal" e em "barco escuro no soturno rio", pelo que tal aceitação deve-se à ideia de que os nossos destinos já estão determinamos, e a morte é só o ponto final desse destino

o comentário sobre o "tão pouco pesar nos braços", o que pode remeter ao não sustentar demasiados sentimentos e de não se apegar muito às coisas da vida, pelo que a existência destes é descenessária, ou seja, o estoicismo

referências aos deuses e certas divindades, como, por exemplo, as Parcas, são as Divindades do Destino, que decidem o destino das pessoas retomando, também, ao estoicismo, por já termos um destino traçado

tendo referência ao barco que leva as nossas almas para o além; o “estígio” é a referência ao Deus dos Infernos; e com a “pátria de Plutão”, ou seja, o além para qual estamos destinados, pelo que Plutão é um "Deus da Morte"