O EMPIRISMO DE DAVID HUME
Filosofia - 11.º Ano
index
A Crítica de Hume a Descartes
Impressões e ideias
Hume
Relações de Ideias e Questões de Facto
Princípios de Associação de Ideias
Os problemas da causalidade e da indução
index
O Problema da existência do mundo exterior
O Problema da existência do eu
Síntese Hume
O ceticismo moderado de Hume
Objeções a Hume
Comparação entre Descartes e Hume
10
CríticaS de Hume a Descartes
1.A dúvida é impraticável e incurável
Segundo David Hume, o ceticismo metódico cartesiano recomenda uma dúvida universal, mas considera que caso duvidasse de tudo, Descartes jamais teria chegado a certeza alguma. Ou seja, a dúvida cartesiana é impraticável e incurável. Dúvida impraticável: se duvidasse realmente de tudo, não conseguiria chegar a qualquer certeza. Por exemplo, se duvidasse da sua memória, nem sequer poderia saber que ele próprio existia no minuto anterior; Dúvida incurável: mesmo que a dúvida leve ao “Cogito”, dificilmente se pode construir algo a partir daí.
+ INFO
2.Crítica empirista ao inatismo
David Hume é empirista. Os empiristas pensam que a nossa mente é como uma tábua rasa, uma folha em branco, e que as ideias derivam da experiência (principal fonte do conhecimento humano). Tese de Hume: negação da existência de ideias inatas (rejeição do inatismo cartesiano)
+ INFO
Conclusões de Hume:
Descartes não conseguiu refutar os céticos
Descartes não encontrou qualquer fundamento seguro para o conhecimento
Hume
02
Conteúdos da Mente
“perceções”: impressões e ideias
Perceções
Impressões VS Ideias
+ INFO
IMpressões VS Ideias
+ INFO
+ INFO
Impressões e ideias
Esquema
As ideias simples são cópias e representam exactamente as impressões correspondentes. Tese empirista fundamental: todo o conhecimento acerca do mundo tem origem na experiência e é limitado àquilo de que temos experiência.
Esquema
As impressões podem ser simples ou complexas. São simples quando não podem ser decompostas, isto é, não admitem separação, e complexas quando podem ser de- compostas, isto é, podem ser divididas em partes, por exemplo, temos a impressão simples da cor verde e temos a impressão complexa da maçã, pois esta pode ser dividida em várias partes (cor, forma e sabor). O mesmo acontece com as ideias: são simples se derivam das impressões correspondentes, por exemplo, a ideia de verde resulta da impressão visual da cor verde; são complexas se resultam da combinação pela imaginação de várias ideias simples. A ideia de montanha de oiro é uma ideia complexa, dado que pode ser decomposta em ideias simples.
+ INFO
Princípio da cópia
Princípio da cópia
Rejeição do inatismo:
se as ideias são cópias das impressões, então não há ideias inatas.
Argumentos a favor do Princípio da Cópia_ 1. Argumento do cego: se as ideias não fossem meras cópias de impressões, então um cego de nascença poderia ter a ideia de azul (ou verde, ou vermelho), apesar de nunca ter visto tal coisa. Mas o facto é que um cego de nascença não pode ter a ideia de azul (ou verde, ou vermelho); portanto, as ideias não passam de meras cópias das impressões.2. O argumento da prioridade.o facto de cada uma das nossas ideias se fazer acompanhar de uma impressão que lhe corresponde indica que há uma relação de dependência entre elas, e o facto de as impressões surgirem sempre primeiro leva-nos a concluir que são as ideias que dependem da simpressões e não o contrário.
Texto: Hume E A IDEIA DE DEUS
Como chegamos à Ideia de DEUS?
Em suma, trata-se de uma ideia derivada da experiência, de modo indireto, que não corresponde diretamente a nenhuma impressão. Hume afirma que se trata de uma ideia com- plexa que resulta da nossa imaginação. Ou seja, é uma ideia complexa que se forma através da associação de outras ideias menos complexas (sendo que essas já correspondem a impressões), produto da imaginação. Além de considerar que a crença na existência de Deus ou na existência de um eu permanente é injustificada, considera também que a crença no mundo exterior é injustificada.
Associação de Ideias
Segundo David Hume, as ideias seguem determinados princípios de associação que regulam a forma como as nossas ideias se unem entre si.
Contiguidade no espaço e no tempo
Semelhança
+ INFO
+ INFO
Causa e efeito
+ INFO
Associação de Ideias
Segundo David Hume, as ideias seguem determinados princípios de associação que regulam a forma como as nossas ideias se unem entre si.
03
RELAÇÕES DE IDEIAS E QUESTÕES DE FACTO
BIFURCAÇÃO Só podemos ter Conhecimento proposicional DE DUAS ESPÉCIES:
+ INFO
Definição
Uma questão de facto é ...
Uma relação de ideias é ...
uma verdade necessária (o que é verdadeiro e não poderia ter sido falso) que resulta da mera análise das ideias envolvidas (é a priori), e é verdadeira ou falsa dependendo apenas dessas ideias, e não dos factos (do mundo). Assim, a proposição «o triângulo tem três lados» é verdade apenas em virtude das ideias envolvidas, quer existam triângulos no mundo quer não. Portanto, como a verdade de uma relação de ideias não depende de factos, aos quais teríamos acesso por meio da experiência, a proposição não pode ser refutada pela experiência.
uma verdade contingente (o que é verdadeiro mas poderia ter sido falso) que resulta da experiência (é a posteriori), e é verdadeira ou falsa dependendo dos factos (do mundo). Assim, a proposição «O António é casado» é uma verdade contingente em virtude dos factos. Portanto, como a verdade de uma questão de facto depende de factos, aos quais temos acesso por meio da experiência, a proposição pode ser refutada pela experiência.
O Princípio da bifurcação
Sustenta a ideia de que todo o conhecimento do mundo (questões de facto) é baseado na experiência, a posteriori. Hume reconhece que há conhecimento a priori, mas trata-se apenas de conhecimento acerca da relações de ideias, não é um conhecimento substancial (não dá informaçóes acerca do mundo).
04
O PRoBlema da Causalidade
Para Hume todo o conhecimento acerca de questões de facto que vá além da experiência imediata (ou passada) baseia-se na relação de causa e efeito.
Formulação do problema : Como formamos a ideia de causa?
Podemos justificar a nossa crença na ideia de conexão necessária entre acontecimentos?
Relação causa e efeito
LIGAÇÃO NECESSÁRIA (CONEXÃO) ENTRE DOIS FENÓMENOS, ISTO É, DADO A OCORRÊNCIA DE UM DETERMINADO FENÓMENO (A – CAUSA), PODEMOS PREVER OU ANTECIPAR A OCORRÊNCIA DO OUTRO (B – EFEITO).
Exercício
Proposições:
Onde está presente uma relação causal?
1. O Sol brilha e a pedra está quente 2. O Sol aquece a pedra 3. A pedra atinge o vidro e o vidro parte-se. 4. A pedra partiu o vidro
+ INFO
Quando duas bolas de bilhar chocam uma com a outra, observamos realmente o quê?
