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Sarah Karini

Created on November 7, 2023

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Transcript

“Todas as cartas de amor são Ridículas” – Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Introdução

O poema 'Todas as Cartas de Amor São Ridículas', escrito por Fernando Pessoa, é uma obra que desperta interesse pela sua estrutura externa e interna, bem como pela análise temática que apresenta. Nesta apresentação, analisaremos cada um desses aspectos, com o intuito de compreendermos melhor essa obra tão significativa da literatura portuguesa.

Estrutura

Interna

Externa

O poema 'Todas as Cartas de Amor São Ridículas' de Fernando Pessoa é uma crítica ao amor romântico e à ideia de que as cartas de amor são uma forma de expressão verdadeira do amor. O autor argumenta que as cartas de amor são apenas uma forma de exibição e que o amor verdadeiro não pode ser expresso através de palavras.

O poema tem um total de 28 versos, divididas em estrofes irregulares, sem rima ou padrão na contagem ou métrica das estrofes. Estas linhas dão continuidade às anteriores, dando a impressão de que estamos lendo um texto e não um poema.

Estrofe

Os versos iniciais ditam uma sentença: na visão do eu-lírico, as cartas de amor são, por natureza, ridículas. Isso nunca é questionado, surge como um dado adquirido, algo que é do conhecimento geral. Esta afirmação, ainda mais na época, poderia soar pesada ou até provocatória.

Estrofe

Logo na segunda estrofe, o sujeito se inclui nessa matéria e confessa que, no passado, também escreveu cartas assim. E olhando para trás, ele percebe que as declarações de amor dele eram tão ridículas quanto todas as outras.

Estrofe

Retomando a sua teoria, na terceira estrofe o sujeito explica que, quando existe um amor verdadeiro, é impossível contornar esse tom exageradamente sentimental. Afinal, é próprio das cartas de amor repetir clichês e transbordar emoções; elas não poderiam ser de outra forma.

Estrofe

A quarta estrofe ajuda o leitor a entender o real sentido do poema. Se até ali parecia que estávamos perante uma crítica ao sentimentalismo romântico, nestes versos a situação se altera. Aqui, o eu-lírico conclui que, na verdade, ridículas são as pessoas que nunca expressaram as suas emoções de uma forma tão simples, sincera e livre de barreiras. A crítica parece ser, então, à frieza daqueles que julgam os outros porque nunca se apaixonaram.

Estrofe

Em seguida, ele vai mais longe e assume que tem saudades desses tempos, lembrando com nostalgia um passado inocente e esperançoso. Na época em que escrevia a correspondência amorosa, o sujeito não teria esse pudor ou sequer consciência do que seria ridículo perante o olhar dos outros.

Estrofe

Agora, mais maduro e mais cínico, o sujeito poético aparenta sentir vergonha das palavras apaixonadas que antes escreveu. Nesta estrofe, ele reconhece que aquilo que é realmente patético é o modo como recorda tudo isso, possivelmente com alguma aversão ou rancor.

Estrofe

Na estrofe final, o eu-lírico faz uma súmula do que falou nos versos acima, como se reforçasse a sua explicação através de um tom mais confessional.