A hipérbole
Edvard Munch, O grito (detalhe), 1893, local: Galeria Nacional, Oslo – Noruega.
Lê os textos e responde às questões.
Consulta o vocabulário, passando o rato sobre os asteriscos (*).
AS GAIVOTAS As gaivotas vão e vêm. Entram pela pupila. Devagar também os barcos entram. Por fim, o mar. Não tardará a fadiga da alma. De tanto olhar, tanto olhar.
Eugénio de Andrade, in Rente ao dizer.
POLÍTICA LITERÁRIA O poeta municipal discute com o poeta estadual qual deles é capaz de bater o poeta federal. Enquanto isso o poeta federal tira ouro do seu nariz.
Carlos Drummond de Andrade, Obra Poética, 1.º volume
Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
PANORAMA Pátria vista da fraga onde nasci. Que infinito silêncio circular! De cada ponto cardeal assoma A mesma expressão muda. É de agora ou de sempre esta paisagem Sem palavras Sem gritos, Sem o eco sequer de uma praga incontida? Ah! Portugal calado! Ah! povo amordaçado Por não sei que mordaça consentida!
Miguel Torga
Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram então, em todo o Reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados. (...) Ora, na Primavera, por uma silenciosa manhã de domingo, (...) os irmãos de Medranhos encontraram (...) um velho cofre de ferro. (...) E dentro, até às bordas, estava cheio de dobrões de ouro! No terror e esplendor da emoção, os três senhores ficaram mais lívidos do que círios. Depois, mergulhando furiosamente as mãos no ouro, estalaram a rir, num riso de tão larga rajada que as folhas tenras dos olmos, em roda, tremiam...
Eça de Queirós, «O tesouro», in Contos
A HIPÉRBOLE
PalmiraPaiva
Created on May 24, 2023
Start designing with a free template
Discover more than 1500 professional designs like these:
View
The Power of Roadmap
View
Simulation: How to Act Against Bullying
View
Artificial Intelligence in Corporate Environments
View
Internal Guidelines for Artificial Intelligence Use
View
Interactive Onboarding Guide
View
Word Search
View
Sorting Cards
Explore all templates
Transcript
A hipérbole
Edvard Munch, O grito (detalhe), 1893, local: Galeria Nacional, Oslo – Noruega.
Lê os textos e responde às questões.
Consulta o vocabulário, passando o rato sobre os asteriscos (*).
AS GAIVOTAS As gaivotas vão e vêm. Entram pela pupila. Devagar também os barcos entram. Por fim, o mar. Não tardará a fadiga da alma. De tanto olhar, tanto olhar.
Eugénio de Andrade, in Rente ao dizer.
POLÍTICA LITERÁRIA O poeta municipal discute com o poeta estadual qual deles é capaz de bater o poeta federal. Enquanto isso o poeta federal tira ouro do seu nariz.
Carlos Drummond de Andrade, Obra Poética, 1.º volume
Não posso adiar o amor para outro século Não posso Ainda que o grito sufoque na garganta Ainda que o ódio estale e crepite e arda Sob montanhas cinzentas E montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio Não posso adiar Ainda que a noite pese séculos sobre as costas E a aurora indecisa demore Não posso adiar para outro século a minha vida Nem o meu amor Nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
PANORAMA Pátria vista da fraga onde nasci. Que infinito silêncio circular! De cada ponto cardeal assoma A mesma expressão muda. É de agora ou de sempre esta paisagem Sem palavras Sem gritos, Sem o eco sequer de uma praga incontida? Ah! Portugal calado! Ah! povo amordaçado Por não sei que mordaça consentida!
Miguel Torga
Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram então, em todo o Reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados. (...) Ora, na Primavera, por uma silenciosa manhã de domingo, (...) os irmãos de Medranhos encontraram (...) um velho cofre de ferro. (...) E dentro, até às bordas, estava cheio de dobrões de ouro! No terror e esplendor da emoção, os três senhores ficaram mais lívidos do que círios. Depois, mergulhando furiosamente as mãos no ouro, estalaram a rir, num riso de tão larga rajada que as folhas tenras dos olmos, em roda, tremiam...
Eça de Queirós, «O tesouro», in Contos