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Created on July 17, 2023

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Raparigas / Mulheres

Educação

Dec.Lei 27:279

Desporto

As Políticas Desportivas do Estado Novo

Fome e Pobreza

Repressão

Censura / Propaganda

Guerra Colonial

Histórias de Vida

Histórias de Vida

Histórias de Vida

Créditos

Fazendo parte das aprendizagens essenciais do 12º ano na disciplina de História, tem sido habitual estudar o período do Estado Novo e a sua progressão até 25 de Abril de 1974, solicitando aos alunos que recolham informação sobre as suas vivências, junto de familiares e/ou amigos, relativa a essa época. Com o convite do Conselho Nacional de Educação para participar no projeto EDA50 optámos por organizar a apresentação das diferentes entrevistas realizadas pelos alunos, nos diferentes formatos, texto escrito, áudio ou vídeo. Depois de trabalhar a sua edição construímos a apresentação na plataforma GENIALLY de modo a criar um conteúdo interativo e animado. Pretendemos continuar a desenvolver esta apresentação apelando à participação dos nossos antigos alunos. Estamos a solicitar aos alunos que frequentaram a escola desde 1980 que produzam um pequeno vídeo onde manifestem a sua opinião, sobre esta escola em particular ou a escola de um modo geral, partilhando o que mudou na sua vida. Vamos depois integrar estes pequenos vídeos, com os testemunhos dos nossos ex-alunos, no projeto já desenvolvido.

Profª Elsa Martins Profª Lídia Neves

* Professoras de História do 12ºano, trabalharam os conteúdos e orientaram os alunos das turmas de Líguas e Humanidades de 12º ano na realização das entrevistas

Prof. Bruno Martinho Profª Isabel Vieira

* Professores de Educação Física, construiram a plataforma GENIALLY do projeto

Ricardo Baptista

* Antigo aluno da escola, especialista em Multimédia e Pós-Produção Vídeo -Responsável pela edição dos vídeos

Profª Isabel Vieira, Coordenadora do Projeto

Ciclismo ao rubro

Na década de 50 o ciclismo é uma das modalidades desportivas mais competitivas e interessantes do país. Ao vasto calendário nacional composto por provas de estrada, de fundo, vários circuitos como o mítico Lisboa Porto e a volta a Portugal em bicicleta, juntam-se agora as participações de ciclistas portugueses na vuelta espanhola e pela primeira vez no tour de França.

Habitação

A maioria da população vivia com grandes dificuldades financeiras, o que era visível na falta de condições das suas casas. Quem tinha o privilégio de ter uma casa tinha de se sujeitar às condições mínimas da mesma. No Norte do país as casas eram feitas de pedra, deixando entrar o vento e o frio, e o seu aquecimento era feito através de lareiras, ou no caso de não existir muita madeira, era feito através de braseiros. A população que não tinha uma casa, dormia em estábulos perto dos animais. O andar rente ao chão era para os animais, celeiro e adega, e a parte superior era para a família. Já no Sul onde o clima era menos agreste, as casas eram feitas de pedra, rebocadas e pintadas a cal, e por esse motivo eram menos frias. Os bairros de barracas foram crescendo na periferia, principalmente da cidade de Lisboa e foi crescendo também de forma desordenada e sem regras, a habitação clandestina.

Muitas diferenças sociais, em todos os setores

A esperança média de vida dos portugueses, na década de 30, é inferior a 50 anos e as doenças resultantes da fome e da alimentação deficiente continuam a ser a primeira causa de morte no país. A tuberculose é o terceiro flagelo mais mortífero nesta época, mata dez mil pessoas por ano, logo depois das doenças do coração. Assim, entre as doenças e as dificuldades de subsistência, os portugueses têm uma vida espinhosa nos anos 30. Cerca de metade da população vive do trabalho na agricultura, tentando sobreviver às custas de um setor agrícola que é tradicional e pouco produtivo. Nas cidades as classes operárias e o comércio não vivem melhor, o setor dos serviços é praticamente inexistente e a indústria está dispersa pelo país e pouco desenvolvida. As condições de trabalho continuam a ser terríveis e a mão-de-obra muito explorada. Apesar dos muitos abusos do patronato, a organização dos sindicatos corporativos incentivada pelo Estado Novo incentiva ao descanso ao domingo e os portugueses vão-se habituando a não trabalhar num dia que é dedicado à família. Uma ida à missa logo de manhã cedinho marca o início deste dia de descanso e quando o tempo está de feição começa a ser comum ver famílias inteiras em pequenos passeios nos parques e jardins.