Quando duas bolas de bilhar chocam uma com a outra, observamos realmente o quê?
A bola de bilhar
Vídeo - "experiência do pensamento": o Adão inexperiente
Texto: Hume E A Bola de bilhar
Texto: Hume E A RELAÇÃO CAUSAL
Qual a origem da nossa ideia de causalidade ou conexão necessária?
Para dar resposta a este problema, Hume recorre à experiência mental do Adão inexperiente.
A ideia de causalidade não tem fundamento (ou justificação a priori (racional) NEm A POSTERIORI)
Porquê? Segundo Hume à ideia de causa ou de conexão necessária não corresponde qualquer impressão sensível. Por mais que observemos a ocorrência conjunta de dois acontecimentos (por exemplo, o impacto de uma bola de bilhar numa outra bola e o consequente movimento desta), nunca encontraremos aí qualquer impressão que corresponda à ideia de relação causal, isto é, de conexão necessária e que a possa justificar. Temos apenas impressão da conjunção constante (até agora, foi sempre assim- a seguir a A, sucedeu B). Ou seja, O que é observável é a conjunção constante entre acontecimentos (a seguir a um, sucedeu sempre um outro), não a sua conexão necessária.
Porquê? Segundo Hume é impossível pela mera análise de um acontecimento, tido como causa, descobrir os supostos efeitos a que dá origem (Adão nunca poderia a priori, isto é, anteriormente à experiência, saber que a água afoga) e, portanto, a ideia de relação causal não tem um fundamento racional e não pode ser necessária.
Causalidade
Texto de Bryan Magee, Os Grandes Filosofos, Presença.
Texto: Hume E O Hábito
Texto: Hume E O Hábito
Causalidade
Segundo Hume, os conhecimentos de facto baseiam-se na relação de causa e efeito, ou seja, na crença de que determinados acontecimentos causam outros. Essa ideia em origem na experiência porque é a ocorrência conjunta de dois acontecimentos que torna possível supor que um é causa do outro. A ideia de causa como conexão necessária forma-se na nossa mente em virtude do hábito de repetidamente observarmos que dois factos acontecem conjuntamente. Essa repetição leva- nos a pensar que um deles não pode acontecer sem o outro. Atribuímos a ideia de conexão necessária aos acontecimentos, mas nada de objetivo lhe corresponde porque não há impressão sensível de tal relação.
Causalidade
Pela repetição de acontecimentos, criamos o hábito (disposição psicológica) de esperar que, surgindo A, também surja B.
Hábito (costume)
Essa expectativa é um sentimento que depois projetamos no mundo.
Sentimento (impressão interna)
Acreditamos que existem realmente
relações causais (conexões necessárias) e que estas fazem parte efetivamente do mundo ...
Crença
… quando na verdade existem apenas na nossa mente e não no mundo.
Verdade
05
O PRoBlema da INDUÇÃO
O Problema da indução
Formulação do Problema: Justificar o princípio da uniformidade da natureza é condição necessária da justificação da indução. Será possível justificá-la?
Tese de Hume: todo o raciocínio indutivo é injustificado: não temos razões a priori ou empíricas para aceitar crenças baseadas em inferências indutivas. Não temos justificação para acreditar que o Sol vai nascer amanhã.
Texto: Hume E A UNIFORMIDADE DA NATUREZA
O Princípio da Uniformidade da Natureza consiste na crença de que a natureza se comporta sempre da mesma maneira, de que o futuro repete o passado. Isto significa que os acontecimentos naturais obedecem a padrões estáveis: a água ao nível do mar, passa ao estado gasoso quando é aquecida a 100 ̊C; uma pedra atirada ao ar acabará por cair no chão, etc.
PUN
as nossas crenças indutivas não têm justificação epistémica legítima
Write a subtitle here
Link - Síntese
Problemas da causalidade e da indução
06
OS PRoBlemaS da EXISTÊNCIA DO MUNDO EXTERIOR E DO EU
Texto: Hume E O Mundo Exterior
A realidade do Mundo físico (Mundo exterior)
O problema do mundo exterior consiste em tentar perceber se temos forma de justificar racionalmente a nossa crença na existência de um mundo exterior às nossas mentes.
HUME
Tese: A nossa crença na realidade do mundo exterior (tudo o que não faz parte dos nossos conteúdos mentais) é injustificada. Ou seja, não temos forma de justificar racionalmente a nossa crença na existência deum mundo exterior às nossas mentes. Argumento (ideias principais): A coerência e a constância de certas perceções levam-nos a acreditar que há coisas externas dotadas de uma existência contínua. Quando perguntamos se o mundo exterior é real, estamos a perguntar se os objetos que percecionamos têm uma existência independente da nossa perceção. Para Hume, não devemos confundir a perceção de um objeto com esse objeto. Por exemplo, as perceções que temos de um gato são diferentes consoante estamos mais próximos ou mais afastados dele.
A realidade do Mundo físico (mundo exterior)
David Hume
+ INFO
Contudo, não acreditamos que o gato mude de tamanho à medida que nos aproximamos, o que prova que a perceção que temos do gato e do prõprio gato não são a mesma coisa. Dado que só temos acesso aos conteúdos da mente, isto é, só temos acesso às perceções que se encontram na nossa mente, não sabemos realmente que o mundo exterior existe – nem que não existe. Em suma, Hume justifica a sua resposta ao problema do mundo exterior com base no facto de que nós apenas temos acesso direto a certas imagens (representações mentais) dos objetos exteriores à mente e nunca podemos sair do interior das nossas mentes para confirmar que essas imagens são, de facto, provocadas por esses objetos.
07 O PROBLEMA DA EXISTÊNCIA DO EU
Texto: Hume E O EU
A EXISTÊNCIA DO "EU"
+ INFO
Descartes VS Hume
HUME
DESCARTES
Para David Hume, a nossa ideia de eu resulta de um conjunto de impressões particulares que nunca experimentamos simultaneamente e que não permanecem. A ideia de um eu imutável e permanente é uma ideia complexa, produto da imaginação e, enquanto tal, uma ficção, dado que eu não tenho a sensação de um núcleo de personalidade inalterável.
Para Descartes, a existência de um eu pensante era indubitável e resultado de uma intuição racional. A alma ou mente é uma substância puramente pensante (o cogito), sem extensão, que suporta as nossas ideias
08
O CETICISMO MODERADO DE HUME
O CETICISMO de DAvid HUme
O CETICISMO de DAvid HUme
Hume não é um cético radical.
Texto humeano
Hume é um cético moderado
09
AS OBJEÇÕES A HUME
OBJEÇÕES A HUME
Crítica à conceção humeana de causalidade. de Thomas Reid
Crítica ao princípio da bifurcação
Crítica ao princípio da cópia
Irracionalismo
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+ INFO
+ INFO
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OBJEÇÕES A HUME
Crítica baseada na argumentação a favor damelhor explicação.
