Os Maias
Jantar do Hotel Central
Disciplina de Português11ºB
01 Crónica de Costumes
02 Introdução
03 Integração do episódio na estrutura da obra
04 Explicação do episódio
Índice
05 Caracterização das personagens
06 Temas Abordados
07 Aspetos criticados ao longo do episódio
08 Conclusão
Crónica de Costumes
Relativamente aos episódios da vida social temos os exemplos de: o serão em Santa Olávia, o episódio das corridas de cavalos, o jantar do Conde Gouvarinho, a redação (episódio acerca da situação escandalosa do jornal “A Tarde” e “A cornetado diabo”, o passeio final, e o jantar no Hotel Central, sendo este último o qual vamos retratar com ênfase.
Crónica de Costumes
O termo "crónica de costumes" pressupõe um comentário sobre os hábitos, comportamentos e conjunto de condutas e normas aceites pela sociedade, num determinado contexto ou circunstância. É também a reflexão sobre a vida quotidiana das pessoas ou sobre literatura, teatro, política ou outros assuntos de interesse social.
Ao subtítulo de “Os Mais”, Episódios da Vida Romântica, corresponde a uma crônica de costumes. Estes episódios, descritos ao longo da obra, têm como objetivo fazer o relato da sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX.
Introdução
O episódio do jantar no Hotel Central é um dos momentos mais marcantes do romance "Os Maias", de Eça de Queirós. Neste capítulo, Carlos da Maia, João da Ega, Dâmaso Salcede, Craft, Tomás de Alencar e Jacob Cohen reúnem-se para um jantar no Hotel Central, um dos mais elegantes e luxuosos de Lisboa. Durante o jantar, a alta sociedade lisboeta reúne-se para uma noite de ostentação, exibicionismo e futilidade, discutindo temas “nobres” da época. Este episódio é um retrato satírico da decadência da aristocracia portuguesa no final do século XIX, bem como uma crítica mordaz da sociedade burguesa da época.
Introdução
Abordaremos aspectos como: a integração do episódio na estrutura da obra; apresentação e caraterização dos personagens deste episódio (Carlos da Maia, Craft, Dâmaso Salcede, Jacob Cohen, João da Ega e Tomás de Alencar); exposição dos principais temas tratados no jantar; a identificação e explicação das perspectivas que julgam e ilustram a sociedade lisboeta da segunda metade do séc.XIX; e, por fim, uma conclusão que sintetiza o trabalho sobre O Jantar no Hotel Central.
Integração do episódio na estrutura da obra
O episódio do Jantar no Hotel Central integra-se no capítulo VI. Este está inserido na ação principal e é um dos episódios da crónica de costumes/episódios das cenas românticas.
O Hotel Central é situado na Praça do Duque da Terceira, junto ao cais do Sodré. O jantar é uma homenagem de Ega ao banqueiro Cohen (símbolo da alta finança), marido da majestosa Raquel (que, por sua vez, era amante de Ega).
Integração do episódio na estrutura da obra
O episódio acaba por proporcionar o primeiro encontro entre Carlos da Maia e Maria Eduarda (“Craft e Carlos afastaram-se, ela passou diante deles, com um passo soberano de Deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.” Cap. VI). Também é a primeira reunião social da “elite” lisboeta em que Carlos participa.
Explicação do episódio do jantar no hotel central
Esquecida a bancarrota, a invasão e a pátria, o jantar estava prestes a terminar, quando Alencar e Ega entraram em conflito a propósito da poesia moderna de Simão Craveiro. Porém, Cohen chama a atenção de Ega e ambos fazem as pazes e brindam com um copo de champanhe, esquecendo o sucedido.constituía uma fonte de receita, aliás a “ a única ocupação mesmo dos ministérios era esta – «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo».