As diferenças são notórias nos tamancos que uns trazem nos pés ou nas botas, surradas e enlameadas das caminhadas diárias de vários quilómetros até à escola, ou nas sacolas de serapilheira que não podem competir com as pastas de couro que outros trazem. No interior destas também se nota a diferença pelos livros e cadernos usados pois enquanto uns herdam dos irmãos e vizinhos as lousas esfaceladas onde treinaram as primeiras letras outros há que ostentam peças novas e a brilhar. Enquanto chega e não chega o livro único, muitos há que se têm de contentar com os livros de capas ensebadas e folhas soltas, que receberam de empréstimo e que nem forrados a papel pardo disfarçam a idade, e em lugar de cadernos ou sebentas a estrear muitos há que se contentam com meia dúzia de folhas de 25 linhas dobradas ao meio e cozidas na dobra. Além de que o Estado Novo esquece ou ignora o profundo envolvimento do professor ou regente na comunidade local. Para estes não há bata que esconda quem são os filhos do regedor, os sobrinhos do pároco e os afilhados e descendentes dos senhores locais.

O ator Raul Solnado entre os militares. Zala - Angola

Portaria 69.035, de 1953, da Câmara Municipal de Lisboa «Verificando-se o aumento de atos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se vêm verificando nos logradouros públicos e jardins e, em especial, nas zonas florestais Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros, determina-se à Polícia e Guarda Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de atos que atentem contra a moral e os bons costumes. Assim, e em aditamento àquela Postura nº 69035, estabelece-se e determina-se que o artº 48º tenha o cumprimento seguinte: 1º Mão na mão - 2$50; 2º Mão naquilo - 15$00; 3ºAquilo na mão - 30$00 4º Aquilo naquilo -50$00; 5º Aquilo atrás daquilo -100$00 Parágrafo único - Com a língua naquilo, 150$00 de multa, preso e fotografado.»

Moral e Bons Costumes

De início os militares instalaram-se em acampamentos improvisados ou nas casas abandonadas pelos colonos, muitas delas em ruínas. A pouco e pouco, surgiram autênticos aquartelamentos que se espalharam pelo vasto espaço africano, transformando a paisagem física e humana. Mas, nas zonas mais inóspitas e desconhecidas, as instalações militares continuaram a caracterizar-se pela sua precariedade Os abastecimentos de frescos e o correio chegavam a estes locais longínquos com muita dificuldade. Pelas “picadas”, de terra batida, as colunas de abastecimento progrediam muito lentamente, expostas ao rebentamento de minas e às emboscadas. Quando não se encontrava em patrulhamento em operação, o militar, a apesar do risco constante de um ataque, ocupava o seu tempo confraternizando com os camaradas, lendo ou redigindo correspondência que, na maior parte dos casos, se acumulava durante uma semana antes de ser expedida na volta da coluna de abastecimento. in “Guerra Colonial Fotobiografia” Renato Monteiro & Luís Farinha, 1990, Publicações Dom Quixote. Os autores foram professores na Escola Secundária da Ramada

Testemunhos Gravados

Rapazes e raparigas nunca se cruzavam na escola. Se elas iam para aulas de manhã, eles iam só da parte da tarde. No caso em que as escolas tinham mais do que uma sala, as turmas eram separadas por géneros e havia um pátio de recreio para rapazes e outro para raparigas.

