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Filosofia da Religião

Isabel Duarte

Created on June 16, 2023

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Transcript

Filosofia da Religião

Filosofia - 11.º Ano

Início

Filosofia da Religião

ÍNDICE

Problema central

Deus Teísta

Teologia Natural - argumentos a favor da existência de Deus

A Teoria Fideísta

A Ateologia

Quiz

Introdução

Introdução - Filosofia da Religião

O que é a filosofia da religião? Exame crítico das crenças e dos conceitos religiosos fundamentais. Conceitos: “religião, razão e fé”

Lê mais

Introdução

Introdução - Filosofia da Religião

O que não é a filosofia da religião? V´deo-1.39-2:29

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

Formulação do problema

Será́ que o conceito de Deus teísta é coerente ou consistente? É possível que aqueles atributos do Deus teísta sejam simultaneamente verdadeiros?​ Ou será́ que os atributos se contradizem entre si e são logicamente inconsistentes?​

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

Formulação do problema

Da resposta a estas questões pode seguir-se que se pelo menos um dos atributos divinos não for logicamente consistente (coerente), então o Deus teísta não pode existir.​

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

1. Análise do conceito de omnipotência divina (pode fazer tudo)

Argumento a favor da inconsistência (contra a omnipotência):​ Começa com uma questão: ​pode Deus criar uma pedra que ninguém consiga levantar? O Paradoxo da pedra

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

1. Análise do conceito de omnipotência divina (pode fazer tudo)

O Paradoxo da pedra 1.Ou Deus (ser omnipotente) pode ou não pode criar uma pedra que ninguém consiga levantar.​ 2.Se Deus pode criar uma pedra que ninguém consiga levantar, então ele não é omnipotente (uma vez que não pode levantar a pedra)​ 3.Se Deus não pode criar uma pedra que ninguém consiga levantar, então ele não é omnipotente (uma vez que não pode criar a pedra)​ 4.Logo, Deus não é omnipotente.​

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

1. Análise do conceito de omnipotência divina (pode fazer tudo)

Possível solução (contra-argumentação): Necessidade de reformulação do atributo da omnipotência (versão restrita): ​ Deus pode fazer tudo o que é logicamente possível.

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

2. Análise do conceito DE omnipotência e DA perfeição moral (sumamente bom) divina.

2. A incompatibilidade entre a omnipotência e a perfeição moral (sumamente bom) divina. É possível argumentar que os atributos da omnipotência e perfeição moral são inconsistentes:

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

2. Análise do conceito DE omnipotência e DA perfeição moral (sumamente bom) divina.

Inconsistência: ​ Ser moralmente perfeito implica nunca fazer uma ação errada, mas ser omnipotente implica fazer ou ter a capacidade de fazer uma ação errada. Tem e não tem essa capacidade.​

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

2. Análise do conceito DE omnipotência e DA perfeição moral (sumamente bom) divina.

Se Deus é moralmente perfeito, faz sempre uma ação moralmente correta (não pode haver qualquer qualquer circunstância alternativa ou mundo possível onde possa errar).​ Se Deus é é omnipotente tem a capacidade e o poder para fazer uma ação moralmente errada. ​ LOGO, Deus ou é moralmente perfeito ou é omnipotente.

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

2. Análise do conceito DE omnipotência e DA perfeição moral (sumamente bom) divina.

Possível solução:​ Entender a omnipotência no sentido restrito – fazer tudo o que é logicamente possível.​ Tudo o que Deus faz é intrinsecamente bom.​

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

2. Análise do conceito de omnipotência divina (pode fazer tudo)

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

Vídeo – 3:20-4:35

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

O PROBLEMA DA compatibilidade entre a omnisciência divina e a existência do livre-arbítrio humano

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

O PROBLEMA DA compatibilidade entre a omnisciência divina e a existência do livre-arbítrio humano

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

Vídeo – 3:20-4:35

Neste vídeo é analisada a natureza de Deus, nomeadamente os atributos do Deus teísta. Nesta análise, são exploradas as possíveis incoerências entre os atributos divinos (por exemplo, a compatibilidade entre a omnisciência divina e a existência do livre-arbítrio). São discutidos vários argumentos que têm procurado superar estas incoerências.

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

Vídeo – 3:20-4:35

O PROBLEMA DA CONSISTÊNCIA DOS ATRIBUTOS DIVINOS

O PROBLEMA DA compatibilidade entre a omnisciência divina e a existência do livre-arbítrio humano

Inconsistência: (1) Se Deus sabe que S irá realizar uma ação (2) S não realiza a ação (porque é dotado de livre-arbítrio) (3) Logo, Deus não é dotado de omnisciência. Possível resolução: Ter o saber (conhecimento verdadeiro) sobre o passado, presente e futuro (omnisciência) não significa causação, ou seja, saber e causar são conceitos diferentes.

Atributos do Deus Teísta

Caracteriza o conceito de Deus Teísta

Deus Teísta

- Omnipotente: pode fazer tudo aquilo que é logicamente possível. Ex: Não pode fazer quadrados círculos. - Omnisciência - sabe tudo aquilo que é logicamente possível. Ex. Não pode saber que 2+2=5. - Sumamente bom - Moralmente perfeito, pois não planeia fazer o mal. Tudo o que quer é o bem, o que não significa que não tenha de aceitar certas coisas más para promover bens superiores.

Deus Teísta

Deus Teísta

-Criador - autor de toda a realidade espacio-temporal. -Transcendente - não é imanente, pois é diferente da realidade espacio-temporal. -Pessoa - tem um conjunto de caraterísticas psicológicas (ter projetos, querer fazer coisas, etc). Não é um ser humano.

Deus Teísta

Posições acerca da existência e natureza de Deus

Posições Face à existência e Natureza de Deus

Lê o texto e carateriza as diversas posições acerca da natureza e existência de Deus.

Posições acerca da existência e natureza de Deus

Posições Face à existência e Natureza de Deus

Teísmo:  Ser teísta é acreditar na existência de um ser perfeitamente bom, criador do mundo mas distinto e independente deste, omnipotente, omnisciente e pessoa.

PROBLEMA CENTRAL

Formulação do Problema

Será racional ter fé em Deus?

Respostas (Teorias)

1. Teoria da teologia natural: a fé em Deus é epistemicamente racional, pois há algum bom argumento a favor da existência de Deus.

2. Teoria do fideísmo: fé em Deus é prudencialmente racional, mesmo não havendo um bom argumento a favor da existência de Deus.

3. Teoria da ateologia: a fé em Deus não é epistemicamente racional, pois temos bons argumentos contra a existência de Deus.

+Info

O Problema da Existência de Deus

Argumentos a Favor dA EXISTÊNCIA DE Deus

O Problema da existência de Deus Será que Deus existe? Haverá boas razões para pensar que Deus existe ou não? Recorrendo exclusivamente ao pensamento e aos sentidos, não nos apoiando por isso na tradição e nos livros considerados sagrados, poderemos provar que Deus existe? O que está aqui em causa é saber se há bons argumentos a favor da existência de Deus – argumentos que qualquer pessoa que os avalie de forma imparcial estará disposta a aceitar, independentemente do modo como foi educada.

Tipos de Argumentos

Argumentos a Favor dA EXISTÊNCIA DE Deus

A PRIORI

A posteriori

Para um argumento ser considerado como a posteriori, basta que uma das premissas contenha informação proveniente da experiência.

Todas as premissas são conhecida a priori (razão).

Tipos de Argumentos

Argumentos a Favor dA EXISTÊNCIA DE Deus

Argumentos

ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DO DEUS TEÍSTA

1. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO

2. O ARGUMENTO TELEOLÓGICO (DESÍGNIO)

3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Vídeo 2:45

Anselmo de Cantuária (c. 1033-1109) foi, além de filósofo, monge e arcebispo. Foi considerado santo pela Igreja Católica e, por isso,é também conhecido como Santo Anselmo.

Santo Anselmo (1033-1109)

O argumento ontológico centra o seu fundamento no próprio conceito de Deus, enquanto ser perfeito, e não a partir de qualquer facto contingente. É, por isso, a priori.