Explicação do episódio do jantar no hotel central
Carlos e Craft encontram-se no átrio do Hotel Central, antes do jantar, quando veem chegar Maria Eduarda. Sobem até um gabinete, onde Carlos foi apresentado a Dâmaso (que conhecia aquela mulher da família Castro Gomes). Dâmaso falava sobre a sua preferência por Paris, dizendo que “aquilo é que é terra", mencionando que tinha lá um tio (tio Guimarães). Eles estavam a conversar até que aparece “o nosso poeta”, Tomás de Alencar, apresentado a Carlos por Ega.
Explicação do épisódio do jantar no hotel central
Alencar, apresentado a Carlos por Ega.
Pouco tempo depois, a porta abriu-se, e Cohen, desculpando-se pelo atraso, foi apresentado, por Ega, a Carlos.
Deu-se início ao jantar, com ostras e vinho, petits-pois à la Cohen (homenagem ao banqueiro), sole normande e poulet aux champignons. Falava-se do crime da Mouraria, que “parecia a Carlos merecer um estudo, um romance”, levando a que se falasse do Realismo. Alencar suplicou que não fosse discutida “literatura «latrinária»”, [...], e que não se mencionasse o «excremento»”.
Explicação do episódio do jantar no hotel central
“Pobre Alencar!”. Homem que tivera em tempos uma vida carregada de adultérios, convertia-se agora num defensor da Moral, no entanto a sociedade não o escutava, via-se apenas confrontado com ideias descabidas, defendidas pelos Naturalistas/Realistas.
Carlos posiciona-se na conversa contra o realismo. Ega reage às críticas e defende arduamente os princípios do Realismo. Já Cohen mantinha-se superior a este diálogo. Vendo isto, Ega altera o assunto.
Explicação do episódio do jantar no hotel central
“Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá... O empréstimo faz-se ou não se faz?” ao que Cohen contestou ser imprescindível, pois o empréstimo o de vista de Carlos, assim o “país ia alegremente e lindamente para a bancarrota”. Cohen concordava, dizendo que era inevitável. Por oposição, Ega defende que o que convinha a Portugal era uma revolução, para eliminar “a monarquia que lhe representa o «calote», e com ela o crasso pessoal do constitucionalismo.”
Explicação do episódio do jantar no hotel central
Ega imbatível, aposta numa invasão espanhola, deste modo recomeçava-se “uma história nova, um outro Portugal, um Portugal sério e inteligente, forte e decente, estudado, pensado e fazendo civilizações como outrora...”. Os restantes já planeavam a resistência, contudo Alencar era um “patriota à antiga”, totalmente contra esta ideia.
Caracterização das personagens
Carlos da Maia
Apresenta-se pela primeira vez à sociedade, neste jantar. No entanto, participa pouco da conversa, comentando apenas alguns aspetos. Mostra-se defensor das ideias românticas, criticando que “o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos”. Também é algo patriota ao defender que “ninguém há-de fugir, e há-de-se morrer bem”.
Craft
Eça carateriza este personagem como “homem ideal”. Neste episódio pouco se sabe sobre ele, apenas que é inglês, e como tal, pressupõe-se que recebera uma educação à inglesa. Não tem muita importância na ação. Praticamente não participa no diálogo, reagindo de forma “impassível”, contudo é a favor da resistência aos espanhóis, quando concorda em organizar uma guerrilha com Ega.
Dâmaso Salcede
Interveniente que representa os defeitos da sociedade. “Um rapaz baixote, gordo, frisado como um noivo da província, de camélia ao peito e gravata azul-celeste”.
Procura aparentar um “ar de bom senso e de finura”. É considerado provinciano, tacanho e apenas com uma preocupação, que seja “chique a valer”. Demonstra a sua vaidade e futilidade falando dos pormenores das suas viagens e exibindo uma predileção pelo estrangeiro, “...é direitinho para Paris! Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro...”. Acompanha todos os movimentos de Carlos dando-lhe grande enaltecimento, de modo a que possa imitá-lo, assumindo um estatuto social digno e respeitável, perante a sociedade.
