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OS MAIAS- Jantar no Hotel Central

Rodrigo Airosa

Created on May 22, 2023

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Transcript

OS MAIASJantar no Hotel Central

Integração do episódio na estrutura da obra

O episódio do Jantar no Hotel Central integra-se no capítulo VI. Insere-se na acção principal e é um dos episódios da crónica de costumes/episódios das cenas românticas. É uma espécie de festa de homenagem de Ega ao banqueiro Cohen (símbolo da alta finança), marido da divina Raquel, amante de Ega. O episódio acaba também por proporcionar o primeiro encontro de Maria Eduarda com Carlos (“Craft e Carlos afastaram-se, ela passou diante deles, com um passo soberante de Deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.” Cap. VI) e é também a primeira reunião social da “elite” lisboeta em que Carlos participa.

Personagens

Tomás de Alencar
Carlos da Maia
Cohen
Craft
Dâmaso Salcede
João da Ega

Jantar no Hotel Central

Hotel Central

Características das personagens

Carlos da Maia, o médico e observador crítico, é um dos protagonistas da intriga principal, que se cruza neste episódio com os «episódios da vida romântica», ou seja, com a crónica de costumes.

Características das personagens

Cohen,, o homenageado, revela-se calculista, aceitando a possibilidade de o país caminhar para a bancarrota, mas visto ter responsabilidades como banqueiro, mostra-se cínico e calculista, defendendo que há gente séria na política.

Características das personagens

Tomás de Alencar, o poeta ultrarromântico, opõe-se ao Realismo e ao Naturalismo. Defende a crítica literária de natureza académica, preocupando-se com os aspetos formais da literatura em detrimento do conteúdo. Receia a perda da independência, no caso de haver uma invasão espanhola.

Características das personagens

João da Ega defende o Realismo e o Naturalismo, aprovando a cientificidade na literatura. Apoia as intervenções de Cohen e acha que a bancarrota seria determinante para a agitação revolucionária do país e possibilitaria a instauração da República e a queda da Monarquia.

Características das personagens

Craft, representante da cultura artística britânica, adota uma postura de indiferença e distanciamento em relação à discussão entre Alencar e Ega, consciente de que aquela disputa terminaria em conciliação.

Características das personagens

Dâmaso Salcede, o protótipo do novo-rico, é a súmula de todos os vícios da sociedade portuguesa do século XIX, evidenciando-se ridículo nas atitudes, na linguagem e na indumentária.

Características do excerto da obra

  • Carlos e Craft encontram-se no peristilo do Hotel Central, antes do jantar, quando vêem chegar Maria Eduarda. Subiram até ao gabinete, onde Carlos foi apresentado a Dâmaso, este conhecia aquela mulher, pertencia à família Castro Gomes. Dâmaso falava sobre a sua preferência por Paris, “aquilo é que é terra”, ele até lá tinha um tio, o tio Guimarães, quando apareceu “o nosso poeta”, Tomás de Alencar. Por intermédio de Ega foi apresentado a Carlos.
  • Pouco tempo depois, a porta abriu-se e Cohen, desculpando-se pelo atraso, foi apresentado, por Ega, a Carlos.
  • Deu-se início ao jantar, com ostras e vinho, falava-se do crime da Mouraria, que “parecia a Carlos merecer um estudo, um romance”. Isto levou a que se falasse do Realismo. Alencar suplicou que se não discutisse “literatura «latrinária»”, [...] que se não mencionasse o «excremento»”.

Características do excerto da obra

  • “Pobre Alencar!” Homem que tivera em tempos uma vida carregada de adultérios, tornava-se agora num defensor da Moral, no entanto a sociedade não o ouvia, via-se apenas confrontado com ideias absurdas defendidas pelos Naturalistas/Realistas.
  • Carlos posiciona-se na conversa contra o realismo. Ega reage às críticas e defende arduamente os princípios do Realismo. Cohen mantinha-se superior a esta conversa, vendo isto, Ega muda de assunto. “Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá... O empréstimo faz-se ou não se faz?” ao que Cohen respondeu ser imprescindível, pois o empréstimo constituía uma fonte de receita, aliás a “única ocupação mesmo dos ministérios era esta – «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo».
  • Do ponto de vista de Carlos, assim o “país ia alegremente e lindamente para a bancarrota”. Cohen concordava, mas isso era inevitável. Por oposição, Ega defende que o que convinha a Portugal era uma revolução, para eliminar “a monarquia que lhe representa o «calote», e com ela o crasso pessoal do constitucionalismo.”

Características do excerto da obra

  • Ega imbatível, aposta numa invasão espanhola, deste modo recomeçava-se “uma história nova, um outro Portugal, um Portugal sério e inteligente, forte e decente, estudado, pensado e fazendo civilizações como outrora...”. Os restantes já planeavam a resistência, porém Alencar era um “patriota à antiga”, totalmente contra esta ideia.
  • Esquecida a bancarrota, a invasão e a pátria, o jantar estava prestes a terminar, quando Alencar e Ega entraram em conflituo a propósito da poesia moderna de Simão Craveiro. Mas Cohen chama a atenção de Ega e ambos fazem as pazes e brindam com um copo de champanhe, esquecendo o que aconteceu.
  • Terminou assim, com bom censo, o episódio do Jantar no Hotel Central!

Conclusão

  • O Hotel Central é o cenário fulcral para o enredo desta obra.
  • Este local, reveste-se de especial interesse por ser onde Carlos vê Maria Eduarda pela primeira vez e por ser aí que se realiza o Jantar, preparado por Ega, em honra de Cohen, marido da amante de Ega. O ambiente do jantar torna-se pesado devido às críticas feitas à situação política e financeira da altura e pela disputa entre Ega e Alencar, o primeiro defende os princípios doutrinais literários do Naturalismo e o segundo do Romantismo.
  • Com este episódio da crónica de costumes, “O Jantar no Hotel Central”, o autor demonstra a incoerência cultural do povo português e a decadência do país, recorrendo, pela voz de João da Ega à bancarrota e à invasão espanhola como determinantes da agitação revolucionária pois, só assim, haveria um reconhecimento da situação em que se encontrava a nação e se faria algo para deter o clima decadente que se vivia em Portugal, que na opinião de Ega correspondia ao afastamento total da Monarquia e à instalação da República.

Conclusão

  • A crítica feita por Carlos à população, reforça a incoerência desta como o principal fator condicionante do estado da nação. O comentário:“Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance...” é reforçado com o de Dâmaso, relativo à invasão espanhola, “Se as coisas chegassem a esse ponto, se se pusessem assim feias, eu cá, à cautela, ia-me raspando para Paris...”. O antedito denota a cobardia, a falta de cultura e a falta de civismo que dominava a sociedade.
  • A falta de personalidade, a incoerência e a falta de cultura e de civismo está também está patente.
  • Em última análise, o que todo este episódio do jantar do Hotel Central representa é o esforço frustrado de uma certa camada social para assumir um comportamento digno e requintado.

Thank you!

Rodrigo Airosa 11º K
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