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"Saga"

gildachiotte

Created on November 10, 2023

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Transcript

Histórias da Terra e do Mar

"Saga"

Sophia de Mello Breyner Andresen

Índice

A. Situação Inicial

B. Conflito e Peripécias

C. Desenlace

A. Situação Inicial

1. Relê a descrição inicial.1.1. Identifica o espaço aí descrito. A ação situa-se num promontório da ilha de Vig (banhada pelo Mar do Norte), na Dinamarca.

Mar do Norte

Três das sensações presentes nesta descrição são:

1.2. Reconhece três sensações utilizadas para fazer a descrição, comprovando a tua resposta com expressões do texto .

a sensação visual

(“rochedos escuros”);

a sensação cinética

(“nuvens empurradas pelo vento”);

a sensação auditiva

("tumulto").

1.3. Indica o recurso expressivo presente nas expressões abaixo apresentadas, referindo-te ao valor expressivo dos recursos presentes em b), c) e e).

a) “verde e cinzento” - dupla adjetivação;

b) “as águas engrossavam” - metáfora (reforça a ideia de que o mar se tornava mais bravo, encapelado e perigoso; confere visualismo à descrição);

c) “como uma boa orquestra” - comparação (enfatiza as sensações auditivas, os sons produzidos pelo mar e pelo vento no início da tempestade);

d) “cântico marítimo” - metáfora;

e) “apaixonada e fria” - antítese (sublinha o facto de, apesar de a igreja ser objetivamente fria e simples, dar calor aos corações com fé);

f) “anéis enormes”- metáfora hiperbólica.

1.4. Justifica a referência à “igreja luterana”, no terceiro parágrafo.

A referência à "igreja luterana" prende-se com o facto de Hans sentir um enorme fascínio quer ao ouvir a tempestade a formar-se quer ao escutar o órgão da igreja. Os elementos da natureza pareciam-lhe igualmente solenes, misteriosos e sagrados, merecendo toda a sua atenção.

2. Atenta na família de Hans. 2.1. Explicita a semelhança de Sören com uma igreja luterana.

Tal como uma igreja luterana, Sören também era “austero, solene, apaixonado e frio”, isto é, era reservado, silencioso, disciplinado e contido, mas o seu lado sombrio ("taciturno"), de aparente frieza, ocultava um espírito sensível ("belas mãos sensíveis"), emotivo e ansioso, concentrado no seu agitado espaço psicológico.

2.2. Refere por que razão a família morava no interior da ilha.

A família morava no interior da ilha porque Sören perdera os seus irmãos mais novos, Gustav e Niels, “no naufrágio de um veleiro que lhe pertencia”; esta fatalidade fez com que se revoltasse contra o mar (“tinha chicoteado o mar” - metáfora) e fixasse residência em terras do interior.

2.3. Caracteriza Hans, física e psicologicamente, a partir de elementos do texto.

Hans era um rapaz de 14 anos, bastante alto, corajoso/valente/temerário/intrépido e com o sentido exploratório da aventura.

B. Conflito e Peripécias

3. Interpreta o simbolismo do "círculo luminososo da lâmpada", ao redor do qual jantava a família. Este círculo é representativo da união/coesão familiar, da segurança, da harmonia e da paz. Enquanto Sören escolhe estar iluminado por este círculo de luz branca, que é também símbolo da luz crua da realidade e do sentido pragmático / prático da vida, Hans prefere estar “semioculto na penumbra”, isto é, desafiar a autoridade do pai , optar pela rutura e seguir o seu próprio caminho, de forma autónoma, para realizar o seu sonho.

4. Indica o tema da conversa entre Sören e Hans, apresentando o motivo da discórdia entre pai e filho (elemento perturbador da obra).

O tema da conversa era o futuro de Hans. O pai entendia que Hans devia prosseguir com os estudos em Copenhaga. Já Hans insistia, teimosamente, em ser marinheiro ou capitão de um navio.

5. Para cumprir com o seu sonho, Hans tomou uma decisão.5.1. Refere-te a essa decisão.

Hans decidiu fugir de Vig, alistado como grumete no “Angus”, um cargueiro inglês vindo da Noruega que seguia para sul.

"fugiu de Vig"; "atravessaram as tempestades da Biscaia"; "Contornaram a terra, navegaram para o sul" "penetraram na barra estreita de um rio esverdeado e turvo"

Caminhou ao acaso na cidade desconhecida [...]

"carros de madeira [...] sob o peso das pipas"

"casario branco, amarelo e vermelho"

"rio esverdeado e turvo [...] as margens cavadas"

"igrejas [...] doiradas e sombrias"

"igrejas de azulejo"

"grades de ferro pintadas de verde"

5.2. Explicita de que forma essa escolha contribui para caracterizar psicologicamente Hans.

Esta escolha contribui para reforçar o carácter forte de Hans, a sua teimosia, determinação, coragem e espírito de aventura.

revela coragem e destreza de marinheiro ao atravessar as tempestades da Biscaia; exprime maravilhamento e emoção ao aproximar-se de uma nova cidade desconhecida; manifesta alegria e espírito brincalhão no episódio em que veste uma pele de urso branco; mostra a sua teimosia, insolência, irreflexão, rebeldia e impulsividade quando se incompatibiliza com o capitão do “Angus” e abandona o navio).