Jacob Cohen
Representante das Finanças, “respeitado diretor do Banco Nacional, marido da divina Raquel”. Homem de estatura baixa, “apurado, de olhos bonitos, suíças tão pretas e luzidias” e com “bonitos dentes”. Neste episódio conhece Carlos e salienta a posição superior face à sociedade.
João da Ega
Personagem mais relevante no episódio do Hotel Central. Implacável defensor das ideias Naturalistas /Realistas, provocando o seu opositor, Alencar. Abusa nos argumentos que alicerçam as suas opiniões e na defesa das suas ideias renovadoras. Advoga que “ à bancarrota seguia-se uma revolução” e que desta forma, Portugal seria um grande beneficiário.
As ideias e atitudes assumidas por Ega em relação aos temas discutidos podem ser associadas à Geração Revolucionária de Coimbra, uma vez que refletem um desejo intenso de transformar Portugal e torná-lo um país melhor.
Tomás de Alencar
Um “indivíduo muito alto, todo abotoado numa sobrecasaca preta, com uma face escaveirada, olhos encovados”, nariz curvado, bigodes compridos, “calvo na frente”, “dentes estragados” e “testa lívida”.
“Camarada”, “inseparável” e “íntimo” de Pedro da Maia, apresentado no jantar do Hotel Central, a Carlos da Maia, o poeta possuía um ar “antiquado”, “artificial” e “lúgubre”. Considerado um “gentleman”, “ generoso” e um “patriota à antiga”.
Alencar tivera antes de seguir o caminho da literatura uma vida “de adultérios, lubricidades e orgias” .
Personagem que representa o típico poeta português, autor de “Vozes de Aurora”, “Elvira”, “Segredo do Comendador” e outros.
Símbolo do Ultra-Romantismo. Contudo vê-se confrontado com os princípios Naturalistas/Realistas defendidos por Ega.
Temas abordados
Como já referido o tema da Bancarrota gerou alguma polémica, tendo sido apresentada como solução a Invasão Espanhola. Ora esta invasão Espanhola iria trazer consequências a Portugal, entre as quais: a renovação de Portugal a vários níveis, afastamento da Monarquia e a Implantação da República.Segundo Ega, uma invasão seria a solução para a bancarrota e deste modo Portugal sairia renovado.
- A literatura e a crítica literária
Houve uma grande discussão entre João da Ega, que defendia o Naturalismo/Realismo e Tomás de Alencar que defendia o Ultra-Romantismo, quanto à Literatura e à crítica literária. Estes dois movimentos divergem frequentemente ao longo do episódio.
A bancarrota é um dos temas polémicos, que critica de forma satirizada o país. Os principais intervenientes (que geram uma maior desordem, neste assunto) são João da Ega e Cohen.
Aspectos criticados ao longo do episódio
Naturalismo/RealismoTomás de Alencar é o principal e mais contínuo crítico deste tema. Algumas dessas críticas são:
- designar o realismo/naturalismo por: “literatura «latrinária»”; “excremento”; “pústula, pus”;
- culpabilizar o naturalismo de publicar “rudes análises” que se apoderam “da Igreja, da Burocracia, da Finança, de todas as coisas santas;
- acusar o naturalismo de ser uma ameaça ao pudor social;
- criticar os versos de Craveiro e acusá-lo de plágio.
Carlos da Maia considera que “o mais intolerável no realismo era os seus grandes ares científicos” e Ega, apesar de defender estas ideias, concordava com esta crítica. Já Craft desaprova o realismo, pelo facto de estatelar a realidade feia das coisas num livro.
Aspectos criticados ao longo do episódio
Finanças
Este assunto representa a crise financeira que o país passava nesta época. Eça descreve-o de forma irónica através de Cohen, o representante das Finanças ao afirmar que os “empréstimos em Portugal constituíam uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto”. Aliás era «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo» a única ocupação dos ministérios.
