Os Maias
Realizado por : Carolina, Luís, Patrícia e Joel 2022/2023 Turma 11ºI
Disciplina de PortuguêsProfessora Laurinda Fernandes
Índice
09. QUIZ
01. VIDA DO AUTOR
02. OBRA
10. FONTES
03. CONTEXTUALIZAÇÃO
04. NARRADOR
05. PERSONAGENS
06. TRAGÉDIA E INDÍCIOS
07. LINGUAGEM E ESTILO QUEIROSIANO
08. A TRAGÉDIA DOS AMORES DE CARLOS E MARIA EDUARDA
01. Vida do autor
Eça de Queirós
José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim. Em 1861, após concluir a escolaridade obrigatória, ingressou na Universidade de Coimbra, onde estudou direito e iniciou a sua carreira literária ao escrever para jornais estudantis e ao publicar o seu primeiro conto em 1866. Depois de se formar em Direito, Eça trabalhou como advogado e diplomata e viveu em vários países, incluindo Inglaterra, França e Egito.
Eça de Queirós é conhecido pelos seus romances realistas, que retratam a sociedade portuguesa do século XIX de forma crítica e satírica. Os seus livros mais famosos incluem "Os Maias" (1888), "O Crime do Padre Amaro" (1875), "O Primo Basílio" (1878) e "A Ilustre Casa de Ramires" (1900). Estas obras apresentam personagens complexas e multifacetadas, que muitas vezes se debatem com conflitos morais e sociais. Além disso, Eça é reconhecido pela sua prosa elegante e o seu senso de humor refinado.
01. Vida do autor
Eça de Queirós
Embora tenha morrido jovem, aos 55 anos, em Paris no ano de 1900, Eça de Queirós deixou um legado literário duradouro. Os seus livros continuam a ser lidos e estudados em todo o mundo, e são considerados obras fundamentais da literatura portuguesa e do movimento realista. Eça também foi um pioneiro na introdução do naturalismo em Portugal, influenciando escritores posteriores como Fernando Pessoa e José Saramago.
Info
02. Obra
"Os Maias" é um dos romances mais conhecidos de Eça de Queirós e foi publicado em 1888. A obra é um retrato crítico da sociedade portuguesa do século XIX, em particular da classe alta lisboeta, e é considerada uma obra-prima do realismo português.
O romance passa-se em Lisboa, na década de 1870, e narra a história da família Maia, que representa a decadência da aristocracia portuguesa. Carlos da Maia, o protagonista, é um jovem médico que retorna a Portugal após uma temporada em Paris e se envolve num romance com a sua irmã Maria Eduarda, que também é amada pelo seu melhor amigo, João da Ega. O romance é marcado pela crítica social e pela sátira aos valores da alta sociedade portuguesa da época.
03. Contextualização
Histórico-Cultural
Além disso, Portugal enfrentava uma crise política e económica no final do século XIX, com a queda da monarquia e a ascensão da República. "Os Maias" retrata este contexto de mudanças e crise, bem como as tensões entre a classe aristocrática e a emergente classe burguesa. Os objetivos de crítica e de moralização da sociedade portuguesa da época, através de uma caricatura do velho mundo, causaram um escândalo nacional, levando, inclusivamente, a que o Governo proibisse as «conferências de casino».
O contexto histórico-cultural em que a obra foi escrita é marcado pela chamada
"Questão Coimbrã"
Info
04. Narrador
Quanto à presença, o narrador é observador e não participante, portanto, heterodiegético. Quanto à ciência, o narrador é omnisciente, porque apresenta ao leitor as ações, pensamentos e sentimentos das personagens e conhece o passado (analepses) e, por vezes, o futuro da ação (utilizando a prolepse). Este tipo de narrador tem acesso a informações e perspetivas que as personagens não têm, o que permite ao leitor ter uma visão mais completa da história.
PASSAGENS TEXTUAIS
"Eram duas horas da tarde; o sol caía obliquamente sobre as águas, e, dentro do quarto, uma claridade tranquila filtrava pela janela entreaberta, com uma doçura clara de fim de dia." (cap. I)
Nesta passagem, o narrador-observador descreve a luz que entra no quarto de Carlos da Maia e sugere um clima de tranquilidade no ambiente, mesmo sem a presença da personagem.
"Aí estavam sentados, à hora do chá, o barão de Alvim, o conselheiro Acácio, o velho Castro Gomes, o conde de Steinbroken, e outros mais, todos de colarinho alto, de casaca preta, de cabelo grisalho." (cap. III)
Nesta passagem, o narrador omnisciente apresenta ao leitor as personagens que frequentam o clube central, com detalhes sobre a sua aparência e vestuário, sem a necessidade de que eles próprios se apresentem.
"O Eduardo coçava a cabeça, com um ar desolado. Carlos percebeu que ele acabava de descobrir uma das verdades eternas: que é difícil conjugar o amor com o jantar." (cap. VIII)
Nesta passagem, o narrador apresenta a perspetiva de Carlos da Maia sobre a situação de Eduardo, sem que a própria personagem expresse essa ideia. Isto sugere que o narrador tem acesso ao que as personagens pensam e sentem.
