Sermão de Santo António aos peixes Capitulo V
Repreensões aos peixes em particular
Trabalho realizado por:
- Afonso Miguel dos Reis Ramos Anico, 11°C n°1
- Rafael Afonso Caldeira Dias, 11°C n°15
- Rafael Alexandre Oliveira Miranda, 11°C n°16
- Ricardo Afonso Gonçalves Rodrigues, 11°C n°17
- Rodrigo de Jesus Coelho, 11°C n°18
(Tema geral do PowerPoint realizado por Ricardo Rodrigues)
Musica: https://youtu.be/OVct34NUk3U?si=Hj-_QkJ-07q2ivkP
‘Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras.’
Padre António Vieira
O Polvo
Assuntos a abordar
- Leitura do excerto do semão; - Indicar os processos de retórica e os recursos expressivos; - Discussão sobre a simbologia do polvo, e a analogia entre os homens e Santo António; - Apreciação crítica de um cartoon; - Vizualização de um video;
Quem gosta de Gomas retóricas?
Patrocinado por Rodrigo Coelho
- Acertar num processo de retórica usado ao longo da leitura do
excerto = 1 Goma
- Acertar num processo de retórica usado ao longo da leitura do
excerto E indicar a função do processo de retórica em que é usado
= 2 Gomas
- Acertar num processo de retórica usado ao longo da leitura do
excerto que não foi mencionado por nós = 3 Gomas
Leitura do excerto
“Mas já que estamos seguros nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que São Basílio e São Ambrosio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja Latina e Grega que o dito polvo é o maior traidor do mar” (l. 183-190)
Leitura do excerto
“Mas já que estamos seguros nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos
lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que São Basílio e São Ambrosio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um
monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele
não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E
debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa,
testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja Latina e
Grega que o dito polvo é o maior traidor do mar” (l 183-190)
- Anáfora (l 185-187): Repetição das expressões “com aquele” e “parece” para reforçar a ideia de semelhanca; - Argumento de autoridade (l.190): Ao se referir aos dois grandes doutores esta a reforçar a sua posição acerca do polvo;
- Alusão histórica e cultural (l.185): São Basílio e São Ambrosio foram dois padres muito venerados, estão aqui referidos pois ambos tambem criticaram a atitude traira do polvo; - Analogia (l 185-186): Serve para comparar o aspeto físico de polvo com
um monge e uma estrela;
Leitura do excerto
“Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas coisas a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo; e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que o outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro” (l 190-200)
Leitura do excerto
“Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas coisas a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo; e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que o outro peixe, inocente da traição, vain passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro” (l 190-200)
- Anáfora (l 194-197): Repetição da expressão “se está” para reforçar o limite da camuflagem do polvo; - Sensorialismo e exemplificação (l 197-200): Serve para representar o ato traíra do polvo; - Pergunta retórica (l.197) Vieira usa a pergunta retorica para fazer o ouvinte pensar;
- Alusão histórica e cultural (l.193-194): Refere-se a Proteu, mais a seguir... - Analogia (l 192-194): Serve para comparar o polvo com o camaleão e Proteu;
- Enumeração, Sensorialismo e Paralelismo (l 194-197): Servem para enumerar e representar os limites das capacidades morfológicas do polvo;
Proteu
(l.193-194) Proteu na mitologia grega foi um deus dos oceanos, ele era capaz de mudar a sua forma física, isto servia para refletir a natureza do elemento da água, a água representa versatilidade, flexibilidade e uma constante mudança de estado, proteu também conseguia ver o futuro, porém mudava de forma para evitar revelar o futuro aos humanos, ora após tudo isto vieira cria uma analogia entre as capacidades morfológicas do deus dos oceanos e o polvo, mas que nem vieira diz o polvo realiza tal mudança de forma por malícia, em tentativa de capturar outros, tal como outros tentavam capturar Proteu .
Leitura do excerto
“Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto; Judas abraçou a
Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende.
Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas.
Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas adiante; traçou a traição às
escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a
vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz é à luz, para que não
distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em
tua comparação já é menos traidor” (l 200-208)
Leitura do excerto
“Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto; Judas abraçou a
Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende.
Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas.
Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas adiante; traçou a traição às
escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a
vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz é à luz, para que não
distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em
tua comparação já é menos traidor” (l 200-208)
- Trocadilhos (l 202-203): Judas avisou os soldados romanos onde estava Jesus e os braços do polvo são como cordas que prendem as presas; - Apóstrofe (l 206-207): O uso da expressão “Peixe aleivoso, e vil” serve para interpolar o polvo por ser tão traidor;
- Pergunta retórica (l 200): Serve para estimular a reflexão do auditório sobre o polvo; - Citação biblica e alusão historica e cultural (l.200): Fala sobre Judas, mais a seguir... - Comparação (l 200-206): Serve para mostrar a similaridade entre Judas e o polvo;
Leitura do excerto
“Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto; Judas abraçou a
Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende.
Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas.
Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas adiante; traçou a traição às
escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a
vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz é à luz, para que não
distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em
tua comparação já é menos traidor” (l 200-208)
- Antítese (l 204-205): Serve para mostrar um contraste entre as ações de Judas; - Exclamação (l 207-208): Serve para repreender o polvo; - Ironia (l 207-208): Com a exclamação, o orador na verdade pretende repreender os homens; - Sensorialismo (l.207): serve para criar uma imagem na mente do ouvinte; - Reiteracao da ideia de traicao ao longo de todo o paragrafo;
Judas Iscariotes
(l.200-208) vieira menciona judas iscariotes, Judas foi um dos 12 apóstolos de jesus cristo, de acordo com o evangelho cristão, os apóstolos eram missionários enviados por jesus para espalhar a sua palavra por todo o mundo, os apóstolos eram as pessoas em que jesus mais confiava, porém Judas após lhe serem entregue 30 moedas de prata traiu jesus ao o levar para uma cilada onde foi capturado, Judas traiu jesus cristo mas após ver a que as suas ações levaram enforcou se, mostando o seu arrependimento.
Leitura do excerto
“Oh! Que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão
claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão
do mesmo céu! Lá disse o Profeta, por encarecimento, que nas nuvens do ar até
a água é escura: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas
nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento e não à água, a
qual em seu próprio elemento sempre é clara, diáfana e transparente, em que
nada se pode ocultar, encobrir, nem dissimular. E que neste mesmo elemento se
crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão
dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente
traidor!” (l 209–217)
Leitura do excerto
“Oh! Que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão
claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão
do mesmo céu! Lá disse o Profeta, por encarecimento, que nas nuvens do ar até
a água é escura: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas
nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento e não à água, a
qual em seu próprio elemento sempre é clara, diáfana e transparente, em que
nada se pode ocultar, encobrir, nem dissimular. E que neste mesmo elemento se
crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão
dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente
traidor!” (l 209–217)
- Apóstrofe (l 209-210): A repetição da palavra “tão” serve para reforçar a adjetivação; - Interjeição (l 209): Serve para expressar o lamento de Vieira;
- Adjetivação (l 209-212 e 216-217): Serve para dar qualidades à
água e ao polvo
- Analogia (l.210): entre a água e as qualidades malignas do polvo - Citação biblica e alusão historica e cultural (l.211-215)- Enumeração de diversos elementos
Leitura do excerto
“Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os
vossos mares, me estais respondendo e convindo que também nelas há
falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas, e muito maiores e mais
perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também pudéreis
aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais,
eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito
mais do que dizeis, pois o não posso negar;” (l 217-223)
Leitura do excerto
“Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os
vossos mares, me estais respondendo e convindo que também nelas há
falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas, e muito maiores e mais
perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também pudéreis
aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais,
eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito
mais do que dizeis, pois o não posso negar;” (l 217-223)
- Enumeração (l 219-220): Serve para enumerar os pecados que ocorrem tanto na terra como no mar
Leitura do excerto
“Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os
vossos mares, me estais respondendo e convindo que também nelas há
falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas, e muito maiores e mais
perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também pudéreis
aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais,
eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito
mais do que dizeis, pois o não posso negar;” (l 217-223)
É nesta parte do excerto onde é revelada a relação entre o polvo e os homens.