As crianças do Estado Novo tinham poucos direitos e até a punição física era uma prática comum e bastante aceitável, tanto em casa como na escola. O simples facto de não responder acertadamente a uma pergunta do mestre era suficiente para ganhar um chapéu de burro e exposto à chacota da turma, voltado para a parede em pé, por períodos mais ou menos longos. Um objeto muito frequente nas salas de aula, ao lado da régua ou de outros instrumentos de punição, era a palmatória, mas todos eles eram utilizados indiscriminadamente pelos professores, e muitas vezes sem justificação, para provocar dor. Ajoelhar no milho era outro castigo bastante doloroso, experienciado por crianças onde o milho estava mais disponível. Muitas vezes eram alguns dos alunos escolhidos pelo professor que exerciam castigos físicos sobre os infratores, mesmo quando não existiam infrações, com práticas de bullying promotoras de graves situações de segregação dos mais frágeis.

Verdadeiros Pobres

Nos verdadeiros pobres, socialmente aceites e reconhecidos como tal, estavam incluídos os doentes impossibilitados de trabalhar, os desempregados involuntários, os desempregados periódicos, as viúvas, órfãos e idosos, os membros de famílias numerosas com salários muito baixos, os trabalhadores idosos com baixos salários, os reformados com pensões muito baixas, os jovens com formação mas sem emprego, os doentes crónicos que não podiam exercer diariamente a sua profissão, as famílias dos condenados, os ex-reclusos que não conseguiam emprego, as vitimas de familiares gastadores, as mães solteiras e crianças, ou esposas, abandonadas. Todos esses estavam incluídos nas categorias de pobres ou indigentes previstas no Código Administrativo de 1940. A condição de pobreza precisava de ser oficialmente reconhecida, por meio de certidão extraída do respetivo recenseamento paroquial. Este recenseamento de pobres e indigentes era feito pelas Juntas de Freguesias, que o deveria manter organizado, conservado e devidamente atualizado através de uma revisão anual.

SNI (1945) – A Assistência social em Portugal. Cadernos do Ressurgimento Nacional, Lisboa: SNI

A filosofia salazarista do Estado novo não gosta de ostentação, presa a descrição, elogia a modéstia, contenção e poupança, por isso também não aprova as indumentárias, muito menos nas escolas. As batas brancas para as meninas e aos quadradinhos azuis para os meninos, que já eram adotadas por muitas escolas, tornam-se definitivamente obrigatórias e obedecem a um figurino imposto pelo Estado, "igual para todas as crianças". Desta forma pretendia o estado novo impor a democracia dentro da sala de aula, colocando todas as crianças em pé de igualdade e isto porque as batas tanto escondiam o vestido de chita desbotado como os calções coçados e remendados ou as melhores indumentárias dos mais abastados.

A democracia das batas

A guerra de 1961 a 1974 em Angola, Guiné e Moçambique foi, quanto aos objetivos, guerra subversiva para as autoridades portuguesas e guerra de libertação ou revolucionária para os movimentos de libertação, mas quanto à tática utilizada, recorrendo ao emprego de meios e processos muito restritos com forças ligeiras dispersas e clandestinas, deve ser classificada como guerra de guerrilha. A doutrina militar portuguesa de contraguerrilha começa a desenhar-se antes de a guerra se iniciar em Angola em 1961. O que estava a ocorrer com as forças armadas de outros países europeus, envolvidos em conflitos nas suas colónias, alertou os militares portugueses para a necessidade de se prepararem para o tipo de conflito que se desenrolava na Indochina, na Argélia, na Malásia e até no Quénia.

“Derrubam-se árvores com machados cujos gumes se encontram muito desgastados. No Vietnam os americanos procederiam a esta operação utilizando serras mecânicas. De acordo com o grau de riqueza dos povos, umas guerras são ricas outras pobres. Numa guerra pobre, porém, usa-se mais de imaginação. A única serra mecânica que se possui está há muito tempo inoperacional. Entretanto, com o derrube das árvores pôde-se já construir alguns abrigos. Estes situam-se junto de uma vala que se estende por alguns metros, de forma irregular. Inaugurámos ainda um refeitório, cuja cobertura é de zinco. Aberto para todos os pontos cardeais, é sobre uma mesa, igualmente de zinco, que as refeições são servidas. (…) À hora da refeição chega o rapazio. Uma vintena. Trazem latas e, depois de se banquetearem com o que sobeja, correm para o rio, onde se refrescam. Todos os dias almoçamos com a imagem da fome diante de nós.” (Da correspondência de um militar, Guiné, 1970) in “Guerra Colonial Fotobiografia” Renato Monteiro & Luís Farinha, 1990, Publicações Dom Quixote.