+ INFO
+ INFO
10
Comparação entre Renã descartes e david Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
"Hume e Descartes são dois
dos mais destacados representantes das duas principais perspectivas acerca da origem e fundamentação do conhecimento:
o empirismo e o racionalismo, respectivamente. Tanto Hume
como Descartes aceitam que há coisas que podemos saber a
priori, ou seja, usando apenas o pensamento, e outras que só
podemos saber a posteriori, ou seja, recorrendo aos sentidos. Por exemplo, Hume reconhece que não precisamos de olhar
para coisas completamente vermelhas para sabermos que não
são verdes; e Descartes aceita que não basta pensar em metal
para ficarmos a saber que dilata quando é aquecido. O Problema da origem do conhecimento: Assim,
a diferença entre ambos acerca da origem do conhecimento é uma questão
de atribuir a um ou a outro ao pensamento (razão) ou aos sentidos -- um papel mais importante ou fundamental. Um racionalista como Descartes considera que o pensamento - ou a razão é a fonte principal de conhecimento, dado que é nele que o resto do conhecimento encontra o seu fundamento. A ideia é que o papel justificatório principal cabe ao pensamento. A matemática é, para Descartes, o verdadeiro modelo do conhecimento: é a priori, tem um carácter necessário e é completamente evidente, seguro.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Por sua vez, um empirista como Hume considera que o conhecimento matemático pouco ou nada nos dız sobre os factos do mundo, apesar de ter um carácter necessário e de ser completamente seguro. A haver um modelo de conhecimento, encontrar-se-ia nas ciências da natureza, pois só elas nos poderiam proporcionar conhecimento acerca do mundo e não apenas acerca dos nossos próprios conceitos, como acontece com a matemática.Apesar de divergirem quanto à principal fonte do conhecimento, ambos procuram o mesmo tipo de resposta ao desafio céptico. Tanto Descartes como Hume visam encontrar um fundamento para o conhecimento, de modo a evitar a ameaça da regressão infinita da justificação, sublinhada pelos cépticos. O que significa que ambos são fundasionalistas. Assion,se perguntassemos a Descartes qual é a justificação úlltima das nossas crenças, ele diria que se encontra no cogito e naquelas ideias que são claras e distintas. Em contrapartida, se fizessemos a mesma pergunta a Hume, ele diria que se encontra na vividez das impressões que os sentidos deixam nas nossas mentes, Descartes pensa, portanto, que as crenças fundacionais têm justificação racional, ao passo que, para Hume, não há crenças mais fundacionais do que aquelas que são justificadas pelas impressoes dos sentidos.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Por sua vez, um empirista como Hume considera que o conhecimento matemático pouco ou nada nos dız sobre os factos do mundo, apesar de ter um carácter necessário e de ser completamente seguro. A haver um modelo de conhecimento, encontrar-se-ia nas ciências da natureza, pois só elas nos poderiam proporcionar conhecimento acerca do mundo e não apenas acerca dos nossos próprios conceitos, como acontece com a matemática.Apesar de divergirem quanto à principal fonte do conhecimento, ambos procuram o mesmo tipo de resposta ao desafio céptico. Tanto Descartes como Hume visam encontrar um fundamento para o conhecimento, de modo a evitar a ameaça da regressão infinita da justificação, sublinhada pelos cépticos. O que significa que ambos são fundasionalistas. Assion,se perguntassemos a Descartes qual é a justificação úlltima das nossas crenças, ele diria que se encontra no cogito e naquelas ideias que são claras e distintas. Em contrapartida, se fizessemos a mesma pergunta a Hume, ele diria que se encontra na vividez das impressões que os sentidos deixam nas nossas mentes, Descartes pensa, portanto, que as crenças fundacionais têm justificação racional, ao passo que, para Hume, não há crenças mais fundacionais do que aquelas que são justificadas pelas impressoes dos sentidos.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
E quanto ao problema da possibilidade do conhecimento?Os cépticos alegam que as nossas pretensões ao conhecimento nåo são legitimas, porque todas as nossas crenças såo duvidosas e carecem de justificação. Descartes considera que não é correcto partir do princípio de que as vossas crenças são justificadas. Mas, depois de as submeter metodicamente ao teste da dúvida, acaba por concluir o oposto dos cépticos. Assim, as nossas pretensões ao conhecimento eståo legitimadas, pois é certo que sabemos que somnos seres pensantes, que Deus existe e que, uma vez garantida a fiabilidade dos nossos raciocinios, existe um mundo exterior. Hume, por sua vez, pensa que sabemos muito menos do que supomos, e que os cépticos nåo estão assim tão errados quanto se julga. É certo que a vividez das impressões dos nossos sentidos os torna suficientemente confiáves. Todavia, vamos muitas vezes além do seu testemunho. E o que se passa quando fazennos afirmações universais como as que exprimem alegadas leis científicas, como as previsões indutivas ou as explicações causais. Tudo isto såo características das ciências da natureza, mas nada disso merece ser chamado conhecimento. E nem sequer podemos legitimamente afirmar que sabemos que o mundo exterior existe. Hume está assim muito próximo dos cépticos, apenas se afastando deles ao defender que o cepticismo é impraticável - Hume é um cético moderado ou mitigado." Aires Almeida e Desidério Murcho, Novas Janelas para a Filosofia, Gradiva.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
O fundacionalismo empirista de Hume contrasta com o fundacionalismo racionalista de Descartes, pois, para Hume, todo o conhecimento acerca do mundo tem necessariamente um fundamento a posteriori. Ao passo que Descartes acreditava na possibilidade de haver conhecimento a priori acerca do mundo; nomeadamente Descartes pensava que, ainda que a experiência sensível seja inteiramente ilusória, podíamos, apenas com base no nosso pensamento, saber coisas como “Eu existo”, “Deus existe”, “Deus não é enganador”.
Síntese - David Hume
Nigel Warburton sobre David Hume
Vídeo - O cérebro numa cuba
Síntese de Descartes e Hume
A dúvida cartesiana é impraticável:
Ao dar como certo que os sentidos já o tinham enganado antes, ele estava a confiar na sua memória. Ora a dúvida para ser universal (crenças a posteriori, crenças a priori e faculdades) teria de se aplicar também à sua memória.
A dúvida cartesiana é incurável:
No entanto, Descartes considerou que um génio maligno o poderia enganar quanto à primeira e «esqueceu-se» de considerar essa possibilidade relativamente à segunda. Ou seja, essa tentativa de provar que Deus existe poderia resultar da influência do génio maligno. Portanto, não saímos do cogito.
Mesmo que essa dúvida fosse praticável, ela seria incurável, pois não permitiria chegar a certeza alguma. Se compararmos as propopsições «2 + 2 = 4» e «a causa não pode ser inferior ao efeito» iriamos concluir que a primeira parece mais evidente do que a segunda.
Segundo David Hume, o conteúdo das nossas mentes (“perceções”) deriva da experiência. As perceções podem ser de dois tipos: impressões (mais forters e vívidas) e ideias (menos fortes e vívidas).