05. Personagens
CARLOS DA MAIA
- "e seu neto Carlos que estudava medicina em Coimbra";
- "Carlos ao lado, muito sério, todo esbelto, com as mãos enterradas nos bolsos das suas largas bragas de flanela branca, o casquete da mesma flanela posta de lado sobre os belos anéis do cabelo negro - continuava a mirar o Vilaça, que com o beiço tremulo, tendo tirado a luva, limpava os olhos por baixo dos óculos";
- "Carlos começou a aparecer-lhe como um libertino «que já sabia coisas»; e não consentiu mais que a Terezinha brincasse só com ele pelos corredores de Santa Olavia".
é o protagonista da história, um jovem médico que retorna a Portugal após uma temporada em Paris. Ele é descrito como um homem atraente, inteligente e culto, mas também como alguém que tem dificuldade em assumir responsabilidades. Ele apaixona-se pela sua irmã Maria Eduarda, o que acaba por gerar problemas na sua vida.
05. Personagens
MARIA EDUARDA
- "Foi então que conheceu D. Maria Eduarda Runa, filha do conde de Runa, uma linda morena, mimosa e um pouco adoentada";
- " Maria Eduarda! Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela; e pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena";
- "Maria Eduarda queixava-se sobretudo das casas, tão faltas de comodidade, tão despidas de gosto, tão desleixadas. Aquela em que vivia fazia a sua desgraça. A cozinha era atroz, as portas não fechavam. Na sala de jantar havia sobre a parede umas pinturas de barquinhos e colinas que lhe tiravam o apetite...".
é a irmã de Carlos e também sua amante. Ela é descrita como uma mulher muito bonita, elegante e sofisticada, mas também manipuladora e egoísta. Ela tem um passado misterioso que é revelado ao longo da história.
05. Personagens
JOÃO DA EGA
- "Depois seguia-se a lista das pessoas que a Gazeta se recordava de ter visto, entre as quais «destacava com o seu monóculo o fino perfil de João da Ega, sempre brilhante de verve.» Ega sorriu, cofiando o bigode";
- "enquanto o Sr. Guimarães afirmava a sua satisfação por conhecer o Sr. João da Ega, moço de tantos dotes e tão liberal. E quando s. Exc.ª quisesse qualquer coisa, política ou literária, era escrever este endereço bem conhecido no mundo";
- "- O meu amigo João da Ega... O meu velho amigo Guimarães, um bravo cá dos nossos, um veterano da Democracia".
é o melhor amigo de Carlos e um escritor talentoso. Ele é descrito como um homem inteligente, mas também cínico e desiludido com a sociedade portuguesa. Ele é o primeiro a alertar Carlos sobre o perigo de se envolver com Maria Eduarda.
05. Personagens
- "o senhor da casa, Afonso da Maia, um velho já, quasi um antepassado, mais idoso que o século";
- "Afonso era um pouco baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes: e com a sua face larga de nariz aquilino, a pele corada, quasi vermelha, o cabelo branco todo cortado à escovinha, e a barba de neve aguda e longa - lembrava, como dizia Carlos, um varão esforçado das idades heróicas, um D. Duarte de Menezes ou um Afonso de Albuquerque";
- "apenas um antepassado bonacheirão que amava os seus livros, o aconchego da sua poltrona, o seu whist ao canto do fogão. Ele mesmo costumava dizer, que era simplesmente um egoísta: - mas nunca, como agora na velhice, as generosidades do seu coração tinham sido tão profundas e largas. Parte do seu rendimento ia-selhe por entre os dedos, esparsamente, numa caridade enternecida. Cada vez amava mais o que é pobre e o que é fraco".
AFONSO DA MAIA
é o avô de Carlos e um antigo aristocrata. Ele é descrito como um homem culto e refinado, que valoriza a tradição e o respeito pela família. Ele é um dos poucos personagens que tem uma visão clara do que está a acontecer na história.
05. Personagens
PEDRO DA MAIA
- "Parece que estou a ouvir o Pedro dizer-lhe com o seu ar de fidalgo, que (...)";
- "Mas a esta palavra Pedro erguera-se, impetuosamente. De certo o ferira a ideia de Maria, longe, num quarto alheio, agasalhando-se-lhe no leito do adultério entre os braços do outro. Apertou um instante a cabeça nas mãos, depois veio junto do pai, com o passo mal firme, mas a voz muito calma";
- " Pessoa muito respeitável... O pai de V. Exc.ª era... Enfim, era o que se chama «um elegante»".
é o pai de Carlos e um homem rico e bem-sucedido. Ele é descrito como alguém que valoriza muito a aparência e a reputação social, mas que não tem muitos escrúpulos quando se trata dos seus negócios.
05. Personagens
- "Ela conservou algum tempo a sua atitude de Deusa insensível";
- "Nunca Maria Monforte aparecera mais bela: tinha uma dessas toaletes excessivas e teatrais que ofendiam Lisboa, e faziam dizer ás senhoras que ela se vestia «como uma cómica». Estava de seda cor de trigo, com duas rosas amarelas e uma espiga nas tranças, opalas sobre o colo e nos braços; e estes tons de ceara madura batida do sol, fundindo-se com o ouro dos cabelos, iluminando-lhe a carnação ebúrnea, banhando as suas formas de estátua, davam-lhe o esplendor duma Ceres";
- "Toda a antiga maneira de Maria pareceu com efeito ir mudando. Suspendera as soirées. Começou a passar as noites muito recolhidas, com alguns íntimos, no seu boudoir azul. Já não fumava; abandonara o bilhar; e vestida de preto, com uma flor nos cabelos, fazia crochet ao pé do candeeiro".