Desta forma concordavam que assim o país iria “alegremente e lindamente para a bancarrota”. No entanto, Ega não aceita baixar os braços e logo dera a solução revolucionária para o problema de finanças que o país atravessava a invasão espanhola.
Aspectos criticados ao longo do episódio
História Política
Dada a sugestão perfeita para a bancarrota, Ega delira com a ideia e pretende “varrer a monarquia” e o “crasso pessoal do constitucionalismo”.
A invasão espanhola leva Ega a criticar a raça portuguesa, afirmando que esta é a mais cobarde e miserável da Europa. A sociedade tinha receio de perder a independência, mas só uma sociedade tão estúpida como a do Primeiro de Dezembro pensaria que a invasão traria esta consequência.
Ega é a principal personagem que satiriza a história política, sendo confirmado ao longo das conversas em que Ega discute este tópico.
Conclusão
O Hotel Central é importante pois é o local onde Carlos vê Maria Eduarda pela primeira vez e por ser aí que se realiza o Jantar, preparado por Ega, em honra de Cohen, marido da amante de Ega. O ambiente do jantar torna-se pesado devido às críticas feitas à situação política e financeira da altura e pela disputa entre Ega e Alencar.
Com este episódio da crónica de costumes, “O Jantar no Hotel Central”, o autor demonstra a incoerência cultural do povo português e a decadência do país, recorrendo, pela voz de João da Ega, à bancarrota e à invasão espanhola como determinantes da agitação revolucionária, que na opinião de Ega correspondia ao afastamento total da Monarquia e à instalação da República.
Conclusão
A crítica feita por Carlos à população reforça a incoerência desta como o principal fator condicionante do estado da nação. O comentário:“Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance...” é reforçado com o de Dâmaso, relativo à invasão espanhola, “Se as coisas chegassem a esse ponto, se se pusessem assim feias, eu cá, à cautela, ia-me raspando para Paris...”. O antedito denota a cobardia, a falta de cultura e a falta de civismo que dominava a sociedade.A falta de personalidade também é bastante retratada neste episódio, pois:
- Alencar muda de opinião quando Cohen o pretende;
- Ega muda de opinião quando Cohen quer;
- Dâmaso, cuja dívida é «Sou forte», aponta o caminho fácil da fuga.
Conclusão
Temos uma incoerência pois Alencar e Ega chegam a vias de facto e, momentos depois, abraçam-se como se nada tivesse acontecido;
Em última instância, o que todo este episódio do jantar do Hotel Central representa é o esforço frustrado de uma certa camada social (por ironia a mais destacada) para assumir um comportamento digno e requintado.
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, D. (2012). Os Maias - Jantar no Hotel Central. Disponivél em: https://pt.slideshare.net/sebentadigital/os-maias-jantar-no-hotel-central, consultado a 24/04/2023;
VIEGAS, C. (2020). Jantar no Hotel Central (Análise do episódio D'Os Maias. Disponivél em: https://notapositiva.com/jantar-no-hotel-central-analise-do-episodio-dos-maias/, consultado a 24/04/2023;
SOUZA, J. (2018). O Jantar no Hotel Central. Disponivél em: https://portugues-fcr.blogspot.com/2012/04/episodio-do-jantar-no-hotel-central.html, consultado a 24/04/2023;
HORTA, D. (2021). Os Maias de Eça de Queirós - O Jantar no Hotel Central. Disponivél em: https://view.genial.ly/603bb418a6c8ee0d26fa19c3/presentation-tema-iii-a-cronica-de-costumes-o-jantar-no-hotel-central, consultado a 25/04/2023;
Fim
Espero que tenham gostado
Trabalho realizado por:Diogo Ferreira nº9; Gonçalo Silva nº15; Lucas Barroso nº20;
Os Maias - jantar no hotel central
Locas
Created on April 26, 2023
Start designing with a free template
Discover more than 1500 professional designs like these:
View
Corporate Christmas Presentation
View
Snow Presentation
View
Winter Presentation
View
Hanukkah Presentation
View
Vintage Photo Album
View
Nature Presentation
View
Halloween Presentation
Explore all templates
Transcript
Os Maias
Jantar do Hotel Central
Disciplina de Português11ºB
01 Crónica de Costumes
02 Introdução
03 Integração do episódio na estrutura da obra
04 Explicação do episódio
Índice
05 Caracterização das personagens
06 Temas Abordados
07 Aspetos criticados ao longo do episódio
08 Conclusão
Crónica de Costumes
Relativamente aos episódios da vida social temos os exemplos de: o serão em Santa Olávia, o episódio das corridas de cavalos, o jantar do Conde Gouvarinho, a redação (episódio acerca da situação escandalosa do jornal “A Tarde” e “A cornetado diabo”, o passeio final, e o jantar no Hotel Central, sendo este último o qual vamos retratar com ênfase.
