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Jantar do Hotel Central | Os Maias

Pedro Machado

Created on April 26, 2023

Trabalho realizado por : Pedro Machado; Dragos Pintea; José Sousa.

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Transcript

Ano letivo 2022/2023

Crónica de costumes

Os Maias

Jantar do Hotel Central

  • Literatura, mentalidade retrógrada portuguesa, 1º encontro entre Carlos e Maria Eduarda.

índice

5. temas abordados

1. introdução

6. Aspetos criticados

2. Contextualização

Os Maias

3. Síntese do episódio

7. Conclusão

4. Caracterização das personagens

8. Bibliografia/WebGrafia

Os Maias

Introdução

Crónica de costumes

O romance realista apresenta características temáticas influenciadas pelo cientificismo da época, nomeadamente a crítica social que espelha determinados defeitos humanos que até então não eram revelados, como o materialismo, a traição, a corrupção, para além de defeitos de carácter e de personalidade, objeto de explicação e de análise determinista.

Contextualização

O Jantar no Hotel Central

O episódio do Jantar no Hotel Central integra-se no capítulo VI. Insere-se na ação principal e é um dos episódios da Crónica de costumes/Episódios das cenas românticas.

Os Maias

Capitulo I

Capitulo II

Capitulo III

Capitulo VI

Capitulo V

Capitulo IV

Capitulo VII

Capitulo VIII

Capitulo IX

Síntese do episódio

Objetivos:

➜ Homenagear o banqueiro Jacob Cohen, uma iniciativa de João da Ega («... o Ega, alargando pouco a pouco a ideia, convertera-o agora numa festa de cerimónia em honra do Cohen...»);

➜ Retratar a sociedade lisboeta;

➜ Proporcionar a Carlos da Maia o primeiro contacto com o meio social lisboeta;

Os Maias

➜ Apresentar a visão crítica de variados problemas;

➜ Ao nível da ação central: proporcionar a Carlos o primeiro encontro com Maria Eduarda.

Carlos da maia

O episódio proporciona-lhe o primeiro contacto com a sociedade, mantendo, durante o evento, uma posição relativamente discreta, salientando apenas alguns pontos: ➜ “o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos.”➜ “ninguém há-de fugir, e há-de-se morrer bem.”

Os Maias

Dâmaso Salcede

O novo-rico

Interveniente que representa os defeitos da sociedade. “Um rapaz baixote, gordo, frisado como um noivo da província, de camélia ao peito e gravata azul-celeste”. Caracterização:➜ “chique a valer”;➜ “...é direitinho para Paris! Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro...”

João da Ega

O defensor do Realismo

Promotor do jantar, uma homenagem ao banqueiro Jacob Cohen, marido da “divina Raquel”, com quem mantém uma relação adúltera. Defende o Realismo/Naturalismo. Advoga que “à bancarrota seguia-se uma revolução” e que desta forma, Portugal seria um grande beneficiário.

Os Maias

Craft

O diletante

Eça de Queiroz identifica nesta personagem o “homem ideal”. Representante da cultura artística e britânica, tendo uma participação pouco relevante neste episódio, reagindo de forma “impassível”.

Jacob Cohen

O banqueiro

Representante das Finanças, “respeitado director do Banco Nacional, marido da divina Raquel”, homem de estatura baixa, “apurado, de olhos bonitos, suíças tão pretas e luzidias” e com “bonitos dentes”. Neste jantar conheceu Carlos e destacou a posição superior que toma perante a sociedade.

Os Maias

Tomás de Alencar

O literato ultrarromântico

Representante do ultrarromantismo, é confrontado com os princípios naturalistas/realistas defendidos por Ega.Um “indivíduo muito alto, todo abotoado numa sobrecasaca preta, com uma face escaveirada, olhos encovados”, nariz curvado, bigodes compridos, “calvo na frente”, “dentes estragados” e “testa lívida”.

Temas abordados

A literatura e a crítica literária

Quanto à literatura e à crítica literária, houve uma grande discussão entre João da Ega, que defendia o Naturalismo/Realismo e Tomás de Alencar que defendia o Ultrarromantismo. Estes dois movimentos literários divergem frequentemente ao longo do jantar.

Os Maias

História Política

A bancarrota é outro tema tratado neste jantar que também gerou alguma polémica, tendo sido apresentada como solução a Invasão Espanhola. Ora, esta invasão Espanhola iria ter consequências em Portugal, entre as quais: a renovação de Portugal a vários níveis, afastamento da Monarquia e a implantação da República.

Finanças

Sendo a bancarrota um dos assuntos polémicos, presentes no jantar, que critica de forma irónica o país, é possível identificar como principais intervenientes e que geram uma maior desordem (neste assunto), João da Ega e Cohen.

