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O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS - FINAL
Matteo Chana
Created on April 18, 2023
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Transcript
JOSÉ SARAMAGO
O ano da morte de ricardo reis
1º e 2º encontros - capítulos III e IV
João Cordeiro - n.º 8 Margarida Alves - n.º 11 Matteo Chana - n.º 13 Rafael Nascimento - n.º 16 Português - 12.º ano
ÍNDICE
INTRODUÇÃO À OBRA O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS
- José Saramago: Introdução ao autor - Contextualização histórico-literária - Linguagem e estilo característicos - Visão global da obra e introdução ao estudo da mesma - CRÍTICA AO CONTEXTO POLÍTICO E SOCIAL
Português - 12º Ano
ÍNDICE
1º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA - INTRODUÇÃO
- RICARDO REIS: CARACTERÍSTICAS GLOBAIS - CAPÍTULOS I E II: CONTEXTUALIZAÇÃO DA AÇÃO - INTRODUÇÃO AO 1º ENCONTRO (CAPÍTULO III) - LEItURA EXPRESSIVA DO EXCERTO (1º ENCONTRO) - LOCALIZAÇÃO DO EXCERTO NA OBRA: SÍNTESE GLOBAL DO CAPÍTULO III
Português - 12º Ano
ÍNDICE
1º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA
- 1º ENCONTRO - ANÁLISE: • LOCALIZAÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL • TEMAS ABORDADOS NO DIÁLOGO • CARACTERIZAÇÃO DE RICARDO REIS DE ACORDO COM O EPISÓDIO • CRÍTICA POLÍTICA E SOCIAL PRESENTE (TEMPO HISTÓRICO)
Português - 12º Ano
ÍNDICE
2º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA - INTRODUÇÃO
- INTRODUÇÃO AO 2º ENCONTRO (CAPÍTULO IV) - LEItURA EXPRESSIVA DO EXCERTO (2º ENCONTRO) - LOCALIZAÇÃO DO EXCERTO NA OBRA: SÍNTESE GLOBAL DO CAPÍTULO IV
Português - 12º Ano
ÍNDICE
2º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA
- 2º ENCONTRO - ANÁLISE: • LOCALIZAÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL (DEAMBULAÇÃO GEOGRÁFICA) • TEMAS ABORDADOS NO DIÁLOGO • CARACTERIZAÇÃO DE RICARDO REIS DE ACORDO COM O EPISÓDIO • CRÍTICA POLÍTICA E SOCIAL PRESENTE (TEMPO HISTÓRICO)
Português - 12º Ano
ÍNDICE
Conclusão - aspetos paratextuais
- Expressividade e simbolismos - iNTERTEXTUALIDADE (RELAÇÃO COM DIVERSAS OBRAS) - PERCURSO LITERÁRIO: DEAMBULAÇÃO PELA CIDADE DE LISBOA - CONCLUSÃO
Português - 12º Ano
INTRODUÇÃO À OBRA O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS
Português - 12º Ano
Nascido a 16 de novembro de 1922 na freguesia de Azinhaga (Golegã) - família muito humilde.
Muda-se para Lisboa com apenas dois anos de idade, onde irá residir durante grande parte da sua vida.
Sempre demonstrou interesse pelos estudos, pela cultura e pela literatura.
Por diversos problemas económicos, viu-se forçado a estudar numa escola técnica, na qual se formou em serralharia mecânica (até 1939).
Passando as noites na biblioteca do Palácio de Galveias, o seu amor pela literatura cresceu. Começou a realizar alguns trabalhos como tradutor, produtor literário ou colaborador com alguns jornais e revistas.
José Saramago
Introdução ao autor
Em 1947 publica a sua primeira obra Terra do Pecado (inicialmente A Viúva).
A partir deste ano, Saramago começa a ganhar verdadeira importância no panorama literário Português e internacional.
Publica o seu "primeiro grande romance" em 1980 (Levantado do Chão), assim como outros "grandes romances" como Memorial do Convento (1982).
Ao longo das décadas de 70 e 80, assumiu funções em jornais como o Diário de Lisboa e o Diário de Notícias.