Crónica de Costumes
O termo "crónica de costumes" pressupõe um comentário sobre os hábitos, comportamentos e conjunto de condutas e normas aceites pela sociedade, num determinado contexto ou circunstância. É também a reflexão sobre a vida quotidiana das pessoas ou sobre literatura, teatro, política ou outros assuntos de interesse social. Ao subtítulo de “Os Mais”, Episódios da Vida Romântica, corresponde a uma crônica de costumes. Estes episódios, descritos ao longo da obra, têm como objetivo fazer o relato da sociedade portuguesa na segunda metade do século XIX.
Introdução
O episódio do jantar no Hotel Central é um dos momentos mais marcantes do romance "Os Maias", de Eça de Queirós. Neste capítulo, Carlos da Maia, João da Ega, Dâmaso Salcede, Craft, Tomás de Alencar e Jacob Cohen reúnem-se para um jantar no Hotel Central, um dos mais elegantes e luxuosos de Lisboa. Durante o jantar, a alta sociedade lisboeta reúne-se para uma noite de ostentação, exibicionismo e futilidade, discutindo temas “nobres” da época. Este episódio é um retrato satírico da decadência da aristocracia portuguesa no final do século XIX, bem como uma crítica mordaz da sociedade burguesa da época.
Introdução
Abordaremos aspectos como: a integração do episódio na estrutura da obra; apresentação e caraterização dos personagens deste episódio (Carlos da Maia, Craft, Dâmaso Salcede, Jacob Cohen, João da Ega e Tomás de Alencar); exposição dos principais temas tratados no jantar; a identificação e explicação das perspectivas que julgam e ilustram a sociedade lisboeta da segunda metade do séc.XIX; e, por fim, uma conclusão que sintetiza o trabalho sobre O Jantar no Hotel Central.
Integração do episódio na estrutura da obra
O episódio do Jantar no Hotel Central integra-se no capítulo VI. Este está inserido na ação principal e é um dos episódios da crónica de costumes/episódios das cenas românticas. O Hotel Central é situado na Praça do Duque da Terceira, junto ao cais do Sodré. O jantar é uma homenagem de Ega ao banqueiro Cohen (símbolo da alta finança), marido da majestosa Raquel (que, por sua vez, era amante de Ega).
Integração do episódio na estrutura da obra
O episódio acaba por proporcionar o primeiro encontro entre Carlos da Maia e Maria Eduarda (“Craft e Carlos afastaram-se, ela passou diante deles, com um passo soberano de Deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.” Cap. VI). Também é a primeira reunião social da “elite” lisboeta em que Carlos participa.
Explicação do episódio do jantar no hotel central
Esquecida a bancarrota, a invasão e a pátria, o jantar estava prestes a terminar, quando Alencar e Ega entraram em conflito a propósito da poesia moderna de Simão Craveiro. Porém, Cohen chama a atenção de Ega e ambos fazem as pazes e brindam com um copo de champanhe, esquecendo o sucedido.constituía uma fonte de receita, aliás a “ a única ocupação mesmo dos ministérios era esta – «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo».