MARIA MONFORTE
é a mãe de Carlos e a primeira esposa de Pedro da Maia. Ela é descrita como uma mulher bonita e misteriosa, que abandona a família quando Carlos ainda é um menino.
05. Personagens
- "Um doido!... Sim, era essa a opinião da rua dos Fanqueiros; o indígena, vendo uma originalidade tão forte como a de Craft, não podia explica-la senão pela doidice. O Craft era um rapaz extraordinário!... Agora tinha ele chegado da Suécia, de passar três meses com os estudantes de Upsala. Estava também na Foz... Uma individualidade de primeira ordem!";
- "O Craft é filho dum clergiman da igreja inglesa do Porto. Foi um tio, um negociante de Calcutá ou de Austrália, um Nababo, que lhe deixou a fortuna. Uma grande fortuna. Mas não negocia, nem sabe o que isso é. Dá largas ao seu temperamento byroneano, é o que faz. Tem viajado por todo o universo, colecciona obras de arte, bateu-se como voluntário na Abissínia e em Marrocos, enfim vive, vive na grande, na forte,na heróica acepção da palavra. É necessário conhecer o Craft. Vais-te babar por ele...".
CRAFT
é um inglês que vive em Lisboa e que se torna amigo de Carlos. Ele é descrito como um homem excêntrico e aventureiro, que traz um pouco de frescor e diversão à história.
Linguagem e estilo queirosianos
07.
Capítulos VII/XIII/XIV/XVI/XVII
A linguagem e o estilo de Eça de Queirós em "Os Maias" são marcados por uma escrita elegante e sofisticada, com um tom irónico e satírico em relação à sociedade portuguesa do final do século XIX.
continuar
Capítulo VII
Neste capítulo, é feita uma descrição da casa dos Maias, Eça de Queirós utiliza uma linguagem minuciosa e detalhada para descrever os móveis, objetos de arte e a atmosfera do ambiente. Ele usa uma linguagem elegante e rebuscada para transmitir a opulência e o luxo da casa, destacando a influência francesa na decoração e a sofisticação dos gostos das personagens.
"Na sala de visitas, o papel tinha em toda a volta uma tarja de pássaros em voo, com fundo verde, emoldurados por uma tarja de ramagens verdes, numa gradação pálida que ia escurecendo até ao verde sombrio das cortinas".
Capítulo XIII
Neste capítulo, Eça apresenta a descrição detalhada das emoções das personagens, fazendo uma crítica social a partir do uso de metáforas.
"Eram contínuas as zombarias e as censuras; e ela sentia-se rodeada, insultada, com uma repulsa e um desprezo que lhe iam afogando a voz e os gestos".
Aqui é retratada a situação de Maria Eduarda, que sofre o escárnio e a reprovação social devido ao seu relacionamento com Carlos. O uso de termos fortes, como "zombarias", "censuras" e "repulsa", intensificam a carga dramática da cena, revelando a crítica social.
"O coração dela batia alto, com surdas pancadas, numa opressão que a sufocava, como uma mão cerrada, apertando-lhe o peito".
Eça faz a descrição dos batimentos cardíacos acelerados de Maria Eduar,da revelando a intensidade das suas emoções e transmitindo uma sensação de angústia e inquietação.
"Tinham falado da morte como de uma última solidão, com negras visões de treva e de abandono eterno..."
Eça utiliza uma linguagem sombria e poética para descrever as reflexões sobre a morte. O uso de expressões como "última solidão", "negras visões de treva" e "abandono eterno" criam uma atmosfera melancólica e fatalista, refletindo a visão pessimista do autor sobre a condição humana.
Capítulo XIV
Neste capítulo, é apresentada a personagem Maria Eduarda, Eça de Queirós utiliza uma linguagem sensual e sedutora para descrever a beleza e o encanto dela. Através de uma escrita envolvente e cheia de metáforas, ele cria uma atmosfera de paixão e desejo, retratando a atração irresistível que Maria Eduarda exerce sobre os homens.
"Tinha um arco de boca perfeito; e, ao sorrir, descobria umas gengivas tão alvas, uns dentes tão miúdos, tão iguais, tão brancos, que ela própria, mirando-os no espelho, sentia uma alegria de vaidade".
Capítulo XVI
Neste capítulo, Eça de Queirós utiliza uma linguagem mais descritiva e detalhada para retratar a cidade de Lisboa. Ele descreve as ruas, os edifícios e os costumes da cidade com um olhar crítico e realista. A linguagem é vívida e rica em detalhes, criando uma imagem vívida do ambiente urbano da época.
"Àquela hora, a Avenida estava silenciosa e deserta. As luzes dos candeeiros públicos, a longa fileira de luzes amarelas, perdia-se na sombra das árvores; as arcadas estavam já escuras; na planície da Rua de S. Francisco, apenas se via uma claridade nos dois postos de limonada, onde os lanternas dos carros se destacavam como enormes vaga-lumes".
Capítulo XVII
Neste capítulo, é apresentada a personagem Tó-Zé (A Toca), Eça utiliza uma linguagem mais crua e direta para retratar a vida miserável e degradante da personagem. A linguagem é mais coloquial e menos refinada, refletindo a condição social inferior e a decadência moral da personagem.