"(...) Com efeito, uma coisa é certa realidade estar no intelecto, outra coisa é intelectualizar que essa realidade existe. (...) Tem, por conseguinte, de reconhecer o mesmo insipiente que – alguma coisa, maior do que a qual nada se pode pensar – existe ao menos no intelecto, pois que, ao ouvir isto, intelectualizava-o, e tudo o que se intelectualiza existe no intelecto. E, indubitavelmente, – aquilo, maior do que o qual nada se pode pensar – não pode existir apenas no intelecto. Com efeito, se se supõe que existe só no intelecto, pode pensar-se que existe também na realidade, o que é [ser] maior." Santo Anselmo, Proslogion, pp. 42-4

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Anselmo de Cantuária (c. 1033-1109) foi, além de filósofo, monge e arcebispo. Foi considerado santo pela Igreja Católica e, por isso,é também conhecido como Santo Anselmo.

Santo Anselmo (1033-1109)

Forma Lógica

O argumento ontológico centra o seu fundamento no próprio conceito de Deus, enquanto ser perfeito, e não a partir de qualquer facto contingente. É, por isso, a priori.

1. Se Deus não existe na realidade, então é concebível um ser mais perfeito do que Deus. 2. Mas não é concebível um ser mais perfeito do que Deus. 3. Logo, Deus existe na realidade.

"(...) Com efeito, uma coisa é certa realidade estar no intelecto, outra coisa é intelectualizar que essa realidade existe. (...) Tem, por conseguinte, de reconhecer o mesmo insipiente que – alguma coisa, maior do que a qual nada se pode pensar – existe ao menos no intelecto, pois que, ao ouvir isto, intelectualizava-o, e tudo o que se intelectualiza existe no intelecto. E, indubitavelmente, – aquilo, maior do que o qual nada se pode pensar – não pode existir apenas no intelecto. Com efeito, se se supõe que existe só no intelecto, pode pensar-se que existe também na realidade, o que é [ser] maior." Santo Anselmo, Proslogion, pp. 42-4

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Explicação do Argumento

Se Deus existe apenas no pensamento, então podemos conceber outro ser maior do que o qual nada pode ser pensado, nomeadamente, um ser que exista também na realidade, ou seja, haveria algo maior que Deus (o que contraria a premissa 1). Ora é falso que possamos pensar num ser mais grandioso do que Deus, pois isso é uma contradição: ao pensar em Deus já estamos a pensar no ser mais grandioso em que se pode pensar. Por outras palavras: dizer «tenho a ideia de Deus, mas penso que não existe» é como dizer «a ideia de Deus é a ideia de algo maior do que o qual nada pode ser pensado» e, simultaneamente, dizer «a ideia de Deus não é a ideia de algo maior do que o qual nada pode ser pensado». Ao negar a existência de Deus estamos a negar-lhe a grandeza máxima que lhe tínhamos reconhecido ao defini-lo como «aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado». Por isso, é incoerente ter a ideia de Deus e não reconhecer a sua existência. Ou seja, um ser que existe na realidade é mais perfeito ou maior do que um ser que não exista na realidade. Assim, dado que Deus é supremamente perfeito, tem igualmente de existir na realidade. Logo, Deus existe.

Santo Anselmo (1033-1109)

O argumento ontológico centra o seu fundamento no próprio conceito de Deus, enquanto ser perfeito, e não a partir de qualquer facto contingente. É, por isso, a priori.

Dizer que Deus é o “ser maior do que o qual nada pode ser pensado” é dizer que Deus é supremamente perfeito (grandioso), ou seja, tem todas as qualidades. Anselmo, a partir desta definição conclui que Deus existe, pois se Deus não existisse não seria aquele ser maior do que o qual nada pode ser pensado. A distinção entre "coisas que existem apenas no pensamento", sem existirem de facto e "coisas que, além de existirem no pensamento, existem também na realidade", é essencial.

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

1. A objeção de Gaunilo "A ilha perfeita"

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

1. A objeção de Gaunilo "A ilha perfeita"

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

1. A objeção de Gaunilo "A ilha perfeita"

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

1. A objeção de Gaunilo "A ilha perfeita"

Pouco depois de Anselmo ter publicado o seu Proslogion, um monge – também ele beneditino – publicou um opúsculo intitulado Pro insipiente, «A Favor do Néscio», onde apresentou um leque de críticas à dita obra do Doutor da Igreja. Uma delas afigurou-se como um contra-argumento por analogia: o argumento da ilha perfeita; onde, usando o mesmo modelo argumentativo de Anselmo, reductio ad absurdum, Gaulino entendeu que o argumento anselmiano poderia ser usado para provar qualquer entidade mental acerca da qual – dentro do seu género – se possa pensar nada de maior.

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

Objeção de Gaunilo "A Ilha Perfeita" - Pode-se provar coisas que não existem. Gaunilo de Marmoutier, séc. XI, um monge contemporâneo de Santo Anselmo) apresentou uma objeção contra o argumento ontológico segundo a qual este é um mau argumento e não prova a sua conclusão porque tem consequências inaceitáveis. Essa objeção constitui uma redução ao absurdo, ou seja, um argumento em que se mostra que a ideia que se quer refutar tem consequências absurdas e, por isso, ela própria é absurda. Ou seja, Gaunilo defendeu que o argumento ontológico não é sólido uma vez que podíamos usar o mesmo tipo de argumento para estabelecer a existência de uma série de coisas que não existem na realidade. Segundo Gaunilo, através da argumentação de Anselmo podemos estabelecer a existência de, por exemplo, uma ilha perfeita (mas sabemos que não existe tal ilha): (1) Se a Ilha Perfeita não existe na realidade, então é concebível uma ilha mais perfeita do que a Ilha Perfeita. (2) Mas não é concebível uma ilha mais perfeita do que a Ilha Perfeita. (3) Logo, a Ilha Perfeita existe na realidade. (De 1 e 2, por Modus Tollens)

A ideia é que podemos usar uma definição como “aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado” para concluir que existe uma ilha perfeita ou qualquer outra coisa que sabemos não existir.

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

Para Gaunilo, este salto do pensamento para a realidade não tem sentido. Esta objeção constitui uma redução ao absurdo, ou seja, um argumento em que se mostra que a ideia que se quer refutar tem consequências absurdas e, por isso, ela própria é absurda. A redução ao absurdo de Gaunilo consiste em aplicar a estrutura argumentativa do argumento ontológico a outras coisas e mostrar que assim se pode declarar a existência de coisas que sabemos comprovadamente que não existem. Ou seja: se essa estrutura argumentativa leva a afirmar falsidades óbvias, não temos razões para aceitar quando, no argumento ontológico, ela conduz à afirmação de que Deus existe. Para conseguir esse efeito, basta considerar que uma certa coisa é a mais perfeita (maior) no seu género, ou seja, definir uma coisa X como a mais perfeita das coisas X. Gaunilo adoptou como exemplo «a ilha paradisíaca mais perfeita que se pode pensar». Logo, o argumento não funciona.

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

Kant (1724 – 1804)

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

Kant (1724 – 1804)

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

Kant critica a 2 premissa do argumento ontológico: Se Deus existe no pensamento e não na realidade, então é concebível um ser maior (mais perfeito) que Deus. Anselmo está a defender que existir no pensamento e na realidade é mais perfeito do que existir apenas no pensamento. Ou seja, Anselmo considera erradamente a existência como uma perfeição. Kant defende que a existência não é um predicado que possamos atribuir ou negar a algo, como o poderão ser a omnipotência ou a omnisciência, mas o suporte de toda a predicação: é porque algo existe (a caneta/Deus) que podemos atribuir-lhe predicados: azul/omnipotente, etc. Em suma, a existência não é uma propriedade da coisa Y, mas sim uma condição de possibilidade para ela ter propriedades. Se a coisa Y existir, então poderá ter efetivamente estas ou aquelas propriedades.

Kant (1724 – 1804)

Objeção de Kant - A existência não é uma perfeição. Forma Lógica: 1. Se a existência é uma perfeição, então “existe” é um predicado. 2. Mas “existe” não é um predicado (não carateriza como são as coisas). 3. Logo, a existência não é uma perfeição. Conclusão: A existência não faz parte da definição de Deus (não é um predicado). Logo, não podemos concluir a partir dessa definição que Deus existe.

