Vasco Graça Moura
Afonso Araújo, nº1 Carolina Pina, nº11 Joana Silva, nº16
poesia contemporânea
Vasco Graça Moura
1. Biografia
6. "não sei se o camões hoje"
2. Bibliografia
7. "vou por ruas, vou por praças"
3. Prémios
8. "soneto do soneto"
4. Temáticas
9. Apreciação crítica
10. Indicações bibliográficas
5. Características
Biografia
- Nasceu a 3 de janeiro de 1942, Porto;
- Faleceu em 2014 com 72 anos, Lisboa;
- Licenciado em Direito na Universidade de Lisboa;
- Exerceu altos cargos na política (Secretário de Estado da Segurança Social);
- Diretor da RTP 2 em 1978;
- Administrador da Imprensa Nacional - Casa da Moeda (1979-1989)
Bibliografia
- Primeiro livro de poesia: "Modo mundano" (1963);
- Outras obras:
1986 - ensaio
☆ 1984 - poesia
2001 - poesia
2014 - ensaio
☆ 1987 - poesia
1988 - romance
Prémios
- Prémio Jacinto do Prado Coelho (1985);
- Prémio Pessoa (1995);
- Grande Prémio de Tradução Literária (1996);
- Grande Prémio de Poesia da APE (1997);
- Coroa de Ouro do Festival de Poesia de Struga - Macedónia (2004);
- Prémio Vergílio Ferreira (2007).
Temáticas
- Representações do contemporâneo
(Cenário urbano, Oposições sociais, Denúncia social ou política, Captação do real e Representação do "instante do quotidiano").
(Retoma de temas tradicionais, Intertextualidade e Retoma de formas tradicionais).
(Caracterização do poeta e Reflexão sobre o papel do Poeta (no mundo, no poema e na vida)).
(Metapoesia e Reflexão sobre o fazer poético, sobre a criação poética...).
Características
- Características genéricas:
- Dramaticidade agressiva;
- Desintegração das palavras;
- Criação de novas linguagens;
- Fuga da realidade;
- Intertextualidade;
"não sei se o Camões hoje"
não sei se o camões hoje teria escrito as suas rhythmas,começa porque não saberia ao certo quais eram e então não havia camonistas para discutirem a questão. e depois talvez não valesse a pena falar àquela gente. e os auditórios têm limites de paciência. por exemplo, o dia em que eu nasci moura e pereça, diz-me o aguiar e silva, não é dele quase de certeza. e eu respondo: é tão bom que tem mesmo de ser dele. e o vítor ri, exclamando: você já está como o faria e sousa.
"não sei se o Camões hoje"
a ironia desta conversa é que ela se passava no instinto de camões , calcula-se, somos ambos do conselho geral, tratando da expansão da língua portuguesa que se mais mundo houvera lá chegara e estava uma tarde esplêndida de janeiro e se o camões estivesse ali não havia de acreditar que um de nós estivesse prestes a tirar-lhe um soneto o mais doutamente possível e o outro lho quisesse devolver,
uso prosaico da linguagem
"não sei se o Camões hoje"
a ironia desta conversa é que ela se passava no instinto de camões , calcula-se, somos ambos do conselho geral, tratando da expansão da língua portuguesa que se mais mundo houvera lá chegara e estava uma tarde esplêndida de janeiro e se o camões estivesse ali não havia de acreditar que um de nós estivesse prestes a tirar-lhe um soneto o mais doutamente possível e o outro lho quisesse devolver,
uso prosaico da linguagem
"não sei se o Camões hoje"
invocando-lhe o som, a fúria e o sentido,nem que há séculos que as coisas se vão passando assim, tirando e pondo, invocando lições e testemunhos,
e uns gajos de nome germânico, lachmann, storck, e mais alguns. a moral da história é que um verso de camões
com pouca variação é sempre um verso de camões,
é a coisa mais bela e mais difícil do mundo
e dá cá uma guinada tão especial que só pode ser dele.
