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critica comunitarista: SANDEL

Nuno Pereira

Created on May 29, 2023

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Transcript

críticas a Rawls: a crítica comunitarista de Sandel

A crítica comunitarista de Sandel mostra que as escolhas dos princípios da justiça -- feitas na posição original e a coberto do véu da ignorância -- seriam moralmente cegas. É visado o próprio método da escolha dos princípios da justiça.

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A escolha dos princípios da justiça é uma escolha moral. Porém, com o véu da ignorância, a escolha dos princípios da justiça é realizada apenas de forma egoísta e por interesses pessoais. A regra 'maxmin' apenas garante que os indivíduos não ficarão na pior situação possível.

Na posição riginal e sob a véu da ignorância, as escolhas são feitas por indivíduos totalmente desenraizados e desligados de qualquer laço social, interessados no seu próprio bem e sem se guiarem por qualquer noção de bem comum ou de vida boa.

Sandel considera que a conceção de justiça de Rawls está errada por se basear numa da conceção errada de pessoa. -- somos seres incorporados e inseridos numa comunidade.

Para se garantir a imparcialidade, Rawls impõe, na posição original, o desconhecimento das circunstãncias particulares do agente. Sob o véu de ignorância, a pessoa pouco mais é do que uma abstração. Um sujeito radicalmente desincorporado, despojado das suas experiências, circunstâncias e identidade é, um ser incapaz de realizar escolhas racionais e moralmente credíveis.

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São os laços mais profundos -- laços familiares, culturais, religiosos, familiares... -- que ligam as pessoas e as levam naturalmente a cooperar entre si.

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Para o comunitarismo, o problema do liberalismo reside na noção abstrata e individualista do ser humano. Para o comunitarismo, os indivíduos não existem de uma forma isolada e autónoma, são constituídos por um conjunto de relações. Qualquer conceção de justiça que parte da ignorância da nossa situação concreta como membros de uma dada comunidade equivale a ignorar a própria noção de bem comum, a qual é constituída no seio dessa comunidade.

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As nossas conceções de justiça são relativas às ideias mais ou menos partilhadas de bem comum e de vida boa. Um acordo é justo quando vai ao encontro do que definimos como bom. Por isso, para descobrirmos o que é o justo - quais os princípios de justiça que são apropriados para nós -, precisamos de saber o que é o bom.