Mulheres Olímpicas

Foi nos Jogos da XV Olimpíada, organizados em Helsínquia (Finlândia), em 1952, que 56 anos após a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna as atletas portuguesas participaram pela primeira vez. A delegação portuguesa tinha três atletas femininas: Dália Cunha, Maria Laura Amorim e Natália Cunha e Silva participaram nas provas de ginástica desportiva, hoje designada por ginástica artística. Mas, se os atletas masculinos, desde a estreia de Portugal (1912) participaram em todas as edições realizadas, o mesmo não se pode dizer das atletas femininas portuguesas, que voltaram a não participar nas edições dos Jogos Olímpicos de 1956, 1972 e 1976.

O Estado Novo assentava em organizações repressivas e mecanismos de controlo da população criadas por Salazar, à semelhança do fascismo italiano, para garantir o culto da personalidade ou culto do chefe e a negação dos direitos e liberdades individuais. As organizações repressivas do Estado Novo eram a Censura Prévia, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) e a Legião Portuguesa (a milícia portuguesa). Os mecanismos de controlo da população foram o Secretariado de Propaganda Nacional, a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), a Mocidade Portuguesa e a Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN), bem como a educação.

Alimentação

Variava consoante a zona do país e o nível de vida, no entanto havia hábitos comuns. O pão estava em todas as refeições e comia-se mais peixe do que carne. Os sabores de outros países, dificilmente chegavam a Portugal. Havia leguminosas como grão, feijão e ervilhas. Havia carne mas, por ser cara, para alguns era apenas servida em dias de festa. Comia-se principalmente peixe, sobretudo bacalhau, que serviria para cozinhar pratos diferenciados.Havia batata, arroz e salada, principalmente de cebola, alface e tomate. O pão fazia parte de todas as refeições, mas era pão de centeio, pois o de trigo não era tão acessível. Os legumes e a sopa com hortaliças (couves, nabiças, beterrabas) também eram alimentos que se comiam todos os dias. Ao pequeno-almoço comia-se pão com manteiga ou com marmelada. Na província, sobretudo nos sítios mais pobres, começava-se o dia com uma sopa de hortaliças ou, nos lugares mais frios, água ardente pura servida dentro de um cálice, chamada de mata-bicho. Existiam também as sopas de cavalo cansado, que eram feitas de vinho, pão e açúcar, e eram consideradas um prato normal nas aldeias da Beira Baixa. Entre os pratos típicos estavam também as sopas de cegador, feitas com massa e bacalhau.

Polícia Internacional e de Defesa do Estado - PIDE

A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi criada em 1945 tendo como principal objetivo a prevenção e proteção dos crimes contra a segurança do Estado. No essencial defendia o regime do Estado Novo utilizando todos os meios ao seu alcance.

https://ensina.rtp.pt/artigo/uma-historia-da-pide/

A Criação da Legião Portuguesa

«O que eles querem é forçar o governo a aceitá-los como tropa de choque. E, como sabem que o governo não cai nessa, porque só quer que haja coisas organizadas por ele ou que não haja nada, estão desesperados. Hoje, a criação da Legião Portuguesa já é um roubo e um rombo (repetiu com gosto, sopesando as rimas: roubo e rombo) nas ambições deles.» JORGE DE SENA, Sinais de Fogo

Proteção à Infância

Os Dispensários, os Postos de Proteção à Infância, os Lactários, as Creches, formaram um conjunto de ofertas dispersas, muitas vezes sem coordenação. Sobre as condições de vida e saúde das grávidas e das crianças, as insuficiências dos serviços e as determinantes sociais e económicas dos maus indicadores de saúde da altura, comentava o médico Francisco Homem que “é este o grande mal da província, o perigo alimentar rouba-nos milhares de crianças nascidas e as razões vão desde a ignorância mais completa, à miséria, à superstição e à hereditariedade mórbida.”