"vou por ruas, vou por praças"
vou por ruas, vou por praças
por onde à noite derivo enumeração arcadas, paredes baças sensação visual luzes trémulas, escassas
e silêncios de que vivo sensação auditiva rente ao baixo casario
vou por húmidas vielas sensação tátil chega-me o cheiro do rio sensação olfativa e confio e desconfio
a desoras, sem cautelas
"vou por ruas, vou por praças"
na cidade adormecida
a noite tornou-se enorme
cabe nela a curta vida antítese mas sente que é mais comprida
esta errância que não dorme metáfora da vida e por isso em cada muro
cada porta e cada esquina Repetição Anafórica te procuro e me procuro
por teu corpo me aventuro
e o teu rosto me ilumina ideia do amor e da felicidade
"vou por ruas, vou por praças"
sigo pois no labirinto metáfora das dificuldades de Lisboa a horas tardas
vou perdido mas pressinto
ou sei mesmo por instinto
que nalgum lugar me aguardas certeza da concretização deste encontro e enquanto vou não domino
nem ciúme nem paixão
é assim que me defino
só por sentir o destino
a morder-me o coração
Fado - VIVIANE
"soneto do soneto"
catorze versos tem este soneto
de dez sílabas cada, na contagem (referência a Camões) métrica portuguesa; de passagem,
o esquema abba dá esqueleto (soneto Italiano) aos versos do começo: a engrenagem
podia ser abab, mas meto (soneto Inglês) aqui baab: destarte, preto no branco, instabilizo a sua imagem. (inovação da escrita)
"soneto do soneto"
teria, isabelino, uma terceira (vocabulário erudito)quadra, cddc e ee final,
em vez de dois tercetos com quilate
sempre de ouro no fim, de tal maneira ("Chave d´ouro") porém o engendrei continental
que em duplo cde tem seu remate.
Apreciação crítica
Indicações bibliográficas:
- Escritas.org - Vasco Graça Moura. Acedido em 17 de abril de 2023 em: https://www.escritas.org/pt/vasco-graca-moura
- Marques, Maria - Soneto do Soneto. Acedido em 19 de abril de 2023 em: https://prezi.com/oguz_4jeohxn/soneto-do-soneto/
- Poetas Contemporâneos. Elementos, dezembro de 2021 (Resumos- Ensino Secundário). ISBN: 978-989-567-001-7
- Portal da Literatura - Vasco Graça Moura. Acedido em 3 de abril de 2023 em: https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=85
- SILVA, Pedro, Cardoso, Elsa, Rente, Sofia - Outras Expressões. Porto editora, 2022
ISBN: 978-972-0-40056-7
Vasco Graça Moura
Afonso Delca Araújo
Created on April 20, 2023
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Vasco Graça Moura
Afonso Araújo, nº1 Carolina Pina, nº11 Joana Silva, nº16
poesia contemporânea
Vasco Graça Moura
1. Biografia
6. "não sei se o camões hoje"
2. Bibliografia
7. "vou por ruas, vou por praças"
3. Prémios
8. "soneto do soneto"
4. Temáticas
9. Apreciação crítica
10. Indicações bibliográficas
5. Características
Biografia
Bibliografia
1986 - ensaio
☆ 1984 - poesia
2001 - poesia
2014 - ensaio
☆ 1987 - poesia
1988 - romance
Prémios
Temáticas
(Cenário urbano, Oposições sociais, Denúncia social ou política, Captação do real e Representação do "instante do quotidiano").
(Retoma de temas tradicionais, Intertextualidade e Retoma de formas tradicionais).
(Caracterização do poeta e Reflexão sobre o papel do Poeta (no mundo, no poema e na vida)).
(Metapoesia e Reflexão sobre o fazer poético, sobre a criação poética...).
Características
"não sei se o Camões hoje"
não sei se o camões hoje teria escrito as suas rhythmas,começa porque não saberia ao certo quais eram e então não havia camonistas para discutirem a questão. e depois talvez não valesse a pena falar àquela gente. e os auditórios têm limites de paciência. por exemplo, o dia em que eu nasci moura e pereça, diz-me o aguiar e silva, não é dele quase de certeza. e eu respondo: é tão bom que tem mesmo de ser dele. e o vítor ri, exclamando: você já está como o faria e sousa.