Explicação do episódio do jantar no hotel central
Carlos e Craft encontram-se no átrio do Hotel Central, antes do jantar, quando veem chegar Maria Eduarda. Sobem até um gabinete, onde Carlos foi apresentado a Dâmaso (que conhecia aquela mulher da família Castro Gomes). Dâmaso falava sobre a sua preferência por Paris, dizendo que “aquilo é que é terra", mencionando que tinha lá um tio (tio Guimarães). Eles estavam a conversar até que aparece “o nosso poeta”, Tomás de Alencar, apresentado a Carlos por Ega.
Explicação do épisódio do jantar no hotel central
Alencar, apresentado a Carlos por Ega. Pouco tempo depois, a porta abriu-se, e Cohen, desculpando-se pelo atraso, foi apresentado, por Ega, a Carlos. Deu-se início ao jantar, com ostras e vinho, petits-pois à la Cohen (homenagem ao banqueiro), sole normande e poulet aux champignons. Falava-se do crime da Mouraria, que “parecia a Carlos merecer um estudo, um romance”, levando a que se falasse do Realismo. Alencar suplicou que não fosse discutida “literatura «latrinária»”, [...], e que não se mencionasse o «excremento»”.
Explicação do episódio do jantar no hotel central
“Pobre Alencar!”. Homem que tivera em tempos uma vida carregada de adultérios, convertia-se agora num defensor da Moral, no entanto a sociedade não o escutava, via-se apenas confrontado com ideias descabidas, defendidas pelos Naturalistas/Realistas. Carlos posiciona-se na conversa contra o realismo. Ega reage às críticas e defende arduamente os princípios do Realismo. Já Cohen mantinha-se superior a este diálogo. Vendo isto, Ega altera o assunto.
Explicação do episódio do jantar no hotel central
“Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá... O empréstimo faz-se ou não se faz?” ao que Cohen contestou ser imprescindível, pois o empréstimo o de vista de Carlos, assim o “país ia alegremente e lindamente para a bancarrota”. Cohen concordava, dizendo que era inevitável. Por oposição, Ega defende que o que convinha a Portugal era uma revolução, para eliminar “a monarquia que lhe representa o «calote», e com ela o crasso pessoal do constitucionalismo.”
Explicação do episódio do jantar no hotel central
Ega imbatível, aposta numa invasão espanhola, deste modo recomeçava-se “uma história nova, um outro Portugal, um Portugal sério e inteligente, forte e decente, estudado, pensado e fazendo civilizações como outrora...”. Os restantes já planeavam a resistência, contudo Alencar era um “patriota à antiga”, totalmente contra esta ideia.
Caracterização das personagens
Carlos da Maia
Apresenta-se pela primeira vez à sociedade, neste jantar. No entanto, participa pouco da conversa, comentando apenas alguns aspetos. Mostra-se defensor das ideias românticas, criticando que “o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos”. Também é algo patriota ao defender que “ninguém há-de fugir, e há-de-se morrer bem”.
Craft
Eça carateriza este personagem como “homem ideal”. Neste episódio pouco se sabe sobre ele, apenas que é inglês, e como tal, pressupõe-se que recebera uma educação à inglesa. Não tem muita importância na ação. Praticamente não participa no diálogo, reagindo de forma “impassível”, contudo é a favor da resistência aos espanhóis, quando concorda em organizar uma guerrilha com Ega.
Dâmaso Salcede
Interveniente que representa os defeitos da sociedade. “Um rapaz baixote, gordo, frisado como um noivo da província, de camélia ao peito e gravata azul-celeste”. Procura aparentar um “ar de bom senso e de finura”. É considerado provinciano, tacanho e apenas com uma preocupação, que seja “chique a valer”. Demonstra a sua vaidade e futilidade falando dos pormenores das suas viagens e exibindo uma predileção pelo estrangeiro, “...é direitinho para Paris! Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro...”. Acompanha todos os movimentos de Carlos dando-lhe grande enaltecimento, de modo a que possa imitá-lo, assumindo um estatuto social digno e respeitável, perante a sociedade.
