O Cavaleiro da Dinamarca
AuTora
Capa
Dinamarca
Sophia de Melllo Breyner Andersen
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Percurso
Sónia Martins
Porque comecei a escrever para crianças?
Nasceu em 1919 e morreu em 2004. Começou por escrever histórias infantis que contava aos filhos, como 'A Fada Oriana' ou 'A Menina do Mar', mas tornou-se a poetisa maior da língua portuguesa. Interveio social e politicamente e traduziu obras de Dante, Shakespeare e Eurípides.
Elementos paratextuais na capa
Protagonista
Nacionalidade
O que é um cavaleiro
Dinamarca
País do Norte da Europa. Situada entre o mar do Norte e o mar Báltico, a Dinamarca é formada pela península da Jutlândia e por cerca de 400 ilhas, 82 das quais são habitadas. Entre os dinamarqueses mais célebres conta-se o famoso escritor de contos infantis Hans Christian Andersen.
Ano de adesão à União Europeia: 1973
Sistema político: Monarquia constitucional Capital: Copenhaga Superfície total: 43 094 km² População: 5,4 milhões de habitantes
Moeda: coroa dinamarquesa
Introdução
Próximo
Localização do espaço
"A Dinamarca fica no norte da Europa."
tipologia textual
Descrição
Longos e rigorosos Noites muito compridas Dias curtos, pálidos e gelados A neve cobre a terra e os telhados Os rios gelam Os pássaros emigram As árvores perdem as suas folhas As florestas geladas e despidas Grande silêncio imóvel e branco
OS INVERNOS
Só os pinheiros continuam verdes. Só eles (...)
parecem vivos no meio do grande silêncio imóvel e
branco.
Introdução
Próximo
Anterior
Localização da acção no tempo
Há muitos anos, há dezenas e centenas de
anos...
Descrição
"...havia em certo lugar da Dinamarca, no extremo
Norte do país, perto do mar, uma grande floresta de pinheiros, tílias, abetos
e carvalhos. Nessa floresta morava com a sua família um Cavaleiro. Viviam
numa casa construída numa clareira rodeada de bétulas. E em frente da
porta da casa havia um grande pinheiro que era a árvore mais alta da
floresta."
indefinição/imprecisão temporal e espacial
Introdução
Próximo
Anterior
Nas diferentes estações do ano, os vários “rostos” da floresta.
Descrição
Na primavera:
No verão
- as bétulas cobriam-se de jovens folhas, leves e claras
- a neve desaparecia
- o degelo soltava as águas do rio, cuja corrente
recomeçava a cantar noite e dia
- a floresta enchia-se de cogumelos e morangos
selvagens
- os pássaros voltavam do Sul
- o chão cobria-se de flores
- os esquilos saltavam de árvore em árvore
- o ar povoava-se de vozes e de abelhas
- a brisa sussurrava nas ramagens.
- manhãs verdes e doiradas ,
- as crianças saíam muito cedo e iam colher flores,
morangos, amoras e cogumelos,
- as crianças teciam grinaldas que poisavam nos
cabelos ou que punham a flutuar no rio ,
- as crianças dançavam e cantavam sob a sombra das
árvores.
Anterior
Introdução
Próximo
Nas diferentes estações do ano, os vários “rostos” da floresta.
Descrição
No Inverno:
No Outono
No entanto é no Inverno que decorre:
- a maior festa do ano
- a maior alegria
o vento despia os arvoredos
a floresta ficava imóvel e muda, presa em
seus vestidos de neve e gelo
O Natal
Introdução
Anterior
o modo como era preparada e vivida a noite de Natal em casa do Cavaleiro
Descrição
- juntava-se a família
- vinham amigos e parentes, criados da casa e
servos da floresta
- em frente da lareira armava-se uma enorme
mesa para todos
- comiam, riam e bebiam vinho quente e
cerveja com mel
- narravam-se histórias:
- de lobos e ursos- de gnomos e anões - de Tristão e Isolda - de Alf, rei da Dinamarca e de Sigurd
Desenvolvimento
Próximo
A acção principal, que é constituída pela viagem (ida e regresso) do Cavaleiro, irá levar cerca de dois anos.
Narração
- NARRADOR NÃO PARTICIPANTE ( A NARRAÇÃO É FEITA NA 3ªPESSOA)
Personagens Secundárias A mulher do cavaleiro, os filhos, o Mercador de Veneza, o banqueiro Averardo, o negociante flamengo, Filippo e o capitão do navio
Figurantes Os criados, os amigos, os lenhadores, os moradores da povoação, os outros peregrinos, os amigos do banqueiro, os frades e os capitães dos navios de Antuérpia
Protagonista: o Cavaleiro
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Próximo
Espaço
A acção principal decorre em vários lugares.
