Disciplina: Português
Professor: Jorge Garcia
Cesário Verde
Contrariedades
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Apresentado por Alexandra Santos e Benhur Araújo
12ºAPS
PLANo de trabalho
4. Esquema Rimático
1. Breve síntese do poeta
5. Sílabas Métricas
2. Análise do Poema
3. Poema
6. Figuras de Estilo
7. Conclusão
Breve síntese
do poeta
José Joaquim Cesário Verde foi um poeta português considerado um dos Modernistas em Portugal.Alguns tópicos importantes em sua biografia: - Nasceu em Lisboa, a 25 de Fevereiro 1855; - Faleceu a 19 de Julho 1886, aos 31 anos, vítima de tuberculose; - Estudou no Colégio Militar e depois no Colégio da Lapa; - Publicou sua 1ºObra "O livro de Cesário Verde" em 1887;
Cesário Verde
1ºObra
Poema
"Contrariedades"
O obstáculo estimula, torna-nos perversos; Agora sinto-me eu cheio de raivas frias, Por causa dum jornal me rejeitar, há dias, Um folhetim de versos. Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta No fundo da gaveta. O que produz o estudo? Mais duma redação, das que elogiam tudo, Me tem fechado a porta. A crítica segundo o método de Taine Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa Vale um desdém solene. Com raras exceções merece-me o epigrama. Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo, Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho Diverte-se na lama.
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;Nem posso tolerar os livros mais bizarros. Incrível! Já fumei três maços de cigarros Consecutivamente. Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos: Tanta depravação nos usos, nos costumes! Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes E os ângulos agudos. Sentei-me à secretária. Ali defronte mora Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes; Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes E engoma para fora. Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas! Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica. Lidando sempre! E deve a conta na botica! Mal ganha para sopas...
Poema
"Contrariedades"
Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente, Oiço-a cantarolar uma canção plangente Duma opereta nova! Perfeitamente. Vou findar sem azedume. Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas, Conseguirei reler essas antigas rimas, Impressas em volume? Nas letras eu conheço um campo de manobras; Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague, E esta poesia pede um editor que pague Todas as minhas obras E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha? A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia? Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia... Que mundo! Coitadinha!
Eu nunca dediquei poemas às fortunas, Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas. Independente! Só por isso os jornalistas Me negam as colunas. Receiam que o assinante ingênuo os abandone, Se forem publicar tais coisas, tais autores. Arte? Não lhes convêm, visto que os seus leitores Deliram por Zaccone. Um prosador qualquer desfruta fama honrosa, Obtém dinheiro, arranja a sua coterie; E a mim, não há questão que mais me contrarie Do que escrever em prosa. A adulação repugna aos sentimentos finos; Eu raramente falo aos nossos literatos, E apuro-me em lançar originais e exatos, Os meus alexandrinos...
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso! Ignora que a asfixia a combustão das brasas, Não foge do estendal que lhe umedece as casas, E fina-se ao desprezo!
Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'
Esquema
Rimático
O poema "Contrariedades" de Cesário Verde possui um esquema rimático variado, sem seguir um padrão fixo ao longo dos versos. Segue abaixo um exemplo de esquema rimático para uma das estrofes do poema:
No poema como um todo, é possível notar a presença de diversas rimas, tais como: - Rimas Cruzadas; - Rimas Internas; - Rimas Alternadas; - E Rimas Emparelhadas;
Esquema Rimático ABCB
"Ao longo das paredes rasas, O vento corre, à sua vontade, Sem as sentir, as vãs fachadas Sorriem, na sua imonilidade."
Nesta estrofe, há uma rima cruzada entre o primeiro e o terceiro verso (Paredes/Fachadas). E uma rima interna entre o segudo e o quarto verso (Vontade/Imobilidade).
Sílabas Métricas
6. e em vão o céu ob - scu - ro eu vou su - bin - do (3ª, 6ª, 10ª); 7. Con - tra - di - ções vãs do pen - sa - men - to (3ª,6ª e 10ª); 8. que a al - ma tor - tu - rar e que, no en - tan - to,(4ª, 7ª e 10ª); 9. nin - guém sen - tiu no co - ra - ção as dor - es (4ª, 7ª e 10ª); 10. com que eu vi - vo e mor - ro a to - das as ho - ras (5ª, 8ª e 10ª);
O poema é um soneto que tem como métrica o decassílabo (versos de dez silabas métricas).