"Vivia só, sem mulher nem filhos, com uma gata preta que chamava a 'Rata' e com um canário que pendia na janela num pequeno castelo de vime; e entre aquelas criaturas, na sua toca mal alumiada e malcheirosa, aonde nem o ar nem o sol chegavam, passava horas intermináveis, a repisar na sua mágoa."
08.
A TRAGÉDIA DOS AMORES DE CARLOS E MARIA EDUARDA
Intriga Principal
O tema principal d’ Os Maias é o incesto que acontece entre Carlos da Maia e Maria Eduarda; ambos eram irmãos, mas foram separados quando eram crianças pela mãe que deixou Carlos com o pai e levou consigo a filha, Maria Eduarda. A tragédia é marcada pela paixão intensa, mas proibida, entre as duas personagens. Eles tentam viver juntos, mas são impedidos pelas convenções sociais e pelas ações de terceiros.
Capítulo VII
Carlos tem encontros casuais com Maria Eduarda no Aterro, esta estando só ou acompanhada por Castro Gomes, ficando Carlos a admirá-la e a deslumbra-lá de longe, mesmo ele não sabendo o seu nome.
PASSAGEm TEXTUAl
“Mas Carlos não escutava, nem sorria já. Do fim do Aterro aproximava-se, caminhando depressa, uma senhora - que ele reconheceu logo, por esse andar que lhe parecia de uma deusa pisando a Terra, pela cadelinha cor de prata que lhe trotava junto às saias, e por aquele corpo maravilhoso onde vibrava, sob linhas ricas de mármore antigo, uma graça quente, ondeante e nervosa. Vinha toda vestida de escuro, numa toilette de serge muito simples que era como o complemento natural da sua pessoa, colando-se bem sobre ela, dando-lhe, na sua correção, um ar casto e forte; trazia na mão um guarda-sol inglês, apertado e fino como uma cana; e toda ela, adiantando-se assim no luminoso da tarde, tinha, naquele cais triste de cidade antiquada, um destaque estrangeiro, como o requinte claro de civilizações superiores. Nenhum véu, nessa tarde, lhe assombreava o rosto".
Capítulo XIII
Carlos leva Maria Eduarda a conhecer a Quinta do Olivais, a antiga casa de Craft, que ambos decidem chamar de “Toca”. Eles têm lá encontros secretos, onde se chegam a envolver.
PASSAGEm TEXTUAl
“Maria Eduarda deixou-se levar assim enlaçada pelo salão, depois através da sala de tapeçarias, onde Marte e Vénus se ama- vam entre os bosques. Os banhos eram ao lado, com um pavimento de azulejo, avivado por um velho tapete vermelho da Caramânia. Ele, tendo-a sempre abraçada, pousou-lhe no pescoço um beijo longo e lento. Ela abandonou-se mais, os seus olhos cerraram-se, pesados e vencidos. Penetraram na alcova quente e cor de oiro: Carlos, ao passar, desprendeu as cortinas do arco de capela, feitas de uma seda leve que coava para dentro uma claridade loira: e um instante ficaram imóveis, sós enfim, desatado o abraço, sem se tocarem, como suspensos e sufocados pela abundância da sua felicidade.“
Capítulo XIV
Maria Eduarda visita o Ramalhete, visto que Afonso (avó de Carlos) estava ausente. Castro Gomes apareceu numa noite com uma carta de Dâmaso a dizer que a sua mulher tinha um amante. Nisto revela a sua verdadeira relação com Maria Eduarda e alguns factos sobre ela. Depois disso, Carlos confronta Maria Eduarda acabando por pedi-la em casamento.
PASSAGEm TEXTUAl
"— Maria, queres casar comigo?Ela ergueu a cabeça, sem compreender, com os olhos desvaira- dos. Mas Carlos tinha os braços abertos; e estava esperando para a fechar dentro deles outra vez, como sua e para sempre... Então levantou-se, tropeçando nos vestidos, veio cair sobre o peito dele, cobrindo-o de beijos, entre soluços e risos tonta, num deslumbra- mento: — Casar contigo, contigo? Oh! Carlos... E viver sempre, sempre contigo?... Oh! meu amor, meu amor! E tratar de ti, e servir-te, e adorar-te, e ser só tua? E a pobre Rosa também... Não, não cases comigo, não é possível, não valho nada! Mas se tu queres, porque não?... Vamos para longe, juntos, e Rosa e eu sobre o teu coração! E hás-de ser nosso amigo, meu e dela, que não temos ninguém no mundo... Oh! meu Deus, meu Deus!..."
Capítulo XVI
Dá-se o importante episódio do “ Sarau no Teatro da Trindade “. Aqui o enredo atinge um ponto culminante, quando surge, à maneira da tragédia clássica, uma situação que contribui para a mudança súbita dos acontecimentos. O senhor Guimarães, tio de Dâmaso que vive em Paris, torna-se o instrumento da fatalidade que se abate sobre Carlos e Maria Eduarda, quando entrega a Ega o cofre que Maria Monforte lhe confiara em Paris, onde se encontram documentos com a revelação de que Carlos e Eduarda são irmãos.