Espaço amplo e heterogéneo constituído pelo itinerário
estabelecido pelo Cavaleiro:
- Dinamarca
- Jerusalém
- Porto de Jafa
- Ravena
- Veneza
- Florença
- Génova
- Antuérpia
2.
Próximo
O que fez no Natal
O que fez antes do Natal
Depois do Natal
Anterior
Próximo
Inicia-se assim a sua viagem de regresso, mas, em Jafa, surge o primeiro dos contratempos, pois devido ao mau tempo só puderam embarcar em meados de Março. Curioso será então notar que foi em Março que iniciou a viagem com destino à Palestina e acaba por ser também em Março que se despede da Palestina e inicia a sua viagem de regresso à Dinamarca.
Porto de Jafa
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Próximo
No meio do mar:
Anterior
Ravena
Porém, o navio estava tão desmantelado que não podia seguir viagem. — Esperarei por outro barco — disse o Cavaleiro —.
A beleza de Ravena enchia-o de espanto. Não se cansava de admirar as belas igrejas, as altas naves, os leves arcos, as finas fileiras de colunas. Mas mais do que tudo admirava os mosaicos multicolores onde se erguiam esguias figuras de rainhas e santos que poisavam nele o seu grande olhar.
Anterior
Próximo
Veneza
Descrição de Veneza
Primeira Narrativa de encaixe
narrada pelo Mercador de Veneza ao Cavaleiro da Dinamarca
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Próximo
Florença
1. Contextualização
3.Segunda história encaixada
2. Destaque dado à casa do Banqueiro Averardo
4.Terceira história encaixada
Parecia que toda a sabedoria da Terra
estava reunida naquela sala.
O narrador é Filippo nas duas histórias.
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Mais um obstáculo no percurso...
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Próximo
Antuérpia
Chegado à
Flandres, onde caíam já os primeiros flocos de neve e fazia já um frio
de Inverno, o Cavaleiro dirigiu-se para Antuérpia, onde procurou o
negociante flamengo para quem o banqueiro Averardo lhe dera uma
carta de recomendação.
4.ª História
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Viagem de Flandres para Dinamarca
- Final
- caracterização da floresta
Próximo
Inverno (novembro)
1 mês + 3 dias
Em maio chega a Florença
A caminho de Génova - Adoece (a estadia do Cavaleiro no convento foi de dois meses e meio).
Flandres
Génova
Antuérpia História encaixada: Pero Dias Narrador (participante): Capitão dos navios
FLORENÇA: em casa do Banqueiro Averardo
Final de setembro
Duas histórias Encaixadas: 1. Giotto (pintor) 2. Dante (escritor)
1 mês
VENEZA História Encaixada: Vanina e Guidobaldo Narrador: Mercador
Narrador: Filippo
Viagem de regresso +/- 1 ano
- Cerca de um mês em jafa (desde fins de fevereiro até meados de março)
- Tempestade no mar (5 dias)
- Desembarca em Ravena
Chega a sua casa no 24 de Dezembro, para passar o Natal com a sua família, como prometido.
Dinamarca Inverno no Natal Parte na Primavera
História Principal: A Viagem do Cavaleiro da Dinamarca
Palestina
(cerca de dois anos de ausência)
Passar o Natal a rezar e visitar os Lugares Santos
O Cavaleiro demorou-se dois meses na
Palestina, só partindo de Jerusalém para o Porto de Jafa em finais de
Fevereiro.
Viagem de ida +/- 1 ano
Mapa 1
Mapa 2
A viagem decorreu sem problemas.
Passados três dias, partiu em direcção a Génova com cartas de apresentação para ser recebido pelos homens mais nobres das cidades do Norte da Itália. Estava-se em Abril.
- As ruas eram canais onde
deslizavam estreitos barcos finos e
escuros. - Os palácios cresciam das águas que
reflectiam os mármores, as pinturas, as
colunas. - Aérea e leve a cidade pousava sobre
as águas verdes, ao longo da sua
própria imagem. - Vozes, risos, canções e sinos
enchiam o ar da tarde.
A história de Tristão e Isolda é um mito celta, originário da Bretanha.
Isolda era uma princesa irlandesa e a história do seu amor por Tristão causou
uma grande popularidade na Idade Média.
Um filtro do amor preparado pela mãe de Isolda foi a causa do grande amor
deste par desafortunado. Tristão e Isolda beberam-no acidentalmente quando Tristão
escoltava a jovem para a Cornualha, onde o rei Marco a esperava para se casarem. A
partir daí, apesar de Isolda se ter casado, Tristão e Isolda encontravam-se em segredo,
mas não conseguiram manter secreta por muito tempo a sua paixão, chegando mesmo
a ser encontrados pelo rei Marco, marido de Isolda e tio de Tristão. Comovido pela
misericórdia do tio, Tristão casou e partiu para a Bretanha. Mas não conseguiu ser
feliz e a sua paixão por Isolda obrigava-o a ir à Cornualha encontrar-se em segredo
com ela. Um dia Tristão é ferido e manda chamar Isolda para o tratar, pois já uma vez
o curara de um grave ferimento. Ela parte para a Bretanha com um unguento mágico.