6. Caracteriza a relação entre Hans e Hoyle.

Trata-se de uma relação quase filial: Hoyle, compadecido de Hans, foi caridoso e acolheu-o em sua casa; tratou-o como uma espécie de filho adotivo. Via neste jovem uma espécie de “alter ego”, um reflexo de si próprio, alguém com quem se identificava, até porque ambos eram estrangeiros numa terra desconhecida e bastante aventureiros. Investiu nos estudos do jovem, fez de Hans capitão de um dos seus navios e “homem de confiança nos seus negócios”.

7. Prova que Hans é uma personagem modelada, explicando o contributo de Hoyle para a transformação que se operou na personagem central do conto.

Hans é uma personagem dinâmica e evolui ao longo da narrativa.

Inicialmente é caracterizado pelo seu carácter sonhador, audacioso, impetuoso e aventureiro.

Mais tarde, Hoyle fez dele capitão de um navio, e Hans teve oportunidade de viajar pelo mundo, como sonhava.

No entanto, o estatuto de Hans vai mudando: “Deixou de ser empregado de Hoyle e tornou-se seu sócio”, dada a doença do inglês . Deste modo, deixou de viajar tanto e tornou-se um homem de negócios, mais sedentário, “estabelecido, em terra firme”.

No final do conto, Hans revela mais densidade psicológica – vive atormentado pela ideia de não se conseguir reconciliar com o pai e, apesar de nunca esquecer o mar, compreende que os seus desejos fracassaram; é sobretudo caracterizado pela sua frustração.

8. Depois de “estabelecido, em terra firme”, a passagem do tempo é marcada pelo ciclo de floração das camélias. 8.1. Comprova esta afirmação com expressões do texto, referindo-te ao valor simbólico da camélia no contexto do conto.

As expressões são: “E foi no tempo das últimas camélias (vermelhas, pesadas, largas) que nasceu o seu primeiro filho”; “Nasceu o seu segundo filho no tempo das primeiras camélias, em novembro do seguinte ano”; “Quando adoeceu para morrer, ia novembro perto do fim. As camélias brancas estavam em flor”…)”.

Simbolismo das camélias

As camélias relacionam-se diretamente com a beleza e podem relacionar-se com o amanhecer. As camélias brancas são uma alusão à beleza perfeita ou à pureza. São as flores do inverno. No conto, assinalam o começo de algo novo. Além disso, Hans só floresce no “inverno”, isto é, só é bem-sucedido numa fase adiantada da sua vida, em áreas que nada contribuem para a sua felicidade.

Desenlace

9. Explica por palavras tuas o sentido da expressão “Mas era só o fantasma do seu destino. Em rigor ele já não era quem era e tinha encalhado em sua própria vida”, avaliando o valor expressivo das metáforas aí presentes.As metáforas do “fantasma” e do barco “encalhado” pretendem enfatizar a ideia de que Hans não cumpriu com o seu sonho de juventude. Confiava em que o seu destino seria ser marinheiro ou capitão de um navio e julgara-se capaz de ser herói de uma verdadeira saga, fadado para grandes viagens e aventuras. Todavia, ao tornar-se um homem de negócios, o seu sonho diluiu-se e Hans tornou-se um homem sedentário, “encalhado” em terra firme.

10. No final do conto, Hans pede à família para, depois da sua morte, mandar construir um navio naufragado em cima da sua sepultura. Explicita o simbolismo deste navio. Simbolicamente, este navio naufragado é a expressão de toda a frustração de Hans no termo da sua vida, de todo o seu sentimento de impotência e desolação perante o incumprimento da sua grande missão – o de ser o herói de uma saga, voltar a Vig e ser perdoado pelo pai.

11. “Mas dele, Hans, burguês próspero, comerciante competente, que nem se perdera na tempestade nem regressara ao cais, nunca ninguém contaria a história, nem de geração em geração, se cantaria a saga”. 11.1 Comenta a expressividade do título do conto à luz da evolução e do destino das personagens masculinas do texto, considerando os seguintes tópicos de resposta: definição de “saga” como género narrativo; relação entre Sören e Hans; relação entre Hoyle e Hans.

Saga significa lenda ou aventura. É um género narrativo, uma tradição lendária dos escandinavos, que narra atos heróicos. Corresponde, muitas vezes, a uma história de família, abrangendo várias gerações. Neste conto, involuntariamente, Hans continua a saga do seu pai: Sören “chicoteou” o mar e optou por viver no interior da ilha, em terra firme; já Hans, ainda que contra a sua vontade, acaba por se tornar, também um homem de “terra firme”. Por outro lado, Hoyle é uma espécie de pai adotivo para Hans. Esta personagem falhara os seus objetivos de vida e acreditava que Hans seria “aquele que iria viver por ele a verdadeira vida, que nele, Hoyle, estava já perdida como se o destino, tendo falhado os seus propósitos, fizesse, com uma nova mocidade, uma nova tentativa. (…) Hans era para ele (…) o herdeiro daquilo que perdera”. No entanto, como se de uma saga se tratasse, também o filho adotivo de Hoyle viria a falhar os seus objetivos de vida.

Obrigada!

Prof ª. Gilda Chiote