Os Maias
Espaços sociais e a crítica de costumes
Começar
O Título
O subtítulo
O título e o subtítulo apontam para dois níveis de ação (primeiro e segundo, respetivamente)
Info
A representação de espaços sociais e a crítica de costumes
1. Jantar no Hotel Central (Capítulo VI)
Episódios
2. Corridas no Hipódromo de Belém (Capítulo X)
3. Jantar em casa dos Gouvarinho (Capítulo XII)
4. A Corneta do Diabo e o jornal A Tarde (Capítulo XV)
5. Sarau no Teatro da Trindade (Capítulo XVI)
6. Passeio final por Lisboa (Capítulo XVIII)
iR «pERSONAGENS»
espaços sociais e crítica de costumes
Jantar no Hotel Central
É no Hotel Central que decorre um jantar organizado por João da Ega em homenagem a Cohen: Ega quer ficar benquisto do banqueiro, de cuja mulher é amante. No convívio, comparecem, além de Ega e Cohen, Carlos da Maia, o poeta romântico Tomás de Alencar, Craft e Dâmaso. Neste jantar, que é o primeiro contacto de Carlos com o meio social de Lisboa, acompanhamos as conversas de um grupo de homens «ilustres» sobre questões do País do final do século XIX, como a literatura e a situação política e económica de Portugal. Quanto ao primeiro tema, o debate centra-se em Alencar e Ega, ainda que Craft e Carlos também contribuam para a conversa. O poeta Alencar, que defendia o Romantismo, critica a literatura naturalista, por esta representar o lado mais «feio» e pobre da sociedade: as classes mais desfavorecidas e os vícios sociais. Por seu lado, Ega defende o Naturalismo, porque só este tipo de literatura representa a sociedade do seu tempo, estudando e criticando a realidade social com «ares científicos». Mais adiante, a discussão torna-se agressiva e Ega e Alencar quase se envolvem numa cena de pugilato. O segundo tema é tratado como humor e aparente indiferença: «Carlos não entendia de finanças, mas parecia-lhe que desse modo o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.» (Capítulo VI) Assim, Carlos, Ega e Cohen abordam com ligeireza e troça a grave situação económica em que Portugal se encontra: o país estava, de facto, à beira da bancarrota. E tanto o banqueiro como Ega brincam com a situação. O amigo de Carlos chega mesmo a afirmar, de forma jocosa e provocatória, que o problema político e social do País só se resolveria com uma revolução. Contudo, apesar do ato provocatório, Ega defende esta ideia porque crê que era necessário que Portugal do seu tempo se desmoronasse para renascer como um país civilizado.
Relação com a intriga principal
É à entrada do Hotel Central que Carlos vê Maria Eduarda pela primeira vez.
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Corridas no Hipódromo de Belém
espaços sociais e crítica de costumes
As corridas de cavalos têm lugar no Hipódromo de Belém e são um acontecimento social que mobiliza e entusiasma a sociedade burguesa lisboeta. O evento procura imitar iniciativas semelhantes que tinham lugar noutros países europeus – o modelo são as corridas inglesas – e serviam para as classes favorecidas de Lisboa sentirem que eram cosmopolitas e que estavam em sintonia com as nações civilizadas da Europa. No entanto, nada do que encontramos no Hipódromo tem o requinte, a elevação ou o espírito civilizado das corridas europeias. A preparação e a decoração do espaço são feitas sem cuidado e sem elegância: «dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho, de mesa de repartição, erguiam-se duas tribunas públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial.» (Capítulo X) O ridículo do evento emerge também do facto de os participantes recorrerem a estrangeirismos no campo lexical das corridas de cavalos («jockey», «High life», «gentleman» e «cocotes») para se sentirem «chiques» e cosmopolitas. Se a preparação do espaço revela provincianismo, não menos provinciano é o comportamento dos espectadores. Em lugar de haver um ambiente festivo e elegante, os espectadores mostravam-se entediados e entediantes: «apinhava-se o magote de gente, […] sem um rumor, numa pasmaceira tristonha sob o peso do sol de junho.» (Capítulo X) Ainda assim, o espírito português – sem educação, arruaceiro, cobiçoso – vem à superfície, quando há desacordo e a situação evolui para o insulto e para a pancadaria, porque há dúvidas sobre o resultado de uma corrida.