Tinham acordado que o barco que a transportasse deveria envergar uma vela branca.
Com ciúmes de Isolda, a esposa de Tristão disse-lhe ter avistado um barco com uma
vela negra. Tristão, julgando que essa vela simbolizava que Isolda tinha morrido,
perdeu a vontade de viver e lançou-se sobre a sua espada. Isolda também não suportou
a perda de Tristão e morreu pouco tempo depois de desgosto. Cf. A. COTTERELL,
(1998).
- Quem é Dante?
Dante, era um grande poeta, um poeta italiano, que conheceu Beatriz, uma mulher bonita, aliás a mulher mais bonita de Florença. Dante quando a conheceu, ficou muito apaixonado e amou-a muito. Mas, esta morreu ainda na sua juventude. Para Dante, este foi o seu maior desgosto e desde da morte de Beatriz, que para esquecer a sua mágoa se meteu em grandes aventuras, até que se perdeu numa floresta e lhe apareceu Virgílio, um poeta romano, morto há já mais de 1000 anos, dizendo-lhe que o guiaria até onde Beatriz o esperava.
Dante e Virgílio partiram e passaram pelo Inferno, onde as pessoas pagavam pelos seus erros, prosseguiram até ao Purgatório, onde as pessoas depois de pagar pelos seus erros, faziam preces para ir para o Paraíso, onde Beatriz o esperava. Até que chegaram ao Paraíso onde se encontra com Beatriz. Passaram ambos pela glória e felicidade, até que Beatriz disse a Dante para voltar à terra e escrever num livro tudo aquilo vira. Surge assim, a famosa obra de Dante intitulada - A Divina Comédia.Com efeito, Giotto di Bondone foi um pintor italiano nascido em Colle di Vespignano, junto de Florença, em 1266 ou 1267, e falecido em Florença, em 1337. Assim sendo, ficamos a saber que a história da viagem do Cavaleiro decorre no século XV.
Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo. Era no Inverno e o médico tinha dito que eles deviam ficar na cama, bem cobertos, bem agasalhados. Para isso era preciso entretê-los o dia inteiro. Primeiro contei todas as histórias que sabia. Depois mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da “mensagem”: uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. Lembrei-me de que quando eu tinha cinco ou seis anos e vivia numa casa branca na duna – a minha mãe me tinha contado que nos rochedos daquela praia1 morava uma menina muito pequenina. Como nesse tempo, para mim, a felicidade máxima era tomar banho entre os rochedos, essa menina marinha tornou-se o centro das minhas imaginações. E a partir desse antigo mundo real e imaginário, comecei a contar a história a que mais tarde chamei “A Menina do Mar”. Os meus filhos ajudavam. Perguntavam: – De que cor era o vestido da menina? – O que é que fazia o peixe? Aliás, nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância”
Já no mar surge um segundo contratempo, uma tempestade, e, de
novo, o modo de expressão que volta a imperar é a descrição, para
nos dar a conhecer a violência da tempestade e, de novo, temos uma
linguagem rica de expressividade, de sensações visuais e auditivas, de
recursos estilísticos com realce para a personificação, metáfora e
aliteração.
- O navio ora subia na crista da vaga ora recaía pesadamente estremecendo de ponta a ponta.
- Os mastros e os cabos estalavam e gemiam.
- As ondas batiam com fúria no casco e varriam a popa. - O navio ora virava todo para a esquerda, ora virava todo para a direita. - Os marinheiros davam à bomba.
- O vento rasgava as velas em pedaços.
- Navegavam sem governo ao sabor do mar.
É neste espaço propício às histórias de encantar que surge a primeira das quatro narrativas de encaixe, a história de Vanina, uma história secundária, mas também ela encantadora, bem ao gosto romanesco.
Vanina, a rapariga mais bela de Veneza, era orfã de pai e mãe e estava sob a tutela de Jacob Orso. Este prometera-a em casamento a Arrigo. Como Vanina se recusara a casar com ele, por o achar velho e feio, o seu tutor, como castigo pela sua desobediência, mantinha-a enclausurada em casa, sempre vigiada pelas aias. Só à noite, quando todos dormiam, é que Vanina encontrava um pouco de liberdade e ia então para a varanda do quarto pentear os seus belos e perfumados cabelos.
Certo dia passou pelo canal, em frente à varanda onde Vanina se penteava, um belo e destemido navegador chamado Guidobaldo.
Vanina e Guidobaldo apaixonaram-se e, como Jacob Orso tivesse recusado a mão de Vanina a Guidobaldo e o ameaçasse de morte se ele não saísse da cidade, Guidobaldo partiu, mas levou com ele Vanina e nunca mais foram encontrados.