Os Postos de Proteção à Infância ajudavam também a colmatar os problemas de subnutrição infantil nas camadas mais desfavorecidas da população. Mantinha-se, no entanto, a falta de assistência no parto e na infância. Segundo dados de 1943 os problemas ligados ao parto levavam à morte de setenta e cinco mulheres em cada mil, um número muito acima da média europeia. As miseráveis condições de vida de grande parte da população portuguesa, a escassez de serviços de proximidade, a ignorância dos progenitores, a crendice que afastava as mulheres das consultas pré-natais, a escassez de maternidades e de profissionais de saúde, eram apontadas como causas destas mortes.

Lição proferida no Curso de Aperfeiçoamento Destinado a Subdelegados de Saúde no Instituto Superior de Higiene Doutor Ricardo Jorge, por Francisco Homem, 1948.

Apesar de todos os esforços da primeira República para combater o analfabetismo, nos anos 30, com a implantação do Estado Novo, mais de metade da população continua sem saber ler e escrever. A reforma e a apologia do ensino e da escola feitos pelo governo de Salazar tentam convencer as famílias da utilidade e dever de frequentar as aulas levando a que o número de crianças matriculadas aumente quase 50% em 10 anos. Mesmo assim há milhares de crianças que escapam às malhas da inspeção e que, sem nunca passarem pelas salas de aula, ingressam imediatamente no mercado de trabalho, sobretudo no setor da indústria, onde são exploradas e mal pagas. com muita da sua mão-de-obra a ser aproveitada para manter sistemas de laboração contínua. No campo a mão-de-obra infantil garantia o sustento das famílias e contribuía para que muitos abandonassem a escola precocemente tornando ainda maior o fosso social entre quem tinha maior ou menor capacidade económica.

A mulher no Estado Novo

Na ideologia vigente, os direitos da mulher eram quase nenhuns. Não podia votar. Não podia ser juíza, diplomata, militar ou polícia. Para trabalhar no comércio, sair do país, abrir conta bancária ou tomar contraceptivos, a mulher era obrigada a pedir autorização ao marido.

Muitas mulheres lutaram contra o Estado Novo na clandestinidade, nas prisões, em fábricas, nas universidades, nos movimentos sociais, nas cooperativas. Fizeram-no enquanto travavam a batalha contra o que a sociedade lhes impunha, contra um papel de género previamente definido e limitador.

A historiadora Irene Flunser Pimentel é testemunha deste tempo que transformou em objeto de estudo. Revoltada contra a função secundária que lhe queriam atribuir, tornou-se feminista e, mais tarde, investigadora. No livro “A cada um seu lugar – a política feminina na ditadura de Salazar” analisa este período da história portuguesa. Diz-nos a autora que a discriminação e inferiorização das mulheres foi também possível porque existia uma grande passividade da população que não lutava contra as regras instituídas. Mas nos anos 60, as raparigas começaram a invadir os liceus e nada voltou a ser como até então.

Nos anos 40 os portugueses descobrem que podem ser bons no desporto, ou pelo menos em algumas modalidades. Às primeiras vitórias da seleção nacional de futebol junta-se a euforia do ciclismo e no final da década o domínio Internacional no hóquei em patins. A partir de 1947 conquista todos os mundiais da modalidade e torna-se tricampeão em 1950. Quando os vencedores chegam ao aeroporto da Portela uma multidão de milhares de pessoas aguarda os hoquistas heróis, entre eles figura o violino do Sporting Jesus Correia e o seu primo Correia dos Santos, duas das maiores estrelas do hóquei nacional da época.O desenvolvimento da modalidade deve-se a 3 clubes que nada têm a ver com os grandes do futebol Paço d'Arcos, Futebol Benfica e Sintra. A festa é deles sempre que os seus representantes regressam de mais um triunfo Internacional

Hóquei em Patins

A pobreza porquê?