Relação com a intriga principal
Carlos está com o amigo Craft no hipódromo e tem esperança de encontrar Maria Eduarda no evento.
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jantar em casa dos Gouvarinho
espaços sociais e crítica de costumes
Carlos e Ega são convidados para um jantar que tem lugar em casa dos condes de Gouvarinho, onde se discutem questões relevantes, como a educação das mulheres e a literatura. A ocasião proporciona uma oportunidade para criticar a classe dirigente do País, que é representada pelo anfitrião do jantar e por Sousa Neto. Ega adota uma atitude de provocação e de confrontação para denunciar as limitações intelectuais e a pequenez mental destas duas personagens. Nas palavras irónicas que troca com o Conde Gouvarinho, este que é político e par do Reino – e que chegara a ministro – revela grande falta de cultura, vazio de ideias e uma atitude retrógrada sobre as mulheres no final do século XIX: «O Conde afirmou logo com exuberância que não gostava também de literatas; sim, decerto o lugar da mulher era junto do berço, não na biblioteca…» (Capítulo XII) Igual ignorância encontramos em Sousa Neto, que é um «[o]ficial superior [d]a Instrução Pública» – um alto quadro do Ministério da Educação, diríamos hoje. Sousa Neto revela-se incapaz de participar num debate de ideias e vê exposta a sua falta de cultura ao desconhecer a obra de Proudhon (muito influente na época) e ao perguntar a Carlos «se em Inglaterra havia também literatura». (Capítulo XII)
Relação com a intriga principal
Tentativa de reaproximação amorosa da condessa de Gouvarinho a Carlos (relação adúltera).
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jornais Corneta do Diabo e A Tarde
espaços sociais e crítica de costumes
Nas redações dos jornais Corneta do Diabo e A Tarde representa-se o «estado do jornalismo de má qualidade do nosso país» (Capítulo XV) ao expôr os vícios do jornalismo, assim como a falta de isenção e a falta de ética dos seus profissionais, a para da fraca qualidade dos textos publicados. Na redação da Corneta do Diabo, João da Ega encontra-se com o jornalista Palma «Cavalão» com o propósito de saber quem enviou para publicação um artigo difamatório sobre Carlos e Maria Eduarda. O lugar é imundo: «Na toalha de mesa, salpicada de gordura e vinho, alguns pratos rodeavam um galheteiro que tinha moscas no azeite.» (Capítulo XV) Imundos são também o jornalismo que aí se faz e o caráter de Palma, que difama figuras públicas no seu periódico e que aceita dinheiro para revelar os autores dos textos. Imoralidade é o que voltamos a encontrar na redação do jornal A Tarde, lugar aonde Ega acorre para publicar a humilhante carta, por si ditada, em que Dâmaso aviltava o seu nome e o nome da sua família. Neste lugar, a falta de ética reside no facto de este periódico estar ao serviço de uma fação política. De facto, quando Ega chega à redação do jornal, depara-se com uma reunião em que participam o jornalista Neves e membros de um partido político.
Relação com a intriga principal
Publicação no jornal Corneta do Diabo de um pedido de revelação do passado de Maria Eduarda, feito por Dâmaso.
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Sarau no Teatro da Trindade
espaços sociais e crítica de costumes
O Teatro da Trindade é o cenário de um sarau cultural que, de novo, reúne figuras da burguesia e da fidalguia lisboetas. Ao palco vão subir oradores e artistas neste evento social que procura reunir fundos para auxiliar as vítimas das inundações do Ribatejo. Quando Carlos e Ega chegam ao teatro, Rufino discursa sobre a caridade e o progresso numa retórica exagerada e em frases de gosto duvidoso. Segue-se-lhe uma atuação do Cruges ao piano, um músico de talento e génio («Um grande maestro, o Cruges.», capítulo XVI). Se o Rufino conseguira emocionar grande parte dos presentes, o músico não logrou encantar a plateia. Por último, é o ultrarromântico Alencar que vai à boca de cena proferir o poema «Democracia», também ele repleto de excessos de linguagem e uma retórica gasta. Neste suposto ambiente musical e literário, denuncia-se a falta de cultura e a falta de gosto e a mediocridade das classes favorecidas, condenando-se o seu apreço pela oratória «balofa» e pelo sentimentalismo piegas.