Sigurd – (Jorsalafar) rei da Noruega conhecido pelo nome de o Peregrino de
Jerusalém (m. 1170). Participou numa grande expedição marítima de sessenta navios
para libertar a Terra Santa. Lutou inclusivamente na Península Ibérica contra os
Muçulmanos. Cf. Enciclopédia Luso – Brasileira de Cultura, s. u. Sigurd.
Sigurd, também conhecido pelo nome de Siegfried, é ainda o nome de um dos
heróis das lendas germânicas e escandinavas que foi incumbido pelo seu pai adoptivo,
Regin, ferreiro do rei da Jutlândia, de recuperar um fabuloso tesouro guardado por um
terrível dragão chamado Fafnir.
Este tesouro pertencera ao anão Andvari e, posteriormente, ao pai de Regin,
Hreidmar. Regin e o seu irmão Fafnir, para se apoderarem dele, mataram Hreidmar,
mas Fafnir quis o tesouro só para si e transformou-se num dragão para o guardar. É
este tesouro que Sigurd consegue recuperar, matando Fafnir.
- Quem é Giotto?
É extremamente importante a reposta que Filippo dá a esta pergunta pela referência temporal que é feita, pois quando Filippo diz que Giotto é um pintor do século passado, permite-nos tirar ilações quanto ao tempo cronológico em que se desenrola a história do Cavaleiro. Com efeito, Giotto di Bondone foi um pintor italiano nascido em
Colle di Vespignano, junto de Florença, em 1266 ou 1267, e falecido em Florença, em 1337. Assim sendo, ficamos a saber que a história da viagem do Cavaleiro decorre no século XV.
- discutiam os movimentos do Sol e da luz
- discutiam os mistérios do céu e da Terra
- falavam de Matemática, de Astronomia, de Filosofia - falavam de estátuas antigas
- falavam de pinturas acabadas de pintar
- falavam do passado, do presente e do futuro
- falavam de poesia, de música e de arquitectura.
Neste percurso, falta a estadia em Florença, onde se alojou na casa do Banqueiro Averardo.
Dirigia-se então para Génova o Cavaleiro, para embarcar no
porto num dos navios que, no princípio do Verão, sobem de Itália para
Antuérpia. Mas outro imprevisto acontece ao Cavaleiro: adoece,
devido talvez ao sol escaldante ou à água não potável que bebera pelo
caminho e vê-se obrigado a pedir guarida num convento.
A estadia do Cavaleiro no convento foi de dois meses e meio,
pois, apesar de a febre ter baixado passado um mês e meio, o seu
estado de debilidade não lhe permitia continuar viagem, tendo de ficar
mais um mês a recuperar as suas forças.
foi, com efeito, nesta paz que as forças do Cavaleiro se foram
restabelecendo até poder prosseguir a sua viagem. Restabelecido,
continuou a sua viagem para Génova, mas, quando lá chegou, era já
final de Setembro e todos os navios com destino à Flandres haviam já
partido. É então que o Cavaleiro, fiel à sua promessa feita à família,
resolve continuar a viagem por terra, a cavalo, até Bruges. Parava apenas o necessário para comer e dormir, pois como era um homem
de palavra, queria chegar antes do Natal à sua terra.
Passamos então, a partir daqui, a ter o capitão dos navios como
narrador das viagens marítimas por ele protagonizadas, estamos,
portanto, na presença de um narrador participante.
Essa história é a que se inicia em Lisboa e que tem como
objetivo explorar as costas de África. As páginas que se seguem são
um testemunho histórico, descrevem-nos as belas praias da costa
africana bem como os seus habitantes e revelam-nos as tentativas de
entendimento entre ambas as partes, dificultadas pelo facto de a língua
não ser comum. Ora, é precisamente numa dessas tentativas que surge
a história do incidente ocorrido com o português Pêro Dias e
que constitui a última das narrativas de encaixe existentes nesta obra.
Mas, apesar de lhe parecer que todas as forças da Natureza se
tinham conjugado para o impedir de cumprir a sua promessa, ele,
homem de fé e de palavra, recobrava o ânimo e prosseguia a sua
viagem. E assim foi, até que, passadas longas semanas, na antevéspera
do Natal, ao fim da tarde, chegou a uma pequena povoação que ficava
a poucos quilómetros da sua floresta. Aí recuperou as suas forças e, na
madrugada de 24 de Dezembro, partiu, pois tinha de chegar a casa
antes da meia -noite e o dia era curto e a travessia da floresta difícil,
pois estava coberta de neve.
- tudo estava imóvel, mudo, suspenso
- o silêncio e a solidão pareciam assustadores e desmentidos
- as árvores estavam despidas
- os ramos nus desenhavam-se negros, esbranquiçados, avermelhados
- só os pinheiros cobertos de agulhas continuavam verdes
Como no início da Obra novamente se destaca um
elemento: o pinheiro, aliás, o único sinal de vida na floresta.