Por toda a sua obra, a sua história e o contexto vigente, recebe o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel da Literatura em 1998.
José Saramago
A 18 de junho de 2010 falece aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a sua mulher Pilar del Río.
Introdução ao autor
Contextualização histórico-literária
Tempo de escrita de José Saramago: 1947 - final da vida (2010)
Autor contemporâneo
Época marcada por 3 momentos distintos: 1. Ditadura (opressão política e social por ação do Estado Novo no nosso país: 1933 a 1974); 2. Mudança (momento de transformação do paradigma social e político nacional: após 25 de abril - entrada do país na CEE): 1984 - O Ano da Morte de Ricardo Reis; 3. Atualidade (contexto social atual, identificação das injustiças sociais existentes, crítica ao paradigma político e religioso, entre outras temáticas).
REGIME DITATORIAL - CONTEXTO POLÍTICO E SOCIAL
Restrições à liberdade dos indivíduos
Estado Novo - regime ditatorial liderado por António de Oliveira Salazar
Propaganda do Estado Novo, fomentando a ideia da prosperidade e da grandeza do império
Censura e PVDE/PIDE, armas usadas contra quem se opunha à ordem vigente
Mocidade Portuguesa que incutia nos jovens os valores e a ideologia do regime
Linguagem e estilo - Prosa saramaguiana
Como acabámos de ver, a escrita de Saramago apresenta diversas vertentes, cada uma delas relacionada com o contexto histórico e social onde se inserem. Mesmo assim, focando a nossa atenção na obra O Ano da Morte de Ricardo Reis, podemos destacar algumas características presentes nesta obra e em outras obras:
1. Ideologia política e religiosa muito presente: ateísmo, crítica à religião, ideologia de esquerda (socialismo/comunismo) baseada na crítica social e na necessidade de combater a ignorância;
2. Discurso direto e diversificado: utilização de diversos subgéneros literários, registo informal a nível sintático e de pontuação, tom informal;
3. Linguagem e expressividade característica: uso predominante do presente do indicativo, assim como de provérbios e trocadilhos e, a nível expressivo, uso de recursos expressivos como a enumerção, a ironia ou a metáfora.
Visão global da obra: introdução ao estudo da mesma
1984: década de 80
Época de transição e de mudança Momento no qual Fernando Pessoa era o autor mais destacado a nível nacional (50 anos da sua morte e 100 do seu nascimento - década de 80) Forte ligação literária entre Saramago e Fernando Pessoa
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O Ano da Morte de Ricardo Reis
Visão global da obra: introdução ao estudo da mesma
O Ano da Morte de Ricardo Reis
Romance publicado por Saramago em 1984, no qual Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa) se torna protagonista. Assim, a ação irá ter por base o regresso de Ricardo Reis à cidade de Lisboa (dezembro de 1935), após 16 anos de exílio no Brasil. Através de uma narrativa fortemente crítica, Saramago irá retratar a emergência do clima opressor e sombrio da ditadura de Salazar, do fascismo e da instabilidade política e social através da figura de Ricardo Reis e de Fernando Pessoa.
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Visão global da obra: introdução ao estudo da mesma
O Ano da Morte de Ricardo Reis
- Espaço da cidade: Lisboa como cidade labiríntica e complexa - Tempo histórico e contexto político: opressão política e social (Portugal, Espanha, Alemanha, França, Itália...) - Deambulação Geográfica: viagem literária - Visão dicotómica do amor: relação carnal (Lídia) vs relação poética e afetiva (Marcenda) - Exaltação do poder e da força Humana: revolta contra a opressão
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Contexto histórico 1936
LISBOA (1936)
A capital portuguesa é caracterizada como uma cidade miserável, retrógrada e “parada no tempo”, oprimida por pensamentos políticos, sociais e económicos. É também um espaço de propaganda política, onde se movimentam as forças do poder. É descrita como um labirinto, monótona, sombria e chuvosa.
contexto internacional
Época marcada por grandes mudanças no continente europeu: Espanha (vitória da esquerda; exílio de refugiados em Portugal; golpe de estado e guerra civil); França (agitação social; vitória da esquerda pela frente popular; luta pelos direitos sociais); Itália (regime fascista de Mussolini; nacionalismo e pretensões imperialistas; invasão da Etiópia, de modo a unificar o império na África Ocidental); Alemanha (Hitler e a expanção nazi; perseguição contra os judeus; clima instável europeu). Onde podemos encontrar estes acontecimentos na obra?