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

Objeções

Se não existir, será uma mera ideia. Do mesmo modo, se Deus existir poderá ter efetivamente os predicados (omnisciência, omnipotência, etc.) que fazem parte da ideia de que dele se costuma ter. Se não existir, será uma mera ideia. O argumento ontológico inverte as coisas: em vez de ir da existência para a ideia vai da ideia para a existência. Ora uma vez que a existência não é um predicado, não faz sentido dizer que é contraditório reconhecer que se tem a ideia de Deus e depois não reconhecer a sua existência.

Kant (1724 – 1804)

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

VERSÃO CONTEMPORÂNEA

Iniciar o vídeo em 2:12:47

2. O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE SANTO ANSELMo

VERSÃO CONTEMPORÂNEA

O argumento Modal (Plantinga)

Deriva-se logicamente que se a existência de Deus é possível, então a sua existência é necessária, o que implica também que seja efetiva. Ou seja, caso se aceite que a existência de Deus é pelo menos possível, então não se pode senão aceitar que Deus existe efetivamente. Na primeira premissa afirma-se que por definição Deus não é um ser contingente; ou seja, a existência necessária faz parte da sua essência e, por isso, ou Deus existe em todos os mundo possíveis ou não há qualquer mundo possível em que Deus exista. A segunda premissa diz que Deus existe pelo menos num mundo possível. Portanto, partindo-se dessas premissas pode-se derivar validamente que Deus existe em todos os mundos possíveis e, por conseguinte, no nosso mundo atual. Ou seja, se Deus é possível, então Deus existe necessariamente em todos os mundos possíveis, pois não é um ser contingente.

Forma canónica: 1. Deus não é um ser contingente. 2. Deus é consistente. 3. Logo, Deus necessariamente existe em todos os mundos possíveis, inclusive no mundo atual.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO (quinta via)

Forma Lógica

S. Tomás de Aquino (1225-1274)

O argumento teleológico parte da premissa a posteriori de quemuitas das coisas que existem no mundo revelam ordem e propósito.

"A quinta via é tomada do governo das coisas. Com efeito, vemos que algumas coisas que carecem de conhecimento, como os corpos físicos, agem com vista a um fim, o que se manifesta pelo fato de que, sempre ou na maioria das vezes, agem da mesma maneira, a fim de alcançarem o que é ótimo. Fica claro que não é por acaso, mas em virtude de uma intenção, que alcançam o fim. Ora, aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo, existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, pp. 168-169.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO (quinta via)

S. Tomás de Aquino (1225-1274)

Forma Lógica

O argumento teleológico parte da premissa a posteriori de quemuitas das coisas que existem no mundo revelam ordem e propósito.

"A quinta via é tomada do governo das coisas. Com efeito, vemos que algumas coisas que carecem de conhecimento, como os corpos físicos, agem com vista a um fim, o que se manifesta pelo fato de que, sempre ou na maioria das vezes, agem da mesma maneira, a fim de alcançarem o que é ótimo. Fica claro que não é por acaso, mas em virtude de uma intenção, que alcançam o fim. Ora, aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo, existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, pp. 168-169.

1.Algumas coisas sem inteligência (os corpos naturais) agem em vista de uma finalidade. 2. Ou alcançam essa finalidade por mero acaso, ou são guiadas por algo inteligente (inteligência divina). 3. Não é por acaso que alcançam essa finalidade. 4. Logo, existe algo inteligente que dirige essas coisas (inteligência divina -Deus).

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Forma Lógica

Analogia: 1. Os corpos naturais são semelhantes aos artefactos humanos. Ambos carecem de inteligência, mas ambos atingem a sua finalidade. 2. Os artefactos humanos, como as flechas, só atingem a sua finalidade quando dirigidos por algo inteligente – o arqueiro que lança as flechas em direção ao alvo, neste caso. 3. Logo, existe algo inteligente que governa todas as coisas naturais em direção à sua finalidade: Deus

S. Tomás de Aquino (1225-1274)

O argumento teleológico parte da premissa a posteriori de quemuitas das coisas que existem no mundo revelam ordem e propósito.

"A quinta via é tomada do governo das coisas. Com efeito, vemos que algumas coisas que carecem de conhecimento, como os corpos físicos, agem com vista a um fim, o que se manifesta pelo fato de que, sempre ou na maioria das vezes, agem da mesma maneira, a fim de alcançarem o que é ótimo. Fica claro que não é por acaso, mas em virtude de uma intenção, que alcançam o fim. Ora, aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo, existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus. São Tomás de Aquino, Suma Teológica, pp. 168-169.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Explicação do Argumento

Este argumento parte da constatação de que algumas coisas, sejam animais ou elementos naturais (os corpos físicos ou naturais), possuem algum tipo de finalidade ou propósito. A água cai do céu para regar as plantas e alimentar os rios e as fontes, as laranjeiras produzem laranjas sumarentas, etc. Estes corpos físicos não possuem inteligência própria (conhecimento ou cognição), no entanto, possuem algum tipo de finalidade ou propósito. Ou este facto (possuir algum tipo de finalidade) é fruto do acaso, acontece fortuitamente, ou existe uma inteligência que orienta essas coisas para elas alcançarem as suas finalidades.Se os acontecimentos naturais que parecem ter um propósito fossem fruto do acaso, eles não se repetiriam. Como eles se repetem «sempre, ou quase sempre» da mesma forma, Tomás de Aquino conclui que isso não é por acaso

S. Tomás de Aquino (1225-1274)

O argumento diz-se “teleológico” que significa: com rumo a uma finalidade, feito com desígnio (com um propósito), pois diz-nos que a organização e funcionalidade do mundo revela o desígnio de um ser criador do universo. O argumento teleológico é a posteriori, isto é, as suas premissas e conclusão são baseadas na apreensão de experiências sensoriais. Por exemplo, uma das premissas diz-nos que a natureza (universo) atua de forma mais ou menos consistente (“sempre ou quase sempre”) para obter o melhor resultado (fins de produzir o melhor). Para verificar esta premissa, é necessário que observemos e estudemos a natureza através dos nossos sentidos. Assim, a ligação entre as premissas e a conclusão resulta de observação prévia do mundo e fazendo com que a argumentação seja a posteriori.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Explicação do Argumento

O Universo é composto de modo tão rico e complexo, com tão diversas realidades e funções que a sua finalidade última escapa à capacidade sistematizadora da inteligência humana. Para explicar esta constatação Tomás de Aquino recorre à analogia com o arqueiro. Uma flecha – objeto não inteligente – não pode alcançar o seu objetivo ou finalidade, que é acertar no alvo, sem que uma inteligência lhe dê uma finalidade. O arqueiro (o ser inteligente) orienta a flecha de modo que ela acerte no alvo. Também algo sem consciência (a Terra) só pode cumprir um propósito (orbitar o Sol) se uma consciência (Deus) a orientar. O arqueiro dispara a flecha com o objetivo de acertar no alvo. Este é o seu telos, o seu fim. Do mesmo modo, Deus criou o Universo com um telos, um desígnio ou finalidade.

S. Tomás de Aquino (1225-1274)

Para Tomás de Aquino, tanto os corpos e objetos naturais como os artefactos produzidos por mão humana não dispõem ou possuem qualquer conhecimento (cognição). Em todos, contudo, parece existir quer nas suas ações quer nos seus propósitos uma adequação dos meios para os fins. Uma tal adequação implica a existência de uma intenção, ou finalidade, e de uma inteligência. Se na maior parte dos objetos e artefactos humanamente produzidos reconhecemos o propósito ou finalidade e identificamos o ser que os criou e a inteligência manifestada, já no que se refere ao Universo, teremos de supor uma inteligência que em tudo supera a humana.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Explicação do Argumento

Tal como (analogia) o arqueiro dirige o voo de uma flecha para atingir o seu alvo, assim também um designer sobrenatural (Deus) dirige as ações das coisas sem inteligência para elas agirem sistematicamente para atingir um determinado fim (o melhor). Dito de outra forma, o raciocínio de Tomás parte da observação de finalidades na natureza, em entidades que não são dotadas de inteligência. As raízes de uma árvore cumprem a finalidade de captar a água de que a árvore precisa, mas, tal como a própria árvore, não têm qualquer inteligência. Uma vez que nenhuma entidade sem inteligência atua com vista a uma finalidade, alguma outra entidade inteligente dirige as raízes da árvore. Essa entidade é Deus. Daí a analogia com a flecha: sem uma inteligência que a direcione para a sua finalidade, que é atingir o alvo, a seta não fará tal coisa, por si mesma, precisamente porque não tem qualquer inteligência.»