O
pinheiro surge assim como símbolo de esperança. Quando
chegou diante da claridade, o Cavaleiro viu que estava na clareira de bétulas onde ficava a sua casa e que aquela fogueira era o grande
abeto que ficava junto dela e que estava coberto de luzes. Luzes que
só poderiam ter sido lá colocadas pelos anjos do Natal para guiar o
Cavaleiro.
E assim termina a saga do Cavaleiro. E diz-se que foi graças a
esta história que surgiu o hábito de se enfeitarem os pinheiros na noite
de Natal, para guiarem todos aqueles que se encontram perdidos.
Desta forma, O Cavaleiro da Dinamarca vem perpetuar, através de
uma versão escrita, esta lenda explicativa da origem de uma tradição
natalícia: a iluminação dos pinheiros.
O Cavaleiro da Dinamarca
Sonia
Created on October 20, 2023
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O Cavaleiro da Dinamarca
AuTora
Capa
Dinamarca
Sophia de Melllo Breyner Andersen
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Percurso
Sónia Martins
Porque comecei a escrever para crianças?
Nasceu em 1919 e morreu em 2004. Começou por escrever histórias infantis que contava aos filhos, como 'A Fada Oriana' ou 'A Menina do Mar', mas tornou-se a poetisa maior da língua portuguesa. Interveio social e politicamente e traduziu obras de Dante, Shakespeare e Eurípides.
Elementos paratextuais na capa
Protagonista
Nacionalidade
O que é um cavaleiro
Dinamarca
País do Norte da Europa. Situada entre o mar do Norte e o mar Báltico, a Dinamarca é formada pela península da Jutlândia e por cerca de 400 ilhas, 82 das quais são habitadas. Entre os dinamarqueses mais célebres conta-se o famoso escritor de contos infantis Hans Christian Andersen.
Ano de adesão à União Europeia: 1973 Sistema político: Monarquia constitucional Capital: Copenhaga Superfície total: 43 094 km² População: 5,4 milhões de habitantes Moeda: coroa dinamarquesa
Introdução
Próximo
Localização do espaço
"A Dinamarca fica no norte da Europa."
tipologia textual
Descrição
Longos e rigorosos Noites muito compridas Dias curtos, pálidos e gelados A neve cobre a terra e os telhados Os rios gelam Os pássaros emigram As árvores perdem as suas folhas As florestas geladas e despidas Grande silêncio imóvel e branco
OS INVERNOS
Só os pinheiros continuam verdes. Só eles (...) parecem vivos no meio do grande silêncio imóvel e branco.
Introdução
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Localização da acção no tempo
Há muitos anos, há dezenas e centenas de anos...
Descrição
"...havia em certo lugar da Dinamarca, no extremo Norte do país, perto do mar, uma grande floresta de pinheiros, tílias, abetos e carvalhos. Nessa floresta morava com a sua família um Cavaleiro. Viviam numa casa construída numa clareira rodeada de bétulas. E em frente da porta da casa havia um grande pinheiro que era a árvore mais alta da floresta."
indefinição/imprecisão temporal e espacial
Introdução
Próximo
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Nas diferentes estações do ano, os vários “rostos” da floresta.
Descrição
Na primavera:
No verão
Anterior
Introdução
Próximo
Nas diferentes estações do ano, os vários “rostos” da floresta.
Descrição
No Inverno:
No Outono
No entanto é no Inverno que decorre:
o vento despia os arvoredos
a floresta ficava imóvel e muda, presa em seus vestidos de neve e gelo
O Natal
Introdução
Anterior
o modo como era preparada e vivida a noite de Natal em casa do Cavaleiro
Descrição
- de lobos e ursos- de gnomos e anões - de Tristão e Isolda - de Alf, rei da Dinamarca e de Sigurd
Desenvolvimento
Próximo
A acção principal, que é constituída pela viagem (ida e regresso) do Cavaleiro, irá levar cerca de dois anos.
Narração
- NARRADOR NÃO PARTICIPANTE ( A NARRAÇÃO É FEITA NA 3ªPESSOA)
Personagens Secundárias A mulher do cavaleiro, os filhos, o Mercador de Veneza, o banqueiro Averardo, o negociante flamengo, Filippo e o capitão do navio
Figurantes Os criados, os amigos, os lenhadores, os moradores da povoação, os outros peregrinos, os amigos do banqueiro, os frades e os capitães dos navios de Antuérpia
Protagonista: o Cavaleiro
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Próximo
Espaço
A acção principal decorre em vários lugares.
Espaço amplo e heterogéneo constituído pelo itinerário estabelecido pelo Cavaleiro:
2.
