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"Os Maias"- A crónica de costumes

Catarina Martins

Created on May 22, 2023

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Transcript

Os Maias

A Crónica de Costumes - Lisboa no séc. XIX

Intervenientes

Condessa de Gouvarinho

Craft

Carlos da Maia

Dâmaso

É “um rapazote baixote, gordo, frisado como um noivo de província, de camélia ao peito, plastrão azul-celeste”. Considera-se alvo da admiração das mulheres e sente admiração por Carlos, tentando imitar o mesmo. Ao longo do romance sobressai a sua vaidade, presunção e cobardia.

Homem de origem inglesa, com grande posse monetária. Colecionador de antiguidades, e como Carlos possui grande espírito critico. Defensor de arte e homem de hábitos rígidos.

Mulher do conde de Gouvarinho, era uma mulher atraente, sedutora e impetuosa. Tem cabelos crespos e ruivos, nariz petulante, olhos escuros e brilhante, é bem feita e tem pele clara fina e doce.

Era um homem culto, bem formado, alto, de pele branca e de olhos “negros irresistíveis”.

Corrida de Cavalos (capítulo X)

Domingo muito quente, monótono e lento. O hipódromo localiza-se numa colina e é um local com condições precárias. As pessoas que estavam presentes no hipódromo eram bastante desorganizadas e não sabiam ocupar os seus próprios lugares “… havia uma fila de senhoras quase todas de escuro encostadas ao rebordo, outras espalhadas pelos primeiros degraus; e o resto das bancadas permanecia deserto e desconsolado…”.

Corrida de Cavalos (capítulo X)

  • Carlos começa a ficar farto dos seus encontros furtivos com a Condessa de Gouvarinho e quer libertar-se dela;
  • Carlos vai com um único propósito para a corrida: rever Maria Eduarda. Em vez disso, encontra-se com a Condessa que lhe propõe um encontro em Santarém;
  • Taveira sugere que façam apostas para animar o evento. Todos apostam em Minhoto, exceto Carlos, que aposta em Vladimiro e vence (indício trágico)
  • A primeira corrida termina com uma cena de intensa discussão com insultos e pancadaria devido a uma burla, que mais uma vez revela o artificioso requinte e elegância, que a sociedade lisboeta tenta transmitir.

Corrida de Cavalos (capítulo X)

  • Na segunda corrida, alguns sujeitos examinam o "Rabino", "com o olho sério, afetando entender", entre os quais se inclui Carlos, que também admira o cavalo, mas nota-lhe o peito estreito;
  • estão quatro cavalos inscritos na corrida e, o favorito é o "Rabino" e todos querem tirar o bilhete deste;
  • Carlos, por "divertimento" ("... gostara da cabeça ligeira do potro, do seu peito largo e fundo...") e "... para animar mais aquele recanto da tribuna, ver brilhar gulosamente os olhos interesseiros das mulheres.", decide apostar tudo em "Vladimiro", apesar do potro ir em último lugar na corrida;
  • todos os outros decidem apostar contra Carlos, procurando "aproveitar-se daquela fantasia de homem rico...";
  • contra todas as expectativas, "Vladimiro" vence "Minhoto" por duas cabeças, o que permite a Carlos ganhar a poule e provoca a irritação dos restantes, que perderam;

Corrida de Cavalos (capítulo X)

  • Na terceira corrida, um cavalo solitário atravessa a meta, sem se apressar, num galope pacato, e só muito tempo depois chega um outro cavalo, uma pileca branca arquejando, num esforço doloroso, numa altura em que o jóquei do cavalo vencedor se encontrava já a conversar com os amigos, encostado à corda da pista.
  • todo o interesse fictício desaparecera e regressa a indiferença geral; junto à meta, um dos cavaleiros caíra e, já à saída, o Vargas, bêbedo, esmurrara um criado de bufete → "... tudo é bom quando acaba bem."