S. Tomás de Aquino (1225-1274)

Se a ordem e a organização do mundo (em que cada elemento parece ajustado à função que desempenha) não pode ser fruto do acaso, então temos de concluir que existe «algo que conhece e que é inteligente» que organiza e orienta os acontecimentos do Universo. Tal como a flecha adquire direção e propósito devido à ação inteligente do arqueiro, as coisas naturais possuem uma finalidade ou propósito mediante a ação de um ser inteligente com poder muito superior ao ser humano. Essa entidade, para Tomás de Aquino, é Deus. Portanto, sem Deus não se conseguiria explicar por que razão as coisas naturais sem inteligência se dirigem sempre ou quase sempre para produzir o que é o melhor (finalidade).

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Objeções

A navalha de Ockham (princípio escolástico que sugere, entre hipóteses concorrentes, deve-se preferir a com menos assunções) leva a considerar a teoria evolucionista de Darwin que, por via da tese da maior adaptabilidade, é capaz de explicar a vida animal sem recorrer à teleologia, a melhor explicação.

1. Darwinismo: Charles Darwin (1809-1882) apresentou uma explicação que, não excluindo a existência de Deus, considera que a complexidade dos seres vivos decorre, por sua vez, da evolução por seleção natural. Darwin mostrou como, pelo processo da sobrevivência do mais apto, os animais e as plantas melhor adaptados ao seu meio ambiente sobrevivem e transmitem os seus genes aos seus descendentes. Este processo explica como as adaptações ao meio ambiente que encontramos nos reinos animal e vegetal podem ter ocorrido, sem precisar de introduzir a noção de Deus. Exemplo: bicos dos tentilhões. Ou mesmo é dizer, há explicações concorrentes com maior capacidade explicativa e que assentam em menos suposições.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Objeções

Em suma, David Hume defendeu que o argumento teleológico não consegue sequer afastar possibilidades estranhas, como, por exemplo, a hipótese de o universo – que contém muitas maravilhas mas também coisas que se podem considerar «defeitos» – ser obra de um deus imperfeito. 3. Falsa Analogia: Um arqueiro pouco ou nada tem a ver com o funcionamento do Universo quanto a aspetos relevantes ou número de semelhanças, pelo que são incomparáveis. Logo, o raciocínio por analogia não é consistente para provar a existência de Deus.

2. Não prova a existência de um Deus teísta: A conclusão do argumento provaria apenas que há algo inteligente que dirige as coisas naturais para atingir o seu fim de produzir o melhor, mas esse algo não é, necessariamente, o Deus teísta (omnipotente, sumamente bom, etc.) ou, sequer, qualquer divindade. Como afirma David Hume, tem de se admitir todas as hipóteses imagináveis para explicar o mundo, desde muitos deuses, todos mais finitos e imperfeitos do que a sua própria obra, uma divindade infantil ou um deus senil.

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

VERSÃO CONTEMPORÂNEA

Iniciar o vídeo em1:54:31

2. O ARGUMENTO TEOLÓGICO ou do desígnio DE TOMÁS DE AQUINO

Versão Contemporânea

objeções

O argumento da afinação minuciosa (fine tuning)

Forma lógica: 1. A afinação minuciosa do universo deve-se a Deus (designer sobrenatural) ou ao acaso. 2. Mas não se deve ao acaso. 3. Logo, deve-se a um designer sobrenatural. Explicação: Parte-se de uma evidência científica: o universo tem parâmetros muito bem definidos. As constantes físicas (força nuclear forte, a velocidade da luz, etc,) têm que ter valores muito precisos para possibilitarem a existência deste tipo de vida, isto é, estão minuciosamente afinadas para a existência deste tipo de vida. Se a velocidade da luz fosse ligeiramente superior, o universo não possibilitaria vida. A afinação minuciosa do universo deve-se a um Deus (Designer sobrenatural) ou é fruto do acaso. Mas é óbvio que não se deve ao acaso, esta esta é a hipótese mais improvável (probabilidade extremamente baixa) dado que seria então muito surpreendente o universo ter as caraterística da afinação. A probabilidade seria a mesma da de acertar no centro do alvo, estando de costas voltadas para o alvo. Logo, deve-se a um designer sobrenatural (Deus), assim não é surpreendente que o universo tenha essas caraterísticas (parâmetros) definidos para ter vida (maior probabilidade).

3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE TOMÁS DE AQUINO (SEGUNDA VIA)

Forma Lógica

Tomás de Aquino

Argumento cosmológico Ou da Causa primeira parte da premissa a posteriori de que no mundo tudo tem uma causa.

"Encontramos nas realidades sensíveis a existência de uma ordem entre as causas eficientes; mas não se encontra, nem é possível, algo que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si próprio, o que é impossível. Ora, tampouco é possível, entre as causas eficientes, continuar até o infinito, porque, entre todas as causas eficientes ordenadas, a primeira é a causa das intermédias e as intermédias são a causa da última (…). Por outro lado, suprimida a causa, suprime-se também o efeito. Portanto, se não existisse a primeira entre as causas eficientes, não haveria a última nem a intermédia. Mas se tivéssemos de continuar até o infinito na série das causas eficientes, não haveria causa primeira: assim sendo, não haveria efeito último, nem causa eficiente intermédia, o que é evidentemente falso. Logo, é necessário afirmar uma causa eficiente primeira, a que todos chamam Deus. " São Tomás de Aquino, Suma Teológica, p. 167

3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE TOMÁS DE AQUINO (SEGUNDA VIA)

Forma Lógica

Ideia básica: Todas as coisas no mundo têm uma causa. 1. Existem coisas no mundo. 2. Se existem coisas no mundo, então tais coisas foram causadas a existirem por outra coisa. 3. Há uma cadeia causal (sequências de causas e efeitos) que regride infinitamente ou há uma causa primeira que é origem da cadeia causal. 4. Mas não há uma cadeia causal que regride infinitamente. 5. Logo, há uma causa primeira que é a origem da cadeia causal (Deus).

Tomás de Aquino

Argumento cosmológico Ou da Causa primeira parte da premissa a posteriori de que no mundo tudo tem uma causa.

"Encontramos nas realidades sensíveis a existência de uma ordem entre as causas eficientes; mas não se encontra, nem é possível, algo que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si próprio, o que é impossível. Ora, tampouco é possível, entre as causas eficientes, continuar até o infinito, porque, entre todas as causas eficientes ordenadas, a primeira é a causa das intermédias e as intermédias são a causa da última (…). Por outro lado, suprimida a causa, suprime-se também o efeito. Portanto, se não existisse a primeira entre as causas eficientes, não haveria a última nem a intermédia. Mas se tivéssemos de continuar até o infinito na série das causas eficientes, não haveria causa primeira: assim sendo, não haveria efeito último, nem causa eficiente intermédia, o que é evidentemente falso. Logo, é necessário afirmar uma causa eficiente primeira, a que todos chamam Deus. " São Tomás de Aquino, Suma Teológica, p. 167

3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE TOMÁS DE AQUINO

Explicação do Argumento

Assim, se não existisse um primeiro casal nos antepassados da Sofia, a Sofia não existiria, isto é, sem uma primeira causa, não há quaisquer efeitos. Dizer que as cadeias causais regridem infinitamente é retirar a primeira causa de tudo. E sem primeira causa, nada pode existir. (Mas isto é obviamente falso, pois existem imensas coisas). Assim, tem que existir uma causa primeira (Deus) que é a causa de tudo o resto. Como nada encontramos no Universo que seja a causa de si mesmo, a sua causa deve estar fora dele. Deus surge assim como o princípio de todas as causas, criando o Universo, pois, de outro modo, a série de causas prolongar-se-ia infinitamente.

