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Cesário Verde- II

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Created on October 3, 2023

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Transcript

Cesário Verde

O sentimento dum ocidental

Noite fechada

Introdução

A segunda parte da obra O sentimento dum ocidental, de Cesário Verde, é “Noite fechada”, na qual o sujeito poético percorre a cidade, de noite, e observa os movimentos e a luminosidade (artificial e natural) das ruas. Além disso, o “eu” lírico assemelha a cidade a uma prisão (Aljube), retratando sentimentos negativos que se vão intensificando.

POEMA

+info

ANÁLISE

Cesário Verde

«A mim o que me preocupa é o que me rodeia.»

Referências

https://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v039.txt ; https://pt.slideshare.net/sebentadigital/noite-fechada-de-cesrio-verde-1446998 ; https://prezi.com/naftpl9cuz_k/noite-fechada/ ;https://www.docsity.com/pt/o-sentimento-dum-ocidental-analise/5667868/

Ana silva, n.º 1; Inês cunha, n.º 10; inês castro, n.º 11; margarida carvalho, n.º 15 - 12.ºA

Cesário Verde

O sentimento dum ocidental

Toca-se às grades, nas cadeias. Som Que mortifica e deixa umas loucuras mansas! O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças, Bem raramente encerra uma mulher de <<dom>>! E eu desconfio, até, de um aneurisma Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes; À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes, Chora-me o coração que se enche e que se abisma. A espaços, iluminam-se os andares, E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos Alastram em lençol os seus reflexos brancos; E a Lua lembra o circo e os jogos malabares. Duas igrejas, num saudoso largo, Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero: Nelas esfumo um ermo inquisidor severo, Assim que pela História eu me aventuro e alargo. Na parte que abateu no terremoto, Muram-me as construções retas, iguais, crescidas; Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas, E os sinos de um tanger monástico e devoto. Mas, num recinto público e vulgar, Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras, Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras, Um épico d’outrora ascende, num pilar!

Cesário Verde

O sentimento dum ocidental

E eu sonho o Cólera, imagino a Febre,Nesta acumulação de corpos enfezados; Sombrios e espectrais recolhem os soldados; Inflama-se um palácio em face de um casebre. Partem patrulhas de cavalaria Dos arcos dos quartéis que foram já conventos; Idade Média! A pé, outras, a passos lentos, Derramam-se por toda a capital, que esfria. Triste cidade! Eu temo que me avives Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes, Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes, Curvadas a sorrir às montras dos ourives. E mais: as costureiras, as floristas Descem dos magasins, causam-me sobressaltos; Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos E muitas delas são comparsas ou coristas. E eu, de luneta de uma lente só, Eu acho sempre assunto a quadros revoltados: Entro na brasserie; às mesas de emigrados, Joga-se, alegremente e ao gás, o dominó!

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Correntes literárias

  • Realismo: É feita uma observação, seguida de uma crítica da realidade e da humanidade, pelo sujeito poético, durante o seu passeio.
  • Naturalismo: O emissor lírico demonstra preocupação com o comportamento decadente da sociedade, alertando para os fatores que causam o mesmo.
  • Impressionismo: As sensações e as impressões vividas pelo “eu” poético permitem fazer uma captação da realidade.

Nesta estrofe, é feita uma evocação das doenças (“Cólera” e “Febre”), que é sobreposta ao regresso dos soldados aos quartéis, devido à presença de corpos enraivecidos. Para além disto, verifica-se uma observação direta de um palácio, que expressa, de forma abstrata, a visão crítica do narrador perante uma sociedade em que palácios coabitam em casebres.

Q.: Tendo em conta que o poema foi produzido a propósito das comemorações do tricentenário da morte de Camões, explicita o objetivo do contraste presente na sexta estrofe. R.: Repentinamente, na sexta estrofe, o sujeito poético sente-se orgulhoso ao recordar o passado português, fazendo referência a Luís de Camões e a uma das mais épicas estátuas e alterações positivas realizadas na Nova Lisboa. Desta forma, ocorre uma mudança do estado de espírito do emissor lírico, uma vez que este valoriza o facto de terem honrado tão grandioso escritor, mostrando-se otimista pela evolução da sua cidade, de forma a que esta não fique estagnada ("Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras,/Um épico d'outrora ascende, num pilar" , vv. 23 e 24).

Análise formal do poema

  • Número de estrofes: 11 (quadras)
  • Métrica: irregular
  • Esquema rimático: ABBA CDDC EFFE GHHG IJJI KLLK MNNM OPPO QRRQ STTS UVVU
  • Tipo de rima: interpolada (ABBA)
Questão:

Identifica momentos de representação da cidade e de tipos sociais, que são objeto de crítica por parte do sujeito poético.

O título deste poema reflete o ambiente e a altura do dia em que o emissor poético se encontra, sendo que o adjetivo “fechada” descreve o seu papel de deambulador, mostrando que é limitado, terminando o seu percurso na cervejaria.

O sujeito poético demonstra nostalgia pela cidade, considerando que aquele tempo e espaço seriam a salvação das adversidades do presente que foram encontradas no passado. Nesta estância, podemos observar a ocupação das cavalarias que, durante algum tempo, eram conventos e que agora são quartéis (“Dos arcos dos quartéis que foram já conventos;”). No verso “por toda a capital, que esfria”, conseguimos ver o pânico imposto pelos combatentes ao marcharem a passos lentos.

A segunda parte deste poema inicia-se na sexta estrofe, onde o sujeito lírico, que se encontra na Praça de Camões, destaca a importância de Luís de Camões, homenageando-o, dado que este simboliza a resposta aos problemas do presente, utilizando soluções do passado (“Um épico d’outrora ascende, num pilar!”).