Jacob Cohen
Representante das Finanças, “respeitado diretor do Banco Nacional, marido da divina Raquel”. Homem de estatura baixa, “apurado, de olhos bonitos, suíças tão pretas e luzidias” e com “bonitos dentes”. Neste episódio conhece Carlos e salienta a posição superior face à sociedade.
João da Ega
Personagem mais relevante no episódio do Hotel Central. Implacável defensor das ideias Naturalistas /Realistas, provocando o seu opositor, Alencar. Abusa nos argumentos que alicerçam as suas opiniões e na defesa das suas ideias renovadoras. Advoga que “ à bancarrota seguia-se uma revolução” e que desta forma, Portugal seria um grande beneficiário. As ideias e atitudes assumidas por Ega em relação aos temas discutidos podem ser associadas à Geração Revolucionária de Coimbra, uma vez que refletem um desejo intenso de transformar Portugal e torná-lo um país melhor.
Tomás de Alencar
Um “indivíduo muito alto, todo abotoado numa sobrecasaca preta, com uma face escaveirada, olhos encovados”, nariz curvado, bigodes compridos, “calvo na frente”, “dentes estragados” e “testa lívida”. “Camarada”, “inseparável” e “íntimo” de Pedro da Maia, apresentado no jantar do Hotel Central, a Carlos da Maia, o poeta possuía um ar “antiquado”, “artificial” e “lúgubre”. Considerado um “gentleman”, “ generoso” e um “patriota à antiga”. Alencar tivera antes de seguir o caminho da literatura uma vida “de adultérios, lubricidades e orgias” . Personagem que representa o típico poeta português, autor de “Vozes de Aurora”, “Elvira”, “Segredo do Comendador” e outros. Símbolo do Ultra-Romantismo. Contudo vê-se confrontado com os princípios Naturalistas/Realistas defendidos por Ega.
Temas abordados
- História política
Como já referido o tema da Bancarrota gerou alguma polémica, tendo sido apresentada como solução a Invasão Espanhola. Ora esta invasão Espanhola iria trazer consequências a Portugal, entre as quais: a renovação de Portugal a vários níveis, afastamento da Monarquia e a Implantação da República.Segundo Ega, uma invasão seria a solução para a bancarrota e deste modo Portugal sairia renovado.- A literatura e a crítica literária
Houve uma grande discussão entre João da Ega, que defendia o Naturalismo/Realismo e Tomás de Alencar que defendia o Ultra-Romantismo, quanto à Literatura e à crítica literária. Estes dois movimentos divergem frequentemente ao longo do episódio.- Finanças
A bancarrota é um dos temas polémicos, que critica de forma satirizada o país. Os principais intervenientes (que geram uma maior desordem, neste assunto) são João da Ega e Cohen.Aspectos criticados ao longo do episódio
Naturalismo/RealismoTomás de Alencar é o principal e mais contínuo crítico deste tema. Algumas dessas críticas são:
- designar o realismo/naturalismo por: “literatura «latrinária»”; “excremento”; “pústula, pus”;
- culpabilizar o naturalismo de publicar “rudes análises” que se apoderam “da Igreja, da Burocracia, da Finança, de todas as coisas santas;
- acusar o naturalismo de ser uma ameaça ao pudor social;
- criticar os versos de Craveiro e acusá-lo de plágio.