PASSAGEm TEXTUAl
"Todavia o Sr. Guimarães baixou a voz cautelosa:
- Aqui está o que é... V. Exc.ª sabe, ou talvez não saiba, que eu fui em
Paris íntimo da mãe do Sr. Carlos da Maia... V. Exc.ª tem pressa, e não vem
agora a propósito essa história. Basta dizer que aqui há anos ela entregou-me,
para eu guardar, um cofre que, segundo dizia continha papéis importantes...
Depois naturalmente, ambos tivemos muitas outras coisas em que pensar, os
anos correram, ela morreu. Numa palavra, porque V. Exc.ª está com pressa:
eu conservo ainda em meu poder esse deposito, e trouxe-o por acaso quando
vim agora a Portugal por negócios da herança de meu irmão... Ora hoje
justamente, ali no teatro, comecei a reflectir que o melhor era entrega-lo à
família... "
Capítulo XVII
Ega tem em mãos a tarefa difícil de fazer chegar a Carlos a revelação de que ele é irmão de Maria Eduarda. Faltando-lhe a coragem, incumbe o procurador Vilaça de entregar ao amigo o cofre deixado por Maria Monforte. Vive-se um momento dramático, tendo em conta a mudança de rumo que seguem os amores das duas personagens principais do romance. A ação avança precipitadamente em direção a um desfecho trágico.
PASSAGEm TEXTUAl
"E pouco a pouco, sob o tépido aconchego dos cobertores em que se
atabafara, começou a afigurar-se-lhe menos urgente, e menos útil, essa
correria estremunhada a casa do Vilaça... De que servia procurar o Vilaça?
Não se tratava ali de dinheiro, nem de demandas, nem de legalidade - de
nada que reclamasse a experiência dum procurador. Era apenas introduzir
um burguês mais num segredo tão terrivelmente delicado que ele mesmo se
assustava de o saber. E acochado mais sob a roupa, apenas com o nariz ao
frio, murmurava consigo: «É uma tolice ir ao Vilaça!»
De resto não poderia ele ajuntar em si bastante coragem para contar
tudo a Carlos, logo, nessa manhã, claramente, virilmente? Era por fim aquele
caso tão pavoroso como lhe parecera na véspera - um irreparável
desabamento duma vida de homem?"
Testa o teu conhecimento sobre a obra:
Quiz
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FIM!
Muito bem! Concluíste o QUIZ.
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10.
Referências
- https://wakelet.com/wake/Q01R7nPHiGC58J8BNe8O8
- Pinto, D. A. ; Andrade, A. ; Cardoso, C. & Cameira, C. (2022). Novo Mensagens 11, Texto Editores. ISBN: 9789724756950 Páginas consultadas: [ 228,293 ]
- https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$pedro-da-maia
- https://www.santillana.pt/files/DNLCNT/Priv/_11811_c.book/268/resources/recursos_professor/u4_sistematizacao_os_maias.pdf
- https://www.faroldasletras.pt/os_maias_tecnica_de_tragedia.html
- https://www.youtube.com/watch?v=nJDxcbHhFOY&t=18s
- https://pt.scribd.com/doc/47662614/Os-Maias-Critica-Social
Os Maias - Grupo 7, 11ºI
Joel Dias
Created on May 3, 2023
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Os Maias
Realizado por : Carolina, Luís, Patrícia e Joel 2022/2023 Turma 11ºI
Disciplina de PortuguêsProfessora Laurinda Fernandes
Índice
09. QUIZ
01. VIDA DO AUTOR
02. OBRA
10. FONTES
03. CONTEXTUALIZAÇÃO
04. NARRADOR
05. PERSONAGENS
06. TRAGÉDIA E INDÍCIOS
07. LINGUAGEM E ESTILO QUEIROSIANO
08. A TRAGÉDIA DOS AMORES DE CARLOS E MARIA EDUARDA
01. Vida do autor
Eça de Queirós
José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim. Em 1861, após concluir a escolaridade obrigatória, ingressou na Universidade de Coimbra, onde estudou direito e iniciou a sua carreira literária ao escrever para jornais estudantis e ao publicar o seu primeiro conto em 1866. Depois de se formar em Direito, Eça trabalhou como advogado e diplomata e viveu em vários países, incluindo Inglaterra, França e Egito.
Eça de Queirós é conhecido pelos seus romances realistas, que retratam a sociedade portuguesa do século XIX de forma crítica e satírica. Os seus livros mais famosos incluem "Os Maias" (1888), "O Crime do Padre Amaro" (1875), "O Primo Basílio" (1878) e "A Ilustre Casa de Ramires" (1900). Estas obras apresentam personagens complexas e multifacetadas, que muitas vezes se debatem com conflitos morais e sociais. Além disso, Eça é reconhecido pela sua prosa elegante e o seu senso de humor refinado.
01. Vida do autor
Eça de Queirós
Embora tenha morrido jovem, aos 55 anos, em Paris no ano de 1900, Eça de Queirós deixou um legado literário duradouro. Os seus livros continuam a ser lidos e estudados em todo o mundo, e são considerados obras fundamentais da literatura portuguesa e do movimento realista. Eça também foi um pioneiro na introdução do naturalismo em Portugal, influenciando escritores posteriores como Fernando Pessoa e José Saramago.
Info
02. Obra
"Os Maias" é um dos romances mais conhecidos de Eça de Queirós e foi publicado em 1888. A obra é um retrato crítico da sociedade portuguesa do século XIX, em particular da classe alta lisboeta, e é considerada uma obra-prima do realismo português.