Defende que não devemos abandonar as nossas crenças intuitivas na existência do mundo exterior ou na existência da causalidade. Abandonar essas crenças tornaria, na prática, a nossa vida impossível.
Mas o ceticismo moderado exige:
- que sejamos moderados nas nossas opiniões.
- atenção para evitar o dogmatismo, mantendo o espírito aberto.
- seguir de perto a experiência.
Há conhecimento que não é exclusivamente sobre relações de facto nem exclusivamente sobre relações de ideias e que tais conhecimentos não são, em alguns casos, independentes uns dos outros. Exemplo: O princípio da bifurcação, por um lado, não parece ser uma relação de ideias (dado que não é evidente nem demonstrável). Por outro lado, não parece ser uma questão de facto (dado que nada arma sobre o mundo).
O ceticismo de Hume coloca em causa a pretensão humana à racionalidade. A impossibilidade de justificar o conhecimento é acompanhada pela desvalorização da razão em função do hábito (uma inclinação natural sobre a qual a razão não tem qualquer poder).
Quando duas ideias são contíguas no tempo e no espaço, a consideração de uma delas lembra à consideração da outra.
Exemplo: A referência a uma sala de um edifício leva-nos a pensar nas outras.
A consideração de dois objetos ou acontecimentos como estando ligados, sendo um a causa e o outro o efeito. Exemplo: Uma ferida (causa) leva-nos a pensar na dor (efeito) que se lhe segue.
Não temos acesso a um núcleo de personalidade inalterável (a um eu imutável e permanente).
É uma ideia complexa, produto da imaginação.
As impressões (sensações) são as perceções mais vivas e fortes; podem ser externas (obtidas pelos dados dos sentidos) ou sentimentos internos (são as emoções e os desejos, como a raiva, a alegria, etc.).
As ideias (pensamentos): são as cópias das impressões e, como tal, menos vívidas e menos intensas; estas são produto da memória ou da imaginação.
Relação causa e efeito
O QUE SIGNIFICA DIZER QUE A É A CAUSA DE B?
SIGNIFICA AFIRMAR:
SEMPRE QUE, EM DETERMINADAS CONDIÇÕES, ACONTECE A, ACONTECE NECESSARIAMENTE B.
Thomas Reid
Hume define causalidade em termos de conjunção constante de acontecimentos. Para Thomas Reid, essa noção de causa é incorreta: Se as pessoas entendessem a causalidade como mera conjunção constante, então eramos obrigados a acreditar que o dia é a causa da noite e a noite é a causa do dia, dado haver uma conjunção constante entre dia e noite. No entanto, as pessoas não pensam isso, ou seja, elas não confundem causalidade com a conjunção constante. Com o exemplo do dia e da noite, temos um caso de conjunção constante, mas não de relação causal.
Além disso, há acontecimentos singulares, que geralmente aceitamos serem causados, relativamente aos quais não temos experiência de qualquer conjunção constante; é o caso, por exemplo, do acontecimento em que o mundo começou a existir, que ocorreu uma única vez, mas que, ainda assim, julgamos ser causado. Com o contraexemplo da criação do mundo, temos um caso de relação causal, mas não uma conjunção constante.
Mesmo que a dúvida leve ao “Cogito”, dicilmente se pode construir algo a partir daí. Para Hume a única base sólida para o conhecimento são as IMPRESSÕES SENSÍVEIS derivadas da experiência (fundacionalista empirista)
A dúvida cartesiana é impraticável e incurável: Descartes não levou a sério a dúvida, ou seja, não duvidou de tudo. Se duvidasse realmente de tudo, não conseguiria chegar a qualquer certeza. Por exemplo, se duvidasse da sua memória, nem sequer poderia saber que ele próprio existia ontem ou no minuto anterior.
Argumento: Se algumas ideias fossem inatas (ideias que já nascem connosco - conaturais à razão) , então as crianças mostrariam conhecê-las. Mas as crianças não mostram conhecê-las. Logo, essas ideias não são inatas. Segundo Hume, as ideias são apenas cópias das impressões.
É impossível, por razões pragmáticas, vivermos como céticos radicais. O nosso instinto de sobrevivência impede-nos de duvidar de tudo.
Se dois objetos se assemelham, então a ideia de um objeto conduz à ideia do outro.
Exemplo: Um retrato leva-nos a pensar no original.
O contraexemplo do tom de azul desconhecido: Há ideias que não são cópias das impressões. O próprio Hume acabou por apresentar um contraexemplo (tom de azul desconhecido - podemos ter a ideia de um certo tom de azul que nunca vimos e do qual não temos nenhuma impressão), embora considerando-o insignificante.
Para Hume na nossa mente apenas temos perceções; mas não podemos confundir a perceção de um objeto com esse objeto. Por exemplo: a perceção de uma árvore e a própria árvore não são a mesma coisa.
Argumento do ceticismo perceção de Hume sobre o mundo exterior
Argumento a favor a diferença entre a perceção de um objeto e o próprio objeto
Se a perceção de uma árvore e a própria árvore são a mesma coisa, então o seu tamanho não se altera em função da nossa perspetiva. Mas o seu tamanho altera-se em função da nossa perspetiva. Logo, a perceção de uma árvore e a própria árvore não são a mesma coisa.
Se sabemos realmente que o mundo exterior existe, então conseguimos estabelecer uma relação de causalidade entre os conteúdos da nossa mente e a existência de objetos exteriores. Mas não conseguimos estabelecer essa relação de causalidade (pois, apenas temos acesso aos conteúdos da nossa mente). Logo, não sabemos realmente que o mundo exterior existe (nem que não existe).
Bertrand Russell (1872-1970) rejeita as conclusões céticas de Hume, pois considera que a sua ideia de “fundamento racional” (ou “racionalmente justificável”) é demasiado restrita. Hume parece admitir que nenhuma crença está racionalmentejustificada, a menos que exista uma prova definitiva da sua verdade. Para Russell, pode ser racional acreditar numa crença, mesmo na ausência deste tipo de prova, pois pode simplesmente acontecer que, de entre as alternativas disponíveis para explicar a nossa experiência, exista uma hipótese mais plausível do que todas as outras (pelo que é mais racional acreditar na sua verdade do que em qualquer uma das alternativas). Chama-se a esta forma de argumentação “abdução” ou, mais especificamente, argumentação afavor da melhor explicação. Russell acredita que a existência de um mundo exterior às nossas mentes é uma explicação muito mais simples e plausível do que qualquer cenário cético que possamos imaginar e, por isso, considera que estamos racionalmente justificados a acreditar nisso.
Russell recorre à análise do comportamento de um gato para ilustrar esta ideia. Quando vemos um gato aparecer numa parte da sala e posteriormente nos apercebemos que este está noutro espaço da casa, parece bastante mais aceitável a hipótese de que ele se deslocou de um lado para o outro quando não o estávamos a observar do que aceitar a possibilidade de o gato ter desaparecido da sala quando deixámos de o observar para voltar aaparecer no novo espaço.