Críticas Sociais

Visão da sociedade feminina

Imitar o estrangeiro

O ser e o parecer

Recursos Expressivos

  • Comparação: "Debruçadas no rebordo, numa fila muda, olhando vagamente, como duma janela em dia de procissão" e "(...) as peles apareciam murchas, gastas, moles, com um baço de pó-de-arroz.
  • Enumeração: "Aquela corrida insípida, sem cavalos, sem joquéis, com meia dúzia de pessoas a bocejar em roda (..)" e "(...) as senhoras que vêm no High Life dos jornais, as dos camarotes de S. Carlos, as das terças-feiras dos Gouvarinhos.
  • Ironia: “À entrada para o hipódromo, abertura escalavrada num muro de quintarola, o faetonte teve de parar atrás do dog-cart do homem gordo - que não podia também avançar porque a porta estava tomada pela caleche de praça, onde um dos sujeitos de flor ao peito berrava furiosamente com um polícia. (...) Tudo isto está arranjado com decência - murmurou Craft"
  • Metáfora: “(…) as pestanas mortas, parecia oferecer a todas aquelas mãos, que se estendiam gulosamente para ela, o seu apetitoso peito de rola.” e “(…) os seus cabelos cor de brasa(…)”
  • Hipálage: "(...) eles fumavam languidamente cigarrilhas (...)"
  • Anáfora: "andava ali; pasmando para a estrada, pasmando para o rio (.)”
  • Personificação: "(...) com os olhos afogados"
  • Estrangeirismos: "High-life"

Objetivos de Sarau Teatro da Trindade

  • Ajudar as vítimas das cheias/inundações do ribatejo;
  • Apresentar um tema querido da sociedade lisboeta: a oratória;
  • Reunir novamente as várias camadas das classes mais altas, incluindo a família real;
  • Proporcionar um contraste entre um clima de festa e um clima de tragédia.

Intervenientes

Carlos da Maia

Alencar

Ega

Rufino

Guimarães

Cruges

Rapaz baixote, gordo, bochechudo, cabelo frisado, ar provinciano, vestido de modo ridículo, exibicionista, vaidoso, cobarde e grosseiro na expressão linguística

Muito alto, todo abotoado numa casaca preta, face escaveirada, nariz aquilino, longos espessos românticos bigodes grisalhos, calvo na frente, grenha muito seca, dentes estragados, teatral

Amigo íntimo de Carlos, estudante de direito, original, ateu, demagogo, audaz, revolucionário, boémio, satânico, rebelde, sentimental

Grenha crespa, olhinhos piscos, nariz espetado, melancólico, tímido, reservado, músico talentoso não reconhecido

Era um homem culto, bem formado, alto, de pele branca e de olhos “negros irresistíveis”.

Bacharel transmontano e orador sublime, que pregava a caridade e o progresso

Sarau Teatro da Trindade (capítulo XVI)

  • Carlos e Ega vão ao Sarau da Trindade ouvir Cruges e Alencar, que nessa noite estariam lá.
  • Ega conhece Guimarães, o tio de Dâmaso que vivia em Paris e trabalhava no jornal, que lhe viera pedir explicações acerca da carta que Dâmaso escrevera, que lhe disse ter sido Ega a obrigá-lo a fazer. Estes discutem, mas acabam por resolver tudo.
  • Mais tarde, quando Ega se ía embora, Guimarães diz ter um cofre da mãe de Carlos ao mesmo e que esta lhe tinha pedido para entregar à família, antes de morrer.
  • Durante a coversa, Ega descobre que Carlos tem uma irmã e, Guimarães diz tê-los visto aos três numa carruagem (Carlos, Ega, e a irmã, Maria Eduarda).- revelação da relação incestuosa
  • Guimarães entrega o cofre a Ega, que chocado com a verdade, decide pedir ajuda a Vilaça para contar tudo a Carlos.

Críticas Sociais

Ausência de espírito crítico

Falta de Cultura

Patriotismo e Ultrarromantismo

Marcas de escrita características de Eça

  • Uso do diminutivo: "o pequenito”, "o barão pequenino, aos pulinhos" "amente", “Carlos cumprimentou as duas irmãs do Taveira, magrinhas, loirinhas, ambas correctamente vestidas de xadrezinho (..)".

Recursos Expressivos

  • Personificação: "(...) quando os sinos da velha torre choravam (...) e cantavam"
  • Hipérbole: "Nunca nas alturas líricas, se gritara nada de extraordinário!"
  • Metáfora: "Aquela (república) em que o Milionário, sorrindo, abre os braços ao Operário"
  • Comparação: "A Democracia e o Cristianismo, como um lírio que se abraça a uma espiga(...)"
  • Ironia: "Como todos os homens educados pela filosofia (...) via nos grandes factos da História não só a beleza poética, mas a sua influência social."
  • Hipálage: "… já murmurava baixo baixo as palavras cismadoras e tristes…”
  • Estrangeirismos: "sport" ; "paletó"