Para o Estado Novo as causas gerais da pobreza em Portugal eram atribuíveis a conflitos individuais e familiares, à doença e à fome. Mas identificavam-se como causas principais as maioritariamente imputáveis aos próprios pobres: o alcoolismo, o casamento de tarados, o contágio com sífilis, a imprevidência, o orgulho e a insolência que conduziam ao despedimento, as tentações irresistíveis do luxo, gastos em diversões, génio exaltado, a que se juntava a “insuficiência física, intelectual ou profissional”. A estas causas poderia somar-se a preguiça, apanágio dos “parasitas”, diferentes e menos dignos que os verdadeiros pobres. Eram considerados parasitas os que mendigavam podendo trabalhar, “os que faziam habilidades” ou vendiam rifas, os desempregados que não aceitavam qualquer trabalho, certos ciganos, os que exibiam deficiências físicas, os falsos tuberculosos e os que queriam escolher o tipo de assistência, cometendo a insolência de pensar ter escolha.

SNI (1945) – A Assistência social em Portugal. Cadernos do Ressurgimento Nacional, Lisboa

Em todas as escolas passa a ser obrigatória a existência de um crucifixo bem como as fotografias do Presidente da República e do chefe do governo. Deus e a autoridade do regime passam a estar lado a lado. Do equipamento da escola faz também obrigatoriamente parte o regulamentar quadro negro de 1,22m por 90 cm e um estrado de madeira onde se instala a mesa e cadeira do professor. num plano elevado e de supremacia.

As 7 lições de Salazar

Para assinalar os dez anos de governo de Salazar, é editada, em 1938, uma série de 7 cartazes intitulada “A Lição de Salazar”. Estes cartazes foram distribuídos por todas as escolas primárias do país numa estratégia propagandística de glorificar a obra da disciplina e da ordem face à desordem e atraso próprios das fraquezas dos regimes democráticos. Os temas dos cartazes: 1 - Pinhais searas e estradas 2 - As Finanças 3 - Renascimento do património histórico e artístico 4 - Cais de Portugal 5 - Dignificação do Trabalho e da Justiça Social 6 - Defesa da Nação e do Império 7 - Deus, Pátria e Família

Mocidade Portuguesa

A Mocidade Portuguesa, formalmente instituída pelo Decreto-Lei nº 26.661, de 19 de Maio de 1936, pretendia abranger a juventude do "Império Português" e os núcleos de portugueses no estrangeiro. Regulamentada pelo Decreto nº 27.301, de 4 de Dezembro de 1936, a Mocidade Portuguesa devia não só promover a educação moral, cívica e pré-militar, em harmonia com os princípios consagrados no Regimento da Junta Nacional de Educação, como também cultivar nos seus filiados a educação tradicional, não admitindo nas suas fileiras indivíduos sem religião. Consagrada à "Renascença da Pátria", a Mocidade Portuguesa tomou como ideais de acção as figuras de D. Nuno Álvares e do Infante D. Henrique e adoptou como símbolos a bandeira nacional e a bandeira de D. João I.

  • Depois de um período de expansão e consolidação, entre 1936 e 1945, a Mocidade Portuguesa passou por sucessivas tentativas de redefinição. Com a alteração dos Estatutos efectuada em 1966, a Mocidade Portuguesa perdeu o carácter para-militar e obrigatório, tendo entrado num período de declínio, até à extinção em 1974, pelo Decreto-Lei n.º 171, de 25 de Abril.
INEF

O Instituto Nacional de Educação Física (1940 — 1975), conhecido pela sigla INEF, foi uma instituição especializada de ensino superior não universitário destinada à formação de docentes de educação física, criada pelo Decreto-Lei n.º 30 279, de 23 de Janeiro de 1940, no âmbito da Reforma Carneiro Pacheco, a profunda reestruturação do sistema educativa português liderada por Carneiro Pacheco, então Ministro da Educação Nacional do regime do Estado Novo. A instituição foi extinta pelo Decreto-Lei n.º 675/75, de 3 de Dezembro, que criou o Instituto Superior de Educação Física de Lisboa, instituição que deu origem à atual Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa (previamente Universidade Técnica de Lisboa).