O Empirismo de David Hume v15
Isabel Duarte
Created on August 25, 2023
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Transcript
O EMPIRISMO DE DAVID HUME
Filosofia - 11.º Ano
index
A Crítica de Hume a Descartes
Impressões e ideias
Hume
Relações de Ideias e Questões de Facto
Princípios de Associação de Ideias
Os problemas da causalidade e da indução
index
O Problema da existência do mundo exterior
O Problema da existência do eu
Síntese Hume
O ceticismo moderado de Hume
Objeções a Hume
Comparação entre Descartes e Hume
10
CríticaS de Hume a Descartes
1.A dúvida é impraticável e incurável
Segundo David Hume, o ceticismo metódico cartesiano recomenda uma dúvida universal, mas considera que caso duvidasse de tudo, Descartes jamais teria chegado a certeza alguma. Ou seja, a dúvida cartesiana é impraticável e incurável. Dúvida impraticável: se duvidasse realmente de tudo, não conseguiria chegar a qualquer certeza. Por exemplo, se duvidasse da sua memória, nem sequer poderia saber que ele próprio existia no minuto anterior; Dúvida incurável: mesmo que a dúvida leve ao “Cogito”, dificilmente se pode construir algo a partir daí.
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2.Crítica empirista ao inatismo
David Hume é empirista. Os empiristas pensam que a nossa mente é como uma tábua rasa, uma folha em branco, e que as ideias derivam da experiência (principal fonte do conhecimento humano). Tese de Hume: negação da existência de ideias inatas (rejeição do inatismo cartesiano)
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Conclusões de Hume:
Descartes não conseguiu refutar os céticos
Descartes não encontrou qualquer fundamento seguro para o conhecimento
Hume
02
Conteúdos da Mente
“perceções”: impressões e ideias
Perceções
Impressões VS Ideias
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IMpressões VS Ideias
+ INFO
+ INFO
Impressões e ideias
Esquema
As ideias simples são cópias e representam exactamente as impressões correspondentes. Tese empirista fundamental: todo o conhecimento acerca do mundo tem origem na experiência e é limitado àquilo de que temos experiência.
Esquema
As impressões podem ser simples ou complexas. São simples quando não podem ser decompostas, isto é, não admitem separação, e complexas quando podem ser de- compostas, isto é, podem ser divididas em partes, por exemplo, temos a impressão simples da cor verde e temos a impressão complexa da maçã, pois esta pode ser dividida em várias partes (cor, forma e sabor). O mesmo acontece com as ideias: são simples se derivam das impressões correspondentes, por exemplo, a ideia de verde resulta da impressão visual da cor verde; são complexas se resultam da combinação pela imaginação de várias ideias simples. A ideia de montanha de oiro é uma ideia complexa, dado que pode ser decomposta em ideias simples.
+ INFO
Princípio da cópia
Princípio da cópia
Rejeição do inatismo: se as ideias são cópias das impressões, então não há ideias inatas.
Argumentos a favor do Princípio da Cópia_ 1. Argumento do cego: se as ideias não fossem meras cópias de impressões, então um cego de nascença poderia ter a ideia de azul (ou verde, ou vermelho), apesar de nunca ter visto tal coisa. Mas o facto é que um cego de nascença não pode ter a ideia de azul (ou verde, ou vermelho); portanto, as ideias não passam de meras cópias das impressões.2. O argumento da prioridade.o facto de cada uma das nossas ideias se fazer acompanhar de uma impressão que lhe corresponde indica que há uma relação de dependência entre elas, e o facto de as impressões surgirem sempre primeiro leva-nos a concluir que são as ideias que dependem da simpressões e não o contrário.
Texto: Hume E A IDEIA DE DEUS
Como chegamos à Ideia de DEUS?
Em suma, trata-se de uma ideia derivada da experiência, de modo indireto, que não corresponde diretamente a nenhuma impressão. Hume afirma que se trata de uma ideia com- plexa que resulta da nossa imaginação. Ou seja, é uma ideia complexa que se forma através da associação de outras ideias menos complexas (sendo que essas já correspondem a impressões), produto da imaginação. Além de considerar que a crença na existência de Deus ou na existência de um eu permanente é injustificada, considera também que a crença no mundo exterior é injustificada.
Associação de Ideias
Segundo David Hume, as ideias seguem determinados princípios de associação que regulam a forma como as nossas ideias se unem entre si.
Contiguidade no espaço e no tempo
Semelhança
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+ INFO
Causa e efeito
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Associação de Ideias
Segundo David Hume, as ideias seguem determinados princípios de associação que regulam a forma como as nossas ideias se unem entre si.
03
RELAÇÕES DE IDEIAS E QUESTÕES DE FACTO
BIFURCAÇÃO Só podemos ter Conhecimento proposicional DE DUAS ESPÉCIES:
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Definição
Uma questão de facto é ...
Uma relação de ideias é ...
uma verdade necessária (o que é verdadeiro e não poderia ter sido falso) que resulta da mera análise das ideias envolvidas (é a priori), e é verdadeira ou falsa dependendo apenas dessas ideias, e não dos factos (do mundo). Assim, a proposição «o triângulo tem três lados» é verdade apenas em virtude das ideias envolvidas, quer existam triângulos no mundo quer não. Portanto, como a verdade de uma relação de ideias não depende de factos, aos quais teríamos acesso por meio da experiência, a proposição não pode ser refutada pela experiência.
uma verdade contingente (o que é verdadeiro mas poderia ter sido falso) que resulta da experiência (é a posteriori), e é verdadeira ou falsa dependendo dos factos (do mundo). Assim, a proposição «O António é casado» é uma verdade contingente em virtude dos factos. Portanto, como a verdade de uma questão de facto depende de factos, aos quais temos acesso por meio da experiência, a proposição pode ser refutada pela experiência.
O Princípio da bifurcação
Sustenta a ideia de que todo o conhecimento do mundo (questões de facto) é baseado na experiência, a posteriori. Hume reconhece que há conhecimento a priori, mas trata-se apenas de conhecimento acerca da relações de ideias, não é um conhecimento substancial (não dá informaçóes acerca do mundo).
04
O PRoBlema da Causalidade
Para Hume todo o conhecimento acerca de questões de facto que vá além da experiência imediata (ou passada) baseia-se na relação de causa e efeito.
Formulação do problema : Como formamos a ideia de causa? Podemos justificar a nossa crença na ideia de conexão necessária entre acontecimentos?
Relação causa e efeito
LIGAÇÃO NECESSÁRIA (CONEXÃO) ENTRE DOIS FENÓMENOS, ISTO É, DADO A OCORRÊNCIA DE UM DETERMINADO FENÓMENO (A – CAUSA), PODEMOS PREVER OU ANTECIPAR A OCORRÊNCIA DO OUTRO (B – EFEITO).
Exercício
Proposições: Onde está presente uma relação causal?