Análise das estrofes

1ª estrofe: Esta parte da obra inicia-se com a comparação da cidade a uma prisão - o Aljube, onde se recolhem “velhinhas e crianças” e, esporadicamente, mulheres com posses -, o que leva o sujeito poético a sentir-se mortificado e atormentado, perante os sons provenientes da cadeia, assim que chega a noite, e o sofrimento que nela existe.2ª estrofe: Na segunda estrofe, que decorre na altura em que a noite se ilumina com luzes, o emissor lírico questiona se estará doente e com um aneurisma, pois é invadido por um sentimento de morbidez, que o deixa angustiado e a sofrer, perante a realidade observada nas “prisões”, na “velha Sé” e nas “Cruzes”. 3ª estrofe: Apesar da noite escura, as ruas começam, progressivamente, a iluminar-se - “as tascas, os cafés, as tendas, os estancos” (quiosques) -, o que leva o “eu” poético a comparar o ambiente que o rodeia a um “circo” e a “jogos malabares”, que preenchem a noite com reflexos e ilusões. 4ª estrofe: Ao prosseguir o seu trajeto, o sujeito lírico depara-se com duas antigas igrejas, considerando aquele um local nefasto ao relembrar a condenável história da igreja católica (“Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero”). No entanto, o “eu” poético procura otimizar essa realidade censurável através da História (“Assim que pela História eu me aventuro e alargo”).

Apesar da noite escura, as ruas começam, progressivamente, a iluminar-se - “as tascas, os cafés, as tendas, os estancos” (quiosques) -, o que leva o “eu” poético a comparar o ambiente que o rodeia a um “circo” e a “jogos malabares”, que preenchem a noite com reflexos e ilusões.

Recursos expressivos

  • Enumeração: “E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos” (v. 10).
  • Dupla adjetivação: “Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero” (v. 14).
  • Aliteração: “Alastram em lençol os seus reflexos brancos;/E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.” (vv. 11 e 12).

Nesta estrofe, o sujeito poético é tomado por sobressaltos, perante as costureiras e coristas, que apresentam uma vida dupla (isto é, possuem uma profissão humilde de dia, mas duvidosa de noite). Para além disso, o “eu” lírico denuncia, também, as influências estrangeiras na moda, uma vez que intitula as lojas de “magasins” (“E mais: as costureiras, as floristas/Descem dos magasins, causam-me sobressaltos;”).

Q.: Identifica momentos de representação da cidade e de tipos sociais, que são objeto de crítica por parte do sujeito poético. R.: No seu percurso pela cidade, o sujeito poético compara a mesma a uma prisão, o Aljube, pelos sons que ouvira e pela escuridão que engloba a capital ("O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,", v. 3). Além disso, ao encontrar igrejas antigas, critica a história lamentável da Igreja Católica ("Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:", v. 14). Outro alvo de censura, por parte do emissor lírico, é o facto da "velha Lisboa" ter sido reconstruída de forma monótona e uniforme, após o terramoto, não tendo concretizado as suas expectativas e fazendo com que se sinta enclausurado ("Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,", v. 19). A acrescentar, o "eu" poético condena as mulheres das lojas, uma vez que possuem uma "vida dupla", isto é, apresentam uma profissão humilde de dia, porém, questionável de noite ("Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos/E muitas delas são comparsas ou coristas.", vv. 39 e 40).

Questão:

Tendo em conta que o poema foi produzido a propósito das comemorações do tricentenário da morte de Camões, explicita o objetivo do contraste presente na sexta estrofe.

Esta parte da obra inicia-se com a comparação da cidade a uma prisão - o Aljube, onde se recolhem “velhinhas e crianças” e, esporadicamente, mulheres com posses -, o que leva o sujeito poético a sentir-se mortificado e atormentado, perante os sons provenientes da cadeia, assim que chega a noite, e o sofrimento que nela existe.

Na quinta estrofe, o sujeito poético relembra o terramoto que destruiu a velha Lisboa e, após a reconstrução da cidade provocada pelo governo pombalino, este sente-se enclausurado ao visitá-la, devido às “íngremes subidas” e ao ambiente religioso promovido pelo toque dos sinos (“Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,/E os sinos de um tanger monástico e devoto.”).

Correntes literárias:

.....

Na segunda estrofe, que decorre na altura em que a noite se ilumina com luzes, o emissor lírico questiona se estará doente e com um aneurisma, pois é invadido por um sentimento de morbidez, que o deixa angustiado e a sofrer, perante a realidade observada nas “prisões”, na “velha Sé” e nas “Cruzes”.

Ao prosseguir o seu trajeto, o sujeito lírico depara-se com duas antigas igrejas, considerando aquele um local nefasto ao relembrar a condenável história da Igreja Católica (“Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero:”). No entanto, o “eu” poético procura otimizar essa realidade censurável através da História (“Assim que pela História eu me aventuro e alargo.”).

Na nona estrofe, o sujeito poético apresenta-se entristecido com a cidade e teme que esta o faça recordar de uma paixão antiga (“Triste cidade! Eu temo que me avives/Uma paixão defunta!”). Posteriormente, podemos assistir a mais uma crítica social às mulheres, que se encontram a sorrir de forma silenciosa para a vitrine da ourivesaria (“Curvadas a sorrir às montras dos ourives.”).

Nesta última estrofe, é possível concluir que o “eu” poético é um homem atento, visto que dispõe de uma luneta que o auxilia a captar todos os pormenores, possuindo, assim, uma visão detalhada do que o rodeia (“E eu, de luneta de uma lente só,”). Este declara, também, ter sempre assunto em relação aos “quadros revoltados” que abundam na cidade (“Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:”), terminando este poema com a entrada numa cervejaria (“Entro na brasserie; às mesas de emigrados,”).