Próximo
O que fez no Natal
O que fez antes do Natal
Depois do Natal
Anterior
Próximo
Inicia-se assim a sua viagem de regresso, mas, em Jafa, surge o primeiro dos contratempos, pois devido ao mau tempo só puderam embarcar em meados de Março. Curioso será então notar que foi em Março que iniciou a viagem com destino à Palestina e acaba por ser também em Março que se despede da Palestina e inicia a sua viagem de regresso à Dinamarca.
Porto de Jafa
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No meio do mar:
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Ravena
Porém, o navio estava tão desmantelado que não podia seguir viagem. — Esperarei por outro barco — disse o Cavaleiro —. A beleza de Ravena enchia-o de espanto. Não se cansava de admirar as belas igrejas, as altas naves, os leves arcos, as finas fileiras de colunas. Mas mais do que tudo admirava os mosaicos multicolores onde se erguiam esguias figuras de rainhas e santos que poisavam nele o seu grande olhar.
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Veneza
Descrição de Veneza
Primeira Narrativa de encaixe
narrada pelo Mercador de Veneza ao Cavaleiro da Dinamarca
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Florença
1. Contextualização
3.Segunda história encaixada
2. Destaque dado à casa do Banqueiro Averardo
4.Terceira história encaixada
Parecia que toda a sabedoria da Terra estava reunida naquela sala.
O narrador é Filippo nas duas histórias.
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Mais um obstáculo no percurso...
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Antuérpia
Chegado à Flandres, onde caíam já os primeiros flocos de neve e fazia já um frio de Inverno, o Cavaleiro dirigiu-se para Antuérpia, onde procurou o negociante flamengo para quem o banqueiro Averardo lhe dera uma carta de recomendação.
4.ª História
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Viagem de Flandres para Dinamarca
- Final
- caracterização da floresta
Próximo
Inverno (novembro)
1 mês + 3 dias
Em maio chega a Florença
A caminho de Génova - Adoece (a estadia do Cavaleiro no convento foi de dois meses e meio).
Flandres
Génova
Antuérpia História encaixada: Pero Dias Narrador (participante): Capitão dos navios
FLORENÇA: em casa do Banqueiro Averardo
Final de setembro
Duas histórias Encaixadas: 1. Giotto (pintor) 2. Dante (escritor)
1 mês
VENEZA História Encaixada: Vanina e Guidobaldo Narrador: Mercador
Narrador: Filippo
Viagem de regresso +/- 1 ano
Chega a sua casa no 24 de Dezembro, para passar o Natal com a sua família, como prometido.
Dinamarca Inverno no Natal Parte na Primavera
História Principal: A Viagem do Cavaleiro da Dinamarca
Palestina
(cerca de dois anos de ausência)
Passar o Natal a rezar e visitar os Lugares Santos
O Cavaleiro demorou-se dois meses na Palestina, só partindo de Jerusalém para o Porto de Jafa em finais de Fevereiro.
Viagem de ida +/- 1 ano
Mapa 1
Mapa 2
A viagem decorreu sem problemas.
Passados três dias, partiu em direcção a Génova com cartas de apresentação para ser recebido pelos homens mais nobres das cidades do Norte da Itália. Estava-se em Abril.
- As ruas eram canais onde deslizavam estreitos barcos finos e escuros. - Os palácios cresciam das águas que reflectiam os mármores, as pinturas, as colunas. - Aérea e leve a cidade pousava sobre as águas verdes, ao longo da sua própria imagem. - Vozes, risos, canções e sinos enchiam o ar da tarde.
A história de Tristão e Isolda é um mito celta, originário da Bretanha. Isolda era uma princesa irlandesa e a história do seu amor por Tristão causou uma grande popularidade na Idade Média. Um filtro do amor preparado pela mãe de Isolda foi a causa do grande amor deste par desafortunado. Tristão e Isolda beberam-no acidentalmente quando Tristão escoltava a jovem para a Cornualha, onde o rei Marco a esperava para se casarem. A partir daí, apesar de Isolda se ter casado, Tristão e Isolda encontravam-se em segredo, mas não conseguiram manter secreta por muito tempo a sua paixão, chegando mesmo a ser encontrados pelo rei Marco, marido de Isolda e tio de Tristão. Comovido pela misericórdia do tio, Tristão casou e partiu para a Bretanha. Mas não conseguiu ser feliz e a sua paixão por Isolda obrigava-o a ir à Cornualha encontrar-se em segredo com ela. Um dia Tristão é ferido e manda chamar Isolda para o tratar, pois já uma vez o curara de um grave ferimento. Ela parte para a Bretanha com um unguento mágico. Tinham acordado que o barco que a transportasse deveria envergar uma vela branca. Com ciúmes de Isolda, a esposa de Tristão disse-lhe ter avistado um barco com uma vela negra. Tristão, julgando que essa vela simbolizava que Isolda tinha morrido, perdeu a vontade de viver e lançou-se sobre a sua espada. Isolda também não suportou a perda de Tristão e morreu pouco tempo depois de desgosto. Cf. A. COTTERELL, (1998).