1.º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA - INTRODUÇÃO
RICARDO REIS: CARACTERÍSTICAS GLOBAIS
O que sabemos sobre ele? (características biográficas segundo a carta a Adolfo Casais Monteiro e outros documentos): - Nasceu em 1887 no Porto (informações indicam a data concreta - 19/09/1887); - É médico; - Encontra-se instalado no Brasil (exílio voluntário); - De ideologia monárquica, de natureza epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo; - Relativamente baixo, seco e forte, cara rapada e pele morena.
Ver
RICARDO REIS na obra
Ricardo Reis regressou a Portugal depois da morte de Fernando Pessoa
Ricardo Reis saramaguiano apresenta-se diferente daquele que conhecemos pela mão de Fernando Pessoa. Ricardo Reis, na obra O Ano da Morte de Ricardo Reis transforma-se no sujeito que questiona, que inicia uma viagem de natureza introspetiva, que ama (de formas distintas), que sente o peso da opressão política.
«Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo»
Ricardo Reis
reis e pessoa na obra
Ricardo ReisHeterónimo de Fernando Pessoa Atitude contemplativa e distante Deambula pela cidade Contacto com o exterior através dos jornais Fernando Pessoa Motor dos acontecimentos Personagem histórica Reprova o estilo de vida e a forma de pensar de Ricardo Reis
capítulo i - CONTEXTUALIZAÇÃO DA AÇÃO
- Depois de 16 anos passados no Brasil, Ricardo Reis regressa a Portugal (29/12/1935);
- Desembarca em Alcântara, na embarcação "Highland Brigade", após uma longa viagem.;
- Apanha um táxi (deambulação pela cidade) e aloja-se no Hotel Bragança;
- Vê pela primeira vez Marcenda que janta com o seu pai.
Ver
capítulo iI - CONTEXTUALIZAÇÃO DA AÇÃO
- Deambulação pelas ruas da cidade de Lisboa - verificação de mudança arquitetónica;
- Através dos jornais, Ricardo Reis é informado da morte de Pessoa (30.11.1935);
- Visita o túmulo do poeta no Cemitério dos Prazeres (ida de elétrico e regresso de táxi);
- Decide descer para jantar mais cedo, esperando encontrar Marcenda;
- Conversa com o gerente Salvador sobre Dr. Sampaio e a filha;
- Contacta pela primeira vez com Lídia, criada do hotel, cujo nome o deixa surpreso.
capítulo IIi - CONTEXTUALIZAÇÃO DA AÇÃO
- Segundo encontro com Lídia;
- Passeio pelas ruas de Lisboa: passagem pelas estátuas de Eça e de Camões (dimensão literária - intertextualidade);
- Último dia de 1935: episódio do Bodo do Século;
- Decide ir ao Rossio para ver bater a meia-noite no relógio da estação central;
- Regressa ao seu quarto de hotel, onde...
Leitura expressiva do excerto (1.º encontro)
1.º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA - análise
1.º encontro - análise
- Localização espacial e temporal: quarto de Ricardo Reis (201), no Hotel Bragança, depois do seu regresso das celebrações de fim de ano - 01/01/1936 - Temas abordados: falecimento de Pessoa; telegrama de Álvaro de Campos; vinda a Portugal; política (monarquismo). Ricardo Reis surge como um poeta e médico que não exercia, um monárquico de tal forma convicto que se exilou no Brasil em 1919, após o falhanço da revolta da Monarquia do Norte.
ricardo reis - caracterização
1.º encontro
- Reticente ("[...] disse Olá, embora duvidasse de que ele lhe responderia, [...]");
- Meticuloso e cuidadoso ("[...] arrumou cuidadosamente o guarda-chuva no lavatório, [...]");
- Feliz ("Olham-se ambos com simpatia, vê-se que estão contentes por se terem reencontrado [...]");
- Temeroso ("[...] Você, Reis, tem sina de andar a fugir das revoluções, [...]");
- Indeciso ("[...] Ainda não sei, apenas trouxe o indispensável, pode ser que me resolva a ficar, [...]");
- Ansioso ("[...] Não quer marcar um dia, hora, local, [...]").