Tomás de Aquino

O argumento cosmológico (a posteriori) parte da premissa a posteriori de que no mundo tudo tem uma causa, pois se olharmos à nossa volta, constatamos que todas as coisas dependem de outras para existirem. A relação causal é algo que parece verificar-se em todas as coisas e acontecimentos. Ou seja, tudo tem uma causa. Existem no mundo cadeias causais – sequências de causas e efeitos: A ideia do argumento cosmológico é que as cadeias causais não podem regredir infinitamente. Pois, se as cadeias causais regredissem infinitamente, então nada existiria no início da cadeia que originasse a cadeia causal. Por exemplo: A Sofia existe porque os pais dela existem, e os pais dela existem porque os avós dela existem, e assim por diante.

3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE TOMÁS DE AQUINO

Objeções

Tomás de Aquino

1. Comete a falácia do Falso dilema, pois apresenta apenas duas opções (cadeia de regressão infinita e haver apenas uma primeira causa ) para explicar as coisas que existem no mundo quando podemos pensar em mais possibilidades, como a de haver várias primeiras causas diferentes. Por exemplo, poderíamos imaginar que o mundo se deve a um trabalho colaborativo de uma família de divindades menores e não de um único Deus teísta. 2. Pode haver cadeias causais infinitas. Tomás de Aquino argumenta que: Se não existe uma primeira causa, também não existe qualquer dos seus efeitos. E, assim, as cadeias causais não podem regredir infinitamente.Mas, isto é falso, pois: Uma cadeia causal que regride infinitamente não tem, por definição, uma causa primeira. Assim, é falso que se retirarmos a causa primeira (ou seja se esta não existir), os seus efeitos deixam de existir.

A existir uma série infinita de acontecimentos, como admite a matemática, poderá existir uma primeira causa na sequência causa-efeito? Aceitando o juízo matemático, a existência de Deus não é necessária. Portanto, Tomás de Aquino não prova que as cadeias causais não podem regredir infinitamente. Mas, mesmo que tudo tenha uma causa, daqui não se segue que essa causa tenha de ser a mesma para tudo. É falacioso inferir de “tudo tem uma causa” que há uma causa única para tudo. Mesmo que se possa concluir que existe uma causa primeira, nada garante que essa causa seja Deus. Tal como é apresentado, o argumento apenas poderia estabelecer que uma certa força, que poderia até ser o Big Bang, é a origem do universo. Não prova que essa causa primeira é o Deus teísta.

3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE TOMÁS DE AQUINO

Objeções

Tomás de Aquino

4.Não prova a existência do Deus Teísta: Mesmo admitindo que o argumento prova a necessidade de uma causa primeira, não permite a identificação desta com o Deus teísta. Tal como é apresentado, o argumento apenas poderia estabelecer que uma certa força, que poderia até ser o Big Bang, é a origem do universo. Não prova que essa causa primeira é o Deus teísta.

3. Incorre na falácia da composição: Afirmar que toda uma sequência de causas e efeitos tem de possuir uma causa porque cada elemento dessa sequência possui uma causa é cometer a falácia da composição. Se todos os filhos têm uma mãe, isso não significa que há uma mãe de todos os que são filhos. Ou seja, mesmo que tudo tenha uma causa, daqui não se segue que essa causa tenha de ser a mesma para tudo. É falacioso inferir de “tudo tem uma causa” que há uma causa única para tudo.

3. O ARGUMENTO cosmológico de tomás de aquino

VERSÃO CONTEMPORÂNEA

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3. O ARGUMENTO COSMOLÓGICO DE TOMÁS DE AQUINO

objeções

Versão Contemporânea

Forma lógica: 1. Tudo o que começa a existir tem uma causa para a sua existência. 2. O universo começou a existir. 3. O universo tem algum tipo de causa para a sua existência. 4. A causa para a existência do universo é espaço-temporal ou transcende o espaço e o tempo. 5. A causa do universo não pode ser espaço-temporal. 6. Logo, a causa do universo tem de ser sobrenatural (divina). Explicação: Se alguma coisa começa a existir, então deve haver alguma coisa que causou essa existência. o universo (realidade espaço-temporal) começou a existir. O universo tem de ter algum tipo de causa para a sua existência: 1. hipótese: o espaço -temporal ou 2- causa sobrenatural, transcendente (está para além) do espaço e o tempo. Ora a causa do universo não pode ser espacio-temporal, pois com o universo começa a existir o espaço e o tempo. Portanto, a causa do universo tem de ser sobrenatural (deus), transcender o espaço e o tempo.

A TEORIA FIDEÍSTA

o argumento poder-se-á classificar como pragmático (a fé em Deus não tem racionalidade epistémica, mas sim racionalidade prudencial na medida em que nos proporciona benefícios práticos).

Matemático e filósofo francês que lançou as bases para a moderna teoria das probabilidades e formulou o que veio a ficar conhecido como o princípio de Pascal. Tendo-se dedicado à ciência, desenvolveu também pensamento no domínio da Filosofia da Religião, nomeadamente ao apresentar um argumento pragmático sobre as vantagens em se acreditar na existência de Deus. Os fideístas defendem que a crença em Deus é adequada, ainda que a pessoa não tenha provas da sua existência. Pascal considera que as verdades da fé estão para lá do poder da razão. Ou seja, para Pascal (fideísta) é racional ter fé no Deus teísta mesmo não havendo um bom argumento (racionalidade epistémica – conducente à verdade – crença verdadeira justificada) a seu favor. Por isso, Deus revela-se e é verdadeiro para quem acolhe e o procura honestamente, e oculta-se para os que não têm vontade de o reconhecer.

Blaise Pascal (1623 – 1662)

A TEORIA FIDEÍSTA

Tese

É racional ter fé no Deus teísta mesmo não havendo bons argumentos a seu favor. A fé em Deus não tem racionalidade epistémica, mas sim racionalidade prudencial na medida em que nos proporciona benefícios práticos.

Ideias fundamentais sobre o fideísmo

Fideísmo - "Fides", fé em latim. A crença de que Deus existe é apropriada na ausência de provas apropriadas.

Lê o texto e responde às questões: 1. Coloca o argumento na respetiva forma canónica. 2. Apresenta três críticas ao argumento de Pascal.

Há muitos tipos de fideísmo.

+Info

Os fideístas podem ser radicais (a fé implica a negação da razão, acreditar em Deus com base em argumentos racionais é errado, no sentido em que não é verdadeira fé religiosa) ou moderados (a fé e a razão são distintas e incompatíveis, as verdades da fé estão para lá do poder da razão).

Críticas ao fideísmo

É a fé cega, a recusa do debate racional, que facilmente leva as pessoas ao fanatismo, ao ódio contra outras religiões, e, muitas vezes, à violência extrema. Será possível escolher qual é a faculdade (razão ou sentimento) que usamos para acreditar que algo é verdadeiro?

Tese

A TEORIA FIDEÍSTA

É racional ter fé no Deus teísta mesmo não havendo bons argumentos a seu favor. A fé em Deus não tem racionalidade epistémica, mas sim racionalidade prudencial na medida em que nos proporciona benefícios práticos.

Explicação do argumento de Pascal Sendo fideísta, Pascal não está a tentar provar que Deus existe ou que a existência de Deus é mais provável do que a não existência. Está apenas a defender que, tendo em consideração os custos e os benefícios para a nossa vida, apostar e acreditar em Deus é uma coisa boa para nós. Ou seja, a opção mais racional, do ponto de vista prudencial, é a de que se Deus existe e acreditamos nele, a recompensa é uma felicidade eterna, isto é, um resultado positivo com valor infinito – o paraíso. Se existe Deus e não acreditamos nele, a punição será eterna, isto é, um resultado negativo com valor infinito – o inferno. No caso de Deus não existir, pouco ou nada ganharemos ao acreditar em Deus (alguma paz interior derivada das celebrações religiosas) e pouco ou nada ganhamos ao não acreditar em Deus (algum tempo que gastamos em orações, etc). Segundo Pascal, se Deus não existe, o resultado de acreditar em Deus será praticamente igual ao resultado de não acreditar. Logo, quer Deus exista quer Deus não exista, acreditar em Deus tem um melhor resultado do que não acreditar em Deus, e nunca um resultado pior. Logo, devemos escolher acreditar que Deus existe.

Argumento Pragmático (Forma canónica)

1.Acreditar em Deus ou não acreditar em Deus é uma aposta. 2.Se acreditarmos em Deus e Ele existir, ganhamos tudo (vida eterna). 3.Se não acreditarmos em Deus e Ele existir, perdemos tudo (condenação eterna). 4.Se acreditarmos em Deus e Ele não existir, não perdemos nada. 5.Se não acreditarmos em Deus e ele não existe, não se ganha nem se perde nada. 6. Logo, a aposta mais racional é acreditar em Deus, já que nós temos mais a ganhar e menos a perder.