1. O Sol brilha e a pedra está quente 2. O Sol aquece a pedra 3. A pedra atinge o vidro e o vidro parte-se. 4. A pedra partiu o vidro
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Quando duas bolas de bilhar chocam uma com a outra, observamos realmente o quê?
Quando duas bolas de bilhar chocam uma com a outra, observamos realmente o quê?
A bola de bilhar
Vídeo - "experiência do pensamento": o Adão inexperiente
Texto: Hume E A Bola de bilhar
Texto: Hume E A RELAÇÃO CAUSAL
Qual a origem da nossa ideia de causalidade ou conexão necessária?
Para dar resposta a este problema, Hume recorre à experiência mental do Adão inexperiente.
A ideia de causalidade não tem fundamento (ou justificação a priori (racional) NEm A POSTERIORI)
Porquê? Segundo Hume à ideia de causa ou de conexão necessária não corresponde qualquer impressão sensível. Por mais que observemos a ocorrência conjunta de dois acontecimentos (por exemplo, o impacto de uma bola de bilhar numa outra bola e o consequente movimento desta), nunca encontraremos aí qualquer impressão que corresponda à ideia de relação causal, isto é, de conexão necessária e que a possa justificar. Temos apenas impressão da conjunção constante (até agora, foi sempre assim- a seguir a A, sucedeu B). Ou seja, O que é observável é a conjunção constante entre acontecimentos (a seguir a um, sucedeu sempre um outro), não a sua conexão necessária.
Porquê? Segundo Hume é impossível pela mera análise de um acontecimento, tido como causa, descobrir os supostos efeitos a que dá origem (Adão nunca poderia a priori, isto é, anteriormente à experiência, saber que a água afoga) e, portanto, a ideia de relação causal não tem um fundamento racional e não pode ser necessária.
Causalidade
Texto de Bryan Magee, Os Grandes Filosofos, Presença.
Texto: Hume E O Hábito
Texto: Hume E O Hábito
Causalidade
Segundo Hume, os conhecimentos de facto baseiam-se na relação de causa e efeito, ou seja, na crença de que determinados acontecimentos causam outros. Essa ideia em origem na experiência porque é a ocorrência conjunta de dois acontecimentos que torna possível supor que um é causa do outro. A ideia de causa como conexão necessária forma-se na nossa mente em virtude do hábito de repetidamente observarmos que dois factos acontecem conjuntamente. Essa repetição leva- nos a pensar que um deles não pode acontecer sem o outro. Atribuímos a ideia de conexão necessária aos acontecimentos, mas nada de objetivo lhe corresponde porque não há impressão sensível de tal relação.
Causalidade
Pela repetição de acontecimentos, criamos o hábito (disposição psicológica) de esperar que, surgindo A, também surja B.
Hábito (costume)
Essa expectativa é um sentimento que depois projetamos no mundo.
Sentimento (impressão interna)
Acreditamos que existem realmente relações causais (conexões necessárias) e que estas fazem parte efetivamente do mundo ...
Crença
… quando na verdade existem apenas na nossa mente e não no mundo.
Verdade
05
O PRoBlema da INDUÇÃO
O Problema da indução
Formulação do Problema: Justificar o princípio da uniformidade da natureza é condição necessária da justificação da indução. Será possível justificá-la?
Tese de Hume: todo o raciocínio indutivo é injustificado: não temos razões a priori ou empíricas para aceitar crenças baseadas em inferências indutivas. Não temos justificação para acreditar que o Sol vai nascer amanhã.
Texto: Hume E A UNIFORMIDADE DA NATUREZA
O Princípio da Uniformidade da Natureza consiste na crença de que a natureza se comporta sempre da mesma maneira, de que o futuro repete o passado. Isto significa que os acontecimentos naturais obedecem a padrões estáveis: a água ao nível do mar, passa ao estado gasoso quando é aquecida a 100 ̊C; uma pedra atirada ao ar acabará por cair no chão, etc.
PUN
as nossas crenças indutivas não têm justificação epistémica legítima
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Link - Síntese
Problemas da causalidade e da indução
06
OS PRoBlemaS da EXISTÊNCIA DO MUNDO EXTERIOR E DO EU
Texto: Hume E O Mundo Exterior
A realidade do Mundo físico (Mundo exterior)
O problema do mundo exterior consiste em tentar perceber se temos forma de justificar racionalmente a nossa crença na existência de um mundo exterior às nossas mentes.
HUME
Tese: A nossa crença na realidade do mundo exterior (tudo o que não faz parte dos nossos conteúdos mentais) é injustificada. Ou seja, não temos forma de justificar racionalmente a nossa crença na existência deum mundo exterior às nossas mentes. Argumento (ideias principais): A coerência e a constância de certas perceções levam-nos a acreditar que há coisas externas dotadas de uma existência contínua. Quando perguntamos se o mundo exterior é real, estamos a perguntar se os objetos que percecionamos têm uma existência independente da nossa perceção. Para Hume, não devemos confundir a perceção de um objeto com esse objeto. Por exemplo, as perceções que temos de um gato são diferentes consoante estamos mais próximos ou mais afastados dele.
A realidade do Mundo físico (mundo exterior)
David Hume
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Contudo, não acreditamos que o gato mude de tamanho à medida que nos aproximamos, o que prova que a perceção que temos do gato e do prõprio gato não são a mesma coisa. Dado que só temos acesso aos conteúdos da mente, isto é, só temos acesso às perceções que se encontram na nossa mente, não sabemos realmente que o mundo exterior existe – nem que não existe. Em suma, Hume justifica a sua resposta ao problema do mundo exterior com base no facto de que nós apenas temos acesso direto a certas imagens (representações mentais) dos objetos exteriores à mente e nunca podemos sair do interior das nossas mentes para confirmar que essas imagens são, de facto, provocadas por esses objetos.
07 O PROBLEMA DA EXISTÊNCIA DO EU
Texto: Hume E O EU
A EXISTÊNCIA DO "EU"
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Descartes VS Hume
HUME
DESCARTES
Para David Hume, a nossa ideia de eu resulta de um conjunto de impressões particulares que nunca experimentamos simultaneamente e que não permanecem. A ideia de um eu imutável e permanente é uma ideia complexa, produto da imaginação e, enquanto tal, uma ficção, dado que eu não tenho a sensação de um núcleo de personalidade inalterável.
Para Descartes, a existência de um eu pensante era indubitável e resultado de uma intuição racional. A alma ou mente é uma substância puramente pensante (o cogito), sem extensão, que suporta as nossas ideias
08
O CETICISMO MODERADO DE HUME
O CETICISMO de DAvid HUme
O CETICISMO de DAvid HUme
Hume não é um cético radical.
Texto humeano
Hume é um cético moderado
09
AS OBJEÇÕES A HUME
OBJEÇÕES A HUME
Crítica à conceção humeana de causalidade. de Thomas Reid
Crítica ao princípio da bifurcação
Crítica ao princípio da cópia
Irracionalismo
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OBJEÇÕES A HUME
Crítica baseada na argumentação a favor damelhor explicação.
