OS Maias
Descrição do Real e o papel das sensações
Contexto
Os Maias, plublicados em 1888, integram ainda a chamada fase realista/naturalista de Eça.
Descrição do Real
Neste sentido, a linguagem deste romance harmoniza-se com os propósitos do Realismo.Pois em todo o romance, e atendendo sobretudo à vertente crónica social espelhada no subtítulo, Eça mostra-se um observador atento e perspicaz da realidade portuguesa do século XIX e é através da linguagem que ele consegue fazer um retrato vivo, intenso, e por isso, duradouro e verosímil dessa mesma realidade. No fundo, a descrição é feita com o auxílio ao impressionismo literário.
Descrição do Real e a sua função
Nos Maias o impressionismo literário é utilizado para:
- retratar a linguagem quotidiana, sendo utilizada uma linguagem bastante exata, baseada em conhecimentos científicos.
- mostrar o estado de espírito das personagens, buscando configurar a alma destas e da mesma forma o ambiente subtil do local.
- realçar um novo tipo de linguagem em que o autor busca mostrar a realidade de uma linguagem imperfeita, com metáforas e ritmos evocativos
Descrição do Real e a sua linguagem
Trata-se de uma linguagem profundamente inovadora para a literatura portuguesa, tanto pelo impressionismo das descrições como pelo realismo dos diálogos. Eça de Queirós, apropria-se da linguagem de forma inovadora, atribuindo-lhe novos valores estéticos e literáreos, através:
- Narração - ganha maleabilidade pela necessidade de relatar objetivamente os acontecimentos, como convinha à estética realista;
- Diálogo - enche-se de força coloquial;
- Descrição - é minuciosa, frequentemente sensorial, e serve os propósitos do realismo (rigor da observação e análise dos acontecimentos sociais);
- Monólogo - ajuda a entender o mundo interior das personagens;
- Comentário - permite a intervenção de um narrador que, tudo observa com um olhar crítico e contundente.
Papel das Sensações
As sensações assumem um papel essencial na descrição do real. Como tal, é de esperar que na prosa impressionista queirosiana se privilegie, o uso de determinados recursos expressivos...
Papel das Sensações
Sinestesia
Em particular, a sinestesia - recurso expressivo que consiste na associação de duas ou mais sensações pertencentes a registos sensoriais diferentes. Ex.: “uma luz macia, escorregando docemente do azul-ferrete, vinha dourar as fachadas enxovalhadas” A sinestesia, presente em «manhã muito fresca, toda azul e branca», «lindo sol que não aquecia», «varria-se devagar», «no ar macio», «morria à distância um toque fino de missa», sugerindo várias sensações ao leitor: a frescura agradável do ambiente (táctil) associada às cores (visual) e ao sol, a cadência ritmada do varrer e o som distante do sino (auditiva).
Papel das Sensações
Ironia
Ironia que consite no recurso expressivo por meio do qual se diz o contrário do que se quer dar a entender compõe uma das originalidades de Eça usada para evidenciar os aspetois risíveis e reveladores das incoerências das personagens ou dos factos. Assim, o narrador anula a objetividade que caracteriza o romance realista, assumindo uma perspetiva crítica e subjetiva. Ex.: "Ega foi generoso." (p. 572) referindo-se à atitude de Ega em relação a Dâmaso, que em nada tinha sido "generosa"
Papel das Sensações
Metáfora
Ex.: "(...) uma chuva de ouro caiu por baixo(...), referindo-se às faúlhas das brasas, (p. 121).
Conclusão!
Estes e outros recursos permitiram a Eça construir o seu estilo, um estilo incomparável e que, nas palavras do próprio escritor, tinha "limpidez, fibra, transparência, precisão, claridade", ou seja, tudo características da sua própria obra "Os Maias".
Trabalho realizado pelos alunos João Campos e Matilde Martins da turma 11ºA
OS MAIAS - A descrição do real e o papel das sensações
joaoteixeiradecampos3
Created on April 30, 2023
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OS Maias
Descrição do Real e o papel das sensações
Contexto
Os Maias, plublicados em 1888, integram ainda a chamada fase realista/naturalista de Eça.
Descrição do Real
Neste sentido, a linguagem deste romance harmoniza-se com os propósitos do Realismo.Pois em todo o romance, e atendendo sobretudo à vertente crónica social espelhada no subtítulo, Eça mostra-se um observador atento e perspicaz da realidade portuguesa do século XIX e é através da linguagem que ele consegue fazer um retrato vivo, intenso, e por isso, duradouro e verosímil dessa mesma realidade. No fundo, a descrição é feita com o auxílio ao impressionismo literário.
Descrição do Real e a sua função
Nos Maias o impressionismo literário é utilizado para:
Descrição do Real e a sua linguagem
Trata-se de uma linguagem profundamente inovadora para a literatura portuguesa, tanto pelo impressionismo das descrições como pelo realismo dos diálogos. Eça de Queirós, apropria-se da linguagem de forma inovadora, atribuindo-lhe novos valores estéticos e literáreos, através:
Papel das Sensações
As sensações assumem um papel essencial na descrição do real. Como tal, é de esperar que na prosa impressionista queirosiana se privilegie, o uso de determinados recursos expressivos...
Papel das Sensações
Sinestesia
Em particular, a sinestesia - recurso expressivo que consiste na associação de duas ou mais sensações pertencentes a registos sensoriais diferentes. Ex.: “uma luz macia, escorregando docemente do azul-ferrete, vinha dourar as fachadas enxovalhadas” A sinestesia, presente em «manhã muito fresca, toda azul e branca», «lindo sol que não aquecia», «varria-se devagar», «no ar macio», «morria à distância um toque fino de missa», sugerindo várias sensações ao leitor: a frescura agradável do ambiente (táctil) associada às cores (visual) e ao sol, a cadência ritmada do varrer e o som distante do sino (auditiva).
Papel das Sensações
Ironia
Ironia que consite no recurso expressivo por meio do qual se diz o contrário do que se quer dar a entender compõe uma das originalidades de Eça usada para evidenciar os aspetois risíveis e reveladores das incoerências das personagens ou dos factos. Assim, o narrador anula a objetividade que caracteriza o romance realista, assumindo uma perspetiva crítica e subjetiva. Ex.: "Ega foi generoso." (p. 572) referindo-se à atitude de Ega em relação a Dâmaso, que em nada tinha sido "generosa"
Papel das Sensações
Metáfora
Ex.: "(...) uma chuva de ouro caiu por baixo(...), referindo-se às faúlhas das brasas, (p. 121).
Conclusão!
Estes e outros recursos permitiram a Eça construir o seu estilo, um estilo incomparável e que, nas palavras do próprio escritor, tinha "limpidez, fibra, transparência, precisão, claridade", ou seja, tudo características da sua própria obra "Os Maias".
Trabalho realizado pelos alunos João Campos e Matilde Martins da turma 11ºA