A TEORIA FIDEÍSTA

Ideias fundamentais

Quer Deus exista quer Deus não exista, acreditar que Deus existe tem um melhor resultado (valor infinito positivo) do que não acreditar em Deus, e nunca um resultado pior. Princípio da racionalidade prudencial : Se uma das opções de escolha, X, disponível para nós tiver um resultado melhor do que o das outras opções disponíveis, e nunca tiver um resultado pior do que as outras opções, devemos escolher X.

Objetivo da APOSTA DE PASCAL: Pascal pretende mostrar que há boas razões (práticas, existenciais) para acreditar em Deus: ganha-se mais em ter essa crença do que em não a ter. A quem se destina? Aos agnósticos.

Qual é o papel da fé e da razão na relação do ser humano com Deus? Para Pascal, a via de acesso a Deus é a fé e não a razão epistémica. No entanto, os seres humanos podem socorrer-se do raciocínio para compreender que é preferível aceitar a crença em Deus a rejeitá-la, já que as vantagens de o fazer, do ponto de vista prático, são superiores.

A TEORIA FIDEÍSTA

Tese

Objeções a Pascal

A crença em Deus não é voluntária: Quando uma pessoa acredita sinceramente em algo, essa crença não resulta de uma decisão. Ela não decide acreditar, ela descobre que acredita. Por isso, mesmo que um ateu ou um agnóstico leiam Pascal e concordem com ele quando defende que é mais vantajoso acreditar em Deus do que não acreditar, dificilmente conseguirão desenvolver uma crença sincera na sua existência.

A fé religiosa não se pode basear num cálculo: O argumento é inapropriado, envolve uma atitude interesseira e pouco sincera em relação à religião. Acreditar em Deus para ganhar alguma coisa com isso parece não ter qualquer valor (e caso Deus exista até pode desagradar-lhe). Mesmo admitindo a existência de Deus, talvez um ateu sincero e bem-intencionado tenha mais valor do que um crente interesseiro.

Falácia do falso dilema: Não há motivos fortes para restringir as hipóteses à existência do Deus teísta ou à ausência de qualquer Deus. Fazer isso é cometer a falácia do falso dilema, excluindo outras possibilidades válidas como a da exisência de uma terceira hipótese (um Deus sumamente misericordioso que premeia com felicidade eterna os crentes e também os ateus, por exemplo) põe em causa o cálculo efetuado na segunda parte do argumento.

A matriz é demasiado incompleta: Não considera outras possíveis hipóteses de divindade (Deus deísta, Deus malévolo, vários deuses, etc) e os respetivos valores resultantes. Se existir mais do que uma entidade divina, o número de possibilidades da aposta é muito maior e os resultados não serão os mesmos.

A TEORIA FIDEÍSTA

Não parece possível compatibilizar uma crença “inautêntica” em Deus com a virtude da honestidade, requisito de qualquer atitude religiosa teísta.

Objeções a Pascal

Não existe nenhum argumento razoável que nos leve a crer que Deus puna os não crentes e recompense os crentes. Talvez Deus perdoe a todos, caso em que o saldo será igual seja qual for a aposta.

+Info

Deus pode decidir em função do comportamento e não da crença e do culto.

Será que tem valor moral basear a crença em Deus em razões prudenciais? A objeção moral consiste em afirmar que a crença em Deus, se for baseada na “aposta de Pascal”, é uma crença falsa ou, no mínimo, inautêntica. Acreditarem algo apenas porque nos é útil, favorável ou benéfico é uma atitude egoísta. Se a crença em Deus é inautêntica, fica em causa o seu papel numa vida religiosa sincera.

Ateologia -O ARGUMENTO DO MAL E A RESPOSTA DE LEIBNIZ

Ateologia

Info

TEORIA QUE CRITICA A PERSPETIVA RELIGIOSA

Negação da teoria da teologia natural.

Defende que a fé no Deus Teísta não é racional, pois não há bons argumentos a favor da sua existência.

Defende que há bons argumetos contra a existência de Deus. Exemplo: o argumento do Mal.

Filosofia da Religião

O PROBLEMA DO MAL

INDEX

Ateologia

A resposta de Leibniz

Tipos de Mal

Críticas à RESPOSTA de Leibniz

O problema probabilistico do mal

O argumento do mal

o teismo CÉTICO

A resposta teista

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O PROBLEMA DO MAL

Tipos de Mal

Mal Moral

Mal Natural

Não tem origem nas ações dos seres humanos. Exemplos de males naturais: terramotos, furacões, cheias, etc.

Tem origem nas ações dos seres humanos. Exemplos de males morais: violações, torturas, roubos, assassinatos, etc.

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O PROBLEMA DO MAL

Tipos de Mal

Filosofia da Religião

O PROBLEMA DO MAL

O arGUMENTO DO MAL

Deus teísta

Formulação Clássica

Forma canónica (lógica)

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O PROBLEMA DO MAL

RESPOSTA DOS TEÍSTAS AO ARGUMENTO DO MAL

02

01

ARGUMENTO DA SANTIDADE

Argumento do livre-arbítrio

O Bem justifica o Mal.

O Bem justifica o Mal.

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O PROBLEMA DO MAL

O Problema do Mal

Existe uma longa tradição de resolução do problema do mal. Agostinho de Hipona, filósofo medieval, argumenta que não existe mal em si. Que o mal é uma falha introduzida no mundo pelo livre-arbítrio humano. Também o filósofo contemporâneo Alvin Plantinga argumenta que o mal moral é uma necessidade decorrente do livre-arbítrio. Os argumentos que procuram conciliar a existência do mal com os atributos divinos, apenas justificam a existência do mal moral. A tese de Leibniz de que "Deus fez o melhor dos mundos possível e que, por isso, não há mal gratuito", foi criticada por Voltaire após o terramoto de Lisboa de 1775 o qual afirmou, perante os milhares de mortes e a destruição da cidade de Lisboa, que "Deus não fez o melhor dos mundos possível

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O PROBLEMA DO MAL

FPRMULAÇãO DO Problema do Mal

O problema do mal retrata a tensão entre uma conceção de Deus omnisciente, omnipotente e sumamente bom e a existência do mal. O problema é o seguinte: será a existência do Deus teísta compatível* com a existência do mal no mundo? Ou será que a existência de males aparentemente gratuitos milita contra a hipótese da existência de Deus? Lactâncio atribui a versão clássica desse argumento a Epicuro (341-270 a. C.). A ideia é a de que se Deus é omnipotente, então pode acabar com o mal; se Deus é omnisciente, então sabe que o mal existe; e se Deus é sumamente bom, então quer acabar com o mal. Ora como o Deus teísta é omnipotente, omnisciente e sumamente bom, daqui se segue que o Deus teísta pode acabar com o mal, sabe que o mal existe e quer acabar com o mal. Portanto, se existe um Deus teísta, então não há mal no mundo. Mas como há mal no mundo (diversidade e quantidade de males),temos de concluir que o Deus teísta não existe. Argumento lógico do mal: 1. Se o Deus teísta existe, então não há mal no mundo. 2. Mas há mal no mundo. Logo, o teísta não existe (Modus Ponens)

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Teodiceia de Leibniz

Uma teodiceia (teo=Deus e dikê = justiça) é uma forma de responder ao problema do mal defendendo a compatibilidade entre as proposições "Deus (teísta) existe" e "Há mal no mundo". Leibniz considera que ambas as proposições são consistentes (verdadeiras) porque não existem males gratuitos (injustificados).

Gottfried Wilhelm Leibniz foi um filósofo e matemático alemão

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A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Texto de leibniz

"Mas de modo a tornar a coisa mais clara, pretendi justificar essa negação mostrando que a melhor opção nem sempre é aquela que procura evitar o mal, uma vez que o mal pode ser acompanhado por um bem maior. Por exemplo, um general de um exército irá preferir uma grande vitória com ligeiros ferimentos a uma condição em que não haja ferimentos nem vitória. (...) Nisto segui a opinião de S. Agostinho, que afirmou inúmeras vezes que Deus permitiu o mal de modo a produzir o bem, isto é, um bem maior. " G. W. Leibniz, A Teodiceia.