Relação com a intriga principal
Após o Sarau, encontro de Ega com Guimarães (tio de Dâmaso), que lhe revelará a relação de parentesco entre Carlos e Maria Eduarda (irmãos).
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espaços sociais e crítica de costumes
Passeio Final por Lisboa
No capítulo final d’ Os Maias, quando Carlos regressa a Lisboa depois de dez anos de ausência, encontra uma cidade estagnada (que se mantinha como há dez anos). Um passeio do protagonista e de Ega pela cidade permite-lhes analisar esta realidade: «Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. Nada mudara. A mesma sentinela sonolenta rondava em torno à estátua triste de Camões. Os mesmos reposteiros vermelhos, com brasões eclesiásticos, pendiam nas portas das duas igrejas. O Hotel Aliança conservava o mesmo ar mudo e deserto.» (Capítulo XVIII) Por outro lado, impera também na cidade uma nova realidade, uma geração de uma «gente feíssima, encardida, molenga, reles, amarelada, acabrunhada!...» (Capítulo XVIII). São sinais de decadência de um povo que perdeu ainda mais a sua vitalidade e a sua personalidade. E a noção de decadência é mais vincada, por contraste, quando Carlos e Ega passam pela estátua de Camões, que simboliza as glórias e a energia dos tempos passados. Lisboa está descaracterizada, perdeu a sua própria identidade. Copiam-se as ideias e os modelos do estrangeiro e, mais grave ainda, copia-se sem gosto e levando-o ao exagero e ao ridículo. O exemplo simbólico apresentado é o das botas que a nova geração calça: «botas despropositadamente compridas, rompendo por fora da calça colante com pontas aguçadas e reviradas como proas de barcos varinos…» (Capítulo XVIII). A falta de gosto está também presente na modernização do espaço urbano: «E ao fundo a colina verde, salpicada de árvores, os terrenos de Vale de Pereiro, punham um brusco remate campestre àquele curto rompante de luxo barato» (Capítulo XVIII).
Relação com a intriga principal
Regresso de Carlos a Lisboa, dez anos depois, da relação amorosa com Maria Eduarda e da morte de Afonso. Reencontro com Ega e passeio final pela capital.
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As personagens na crítica de costumes
Conde Gouvarinho
Dâmaso
Cohen
Alencar
Poder econõmico
Ultrarroman-tismo
Novo--riquismo
Poder político
Bom trabalho!
INÍCIO
Os Maias
Jacob Cohen
Representa o poder económico e simboliza a burguesia que ascende socialmente, mas sem inteligência nem escrúpulos.Judeu, é banqueiro, diretor do Banco Nacional e casado com Raquel Cohen. Distancia-se das suas responsabilidades políticas, como é exemplo a observação que faz sobre a iminência da bancarrota em Portugal.
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Dâmaso Salcede
Representa o novo-riquismo e o provincianismo, ideia vincada pela exprtessão «chique a valer», que utiliza frequentemente. Cultiva a aparência, considera-se alvo da admiração das mulhres e tem como modelo Carlos da Maia, que tenta imitar. É uma súmula de defeitos: vaidoso, egoista, gabarola, cobarde, com falta de integridade, e sem respeito pelas mulhres, representa uma classe social sem princípois morais e ociosa.
Conde de Gouvarinho
Representa o poder político, a retórica oca, a falta de visão política e o provincianismo.Era ministro e par do Reino e representa a incompetência do político português. Conservador e pouco culto, mesquinho e medíocre, Ega considera-o um «asno». É casado com a condessa de Gouvarinho.
Tomás de Alencar
Representante do Ultrarromantismo, sentimental, exagerado, teatral, antiqua-do e avesso às novas ideias literárias.Antigo amigo de Pedro da Maia, é o poeta romântico, que sempre trajava de negro. Representa um tipo de literatura e de arte ultrapassado numa época dominada pelo Realismo. É presença assídua nos eventos sociais lisboetas. É um «patriota à antiga».
Episódios da vida romântica
Crónica de costumes
Espaço físico e social em Os Maias
- Os episódios de Os Maias têm lugar, sobretudo, em espaços da cidade de Lisboa.
- Esse lugares ganham o significado de espaço social, na medida em que os acontecimentos que aí se desenrolam proporcinam uma análise de comportamentos de determinadas personagens e de grupos sociais, que denuncia as suas falhas e os seus vícios.