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Comparação entre Renã descartes e david Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
"Hume e Descartes são dois dos mais destacados representantes das duas principais perspectivas acerca da origem e fundamentação do conhecimento: o empirismo e o racionalismo, respectivamente. Tanto Hume como Descartes aceitam que há coisas que podemos saber a priori, ou seja, usando apenas o pensamento, e outras que só podemos saber a posteriori, ou seja, recorrendo aos sentidos. Por exemplo, Hume reconhece que não precisamos de olhar para coisas completamente vermelhas para sabermos que não são verdes; e Descartes aceita que não basta pensar em metal para ficarmos a saber que dilata quando é aquecido. O Problema da origem do conhecimento: Assim, a diferença entre ambos acerca da origem do conhecimento é uma questão de atribuir a um ou a outro ao pensamento (razão) ou aos sentidos -- um papel mais importante ou fundamental. Um racionalista como Descartes considera que o pensamento - ou a razão é a fonte principal de conhecimento, dado que é nele que o resto do conhecimento encontra o seu fundamento. A ideia é que o papel justificatório principal cabe ao pensamento. A matemática é, para Descartes, o verdadeiro modelo do conhecimento: é a priori, tem um carácter necessário e é completamente evidente, seguro.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Por sua vez, um empirista como Hume considera que o conhecimento matemático pouco ou nada nos dız sobre os factos do mundo, apesar de ter um carácter necessário e de ser completamente seguro. A haver um modelo de conhecimento, encontrar-se-ia nas ciências da natureza, pois só elas nos poderiam proporcionar conhecimento acerca do mundo e não apenas acerca dos nossos próprios conceitos, como acontece com a matemática.Apesar de divergirem quanto à principal fonte do conhecimento, ambos procuram o mesmo tipo de resposta ao desafio céptico. Tanto Descartes como Hume visam encontrar um fundamento para o conhecimento, de modo a evitar a ameaça da regressão infinita da justificação, sublinhada pelos cépticos. O que significa que ambos são fundasionalistas. Assion,se perguntassemos a Descartes qual é a justificação úlltima das nossas crenças, ele diria que se encontra no cogito e naquelas ideias que são claras e distintas. Em contrapartida, se fizessemos a mesma pergunta a Hume, ele diria que se encontra na vividez das impressões que os sentidos deixam nas nossas mentes, Descartes pensa, portanto, que as crenças fundacionais têm justificação racional, ao passo que, para Hume, não há crenças mais fundacionais do que aquelas que são justificadas pelas impressoes dos sentidos.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Por sua vez, um empirista como Hume considera que o conhecimento matemático pouco ou nada nos dız sobre os factos do mundo, apesar de ter um carácter necessário e de ser completamente seguro. A haver um modelo de conhecimento, encontrar-se-ia nas ciências da natureza, pois só elas nos poderiam proporcionar conhecimento acerca do mundo e não apenas acerca dos nossos próprios conceitos, como acontece com a matemática.Apesar de divergirem quanto à principal fonte do conhecimento, ambos procuram o mesmo tipo de resposta ao desafio céptico. Tanto Descartes como Hume visam encontrar um fundamento para o conhecimento, de modo a evitar a ameaça da regressão infinita da justificação, sublinhada pelos cépticos. O que significa que ambos são fundasionalistas. Assion,se perguntassemos a Descartes qual é a justificação úlltima das nossas crenças, ele diria que se encontra no cogito e naquelas ideias que são claras e distintas. Em contrapartida, se fizessemos a mesma pergunta a Hume, ele diria que se encontra na vividez das impressões que os sentidos deixam nas nossas mentes, Descartes pensa, portanto, que as crenças fundacionais têm justificação racional, ao passo que, para Hume, não há crenças mais fundacionais do que aquelas que são justificadas pelas impressoes dos sentidos.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
E quanto ao problema da possibilidade do conhecimento?Os cépticos alegam que as nossas pretensões ao conhecimento nåo são legitimas, porque todas as nossas crenças såo duvidosas e carecem de justificação. Descartes considera que não é correcto partir do princípio de que as vossas crenças são justificadas. Mas, depois de as submeter metodicamente ao teste da dúvida, acaba por concluir o oposto dos cépticos. Assim, as nossas pretensões ao conhecimento eståo legitimadas, pois é certo que sabemos que somnos seres pensantes, que Deus existe e que, uma vez garantida a fiabilidade dos nossos raciocinios, existe um mundo exterior. Hume, por sua vez, pensa que sabemos muito menos do que supomos, e que os cépticos nåo estão assim tão errados quanto se julga. É certo que a vividez das impressões dos nossos sentidos os torna suficientemente confiáves. Todavia, vamos muitas vezes além do seu testemunho. E o que se passa quando fazennos afirmações universais como as que exprimem alegadas leis científicas, como as previsões indutivas ou as explicações causais. Tudo isto såo características das ciências da natureza, mas nada disso merece ser chamado conhecimento. E nem sequer podemos legitimamente afirmar que sabemos que o mundo exterior existe. Hume está assim muito próximo dos cépticos, apenas se afastando deles ao defender que o cepticismo é impraticável - Hume é um cético moderado ou mitigado." Aires Almeida e Desidério Murcho, Novas Janelas para a Filosofia, Gradiva.
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
Comparação ENTRE AS TEORIAS DO CONHECIMENTO DE DeScartes e DE Hume
O fundacionalismo empirista de Hume contrasta com o fundacionalismo racionalista de Descartes, pois, para Hume, todo o conhecimento acerca do mundo tem necessariamente um fundamento a posteriori. Ao passo que Descartes acreditava na possibilidade de haver conhecimento a priori acerca do mundo; nomeadamente Descartes pensava que, ainda que a experiência sensível seja inteiramente ilusória, podíamos, apenas com base no nosso pensamento, saber coisas como “Eu existo”, “Deus existe”, “Deus não é enganador”.
Síntese - David Hume
Nigel Warburton sobre David Hume
Vídeo - O cérebro numa cuba
Síntese de Descartes e Hume
A dúvida cartesiana é impraticável:
Ao dar como certo que os sentidos já o tinham enganado antes, ele estava a confiar na sua memória. Ora a dúvida para ser universal (crenças a posteriori, crenças a priori e faculdades) teria de se aplicar também à sua memória.
A dúvida cartesiana é incurável:
No entanto, Descartes considerou que um génio maligno o poderia enganar quanto à primeira e «esqueceu-se» de considerar essa possibilidade relativamente à segunda. Ou seja, essa tentativa de provar que Deus existe poderia resultar da influência do génio maligno. Portanto, não saímos do cogito.
Mesmo que essa dúvida fosse praticável, ela seria incurável, pois não permitiria chegar a certeza alguma. Se compararmos as propopsições «2 + 2 = 4» e «a causa não pode ser inferior ao efeito» iriamos concluir que a primeira parece mais evidente do que a segunda.