Os homens são:
• Traidores;
• Enganosos;
• Hipócritas;
• Astutos
(l 215-220)
Leitura do excerto
“Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro
exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo,
fingimento, ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um
de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.”
(l 223-227)
Leitura do excerto
“Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento, ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.” (l 223-227)
- Antítese (l 224-225): Serve para mostrar um contraste entre o que Santo António é, e o que
não é; - Uso do imperativo (l 223-224): Serve para
chamar a atenção do auditório aos
comportamentos de Santo António
Leitura do excerto
“Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento, ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.” (l 223-227)
Vieira acaba a sua repreensão ao polvo com a sua
relação com Santo António. Santo António é:
• Puro;
• Honesto;
• Verdadeiro;
• Nunca enganou nem fingiu (l 223-225)
• Deve ser levado como exemplo (l 225-227)
Apreciação crítica da Imagem
- ``O Amor seja sem hipocrisia`` feito
por Marta Isabel Segão, publicado
no site sardinhassemlata.blogs.sapo.pt dia 25 de outubro de 2022
- Ambos têm armas conciliadas por detraz de um sorriso, uma forma de camuflagem; - Tema principal e a traição, hipocrisia, engano, e camuflagem;
Outras Representações da Traicão
Conclusão
A mensagem deste cartoon não é muito diferente do que foi lido no excerto. Em ambos os casos, as aparências iludem, quando se apercebem da ingenuidade das suas vítimas, conseguem atacar com as suas armas conceliadas; A isso chama-se traição.
Conclusão
É na traição em que Vieira baseia a sua descrição dos homens. Através da alegoria do polvo, o orador repreende os homens, especialmente os moradores do Maranhão e os colonos, pela sua falsidade e habilidade de ``ceifar`` os outros a propósito de os comer. E cumprindo os objetivos de eloquência ao usar argumentos de autoridade, processos de retórica e recursos expressivos, consegue espalhar essa mensagem no auditório com clareza.
O Traira
Engana mais uma vez
Obrigado!!!
polvo
Kotter322
Created on November 5, 2023
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Transcript
Sermão de Santo António aos peixes Capitulo V
Repreensões aos peixes em particular
Trabalho realizado por: - Afonso Miguel dos Reis Ramos Anico, 11°C n°1 - Rafael Afonso Caldeira Dias, 11°C n°15 - Rafael Alexandre Oliveira Miranda, 11°C n°16 - Ricardo Afonso Gonçalves Rodrigues, 11°C n°17 - Rodrigo de Jesus Coelho, 11°C n°18
(Tema geral do PowerPoint realizado por Ricardo Rodrigues)
Musica: https://youtu.be/OVct34NUk3U?si=Hj-_QkJ-07q2ivkP
‘Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras.’
Padre António Vieira
O Polvo
Assuntos a abordar
- Leitura do excerto do semão; - Indicar os processos de retórica e os recursos expressivos; - Discussão sobre a simbologia do polvo, e a analogia entre os homens e Santo António; - Apreciação crítica de um cartoon; - Vizualização de um video;
Quem gosta de Gomas retóricas?