O romance passa-se em Lisboa, na década de 1870, e narra a história da família Maia, que representa a decadência da aristocracia portuguesa. Carlos da Maia, o protagonista, é um jovem médico que retorna a Portugal após uma temporada em Paris e se envolve num romance com a sua irmã Maria Eduarda, que também é amada pelo seu melhor amigo, João da Ega. O romance é marcado pela crítica social e pela sátira aos valores da alta sociedade portuguesa da época.
03. Contextualização
Histórico-Cultural
Além disso, Portugal enfrentava uma crise política e económica no final do século XIX, com a queda da monarquia e a ascensão da República. "Os Maias" retrata este contexto de mudanças e crise, bem como as tensões entre a classe aristocrática e a emergente classe burguesa. Os objetivos de crítica e de moralização da sociedade portuguesa da época, através de uma caricatura do velho mundo, causaram um escândalo nacional, levando, inclusivamente, a que o Governo proibisse as «conferências de casino».
O contexto histórico-cultural em que a obra foi escrita é marcado pela chamada
"Questão Coimbrã"
Info
04. Narrador
Quanto à presença, o narrador é observador e não participante, portanto, heterodiegético. Quanto à ciência, o narrador é omnisciente, porque apresenta ao leitor as ações, pensamentos e sentimentos das personagens e conhece o passado (analepses) e, por vezes, o futuro da ação (utilizando a prolepse). Este tipo de narrador tem acesso a informações e perspetivas que as personagens não têm, o que permite ao leitor ter uma visão mais completa da história.
PASSAGENS TEXTUAIS
"Eram duas horas da tarde; o sol caía obliquamente sobre as águas, e, dentro do quarto, uma claridade tranquila filtrava pela janela entreaberta, com uma doçura clara de fim de dia." (cap. I)
Nesta passagem, o narrador-observador descreve a luz que entra no quarto de Carlos da Maia e sugere um clima de tranquilidade no ambiente, mesmo sem a presença da personagem.
"Aí estavam sentados, à hora do chá, o barão de Alvim, o conselheiro Acácio, o velho Castro Gomes, o conde de Steinbroken, e outros mais, todos de colarinho alto, de casaca preta, de cabelo grisalho." (cap. III)
Nesta passagem, o narrador omnisciente apresenta ao leitor as personagens que frequentam o clube central, com detalhes sobre a sua aparência e vestuário, sem a necessidade de que eles próprios se apresentem.
"O Eduardo coçava a cabeça, com um ar desolado. Carlos percebeu que ele acabava de descobrir uma das verdades eternas: que é difícil conjugar o amor com o jantar." (cap. VIII)
Nesta passagem, o narrador apresenta a perspetiva de Carlos da Maia sobre a situação de Eduardo, sem que a própria personagem expresse essa ideia. Isto sugere que o narrador tem acesso ao que as personagens pensam e sentem.
05. Personagens
CARLOS DA MAIA
é o protagonista da história, um jovem médico que retorna a Portugal após uma temporada em Paris. Ele é descrito como um homem atraente, inteligente e culto, mas também como alguém que tem dificuldade em assumir responsabilidades. Ele apaixona-se pela sua irmã Maria Eduarda, o que acaba por gerar problemas na sua vida.
05. Personagens
MARIA EDUARDA
é a irmã de Carlos e também sua amante. Ela é descrita como uma mulher muito bonita, elegante e sofisticada, mas também manipuladora e egoísta. Ela tem um passado misterioso que é revelado ao longo da história.
05. Personagens
JOÃO DA EGA
é o melhor amigo de Carlos e um escritor talentoso. Ele é descrito como um homem inteligente, mas também cínico e desiludido com a sociedade portuguesa. Ele é o primeiro a alertar Carlos sobre o perigo de se envolver com Maria Eduarda.
05. Personagens
AFONSO DA MAIA
é o avô de Carlos e um antigo aristocrata. Ele é descrito como um homem culto e refinado, que valoriza a tradição e o respeito pela família. Ele é um dos poucos personagens que tem uma visão clara do que está a acontecer na história.
05. Personagens
PEDRO DA MAIA
é o pai de Carlos e um homem rico e bem-sucedido. Ele é descrito como alguém que valoriza muito a aparência e a reputação social, mas que não tem muitos escrúpulos quando se trata dos seus negócios.
05. Personagens
MARIA MONFORTE
é a mãe de Carlos e a primeira esposa de Pedro da Maia. Ela é descrita como uma mulher bonita e misteriosa, que abandona a família quando Carlos ainda é um menino.
05. Personagens
CRAFT
é um inglês que vive em Lisboa e que se torna amigo de Carlos. Ele é descrito como um homem excêntrico e aventureiro, que traz um pouco de frescor e diversão à história.
Linguagem e estilo queirosianos
07.
Capítulos VII/XIII/XIV/XVI/XVII
A linguagem e o estilo de Eça de Queirós em "Os Maias" são marcados por uma escrita elegante e sofisticada, com um tom irónico e satírico em relação à sociedade portuguesa do final do século XIX.
continuar
Capítulo VII
Neste capítulo, é feita uma descrição da casa dos Maias, Eça de Queirós utiliza uma linguagem minuciosa e detalhada para descrever os móveis, objetos de arte e a atmosfera do ambiente. Ele usa uma linguagem elegante e rebuscada para transmitir a opulência e o luxo da casa, destacando a influência francesa na decoração e a sofisticação dos gostos das personagens.