Carlos da Maia considera que “o mais intolerável no realismo era os seus grandes ares científicos” e Ega, apesar de defender estas ideias, concordava com esta crítica. Já Craft desaprova o realismo, pelo facto de estatelar a realidade feia das coisas num livro.Aspectos criticados ao longo do episódio
Finanças Este assunto representa a crise financeira que o país passava nesta época. Eça descreve-o de forma irónica através de Cohen, o representante das Finanças ao afirmar que os “empréstimos em Portugal constituíam uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto”. Aliás era «cobrar o imposto» e «fazer o empréstimo» a única ocupação dos ministérios. Desta forma concordavam que assim o país iria “alegremente e lindamente para a bancarrota”. No entanto, Ega não aceita baixar os braços e logo dera a solução revolucionária para o problema de finanças que o país atravessava a invasão espanhola.
Aspectos criticados ao longo do episódio
História Política Dada a sugestão perfeita para a bancarrota, Ega delira com a ideia e pretende “varrer a monarquia” e o “crasso pessoal do constitucionalismo”. A invasão espanhola leva Ega a criticar a raça portuguesa, afirmando que esta é a mais cobarde e miserável da Europa. A sociedade tinha receio de perder a independência, mas só uma sociedade tão estúpida como a do Primeiro de Dezembro pensaria que a invasão traria esta consequência. Ega é a principal personagem que satiriza a história política, sendo confirmado ao longo das conversas em que Ega discute este tópico.
Conclusão
O Hotel Central é importante pois é o local onde Carlos vê Maria Eduarda pela primeira vez e por ser aí que se realiza o Jantar, preparado por Ega, em honra de Cohen, marido da amante de Ega. O ambiente do jantar torna-se pesado devido às críticas feitas à situação política e financeira da altura e pela disputa entre Ega e Alencar. Com este episódio da crónica de costumes, “O Jantar no Hotel Central”, o autor demonstra a incoerência cultural do povo português e a decadência do país, recorrendo, pela voz de João da Ega, à bancarrota e à invasão espanhola como determinantes da agitação revolucionária, que na opinião de Ega correspondia ao afastamento total da Monarquia e à instalação da República.
Conclusão
A crítica feita por Carlos à população reforça a incoerência desta como o principal fator condicionante do estado da nação. O comentário:“Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance...” é reforçado com o de Dâmaso, relativo à invasão espanhola, “Se as coisas chegassem a esse ponto, se se pusessem assim feias, eu cá, à cautela, ia-me raspando para Paris...”. O antedito denota a cobardia, a falta de cultura e a falta de civismo que dominava a sociedade.A falta de personalidade também é bastante retratada neste episódio, pois:
Conclusão
Temos uma incoerência pois Alencar e Ega chegam a vias de facto e, momentos depois, abraçam-se como se nada tivesse acontecido; Em última instância, o que todo este episódio do jantar do Hotel Central representa é o esforço frustrado de uma certa camada social (por ironia a mais destacada) para assumir um comportamento digno e requintado.
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, D. (2012). Os Maias - Jantar no Hotel Central. Disponivél em: https://pt.slideshare.net/sebentadigital/os-maias-jantar-no-hotel-central, consultado a 24/04/2023; VIEGAS, C. (2020). Jantar no Hotel Central (Análise do episódio D'Os Maias. Disponivél em: https://notapositiva.com/jantar-no-hotel-central-analise-do-episodio-dos-maias/, consultado a 24/04/2023; SOUZA, J. (2018). O Jantar no Hotel Central. Disponivél em: https://portugues-fcr.blogspot.com/2012/04/episodio-do-jantar-no-hotel-central.html, consultado a 24/04/2023; HORTA, D. (2021). Os Maias de Eça de Queirós - O Jantar no Hotel Central. Disponivél em: https://view.genial.ly/603bb418a6c8ee0d26fa19c3/presentation-tema-iii-a-cronica-de-costumes-o-jantar-no-hotel-central, consultado a 25/04/2023;
Fim
Espero que tenham gostado
Trabalho realizado por:Diogo Ferreira nº9; Gonçalo Silva nº15; Lucas Barroso nº20;