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Sarau no Teatro da Trindade

Diogo Nunes

Created on April 23, 2023

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Transcript

Sarau no Teatro da Trindade - Os Maias (capítulo XVI)

Trabalho realizado por Diogo Nunes, Joana Lopes e Pedro Moreira, alunos do 11ºE, no âmbito da disciplina de Português e do estudo da obra Os Maias

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Índice

-Localização do episódio na estrutura da obra, e um breve resumo do mesmo;

Tópicos abordados nesta apresentação:

-Caracterizção e representatividade das personagens presentes;

-Características da prosa queirosiana e o seu contributo na descrição social neste episodio;

-Temas e aspetos visados e criticados.

Localização do episódio na obra

No capítulo XVI, após Ega conseguir convencer Carlos, comparecem os dois ao Sarau para assistirem à atuação de Cruges. O espetáculo teve início numa noite de Inverno com o encontro da alta sociedade no Teatro da Trindade. O episódio é estruturado com 3 temas em destaque, a carta de Dâmaso, a democracia e o cofre. Alencar declamou a democracia depois de um sujeito lamentar que os portugueses não aproveitavam a herança dos seus avós, revelando um patriotismo convincente. Após o Sarau, Guimarães revela o incesto entre Maria Eduarda e Carlos entregando um cofre com documentos a Ega, que fica chocado com a verdade e decide pedir ajudar a Vilaça para contar tudo a Carlos.

Caracterização das personagens

Caracterizção e representatividade social das personagens

Este episódio tem como personagens principais o Carlos da Maia e Ega.Como personagens secundárias o episódio apresenta o Rufino, o Alencar, o Cruges e o Guimarães

Rufino representa a orientação mental daqueles que o ouviam;

Carlos representa a evolução da sociedade portuguesa após a regeneração;

Alencar simboliza o ultra romantismo, pois fala da democracia romântica, patriotismo eloquente aliando a política à poesia;

Ega tem como simbologia o sarcasmo, a ironia e crítica;

Cruges retrata a falta de sensibilidade para apreciar o verdadeiro talento.

Índice

Características da prosa queirosiana

Em termos de linguagem e estilo, a prosa queirosiana no "Sarau no Teatro da Trindade" é caracterizada por uma escrita elegante e descrições minuciosas, em que é utilizado um vocabulário elegante e refinado, com frases longas e elaboradas, que demonstram sua habilidade descritiva.

Eça de Queirós retrata com precisão e detalhe o ambiente em que se passa a cena do Sarau, descrevendo desde a arquitetura do teatro até os trajes e comportamentos dos convidados, o que permite ao leitor sentir-se imerso na cena.

Além disso, a escrita de Eça de Queirós também apresenta um forte elemento crítico e satírico. Ao descrever a alta sociedade lisboeta, ele expõe suas contradições e hipocrisias, a superficialidade das relações sociais e a falta de valores éticos e morais, denunciando as injustiças e desigualdades presentes na sociedade portuguesa de sua época.

Exemplos presentes no episódio

Exemplos da prosa queirosiana presentes no episódio

"As portas do teatro, amplas e escuras, abriam-se para um átrio imenso, iluminado por uma claridade de vidros de cores, que desaguava do hall das bilheteiras" - esta descrição detalhada da entrada do teatro é um exemplo da prosa queirosiana que utiliza uma série de adjetivos para criar uma imagem vívida do ambiente em que se passa a cena.

"Ali, em grupos, falava-se baixo, com um murmurio de leque, num rumor de seda e num farfalhar de esparadrapo" - esta citação demonstra como Eça de Queirós utiliza a linguagem para descrever não só a aparência dos convidados, mas também seus comportamentos.

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"Rodeavam-no agora, nas salas, homens e mulheres de todas as classes, de todas as riquezas, de todas as influências;... Aparências diversas de conforto e de miséria, luxos caprichosos e misérias sem jeito" - esta citação exemplifica o elemento crítico presente na escrita de Eça, que utiliza a linguagem para descrever as desigualdades e contradições sociais presentes na cena do sarau.

Temas e aspetos criticados

O Sarau no Teatro da Trindade constitui 1 dos 6 episódios da Crónica de Costumes presente n'Os Maias.A Crónica de Costumes é uma série de episódios que relatam a experiência de Carlos com a sociedade portugesa e, carcterístico da prosa queirosiana, faz uma retrospetiva/crítica ao estado na sociedade. No espisódio do Sarau, Eça põe em causa a cultura dos portugueses de classe alta, demonstra a sua superficialidade e falta de espírito crítico e a sua ignorância política e social, através de uma sequência de eventos que comprovam as críticas presentes.

Aspetos da crítica social

Crítica social presente no Sarau do Teatro da Trindade

O atraso da sociedade a nível cultural, a ausência de um espírito crítico, a falta de uma opinião política avançada e a superficialidade das conversas, algo muito notório entre os intervenientes do episódio, durante as atuações

Apreço à oratória oca e à poesia ultra-romântica - Ovação a Rufino: "-Aquilo é aplaudir de retórica! (...) -É o Rufino, tem estado soberbo!"(página 476); Ovação à declamação da poesia ultra-romântica feita por Alencar: "As rosas têm mais aroma! Os frutos têm mais doçura! Brilha a alma clara e pura, Solta de sombras e véus... Foge a dor espavorida, Foi-se a fome, foi-se a guerra, O homem canta na Terra, E Cristo sorri nos Céus!... Uma aclamação rompeu, imensa e rouca, abalando os muros cor de canário" (página 497)

Aspetos criticados

Ignorância e falta de sensibilidade musical e cultural - Ignorância perante a "Sonata Patética" de Beethoven: "-É de Beethoven, Srª D. Maria da Cunha, a Sonata Patética. Uma das Pedrosos não percebera bem o nome da sonata. E a marquesa de Soutal, muito séria, muito bela, cheirando devagar um frasquinho de sais, disse que era a Sonata Pateta. Por toda a bancada foi um rastilho de risos sufocados. A Sonata Pateta! Aquilo parecia divino!" (página 484)

Fim!