"Na sala de visitas, o papel tinha em toda a volta uma tarja de pássaros em voo, com fundo verde, emoldurados por uma tarja de ramagens verdes, numa gradação pálida que ia escurecendo até ao verde sombrio das cortinas".
Capítulo XIII
Neste capítulo, Eça apresenta a descrição detalhada das emoções das personagens, fazendo uma crítica social a partir do uso de metáforas.
"Eram contínuas as zombarias e as censuras; e ela sentia-se rodeada, insultada, com uma repulsa e um desprezo que lhe iam afogando a voz e os gestos".
Aqui é retratada a situação de Maria Eduarda, que sofre o escárnio e a reprovação social devido ao seu relacionamento com Carlos. O uso de termos fortes, como "zombarias", "censuras" e "repulsa", intensificam a carga dramática da cena, revelando a crítica social.
"O coração dela batia alto, com surdas pancadas, numa opressão que a sufocava, como uma mão cerrada, apertando-lhe o peito".
Eça faz a descrição dos batimentos cardíacos acelerados de Maria Eduar,da revelando a intensidade das suas emoções e transmitindo uma sensação de angústia e inquietação.
"Tinham falado da morte como de uma última solidão, com negras visões de treva e de abandono eterno..."
Eça utiliza uma linguagem sombria e poética para descrever as reflexões sobre a morte. O uso de expressões como "última solidão", "negras visões de treva" e "abandono eterno" criam uma atmosfera melancólica e fatalista, refletindo a visão pessimista do autor sobre a condição humana.
Capítulo XIV
Neste capítulo, é apresentada a personagem Maria Eduarda, Eça de Queirós utiliza uma linguagem sensual e sedutora para descrever a beleza e o encanto dela. Através de uma escrita envolvente e cheia de metáforas, ele cria uma atmosfera de paixão e desejo, retratando a atração irresistível que Maria Eduarda exerce sobre os homens.
"Tinha um arco de boca perfeito; e, ao sorrir, descobria umas gengivas tão alvas, uns dentes tão miúdos, tão iguais, tão brancos, que ela própria, mirando-os no espelho, sentia uma alegria de vaidade".
Capítulo XVI
Neste capítulo, Eça de Queirós utiliza uma linguagem mais descritiva e detalhada para retratar a cidade de Lisboa. Ele descreve as ruas, os edifícios e os costumes da cidade com um olhar crítico e realista. A linguagem é vívida e rica em detalhes, criando uma imagem vívida do ambiente urbano da época.
"Àquela hora, a Avenida estava silenciosa e deserta. As luzes dos candeeiros públicos, a longa fileira de luzes amarelas, perdia-se na sombra das árvores; as arcadas estavam já escuras; na planície da Rua de S. Francisco, apenas se via uma claridade nos dois postos de limonada, onde os lanternas dos carros se destacavam como enormes vaga-lumes".
Capítulo XVII
Neste capítulo, é apresentada a personagem Tó-Zé (A Toca), Eça utiliza uma linguagem mais crua e direta para retratar a vida miserável e degradante da personagem. A linguagem é mais coloquial e menos refinada, refletindo a condição social inferior e a decadência moral da personagem.
"Vivia só, sem mulher nem filhos, com uma gata preta que chamava a 'Rata' e com um canário que pendia na janela num pequeno castelo de vime; e entre aquelas criaturas, na sua toca mal alumiada e malcheirosa, aonde nem o ar nem o sol chegavam, passava horas intermináveis, a repisar na sua mágoa."
08.
A TRAGÉDIA DOS AMORES DE CARLOS E MARIA EDUARDA
Intriga Principal
O tema principal d’ Os Maias é o incesto que acontece entre Carlos da Maia e Maria Eduarda; ambos eram irmãos, mas foram separados quando eram crianças pela mãe que deixou Carlos com o pai e levou consigo a filha, Maria Eduarda. A tragédia é marcada pela paixão intensa, mas proibida, entre as duas personagens. Eles tentam viver juntos, mas são impedidos pelas convenções sociais e pelas ações de terceiros.
Capítulo VII
Carlos tem encontros casuais com Maria Eduarda no Aterro, esta estando só ou acompanhada por Castro Gomes, ficando Carlos a admirá-la e a deslumbra-lá de longe, mesmo ele não sabendo o seu nome.
PASSAGEm TEXTUAl
“Mas Carlos não escutava, nem sorria já. Do fim do Aterro aproximava-se, caminhando depressa, uma senhora - que ele reconheceu logo, por esse andar que lhe parecia de uma deusa pisando a Terra, pela cadelinha cor de prata que lhe trotava junto às saias, e por aquele corpo maravilhoso onde vibrava, sob linhas ricas de mármore antigo, uma graça quente, ondeante e nervosa. Vinha toda vestida de escuro, numa toilette de serge muito simples que era como o complemento natural da sua pessoa, colando-se bem sobre ela, dando-lhe, na sua correção, um ar casto e forte; trazia na mão um guarda-sol inglês, apertado e fino como uma cana; e toda ela, adiantando-se assim no luminoso da tarde, tinha, naquele cais triste de cidade antiquada, um destaque estrangeiro, como o requinte claro de civilizações superiores. Nenhum véu, nessa tarde, lhe assombreava o rosto".