Segundo David Hume, o conteúdo das nossas mentes (“perceções”) deriva da experiência. As perceções podem ser de dois tipos: impressões (mais forters e vívidas) e ideias (menos fortes e vívidas).
Defende que não devemos abandonar as nossas crenças intuitivas na existência do mundo exterior ou na existência da causalidade. Abandonar essas crenças tornaria, na prática, a nossa vida impossível.
Mas o ceticismo moderado exige:
Há conhecimento que não é exclusivamente sobre relações de facto nem exclusivamente sobre relações de ideias e que tais conhecimentos não são, em alguns casos, independentes uns dos outros. Exemplo: O princípio da bifurcação, por um lado, não parece ser uma relação de ideias (dado que não é evidente nem demonstrável). Por outro lado, não parece ser uma questão de facto (dado que nada arma sobre o mundo).
O ceticismo de Hume coloca em causa a pretensão humana à racionalidade. A impossibilidade de justificar o conhecimento é acompanhada pela desvalorização da razão em função do hábito (uma inclinação natural sobre a qual a razão não tem qualquer poder).
Quando duas ideias são contíguas no tempo e no espaço, a consideração de uma delas lembra à consideração da outra. Exemplo: A referência a uma sala de um edifício leva-nos a pensar nas outras.
A consideração de dois objetos ou acontecimentos como estando ligados, sendo um a causa e o outro o efeito. Exemplo: Uma ferida (causa) leva-nos a pensar na dor (efeito) que se lhe segue.
Não temos acesso a um núcleo de personalidade inalterável (a um eu imutável e permanente). É uma ideia complexa, produto da imaginação.
As impressões (sensações) são as perceções mais vivas e fortes; podem ser externas (obtidas pelos dados dos sentidos) ou sentimentos internos (são as emoções e os desejos, como a raiva, a alegria, etc.).
As ideias (pensamentos): são as cópias das impressões e, como tal, menos vívidas e menos intensas; estas são produto da memória ou da imaginação.
Relação causa e efeito
O QUE SIGNIFICA DIZER QUE A É A CAUSA DE B? SIGNIFICA AFIRMAR: SEMPRE QUE, EM DETERMINADAS CONDIÇÕES, ACONTECE A, ACONTECE NECESSARIAMENTE B.
Thomas Reid
Hume define causalidade em termos de conjunção constante de acontecimentos. Para Thomas Reid, essa noção de causa é incorreta: Se as pessoas entendessem a causalidade como mera conjunção constante, então eramos obrigados a acreditar que o dia é a causa da noite e a noite é a causa do dia, dado haver uma conjunção constante entre dia e noite. No entanto, as pessoas não pensam isso, ou seja, elas não confundem causalidade com a conjunção constante. Com o exemplo do dia e da noite, temos um caso de conjunção constante, mas não de relação causal.
Além disso, há acontecimentos singulares, que geralmente aceitamos serem causados, relativamente aos quais não temos experiência de qualquer conjunção constante; é o caso, por exemplo, do acontecimento em que o mundo começou a existir, que ocorreu uma única vez, mas que, ainda assim, julgamos ser causado. Com o contraexemplo da criação do mundo, temos um caso de relação causal, mas não uma conjunção constante.
Mesmo que a dúvida leve ao “Cogito”, dicilmente se pode construir algo a partir daí. Para Hume a única base sólida para o conhecimento são as IMPRESSÕES SENSÍVEIS derivadas da experiência (fundacionalista empirista)
A dúvida cartesiana é impraticável e incurável: Descartes não levou a sério a dúvida, ou seja, não duvidou de tudo. Se duvidasse realmente de tudo, não conseguiria chegar a qualquer certeza. Por exemplo, se duvidasse da sua memória, nem sequer poderia saber que ele próprio existia ontem ou no minuto anterior.
Argumento: Se algumas ideias fossem inatas (ideias que já nascem connosco - conaturais à razão) , então as crianças mostrariam conhecê-las. Mas as crianças não mostram conhecê-las. Logo, essas ideias não são inatas. Segundo Hume, as ideias são apenas cópias das impressões.
É impossível, por razões pragmáticas, vivermos como céticos radicais. O nosso instinto de sobrevivência impede-nos de duvidar de tudo.
Se dois objetos se assemelham, então a ideia de um objeto conduz à ideia do outro. Exemplo: Um retrato leva-nos a pensar no original.
O contraexemplo do tom de azul desconhecido: Há ideias que não são cópias das impressões. O próprio Hume acabou por apresentar um contraexemplo (tom de azul desconhecido - podemos ter a ideia de um certo tom de azul que nunca vimos e do qual não temos nenhuma impressão), embora considerando-o insignificante.
Para Hume na nossa mente apenas temos perceções; mas não podemos confundir a perceção de um objeto com esse objeto. Por exemplo: a perceção de uma árvore e a própria árvore não são a mesma coisa.
Argumento do ceticismo perceção de Hume sobre o mundo exterior
Argumento a favor a diferença entre a perceção de um objeto e o próprio objeto
Se a perceção de uma árvore e a própria árvore são a mesma coisa, então o seu tamanho não se altera em função da nossa perspetiva. Mas o seu tamanho altera-se em função da nossa perspetiva. Logo, a perceção de uma árvore e a própria árvore não são a mesma coisa.
Se sabemos realmente que o mundo exterior existe, então conseguimos estabelecer uma relação de causalidade entre os conteúdos da nossa mente e a existência de objetos exteriores. Mas não conseguimos estabelecer essa relação de causalidade (pois, apenas temos acesso aos conteúdos da nossa mente). Logo, não sabemos realmente que o mundo exterior existe (nem que não existe).
Bertrand Russell (1872-1970) rejeita as conclusões céticas de Hume, pois considera que a sua ideia de “fundamento racional” (ou “racionalmente justificável”) é demasiado restrita. Hume parece admitir que nenhuma crença está racionalmentejustificada, a menos que exista uma prova definitiva da sua verdade. Para Russell, pode ser racional acreditar numa crença, mesmo na ausência deste tipo de prova, pois pode simplesmente acontecer que, de entre as alternativas disponíveis para explicar a nossa experiência, exista uma hipótese mais plausível do que todas as outras (pelo que é mais racional acreditar na sua verdade do que em qualquer uma das alternativas). Chama-se a esta forma de argumentação “abdução” ou, mais especificamente, argumentação afavor da melhor explicação. Russell acredita que a existência de um mundo exterior às nossas mentes é uma explicação muito mais simples e plausível do que qualquer cenário cético que possamos imaginar e, por isso, considera que estamos racionalmente justificados a acreditar nisso.
Russell recorre à análise do comportamento de um gato para ilustrar esta ideia. Quando vemos um gato aparecer numa parte da sala e posteriormente nos apercebemos que este está noutro espaço da casa, parece bastante mais aceitável a hipótese de que ele se deslocou de um lado para o outro quando não o estávamos a observar do que aceitar a possibilidade de o gato ter desaparecido da sala quando deixámos de o observar para voltar aaparecer no novo espaço.