- Quem é Dante?
Dante, era um grande poeta, um poeta italiano, que conheceu Beatriz, uma mulher bonita, aliás a mulher mais bonita de Florença. Dante quando a conheceu, ficou muito apaixonado e amou-a muito. Mas, esta morreu ainda na sua juventude. Para Dante, este foi o seu maior desgosto e desde da morte de Beatriz, que para esquecer a sua mágoa se meteu em grandes aventuras, até que se perdeu numa floresta e lhe apareceu Virgílio, um poeta romano, morto há já mais de 1000 anos, dizendo-lhe que o guiaria até onde Beatriz o esperava. Dante e Virgílio partiram e passaram pelo Inferno, onde as pessoas pagavam pelos seus erros, prosseguiram até ao Purgatório, onde as pessoas depois de pagar pelos seus erros, faziam preces para ir para o Paraíso, onde Beatriz o esperava. Até que chegaram ao Paraíso onde se encontra com Beatriz. Passaram ambos pela glória e felicidade, até que Beatriz disse a Dante para voltar à terra e escrever num livro tudo aquilo vira. Surge assim, a famosa obra de Dante intitulada - A Divina Comédia.Com efeito, Giotto di Bondone foi um pintor italiano nascido em Colle di Vespignano, junto de Florença, em 1266 ou 1267, e falecido em Florença, em 1337. Assim sendo, ficamos a saber que a história da viagem do Cavaleiro decorre no século XV.
Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo. Era no Inverno e o médico tinha dito que eles deviam ficar na cama, bem cobertos, bem agasalhados. Para isso era preciso entretê-los o dia inteiro. Primeiro contei todas as histórias que sabia. Depois mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da “mensagem”: uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. Lembrei-me de que quando eu tinha cinco ou seis anos e vivia numa casa branca na duna – a minha mãe me tinha contado que nos rochedos daquela praia1 morava uma menina muito pequenina. Como nesse tempo, para mim, a felicidade máxima era tomar banho entre os rochedos, essa menina marinha tornou-se o centro das minhas imaginações. E a partir desse antigo mundo real e imaginário, comecei a contar a história a que mais tarde chamei “A Menina do Mar”. Os meus filhos ajudavam. Perguntavam: – De que cor era o vestido da menina? – O que é que fazia o peixe? Aliás, nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância”
Já no mar surge um segundo contratempo, uma tempestade, e, de novo, o modo de expressão que volta a imperar é a descrição, para nos dar a conhecer a violência da tempestade e, de novo, temos uma linguagem rica de expressividade, de sensações visuais e auditivas, de recursos estilísticos com realce para a personificação, metáfora e aliteração. - O navio ora subia na crista da vaga ora recaía pesadamente estremecendo de ponta a ponta. - Os mastros e os cabos estalavam e gemiam. - As ondas batiam com fúria no casco e varriam a popa. - O navio ora virava todo para a esquerda, ora virava todo para a direita. - Os marinheiros davam à bomba. - O vento rasgava as velas em pedaços. - Navegavam sem governo ao sabor do mar.
É neste espaço propício às histórias de encantar que surge a primeira das quatro narrativas de encaixe, a história de Vanina, uma história secundária, mas também ela encantadora, bem ao gosto romanesco. Vanina, a rapariga mais bela de Veneza, era orfã de pai e mãe e estava sob a tutela de Jacob Orso. Este prometera-a em casamento a Arrigo. Como Vanina se recusara a casar com ele, por o achar velho e feio, o seu tutor, como castigo pela sua desobediência, mantinha-a enclausurada em casa, sempre vigiada pelas aias. Só à noite, quando todos dormiam, é que Vanina encontrava um pouco de liberdade e ia então para a varanda do quarto pentear os seus belos e perfumados cabelos. Certo dia passou pelo canal, em frente à varanda onde Vanina se penteava, um belo e destemido navegador chamado Guidobaldo. Vanina e Guidobaldo apaixonaram-se e, como Jacob Orso tivesse recusado a mão de Vanina a Guidobaldo e o ameaçasse de morte se ele não saísse da cidade, Guidobaldo partiu, mas levou com ele Vanina e nunca mais foram encontrados.