Texto

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A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Forma Canónica do Argumento

Argumento do "Melhor dos Mundos Possíveis"

(1) Deus é a máxima grandeza possível (perfeito – omnipotente, omnisciente, sumamente bom ...). (2) Um ser é que a máxima grandeza possível, só poderia ter criado o melhor dos mundos possíveis (onde não existem males gratuitos). (3) O que nos parece ser um mal gratuito é uma característica indissociável de bens que Deus promove. (4) Logo, não há males gratuitos.

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Explicação do argumento

Leibniz pensa que o mundo que Deus criou é o melhor que poderia ser criado precisamente porque Deus é perfeito: é omnipotente, e por isso pode criar o melhor mundo; é omnisciente, e por isso sabia como criá-lo; e é sumamente bom, e por isso queria criar o melhor mundo. E, portanto, criou-o. Ou seja, para Leibniz os males que nos parecem gratuitos, não justificados (aquele tipo de mal que, se não existir, não leva a qualquer perda de algum bem maior) não o são de facto. O problema é que os seres humanos vêm apenas uma parte insignificante da realidade e ficam com a ilusão de estar a ver males gratuitos, mas na verdade são componentes fundamentais de bens mais grandiosos que Deus criou. O mesmo acontece se um ser humano estiver perante uma pintura maravilhosa, mas que mede tantos quilómetros que os seres humanos só são capazes de ver as partes que têm sombras e outros aspetos que não parecem belos — mas que fazem parte de uma totalidade de beleza superlativa (Analogia).

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Explicação do argumento

Tal como Deus não pode criar um resultado de 5 para a soma de 2+2, também não poderia criar um mundo no qual não existisse mal. Ou seja, Deus permite o mal porque o melhor de todos os mundos possíveis não implica um mundo sem males. Os muitos males que parecem fazer parte do universo são afinal parte de bens muito mais importantes (mal justificado, não gratuito - aquele tipo de mal que, se não existir, leva a que se perca algum bem maior), e por isso, são compatíveis com a bondade, omnipotência e omnisciência da pessoa que criou o universo e tudo o que ele contém: Deus. Leibniz considera que se Deus eliminasse algumas partes más do mundo, estaria a eliminar partes boas e valiosas do mundo que superam esses males. O filósofo alemão recorre ao exemplo de um general de um exército que prefere uma vitória significativa ainda que daí resultem alguns ferimentos em vez de uma situação em que não há qualquer ferimento nem sequer vitória.

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Explicação do argumento

O livre-arbítrio, por exemplo, é um bem maior para o ser humano, mas é impossível haver livre-arbítrio genuíno sem a possibilidade de se escolher coisas más, havendo assim males morais. Mas os males morais são necessários para se desenvolverem virtudes como coragem ou compaixão. Leibniz considera que os males que nos parecem gratuitos não o são de facto. São características indissociáveis de bens que Deus promove. Do mesmo modo que Deus não pode fazer o maior número par — porque isso é logicamente impossível (poderá haver sempre um número maior) — também não pode criar um universo maximamente perfeito sem criar ao mesmo tempo coisas que, aos nossos olhos, nos parecem males gratuitos, apesar de não o serem de facto. Portanto, o mundo que Deus escolheu existir é o melhor de todos os mundos possíveis.

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A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Críticas à resposta de Leibniz

1.Hiato cognitivo: Leibniz considera que somos demasiado limitados para saber quais são os bens que superam e tornam necessários os males. Porém, se somos limitados para saber que o mal não é gratuito, também somos limitados para saber se Deus existe ou não.

2.Não existe o melhor dos mundos possíveis:Tomás de Aquino argumenta que não há o “melhor” de todos os mundos possíveis, pois para cada mundo que se conceba, é possível pensar num mundo ainda melhor e assim sucessivamente até ao infinito. É sempre possível acrescentar sempre mais caraterísticas a um determinado tipo de mundo.

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A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Críticas à resposta de Leibniz

3.O sofrimento do veado: William Rowe prova a probabilidade da existência de mal não justificado (se não existisse não se perdia qualquer bem maior) através do seguinte caso: Um veado fica queimado durante um incêndio numa floresta provocado pela descarga de um raio, sofrendo durante dias antes de morrer. Porque permitiria Deus que isso acontecesse quando o poderia ter impedido? Seguramente que o terrível sofrimento do animal durante esses cinco dias não parece do nosso ponto de vista fazer qualquer sentido. Quanto a isto, o consenso é, ao que parece, quase universal. Pois dada a omnisciência e o poder absoluto de Deus, ser‐lhe‐ia extremamente fácil ter impedido o incêndio ou ter impedido que o veado ou corço fosse apanhado pelas chamas.

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A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Críticas à resposta de Leibniz

3.O sofrimento do veado: Além disso, como vimos, é extraordinariamente difícil imaginar um bem superior cuja realização dependa, sob qualquer perspetiva razoável, de Deus permitir que aquele corço sofra terrivelmente. E é igualmente difícil imaginar um mal equivalente, ou até pior, que Deus se visse forçado a permitir caso impedisse o sofrimento do corço. Parece, portanto, perfeitamente razoável pensar que o sofrimento do corço é um mal sem sentido, um mal que Deus (se existe) podia impedir sem com isso perder um bem superior ou ter de permitir um mal equivalente ou pior. Este mal é gratuito, sem sentido. Não será isto uma prova de que este não é o melhor dos mundos possíveis?

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Críticas à resposta de Leibniz

4.As analogias não contêm premissas suficientemente persuasivas: dado que nem que nem todos os males são comparáveis. Ou seja, o mal de ter um acidente de carro provocado um condutor negligente, mas de que apenas sofremos ferimentos ligeiros, ou o mal de haver uma inundação que destrói uma casa, ou o mal de uma angústia passageira por saber que temos uma doença potencialmente fatal, não se compara ao mal de matar deliberadamente milhões de pessoas por razões políticas ou económicas (inquisição, nazismo, escravatura…). Donde, o mal existe, mas dada a sua magnitude pode ser difícil de compreender como é que males com tão grandes dimensões não são gratuitos. Ou seja, não é compreensível a razão de um volume tão grande de sofrimento.

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA DE LEIBNIZ AO ARGUMENTO DO MAL (Teodiceia)

Críticas à resposta de Leibniz: conclusão

A argumentação de Leibniz não é suficientemente sólida e persuasiva para refutar os paradoxos resultantes do conflito entre os diferentes atributos divinos do Deus teísta, nomeadamente a omnipotência e a suma bondade. Por isso, podemos inferir que: - ou a existência do Deus teísta é apenas uma questão de fé, não racionalmente demonstrável - ou o Deus teísta não tem todos as características divinas que lhe são atribuídas; - ou possui, mas o sentido das mesmas não é aquele que habitualmente pensamos.

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O PROBLEMA DO MAL

O PRoblema probabilístico ou indiciário do Mal

William Rowe - "O sofrimento do veado".

Forma Canónica do Argumento

Explicação do argumento

Crítica do teísmo cético

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O PROBLEMA DO MAL

A RESPOSTA do teísmo Cético Ao ARGUMENTO DO MAL

Teísmo cético

ANALOGIA

Argumento

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Para fundamentar a afirmação de que não há males gratuitos, Leibniz apresenta duas analogias: Analogia 2 (texto de Leibniz) Acredito que Deus criou coisas em perfeição última, apesar de não nos parecer isso ao considerar partes do Universo. É um pouco como o que acontece na música e na pintura, pois as sombras e dissonâncias melhoram verdadeiramente as outras partes, e o autor sábio de tais obras obtém destas imperfeições particulares um benefício tão grandioso para a perfeição total do seu trabalho que é muito melhor dar-lhes espaço do que tentar passar sem elas. Assim, temos de acreditar que Deus não teria permitido o pecado nem teria criado coisas que sabe que irão pecar, se não tivesse obtido delas um bem incomparavelmente maior que o mal que daí resulta.” Leibniz, Diálogo sobre a liberdade humana e a origem do mal, p. 115. 2.Explicação: Tal como um músico e um pintor introduzem dissonâncias e sombras das suas obras que melhoram a totalidade da obra, também Deus não teria permitido o mal se dele não resultasse um bem incomparavelmente maior.