- Essa análise oferece um olhar crítico sobre a sociedade da segunda metade do século XIX.
Para pensar...
A atualidade das críticas sociais presentes nestes episódios:
- Jantar no Hotel Central (Capítulo VI);
- As corridas no Hipódromo de Belém (Capítulo X);
- Jantar em casa dos Gouvarinho (Capítulo XII);
- Redações dos jornais (Capítulo XV);
- Sarau do Teatro da Trindade (Capítulo XV);
- Passeio final por Lisboa (Capítulo XVIII).
Os Maias - Espaços sociais e crítica de costumes
Paula Preto
Created on July 9, 2023
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Os Maias
Espaços sociais e a crítica de costumes
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O Título
O subtítulo
O título e o subtítulo apontam para dois níveis de ação (primeiro e segundo, respetivamente)
Info
A representação de espaços sociais e a crítica de costumes
1. Jantar no Hotel Central (Capítulo VI)
Episódios
2. Corridas no Hipódromo de Belém (Capítulo X)
3. Jantar em casa dos Gouvarinho (Capítulo XII)
4. A Corneta do Diabo e o jornal A Tarde (Capítulo XV)
5. Sarau no Teatro da Trindade (Capítulo XVI)
6. Passeio final por Lisboa (Capítulo XVIII)
iR «pERSONAGENS»
espaços sociais e crítica de costumes
Jantar no Hotel Central
É no Hotel Central que decorre um jantar organizado por João da Ega em homenagem a Cohen: Ega quer ficar benquisto do banqueiro, de cuja mulher é amante. No convívio, comparecem, além de Ega e Cohen, Carlos da Maia, o poeta romântico Tomás de Alencar, Craft e Dâmaso. Neste jantar, que é o primeiro contacto de Carlos com o meio social de Lisboa, acompanhamos as conversas de um grupo de homens «ilustres» sobre questões do País do final do século XIX, como a literatura e a situação política e económica de Portugal. Quanto ao primeiro tema, o debate centra-se em Alencar e Ega, ainda que Craft e Carlos também contribuam para a conversa. O poeta Alencar, que defendia o Romantismo, critica a literatura naturalista, por esta representar o lado mais «feio» e pobre da sociedade: as classes mais desfavorecidas e os vícios sociais. Por seu lado, Ega defende o Naturalismo, porque só este tipo de literatura representa a sociedade do seu tempo, estudando e criticando a realidade social com «ares científicos». Mais adiante, a discussão torna-se agressiva e Ega e Alencar quase se envolvem numa cena de pugilato. O segundo tema é tratado como humor e aparente indiferença: «Carlos não entendia de finanças, mas parecia-lhe que desse modo o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.» (Capítulo VI) Assim, Carlos, Ega e Cohen abordam com ligeireza e troça a grave situação económica em que Portugal se encontra: o país estava, de facto, à beira da bancarrota. E tanto o banqueiro como Ega brincam com a situação. O amigo de Carlos chega mesmo a afirmar, de forma jocosa e provocatória, que o problema político e social do País só se resolveria com uma revolução. Contudo, apesar do ato provocatório, Ega defende esta ideia porque crê que era necessário que Portugal do seu tempo se desmoronasse para renascer como um país civilizado.
Relação com a intriga principal
É à entrada do Hotel Central que Carlos vê Maria Eduarda pela primeira vez.
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Corridas no Hipódromo de Belém
espaços sociais e crítica de costumes
As corridas de cavalos têm lugar no Hipódromo de Belém e são um acontecimento social que mobiliza e entusiasma a sociedade burguesa lisboeta. O evento procura imitar iniciativas semelhantes que tinham lugar noutros países europeus – o modelo são as corridas inglesas – e serviam para as classes favorecidas de Lisboa sentirem que eram cosmopolitas e que estavam em sintonia com as nações civilizadas da Europa. No entanto, nada do que encontramos no Hipódromo tem o requinte, a elevação ou o espírito civilizado das corridas europeias. A preparação e a decoração do espaço são feitas sem cuidado e sem elegância: «dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho, de mesa de repartição, erguiam-se duas tribunas públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial.» (Capítulo X) O ridículo do evento emerge também do facto de os participantes recorrerem a estrangeirismos no campo lexical das corridas de cavalos («jockey», «High life», «gentleman» e «cocotes») para se sentirem «chiques» e cosmopolitas. Se a preparação do espaço revela provincianismo, não menos provinciano é o comportamento dos espectadores. Em lugar de haver um ambiente festivo e elegante, os espectadores mostravam-se entediados e entediantes: «apinhava-se o magote de gente, […] sem um rumor, numa pasmaceira tristonha sob o peso do sol de junho.» (Capítulo X) Ainda assim, o espírito português – sem educação, arruaceiro, cobiçoso – vem à superfície, quando há desacordo e a situação evolui para o insulto e para a pancadaria, porque há dúvidas sobre o resultado de uma corrida.