"não sei se o Camões hoje"
a ironia desta conversa é que ela se passava no instinto de camões , calcula-se, somos ambos do conselho geral, tratando da expansão da língua portuguesa que se mais mundo houvera lá chegara e estava uma tarde esplêndida de janeiro e se o camões estivesse ali não havia de acreditar que um de nós estivesse prestes a tirar-lhe um soneto o mais doutamente possível e o outro lho quisesse devolver,
uso prosaico da linguagem
"não sei se o Camões hoje"
a ironia desta conversa é que ela se passava no instinto de camões , calcula-se, somos ambos do conselho geral, tratando da expansão da língua portuguesa que se mais mundo houvera lá chegara e estava uma tarde esplêndida de janeiro e se o camões estivesse ali não havia de acreditar que um de nós estivesse prestes a tirar-lhe um soneto o mais doutamente possível e o outro lho quisesse devolver,
uso prosaico da linguagem
"não sei se o Camões hoje"
invocando-lhe o som, a fúria e o sentido,nem que há séculos que as coisas se vão passando assim, tirando e pondo, invocando lições e testemunhos, e uns gajos de nome germânico, lachmann, storck, e mais alguns. a moral da história é que um verso de camões com pouca variação é sempre um verso de camões, é a coisa mais bela e mais difícil do mundo e dá cá uma guinada tão especial que só pode ser dele.
"vou por ruas, vou por praças"
vou por ruas, vou por praças por onde à noite derivo enumeração arcadas, paredes baças sensação visual luzes trémulas, escassas e silêncios de que vivo sensação auditiva rente ao baixo casario vou por húmidas vielas sensação tátil chega-me o cheiro do rio sensação olfativa e confio e desconfio a desoras, sem cautelas
"vou por ruas, vou por praças"
na cidade adormecida a noite tornou-se enorme cabe nela a curta vida antítese mas sente que é mais comprida esta errância que não dorme metáfora da vida e por isso em cada muro cada porta e cada esquina Repetição Anafórica te procuro e me procuro por teu corpo me aventuro e o teu rosto me ilumina ideia do amor e da felicidade
"vou por ruas, vou por praças"
sigo pois no labirinto metáfora das dificuldades de Lisboa a horas tardas vou perdido mas pressinto ou sei mesmo por instinto que nalgum lugar me aguardas certeza da concretização deste encontro e enquanto vou não domino nem ciúme nem paixão é assim que me defino só por sentir o destino a morder-me o coração
Fado - VIVIANE
"soneto do soneto"
catorze versos tem este soneto de dez sílabas cada, na contagem (referência a Camões) métrica portuguesa; de passagem, o esquema abba dá esqueleto (soneto Italiano) aos versos do começo: a engrenagem podia ser abab, mas meto (soneto Inglês) aqui baab: destarte, preto no branco, instabilizo a sua imagem. (inovação da escrita)
"soneto do soneto"
teria, isabelino, uma terceira (vocabulário erudito)quadra, cddc e ee final, em vez de dois tercetos com quilate sempre de ouro no fim, de tal maneira ("Chave d´ouro") porém o engendrei continental que em duplo cde tem seu remate.
Apreciação crítica
Indicações bibliográficas:
- Escritas.org - Vasco Graça Moura. Acedido em 17 de abril de 2023 em: https://www.escritas.org/pt/vasco-graca-moura
- Marques, Maria - Soneto do Soneto. Acedido em 19 de abril de 2023 em: https://prezi.com/oguz_4jeohxn/soneto-do-soneto/
- Poetas Contemporâneos. Elementos, dezembro de 2021 (Resumos- Ensino Secundário). ISBN: 978-989-567-001-7
- Portal da Literatura - Vasco Graça Moura. Acedido em 3 de abril de 2023 em: https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=85
- SILVA, Pedro, Cardoso, Elsa, Rente, Sofia - Outras Expressões. Porto editora, 2022
ISBN: 978-972-0-40056-7