Capítulo XIII
Carlos leva Maria Eduarda a conhecer a Quinta do Olivais, a antiga casa de Craft, que ambos decidem chamar de “Toca”. Eles têm lá encontros secretos, onde se chegam a envolver.
PASSAGEm TEXTUAl
“Maria Eduarda deixou-se levar assim enlaçada pelo salão, depois através da sala de tapeçarias, onde Marte e Vénus se ama- vam entre os bosques. Os banhos eram ao lado, com um pavimento de azulejo, avivado por um velho tapete vermelho da Caramânia. Ele, tendo-a sempre abraçada, pousou-lhe no pescoço um beijo longo e lento. Ela abandonou-se mais, os seus olhos cerraram-se, pesados e vencidos. Penetraram na alcova quente e cor de oiro: Carlos, ao passar, desprendeu as cortinas do arco de capela, feitas de uma seda leve que coava para dentro uma claridade loira: e um instante ficaram imóveis, sós enfim, desatado o abraço, sem se tocarem, como suspensos e sufocados pela abundância da sua felicidade.“
Capítulo XIV
Maria Eduarda visita o Ramalhete, visto que Afonso (avó de Carlos) estava ausente. Castro Gomes apareceu numa noite com uma carta de Dâmaso a dizer que a sua mulher tinha um amante. Nisto revela a sua verdadeira relação com Maria Eduarda e alguns factos sobre ela. Depois disso, Carlos confronta Maria Eduarda acabando por pedi-la em casamento.
PASSAGEm TEXTUAl
"— Maria, queres casar comigo?Ela ergueu a cabeça, sem compreender, com os olhos desvaira- dos. Mas Carlos tinha os braços abertos; e estava esperando para a fechar dentro deles outra vez, como sua e para sempre... Então levantou-se, tropeçando nos vestidos, veio cair sobre o peito dele, cobrindo-o de beijos, entre soluços e risos tonta, num deslumbra- mento: — Casar contigo, contigo? Oh! Carlos... E viver sempre, sempre contigo?... Oh! meu amor, meu amor! E tratar de ti, e servir-te, e adorar-te, e ser só tua? E a pobre Rosa também... Não, não cases comigo, não é possível, não valho nada! Mas se tu queres, porque não?... Vamos para longe, juntos, e Rosa e eu sobre o teu coração! E hás-de ser nosso amigo, meu e dela, que não temos ninguém no mundo... Oh! meu Deus, meu Deus!..."
Capítulo XVI
Dá-se o importante episódio do “ Sarau no Teatro da Trindade “. Aqui o enredo atinge um ponto culminante, quando surge, à maneira da tragédia clássica, uma situação que contribui para a mudança súbita dos acontecimentos. O senhor Guimarães, tio de Dâmaso que vive em Paris, torna-se o instrumento da fatalidade que se abate sobre Carlos e Maria Eduarda, quando entrega a Ega o cofre que Maria Monforte lhe confiara em Paris, onde se encontram documentos com a revelação de que Carlos e Eduarda são irmãos.
PASSAGEm TEXTUAl
"Todavia o Sr. Guimarães baixou a voz cautelosa: - Aqui está o que é... V. Exc.ª sabe, ou talvez não saiba, que eu fui em Paris íntimo da mãe do Sr. Carlos da Maia... V. Exc.ª tem pressa, e não vem agora a propósito essa história. Basta dizer que aqui há anos ela entregou-me, para eu guardar, um cofre que, segundo dizia continha papéis importantes... Depois naturalmente, ambos tivemos muitas outras coisas em que pensar, os anos correram, ela morreu. Numa palavra, porque V. Exc.ª está com pressa: eu conservo ainda em meu poder esse deposito, e trouxe-o por acaso quando vim agora a Portugal por negócios da herança de meu irmão... Ora hoje justamente, ali no teatro, comecei a reflectir que o melhor era entrega-lo à família... "
Capítulo XVII
Ega tem em mãos a tarefa difícil de fazer chegar a Carlos a revelação de que ele é irmão de Maria Eduarda. Faltando-lhe a coragem, incumbe o procurador Vilaça de entregar ao amigo o cofre deixado por Maria Monforte. Vive-se um momento dramático, tendo em conta a mudança de rumo que seguem os amores das duas personagens principais do romance. A ação avança precipitadamente em direção a um desfecho trágico.
PASSAGEm TEXTUAl
"E pouco a pouco, sob o tépido aconchego dos cobertores em que se atabafara, começou a afigurar-se-lhe menos urgente, e menos útil, essa correria estremunhada a casa do Vilaça... De que servia procurar o Vilaça? Não se tratava ali de dinheiro, nem de demandas, nem de legalidade - de nada que reclamasse a experiência dum procurador. Era apenas introduzir um burguês mais num segredo tão terrivelmente delicado que ele mesmo se assustava de o saber. E acochado mais sob a roupa, apenas com o nariz ao frio, murmurava consigo: «É uma tolice ir ao Vilaça!» De resto não poderia ele ajuntar em si bastante coragem para contar tudo a Carlos, logo, nessa manhã, claramente, virilmente? Era por fim aquele caso tão pavoroso como lhe parecera na véspera - um irreparável desabamento duma vida de homem?"
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