Tempos de emigração

Também pela guerra colonial, mas não só

O Portugal dos anos 60 é feito de grandes abismos sociais. A grande riqueza está nas mãos de uma meia dúzia de famílias e a restante população vive remediada ou numa situação de pobreza extrema. Apesar da subida dos salários e da fase de progresso que o país atravessa, o rendimento médio de um português equivale em média a 1/3 do rendimento de um europeu. Daí a atração da emigração, mesmo sendo proibida pelo regime e implicando o “salto” clandestino da fronteira com a Espanha. Calcula-se que entre 1960 e 1970 tenham saído de Portugal 1,3 milhões de portugueses, 15% da população: à procura de melhores condições de vida; para fugir de perseguições políticas; para escapar ao recrutamento obrigatório para a guerra colonial.

Perante um quadro social tão desfavorável, nos anos 30 aqueles que concluem a instrução primária são tidos como pessoas com boas habilitações literárias. Nesta altura a quarta classe é o equivalente ao 12º ano, ou ao liceu completo, algumas décadas depois. A instrução primária significa emprego garantido para os portugueses dos anos 30. Nesta época os miúdos saem da escola ao saber ler e escrever com desenvoltura, com uma caligrafia bem desenhada e percetível, fazendo a devida ressalva daqueles que tinham diferentes dificuldades e que sempre acabavam por ficar para trás. A tabuada tinha que estar na ponta da língua, ou não fosse esta e a conjugação dos verbos, aprendidos pelos miúdos a cantar em coro como as ladainhas dos jogos no recreio. Para os diplomados da instrução primária as operações de aritmética também não tinham segredos fossem elas as enormes contas de multiplicar ou as complicadas e extensas divisões e as respetivas provas reais feitas logo ali ao lado.

Curso Primário

A loucura do futebol

É nos anos 30 que se dá uma profunda remodelação na organização do futebol e em 1935 a Federação Portuguesa cria os campeonatos da primeira e segunda liga. Desavenças frequentes entre algumas associações e a Federação retiram os melhores jogadores da seleção o que se refletiria nos fracos resultados. É na década de 40 que o futebol assume as definitivas características de desporto de massas, que atrai multidões por todo o país, em que o dérbi lisboeta entre Sporting e Benfica assume a rivalidade que vai durar até aos dias de hoje. Nos campos das grandes equipas alinham jogadores que se tornarão nas primeiras lendas do futebol nacional como o sportinguista Peyroteo eu e os 5 violinos. Esta é a década em que o governo de Salazar descobre que o futebol e as atividades desportivas são um bom meio para difundir o orgulho patriótico e a mensagem do regime e por isso se empenha na construção de um estádio nacional que será um símbolo da grandiosidade da nação A inauguração acontece com pompa e circunstância na presença estimada de 60 mil pessoas. A loucura do futebol é tanta que contagiou o cinema e a imprensa da época levando mesmo ao aparecimento de novos jornais desportivos.

Maria Lamas (1893 – 1983)

Resultado de uma investigação no terreno, feita pela autora de norte a sul do país, para a qual contribuíram depoimentos de mulheres com os mais diversos perfis, a obra “As Mulheres do Meu País” constitui um retrato da condição das mulheres portuguesas na primeira metade do século XX, como viviam e trabalhavam. “Num tempo em que o papel das mulheres na sociedade não era reconhecido e nem sequer constituía tema de reflexão, dar-lhes visibilidade foi uma iniciativa ousada e que, sem surpresa, provocou enorme desconforto no regime patriarcal então vigente”

Uma figura admirável de cidadã da Resistência contra o fascismo e de Mulher portuguesa do século XX. Investigadora autodidata, foi escritora, tradutora, jornalista e conhecida ativista contra a Ditadura. Esteve ligada à Oposição Democrática durante o Estado Novo. Ligou-se ao MUD (Movimento de Unidade Democrática) e depois ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde desenvolveu intensa atividade política e cultural. Presa em 1949, pela primeira vez, sofreu imenso na prisão no Forte de Caxias, porque a PIDE a colocou incomunicável durante quatro meses. Esteve então muito doente. Depois de várias prisões (1953 e 1962), viu-se forçada ao exílio.