Patrocinado por Rodrigo Coelho
- Acertar num processo de retórica usado ao longo da leitura do excerto = 1 Goma - Acertar num processo de retórica usado ao longo da leitura do excerto E indicar a função do processo de retórica em que é usado = 2 Gomas - Acertar num processo de retórica usado ao longo da leitura do excerto que não foi mencionado por nós = 3 Gomas
Leitura do excerto
“Mas já que estamos seguros nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que São Basílio e São Ambrosio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja Latina e Grega que o dito polvo é o maior traidor do mar” (l. 183-190)
Leitura do excerto
“Mas já que estamos seguros nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que São Basílio e São Ambrosio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja Latina e Grega que o dito polvo é o maior traidor do mar” (l 183-190)
- Anáfora (l 185-187): Repetição das expressões “com aquele” e “parece” para reforçar a ideia de semelhanca; - Argumento de autoridade (l.190): Ao se referir aos dois grandes doutores esta a reforçar a sua posição acerca do polvo;
- Alusão histórica e cultural (l.185): São Basílio e São Ambrosio foram dois padres muito venerados, estão aqui referidos pois ambos tambem criticaram a atitude traira do polvo; - Analogia (l 185-186): Serve para comparar o aspeto físico de polvo com um monge e uma estrela;
Leitura do excerto
“Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas coisas a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo; e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que o outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro” (l 190-200)
Leitura do excerto
“Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas coisas a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo; e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que o outro peixe, inocente da traição, vain passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro” (l 190-200)
- Anáfora (l 194-197): Repetição da expressão “se está” para reforçar o limite da camuflagem do polvo; - Sensorialismo e exemplificação (l 197-200): Serve para representar o ato traíra do polvo; - Pergunta retórica (l.197) Vieira usa a pergunta retorica para fazer o ouvinte pensar;
- Alusão histórica e cultural (l.193-194): Refere-se a Proteu, mais a seguir... - Analogia (l 192-194): Serve para comparar o polvo com o camaleão e Proteu; - Enumeração, Sensorialismo e Paralelismo (l 194-197): Servem para enumerar e representar os limites das capacidades morfológicas do polvo;
Proteu
(l.193-194) Proteu na mitologia grega foi um deus dos oceanos, ele era capaz de mudar a sua forma física, isto servia para refletir a natureza do elemento da água, a água representa versatilidade, flexibilidade e uma constante mudança de estado, proteu também conseguia ver o futuro, porém mudava de forma para evitar revelar o futuro aos humanos, ora após tudo isto vieira cria uma analogia entre as capacidades morfológicas do deus dos oceanos e o polvo, mas que nem vieira diz o polvo realiza tal mudança de forma por malícia, em tentativa de capturar outros, tal como outros tentavam capturar Proteu .
Leitura do excerto
“Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto; Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas adiante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz é à luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor” (l 200-208)
Leitura do excerto
“Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto; Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas adiante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz é à luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor” (l 200-208)
- Trocadilhos (l 202-203): Judas avisou os soldados romanos onde estava Jesus e os braços do polvo são como cordas que prendem as presas; - Apóstrofe (l 206-207): O uso da expressão “Peixe aleivoso, e vil” serve para interpolar o polvo por ser tão traidor;
- Pergunta retórica (l 200): Serve para estimular a reflexão do auditório sobre o polvo; - Citação biblica e alusão historica e cultural (l.200): Fala sobre Judas, mais a seguir... - Comparação (l 200-206): Serve para mostrar a similaridade entre Judas e o polvo;
Leitura do excerto
“Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto; Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas adiante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz é à luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor” (l 200-208)
- Antítese (l 204-205): Serve para mostrar um contraste entre as ações de Judas; - Exclamação (l 207-208): Serve para repreender o polvo; - Ironia (l 207-208): Com a exclamação, o orador na verdade pretende repreender os homens; - Sensorialismo (l.207): serve para criar uma imagem na mente do ouvinte; - Reiteracao da ideia de traicao ao longo de todo o paragrafo;
Judas Iscariotes
(l.200-208) vieira menciona judas iscariotes, Judas foi um dos 12 apóstolos de jesus cristo, de acordo com o evangelho cristão, os apóstolos eram missionários enviados por jesus para espalhar a sua palavra por todo o mundo, os apóstolos eram as pessoas em que jesus mais confiava, porém Judas após lhe serem entregue 30 moedas de prata traiu jesus ao o levar para uma cilada onde foi capturado, Judas traiu jesus cristo mas após ver a que as suas ações levaram enforcou se, mostando o seu arrependimento.