2.º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA - INTRODUÇÃO
capítulo IV - CONTEXTUALIZAÇÃO DA AÇÃO
- Traça-se a situação política de Portugal
- Reis faz a sua leitura habitual;
- Aproximação de Lídia;
- Decide passear por Lisboa, onde...;
- Regressa ao quarto, momento no qual se dá o primeiro envolvimento com Lídia.
Leitura expressiva do excerto (2.º encontro)
2.º ENCONTRO ENTRE RICARDO REIS E FERNANDO PESSOA - ANÁLISE
2.º encontro - análise
- Localização espacial e temporal: esquina da Rua de Santa Justa até ao Terreiro do Paço - deambulação geográfica. - Temas abordados: quem os vê ("Crescei e multiplicai-vos" e as paredes do Martinho); regresso ou não ao Brasil; o sonho e a morte ("o outro lado da vida"). Nota: Fernando Pessoa não trazia óculos, pois não chegaram a dar-lhos antes da sua morte.
ricardo reis - caracterização
2.º encontro
- Atencioso ("[...] Chegue-se para cá que cabemos os dois, [...]");
- Curioso ("[...] Quem estiver a olhar para nós, a quem é que vê, a si ou a mim, [...]");
- Confidente ("[...] Estou a pensar em instalar-me, em abrir consultório, [...]");
- Inquieto e pensativo ("[...] É difícil responder, não sei mesmo se saberia encontrar uma resposta [...]").
CONCLUSÃO - ASPETOS PARATEXTUAIS
simbolismos E EXPRESSIVIDADE
Realações amorosas Lídia e Marcenda Labirinto Anúncio de Freire Gravador The god of the labyrinth Estátuas Eça de Queirós Luís de Camões Meteorologia Tempo chuvoso Lama e barro
Dicotomia entre amor carnal/sexual e amor poético
Lisboa como cidade labiríntica (de certo modo confusa)
Pouca valorização literária por parte do povo Português
Representação de uma cidade triste, cinzenta - opressão política e social
crítica política e social
Contexto político e social 1936
Estado Novo - opressão e falta de liberdade, fome, pobreza e injustiças sociais (comum a outros países)
Paradigma que surge na própria descrição da cidade de Lisboa - suja, pálida, cinzenta, escura, mole
Episódio do bodo do Século
INTERTEXTUALIDADE
Fernando Pessoa Álvaro de Campos e Alberto Caeiro Cesário Verde Eça de Queirós Luís de Camões - "Os Lusíadas" Bíblia Jornais da época
Dimensão Pessoana (referência direta)
Atitude deambulatória (referência indireta)
Estátuas e referências diretas à obra "Os Lusíadas" (canto III - estância 20)
Referências religiosas (textos bíblicos)
Meios de difusão de informação (manipulação)
DEAMBULAÇÃO GEOGRÁFICA - PASSEIO LITERÁRIO
«a morte não é sossego, não há sossego no mundo nem pelos mortos nem pelos vivos»
em O Ano da Morte de Ricardo Reis
OBRIGADO!
Ver
João Cordeiro - n.º 8 Margarida Alves - n.º 11 Matteo Chana - n.º 13 Rafael Nascimento - n.º 16 Português - 12.º ano
JOSÉ SARAMAGO
O ano da morte de ricardo reis
1º e 2º encontros - capítulos III e IV
João Cordeiro - n.º 8 Margarida Alves - n.º 11 Matteo Chana - n.º 13 Rafael Nascimento - n.º 16 Português - 12.º ano