Sigurd – (Jorsalafar) rei da Noruega conhecido pelo nome de o Peregrino de Jerusalém (m. 1170). Participou numa grande expedição marítima de sessenta navios para libertar a Terra Santa. Lutou inclusivamente na Península Ibérica contra os Muçulmanos. Cf. Enciclopédia Luso – Brasileira de Cultura, s. u. Sigurd. Sigurd, também conhecido pelo nome de Siegfried, é ainda o nome de um dos heróis das lendas germânicas e escandinavas que foi incumbido pelo seu pai adoptivo, Regin, ferreiro do rei da Jutlândia, de recuperar um fabuloso tesouro guardado por um terrível dragão chamado Fafnir. Este tesouro pertencera ao anão Andvari e, posteriormente, ao pai de Regin, Hreidmar. Regin e o seu irmão Fafnir, para se apoderarem dele, mataram Hreidmar, mas Fafnir quis o tesouro só para si e transformou-se num dragão para o guardar. É este tesouro que Sigurd consegue recuperar, matando Fafnir.
- Quem é Giotto?
É extremamente importante a reposta que Filippo dá a esta pergunta pela referência temporal que é feita, pois quando Filippo diz que Giotto é um pintor do século passado, permite-nos tirar ilações quanto ao tempo cronológico em que se desenrola a história do Cavaleiro. Com efeito, Giotto di Bondone foi um pintor italiano nascido em Colle di Vespignano, junto de Florença, em 1266 ou 1267, e falecido em Florença, em 1337. Assim sendo, ficamos a saber que a história da viagem do Cavaleiro decorre no século XV.
- discutiam os movimentos do Sol e da luz - discutiam os mistérios do céu e da Terra - falavam de Matemática, de Astronomia, de Filosofia - falavam de estátuas antigas - falavam de pinturas acabadas de pintar - falavam do passado, do presente e do futuro - falavam de poesia, de música e de arquitectura.
Neste percurso, falta a estadia em Florença, onde se alojou na casa do Banqueiro Averardo.
Dirigia-se então para Génova o Cavaleiro, para embarcar no porto num dos navios que, no princípio do Verão, sobem de Itália para Antuérpia. Mas outro imprevisto acontece ao Cavaleiro: adoece, devido talvez ao sol escaldante ou à água não potável que bebera pelo caminho e vê-se obrigado a pedir guarida num convento. A estadia do Cavaleiro no convento foi de dois meses e meio, pois, apesar de a febre ter baixado passado um mês e meio, o seu estado de debilidade não lhe permitia continuar viagem, tendo de ficar mais um mês a recuperar as suas forças. foi, com efeito, nesta paz que as forças do Cavaleiro se foram restabelecendo até poder prosseguir a sua viagem. Restabelecido, continuou a sua viagem para Génova, mas, quando lá chegou, era já final de Setembro e todos os navios com destino à Flandres haviam já partido. É então que o Cavaleiro, fiel à sua promessa feita à família, resolve continuar a viagem por terra, a cavalo, até Bruges. Parava apenas o necessário para comer e dormir, pois como era um homem de palavra, queria chegar antes do Natal à sua terra.
Passamos então, a partir daqui, a ter o capitão dos navios como narrador das viagens marítimas por ele protagonizadas, estamos, portanto, na presença de um narrador participante.
Essa história é a que se inicia em Lisboa e que tem como objetivo explorar as costas de África. As páginas que se seguem são um testemunho histórico, descrevem-nos as belas praias da costa africana bem como os seus habitantes e revelam-nos as tentativas de entendimento entre ambas as partes, dificultadas pelo facto de a língua não ser comum. Ora, é precisamente numa dessas tentativas que surge a história do incidente ocorrido com o português Pêro Dias e que constitui a última das narrativas de encaixe existentes nesta obra.
Mas, apesar de lhe parecer que todas as forças da Natureza se tinham conjugado para o impedir de cumprir a sua promessa, ele, homem de fé e de palavra, recobrava o ânimo e prosseguia a sua viagem. E assim foi, até que, passadas longas semanas, na antevéspera do Natal, ao fim da tarde, chegou a uma pequena povoação que ficava a poucos quilómetros da sua floresta. Aí recuperou as suas forças e, na madrugada de 24 de Dezembro, partiu, pois tinha de chegar a casa antes da meia -noite e o dia era curto e a travessia da floresta difícil, pois estava coberta de neve.
Como no início da Obra novamente se destaca um elemento: o pinheiro, aliás, o único sinal de vida na floresta.
O pinheiro surge assim como símbolo de esperança. Quando chegou diante da claridade, o Cavaleiro viu que estava na clareira de bétulas onde ficava a sua casa e que aquela fogueira era o grande abeto que ficava junto dela e que estava coberto de luzes. Luzes que só poderiam ter sido lá colocadas pelos anjos do Natal para guiar o Cavaleiro. E assim termina a saga do Cavaleiro. E diz-se que foi graças a esta história que surgiu o hábito de se enfeitarem os pinheiros na noite de Natal, para guiarem todos aqueles que se encontram perdidos. Desta forma, O Cavaleiro da Dinamarca vem perpetuar, através de uma versão escrita, esta lenda explicativa da origem de uma tradição natalícia: a iluminação dos pinheiros.