Leitura do excerto
“Oh! Que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta, por encarecimento, que nas nuvens do ar até a água é escura: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento e não à água, a qual em seu próprio elemento sempre é clara, diáfana e transparente, em que nada se pode ocultar, encobrir, nem dissimular. E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor!” (l 209–217)
Leitura do excerto
“Oh! Que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta, por encarecimento, que nas nuvens do ar até a água é escura: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento e não à água, a qual em seu próprio elemento sempre é clara, diáfana e transparente, em que nada se pode ocultar, encobrir, nem dissimular. E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor!” (l 209–217)
- Apóstrofe (l 209-210): A repetição da palavra “tão” serve para reforçar a adjetivação; - Interjeição (l 209): Serve para expressar o lamento de Vieira; - Adjetivação (l 209-212 e 216-217): Serve para dar qualidades à água e ao polvo
- Analogia (l.210): entre a água e as qualidades malignas do polvo - Citação biblica e alusão historica e cultural (l.211-215)- Enumeração de diversos elementos
Leitura do excerto
“Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais respondendo e convindo que também nelas há falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas, e muito maiores e mais perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também pudéreis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais, eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito mais do que dizeis, pois o não posso negar;” (l 217-223)
Leitura do excerto
“Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais respondendo e convindo que também nelas há falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas, e muito maiores e mais perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também pudéreis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais, eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito mais do que dizeis, pois o não posso negar;” (l 217-223)
- Enumeração (l 219-220): Serve para enumerar os pecados que ocorrem tanto na terra como no mar
Leitura do excerto
“Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais respondendo e convindo que também nelas há falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas, e muito maiores e mais perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também pudéreis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais, eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito mais do que dizeis, pois o não posso negar;” (l 217-223)
É nesta parte do excerto onde é revelada a relação entre o polvo e os homens. Os homens são: • Traidores; • Enganosos; • Hipócritas; • Astutos (l 215-220)
Leitura do excerto
“Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento, ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.” (l 223-227)
Leitura do excerto
“Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento, ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.” (l 223-227)
- Antítese (l 224-225): Serve para mostrar um contraste entre o que Santo António é, e o que não é; - Uso do imperativo (l 223-224): Serve para chamar a atenção do auditório aos comportamentos de Santo António
Leitura do excerto
“Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento, ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.” (l 223-227)
Vieira acaba a sua repreensão ao polvo com a sua relação com Santo António. Santo António é: • Puro; • Honesto; • Verdadeiro; • Nunca enganou nem fingiu (l 223-225) • Deve ser levado como exemplo (l 225-227)
Apreciação crítica da Imagem
- ``O Amor seja sem hipocrisia`` feito por Marta Isabel Segão, publicado no site sardinhassemlata.blogs.sapo.pt dia 25 de outubro de 2022 - Ambos têm armas conciliadas por detraz de um sorriso, uma forma de camuflagem; - Tema principal e a traição, hipocrisia, engano, e camuflagem;
Outras Representações da Traicão
Conclusão
A mensagem deste cartoon não é muito diferente do que foi lido no excerto. Em ambos os casos, as aparências iludem, quando se apercebem da ingenuidade das suas vítimas, conseguem atacar com as suas armas conceliadas; A isso chama-se traição.
Conclusão
É na traição em que Vieira baseia a sua descrição dos homens. Através da alegoria do polvo, o orador repreende os homens, especialmente os moradores do Maranhão e os colonos, pela sua falsidade e habilidade de ``ceifar`` os outros a propósito de os comer. E cumprindo os objetivos de eloquência ao usar argumentos de autoridade, processos de retórica e recursos expressivos, consegue espalhar essa mensagem no auditório com clareza.
O Traira
Engana mais uma vez
Obrigado!!!