O argumento ontológico de Santo Anselmo de Cantuária tem a seguinte estrutura: Definição: Deus é “algo acerca do qual nada de maior pode ser pensado”. Note-se que: por “maior” entenda-se não uma grandeza quantitativa, mas qualitativa; por outras palavras, não se trata de afirmar que Deus é o maior em grandeza, mas, mais fundamentalmente, que Deus é o ser de maior grandeza ontológica (ou seja, em poucas palavras, o ser maximamente perfeito). I. Premissa: Até o néscio – leia-se o ateu – ao ouvir este enunciado, o entende; ainda que diga ‘não existe’. II. Premissa: Se o entende, então [esse ‘algo’] existe no seu entendimento. a. Premissa: Uma coisa é dizer que existe no entendimento, outra é dizer que existe. Por exemplo, o artista que pensa a obra de arte que irá pintar entende que esta existe no entendimento, mas não ainda na realidade. IV. Premissa: contudo “isso acerca do qual não é possível pensar [algo] maior, não pode existir somente no entendimento”. a. Premissa: um ser que exista na realidade é maior do que um ser que exista tão somente na mente. b. Premissa: ainda que se acredite que o ser acerca do qual nada de maior pode ser pensado existe tão somente no entendimento, poder-se-á pensar que existe na realidade. c. Premissa: se o ser acerca do qual nada de maior pode ser pensado existisse somente na mente, então aquele mesmo [o que poderíamos pensar existir na realidade] é algo maior do que pode ser pensado. d. Premissa: Isto é um claro contra-senso. Conclusão: o ser acerca do qual nada de maior pode ser pensado, que existe na mente, existe também na realidade.

Objeções: 1. Objeção de Richard Swinburg: rejeita o princípio de Anselmo (Deus pode ser um ser contingente). Não há qualquer problema de Deus ser um ser contingente. Se não houver problema com o facto de Deus ser um ser contingente, então a primeira premissa é falsa. 2. Objeção – o argumento comete a petição de princípio. Se alguém aceitar a premissa da possibilidade (Deus é possível), é obrigado a aceitar a existência de Deus.

Paley usa o exemplo do relógio, criado pelo ser humano, e que consiste em partes interligadas com um propósito específico. Se essas partes não tivessem sido organizadas de forma adequada, o relógio não funcionaria corretamente. Já que o relógio funciona corretamente, podemos inferir a existência de um relojoeiro que criou a referida organização. William Paley defende que podemos racionalmente construir um argumento análogo a este para provar que existe um arquiteto inteligente do Universo. Se as partes constituintes do mundo não tivessem sido organizadas de uma maneira específica, o Universo e os seus habitantes não funcionariam corretamente. Como funcionam corretamente, conclui que existe esse arquiteto inteligente do Universo. A formulação de William Paley, séculos mais tarde, foca-se na complexidade e ordem do universo, afirmando que esta complexidade e ordem resultam de um Deus.

Tomás de aquino foi um importante filosofo e teólogodo século XIII. Nasceu em1225, na Sicília, e morreu em 1274.Algumas das ideias da Igreja Católicatêm, ainda hoje, a sua marca. Foideclarado santo pela Igreja Católicae, por isso, é também conhecidocomo São Tomás. Esta pintura, de1476, da autoria de Carlo Crivelli,representa Tomás de Aquino e aautoridade intelectual e religiosaque lhe era atribuída.

a.Premissa: um ser que exista na realidade é maior do que um ser que exista tão somente na mente. b. Premissa: ainda que se acredite que o ser acerca do qual nada de maior pode ser pensado existe tão somente no entendimento, poder-se-á pensar que existe na realidade. c. Premissa: se o ser acerca do qual nada de maior pode ser pensado existisse somente na mente, então aquele mesmo [o que poderíamos pensar existir na realidade] é algo maior do que pode ser pensado. d. Premissa: Isto é um claro contra-senso. Conclusão: o ser acerca do qual nada de maior pode ser pensado, que existe na mente, existe também na realidade.

Para fundamentar a afirmação de que não há males gratuitos, Leibniz apresenta duas analogias: Analogia 1 (texto de Leibniz) “Não é verdadeiro que se a ordem das coisas, ou a sabedoria divina, exigiu que Deus fizesse quadrados perfeitos, então Deus, tendo resolvido fazê-lo, não poderia deixar de fazer linhas incomensuráveis, apesar de terem a imperfeição de não poderem ser expressas de maneira exata? Pois um quadrado não pode deixar de ter uma diagonal, que é a distância dos seus ângulos opostos.” Leibniz, Diálogo sobre a liberdade humana e a origem do mal, pp. 116–117. Explicação da analogia: Da mesma forma que Deus criou os quadrados perfeitos, mas que contêm em si uma imperfeição que é uma condição para a existência do quadrado (qualquer diagonal que atravessa um quadrado é um número imperfeito), também os males que nos parecem gratuitos, não o são, pois são condições das coisas que existem.

Argumento do "Melhor dos Mundos Possíveis": 1. Deus tem a ideia de muitos mundos possíveis. 2. Apenas um desses mundos possíveis pode realmente existir. 3. Deus pode escolher um ou outro mundo. 4. Deus é sumamente bom. 5. Logo, o mundo que Deus escolheu existir é o melhor dos mundos possíveis. O argumento de Leibniz é válido, mas será sólido?

1. Objeção: Premissa 1 – parece cometer a falácia do falso dilema. Há uma terceira hipótese, a do multiverso. Se esta hipótese do multiverso for verdadeira, podemos dizer que entre os vários universos possíveis acabará por surgir por acaso um universo em que as constantes assumem aqueles valores precisamente corretos para a existência de vida. Multiverso:Existem muitos universos distintos: muitos domínios do espaço-tempo que divergem entre si em virtude de terem constantes físicas ou leis naturais diferentes. 2. Objeção: Não prova que exista um deus teísta. O tal designer não tem de ter os atributos do deus teísta: omnipotente, omnisciente, sumamente bom, pessoa, etc. Será alguém com quem podemos estabelecer uma relação pessoal, através da oração?

O argumento teleológico é considerado, tradicionalmente, como um argumento por analogia (*), isto é, um argumento onde se conclui que algo tem uma certa característica por ser análogo (semelhante) a outra coisa que também tem essa característica. No exemplo dado, a analogia verifica-se entre a seta disparada do arco e o universo, onde ambos revelam desígnio. O argumento por analogia conclui que havendo essa analogia, podemos dizer que por um dos objetos ter criador então o outro também deverá ter. (*) No entanto, há quem refute esta classificação dizendo que a comparação não é para ser levada à letra, e que é antes uma forma de ilustrar como a finalidade que o universo parece revelar foi originada por um criador inteligente. Séculos depois de Tomás de Aquino, William Paley (1743-1805) popularizou o argumento teleológico, sublinhando a analogia entre os artefactos humanos e o mundo.

O argumento ontológico de Santo Anselmo de Cantuária tem a seguinte estrutura: Definição: Deus é “algo acerca do qual nada de maior pode ser pensado”. Note-se que: por “maior” entenda-se não uma grandeza quantitativa, mas qualitativa; por outras palavras, não se trata de afirmar que Deus é o maior em grandeza, mas, mais fundamentalmente, que Deus é o ser de maior grandeza ontológica (ou seja, em poucas palavras, o ser maximamente perfeito).I. Premissa: Até o néscio – leia-se o ateu – ao ouvir este enunciado, o entende; ainda que diga ‘não existe’. II. Premissa: Se o entende, então [esse ‘algo’] existe no seu entendimento. a. Premissa: Uma coisa é dizer que existe no entendimento, outra é dizer que existe. Por exemplo, o artista que pensa a obra de arte que irá pintar entende que esta existe no entendimento, mas não ainda na realidade. III. Premissa: contudo “isso acerca do qual não é possível pensar [algo] maior, não pode existir somente no entendimento”.

1.objeção: Premissa 2 – O Universo começou a existir. Há físicos que não aceitam o Big Bang, há outras alternativas ao Big bang. 2. Objeção: Premissa 5 Não prova que exista um Deus teísta. O tal designer não tem de ter os atributos do Deus teísta: omnipotente, omnisciente e sumamente bom.