Relação com a intriga principal
Carlos está com o amigo Craft no hipódromo e tem esperança de encontrar Maria Eduarda no evento.
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jantar em casa dos Gouvarinho
espaços sociais e crítica de costumes
Carlos e Ega são convidados para um jantar que tem lugar em casa dos condes de Gouvarinho, onde se discutem questões relevantes, como a educação das mulheres e a literatura. A ocasião proporciona uma oportunidade para criticar a classe dirigente do País, que é representada pelo anfitrião do jantar e por Sousa Neto. Ega adota uma atitude de provocação e de confrontação para denunciar as limitações intelectuais e a pequenez mental destas duas personagens. Nas palavras irónicas que troca com o Conde Gouvarinho, este que é político e par do Reino – e que chegara a ministro – revela grande falta de cultura, vazio de ideias e uma atitude retrógrada sobre as mulheres no final do século XIX: «O Conde afirmou logo com exuberância que não gostava também de literatas; sim, decerto o lugar da mulher era junto do berço, não na biblioteca…» (Capítulo XII) Igual ignorância encontramos em Sousa Neto, que é um «[o]ficial superior [d]a Instrução Pública» – um alto quadro do Ministério da Educação, diríamos hoje. Sousa Neto revela-se incapaz de participar num debate de ideias e vê exposta a sua falta de cultura ao desconhecer a obra de Proudhon (muito influente na época) e ao perguntar a Carlos «se em Inglaterra havia também literatura». (Capítulo XII)
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Tentativa de reaproximação amorosa da condessa de Gouvarinho a Carlos (relação adúltera).
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jornais Corneta do Diabo e A Tarde
espaços sociais e crítica de costumes
Nas redações dos jornais Corneta do Diabo e A Tarde representa-se o «estado do jornalismo de má qualidade do nosso país» (Capítulo XV) ao expôr os vícios do jornalismo, assim como a falta de isenção e a falta de ética dos seus profissionais, a para da fraca qualidade dos textos publicados. Na redação da Corneta do Diabo, João da Ega encontra-se com o jornalista Palma «Cavalão» com o propósito de saber quem enviou para publicação um artigo difamatório sobre Carlos e Maria Eduarda. O lugar é imundo: «Na toalha de mesa, salpicada de gordura e vinho, alguns pratos rodeavam um galheteiro que tinha moscas no azeite.» (Capítulo XV) Imundos são também o jornalismo que aí se faz e o caráter de Palma, que difama figuras públicas no seu periódico e que aceita dinheiro para revelar os autores dos textos. Imoralidade é o que voltamos a encontrar na redação do jornal A Tarde, lugar aonde Ega acorre para publicar a humilhante carta, por si ditada, em que Dâmaso aviltava o seu nome e o nome da sua família. Neste lugar, a falta de ética reside no facto de este periódico estar ao serviço de uma fação política. De facto, quando Ega chega à redação do jornal, depara-se com uma reunião em que participam o jornalista Neves e membros de um partido político.
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Publicação no jornal Corneta do Diabo de um pedido de revelação do passado de Maria Eduarda, feito por Dâmaso.