Aspetos criticados

Naturalismo/Realismo

Tomás de Alencar fora o principal e mais contínuo crítico deste tema. Críticas proferidas por Alencar: ➜ designa o realismo/naturalismo por: “literatura «latrinária»”; “excremento”; “pústula, pus”; ➜ culpabiliza o naturalismo de publicar “rudes análises” que se apoderam “da Igreja, da Burocracia, da Finança, de todas as coisas santas dissecando-as brutalmente e mostrando-lhes a lesão”; ➜ crítica os versos de Simão Craveiro (poeta moderno) e acusa-o de plágio, pois “numa simples estrofe dois erros de gramática, um verso errado, e uma imagem roubada de Baudelaire!”. Carlos da Maia considera também que “o mais intolerável no realismo era os seus grandes ares científicos” e Ega apesar de defender o realismo concordava com esta crítica; Craft desaprova o realismo, pelo facto de estatelar a realidade feia das coisas num livro.

Os Maias

Aspetos criticados

Finanças

Este assunto espelha a crise financeira que o país passava nesta época (séc.XII). Eça de Queirós descreve-o de forma irónica através de Jacob Cohen, o representante das Finanças ao afirmar que os “empréstimos em Portugal constituíam uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sábida como o imposto”, aliás era «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo» a única ocupação dos ministérios. Desta forma, os intervenientes concordavam que assim, o país iria “alegremente e lindamente para a bancarrota”. No entanto, Ega não aceitara baixar os braços e logo dera a solução revolucionária para o problema de finanças que o país atravessava – a invasão espanhola! É possível confirmar a intervenção de Ega através da seguinte passagem:«À bancarrota seguia-se uma revolução, evidentemente. Um país que vive da inscrição, em não lha pagando, agarra no cacete. [...] E, passada a crise, Portugal, livre da velha dívida, da velha gente, dessa coleção grotesca de bestas...».

Os Maias

Aspetos criticados

História Política

Dada a sugestão perfeita para a bancarrota, Ega delira com a ideia e pretende “varrer a monarquia” e o “crasso pessoal do constitucionalismo”. A invasão espanhola leva Ega a criticar a raça portuguesa, afirma que esta é a mais cobarde e miserável da Europa, “Lisboa é Portugal! Fora de Lisboa não há nada.” Ega enumera, aínda, as consequências do Constitucionalismo: ➜ falta de educação e de higiene («... piolhice dos liceus...»); ➜ doença e devassidão («... roída de sífilis...»); ➜ passividade e inércia («... apodrecida no bolor das secretarias...»); ➜ comportamentos rotineiros («... arejada apenas ao domingo...»); ➜ perda da coragem e da dignidade («... perderam o músculo...»; «... perderam o caráter...»); ➜ fraqueza física e moral («... a raça mais fraca e mais cobarde...»).

Os Maias

Conclusão

2.

1.

O autor demonstra a incoerência cultural do povo português e a decadência do país, recorrendo, pela voz de João da Ega, à bancarrota e à invasão espanhola como determinantes da agitação revolucionária, pois só assim haveria um reconhecimento da situação em que se encontrava a nação.

Este local, reveste-se de especial interesse por ser onde Carlos vê Maria Eduarda pela primeira vez e por ser aí que se realiza o Jantar, preparado por Ega, em honra de Cohen, marido da amante de Ega.

Os Maias

3.

4.

A crítica feita por Carlos à população, reforça a incoerência desta, como o principal factor condicionante do estado da nação. O comentário: “Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance...” é reforçado com o de Dâmaso.

Dâmaso através do seu comentário, “Se as coisas chegassem a esse ponto, se se pusessem assim feias, eu cá, à cautela, ia-me raspando para Paris...”, denota a cobardia, a falta de cultura e a falta de civismo que dominava a sociedade.

Conclusão

A falta de personalidade:

1.

2.

Os Maias

Alencar muda de opinião quando Cohen assim o pretende.

Ega muda também de opinião quando Cohen o pretende.

3.

Dâmaso, cuja divisa é «sou forte», aponta o caminho covarde da fuga.

Em última análise, o que todo este episódio do jantar do Hotel Central representa é o esforço frustrado de uma certa camada social (por ironia amais destacada) para assumir um comportamento digno e requintado.

WEBGRAFIA

➜ https://portugues-fcr.blogspot.com/2012/04/episodio-do-jantar-no-hotel-central.html➜ https://notapositiva.com/jantar-no-hotel-central-analise-do-episodio-dos-maias/#➜ https://pt.wikipedia.org/wiki/Hotel_Central_(Lisboa)➜ https://pt.slideshare.net/sebentadigital/os-maias-jantar-no-hotel-central➜ http://barbaracpereira.blogspot.com/2016/03/o-jantar-no-hotel-central-os-maias.html

Os Maias

Bibliografia

➜ SILVA, Pedro; CARDOSO, Elsa; NUNES, Susana - Letras em dia 11. Portugal: Porto Editora, 2022. ISBN978-972-0-40301-8.➜ QUEIRÓS, Eça - Os Maias. Portugal: Porto Editora, 2022. ISBN978-972-0-04957-5.

Obrigado!

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Português.Discentes:Dragos Pintea;José Sousa;Pedro Machado;Docente: Filomena Palhas.Turma: 11ºD

Os Maias