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espaços sociais e crítica de costumes
O Teatro da Trindade é o cenário de um sarau cultural que, de novo, reúne figuras da burguesia e da fidalguia lisboetas. Ao palco vão subir oradores e artistas neste evento social que procura reunir fundos para auxiliar as vítimas das inundações do Ribatejo. Quando Carlos e Ega chegam ao teatro, Rufino discursa sobre a caridade e o progresso numa retórica exagerada e em frases de gosto duvidoso. Segue-se-lhe uma atuação do Cruges ao piano, um músico de talento e génio («Um grande maestro, o Cruges.», capítulo XVI). Se o Rufino conseguira emocionar grande parte dos presentes, o músico não logrou encantar a plateia. Por último, é o ultrarromântico Alencar que vai à boca de cena proferir o poema «Democracia», também ele repleto de excessos de linguagem e uma retórica gasta. Neste suposto ambiente musical e literário, denuncia-se a falta de cultura e a falta de gosto e a mediocridade das classes favorecidas, condenando-se o seu apreço pela oratória «balofa» e pelo sentimentalismo piegas.
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Após o Sarau, encontro de Ega com Guimarães (tio de Dâmaso), que lhe revelará a relação de parentesco entre Carlos e Maria Eduarda (irmãos).
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Passeio Final por Lisboa
No capítulo final d’ Os Maias, quando Carlos regressa a Lisboa depois de dez anos de ausência, encontra uma cidade estagnada (que se mantinha como há dez anos). Um passeio do protagonista e de Ega pela cidade permite-lhes analisar esta realidade: «Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. Nada mudara. A mesma sentinela sonolenta rondava em torno à estátua triste de Camões. Os mesmos reposteiros vermelhos, com brasões eclesiásticos, pendiam nas portas das duas igrejas. O Hotel Aliança conservava o mesmo ar mudo e deserto.» (Capítulo XVIII) Por outro lado, impera também na cidade uma nova realidade, uma geração de uma «gente feíssima, encardida, molenga, reles, amarelada, acabrunhada!...» (Capítulo XVIII). São sinais de decadência de um povo que perdeu ainda mais a sua vitalidade e a sua personalidade. E a noção de decadência é mais vincada, por contraste, quando Carlos e Ega passam pela estátua de Camões, que simboliza as glórias e a energia dos tempos passados. Lisboa está descaracterizada, perdeu a sua própria identidade. Copiam-se as ideias e os modelos do estrangeiro e, mais grave ainda, copia-se sem gosto e levando-o ao exagero e ao ridículo. O exemplo simbólico apresentado é o das botas que a nova geração calça: «botas despropositadamente compridas, rompendo por fora da calça colante com pontas aguçadas e reviradas como proas de barcos varinos…» (Capítulo XVIII). A falta de gosto está também presente na modernização do espaço urbano: «E ao fundo a colina verde, salpicada de árvores, os terrenos de Vale de Pereiro, punham um brusco remate campestre àquele curto rompante de luxo barato» (Capítulo XVIII).
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Conde Gouvarinho
Dâmaso
Cohen
Alencar
Poder econõmico
Ultrarroman-tismo
Novo--riquismo
Poder político
Bom trabalho!
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Jacob Cohen
Representa o poder económico e simboliza a burguesia que ascende socialmente, mas sem inteligência nem escrúpulos.Judeu, é banqueiro, diretor do Banco Nacional e casado com Raquel Cohen. Distancia-se das suas responsabilidades políticas, como é exemplo a observação que faz sobre a iminência da bancarrota em Portugal.
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Dâmaso Salcede
Representa o novo-riquismo e o provincianismo, ideia vincada pela exprtessão «chique a valer», que utiliza frequentemente. Cultiva a aparência, considera-se alvo da admiração das mulhres e tem como modelo Carlos da Maia, que tenta imitar. É uma súmula de defeitos: vaidoso, egoista, gabarola, cobarde, com falta de integridade, e sem respeito pelas mulhres, representa uma classe social sem princípois morais e ociosa.
Conde de Gouvarinho
Representa o poder político, a retórica oca, a falta de visão política e o provincianismo.Era ministro e par do Reino e representa a incompetência do político português. Conservador e pouco culto, mesquinho e medíocre, Ega considera-o um «asno». É casado com a condessa de Gouvarinho.
Tomás de Alencar
Representante do Ultrarromantismo, sentimental, exagerado, teatral, antiqua-do e avesso às novas ideias literárias.Antigo amigo de Pedro da Maia, é o poeta romântico, que sempre trajava de negro. Representa um tipo de literatura e de arte ultrapassado numa época dominada pelo Realismo. É presença assídua nos eventos sociais lisboetas. É um «patriota à antiga».
Episódios da vida romântica
Crónica de costumes
Espaço físico e social em Os Maias
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