As sílabas métricas de cada verso são as seguintes:
1. Con - tra - ri - e - da - des (6ª e 10ª sílabas tônicas); 2. es - te - co - ra - ção con - tra - di - to (4ª, 7ª e 10ª); 3. ain - da que o so - lhe - i- ro a - que - ça o gri - lo (3ª, 6ª e 10ª); 4. e o ve - rão - põe ne - les ou - ro e bri - lho (4ª, 7ª e 10ª); 5. Em vão o mar pro - fun - do eu vou me - din - do (4ª, 7ª, 10ª);
Assim, cada verso possui exatamente dez sílabas métricas.
F i g u r a s d e e s t i l o
O poema apresenta diversas figuras de estilo, tais como:
3. Personificação: o poema descreve elemenos da natureza como o "verão"; 4. Anáfora: a repetição de palavras no incio de versos, como "Em vão" nos versos 5 e 6; 5. Onomatopeia: há utilização de palavras que imitam sons como "tic-tac" no 14ºverso;
1. Antítese: o poema compara ideias opostas; 2. Metáfora: " o mar profundo eu vou medindo";
Conclusão
Reflexão sobre a natureza e a vida urbana
As coisas boas em um primeiro momento, muitas das vezes têm um lado sombrio
A vida na cidade é cheia de contradições
Vale a pena lutar para encontrar significado e beleza no meio de todas as contrariedades da cidade
Cesário Verde Poema Contrariedades
Alexandra Santos
Created on April 16, 2023
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Disciplina: Português
Professor: Jorge Garcia
Cesário Verde
Contrariedades
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Apresentado por Alexandra Santos e Benhur Araújo
12ºAPS
PLANo de trabalho
4. Esquema Rimático
1. Breve síntese do poeta
5. Sílabas Métricas
2. Análise do Poema
3. Poema
6. Figuras de Estilo
7. Conclusão
Breve síntese
do poeta
José Joaquim Cesário Verde foi um poeta português considerado um dos Modernistas em Portugal.Alguns tópicos importantes em sua biografia: - Nasceu em Lisboa, a 25 de Fevereiro 1855; - Faleceu a 19 de Julho 1886, aos 31 anos, vítima de tuberculose; - Estudou no Colégio Militar e depois no Colégio da Lapa; - Publicou sua 1ºObra "O livro de Cesário Verde" em 1887;
Cesário Verde
1ºObra
Poema
"Contrariedades"
O obstáculo estimula, torna-nos perversos; Agora sinto-me eu cheio de raivas frias, Por causa dum jornal me rejeitar, há dias, Um folhetim de versos. Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta No fundo da gaveta. O que produz o estudo? Mais duma redação, das que elogiam tudo, Me tem fechado a porta. A crítica segundo o método de Taine Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa Vale um desdém solene. Com raras exceções merece-me o epigrama. Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo, Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho Diverte-se na lama.
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;Nem posso tolerar os livros mais bizarros. Incrível! Já fumei três maços de cigarros Consecutivamente. Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos: Tanta depravação nos usos, nos costumes! Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes E os ângulos agudos. Sentei-me à secretária. Ali defronte mora Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes; Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes E engoma para fora. Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas! Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica. Lidando sempre! E deve a conta na botica! Mal ganha para sopas...
Poema
"Contrariedades"
Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente, Oiço-a cantarolar uma canção plangente Duma opereta nova! Perfeitamente. Vou findar sem azedume. Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas, Conseguirei reler essas antigas rimas, Impressas em volume? Nas letras eu conheço um campo de manobras; Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague, E esta poesia pede um editor que pague Todas as minhas obras E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha? A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia? Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia... Que mundo! Coitadinha!
Eu nunca dediquei poemas às fortunas, Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas. Independente! Só por isso os jornalistas Me negam as colunas. Receiam que o assinante ingênuo os abandone, Se forem publicar tais coisas, tais autores. Arte? Não lhes convêm, visto que os seus leitores Deliram por Zaccone. Um prosador qualquer desfruta fama honrosa, Obtém dinheiro, arranja a sua coterie; E a mim, não há questão que mais me contrarie Do que escrever em prosa. A adulação repugna aos sentimentos finos; Eu raramente falo aos nossos literatos, E apuro-me em lançar originais e exatos, Os meus alexandrinos...
E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso! Ignora que a asfixia a combustão das brasas, Não foge do estendal que lhe umedece as casas, E fina-se ao desprezo!
Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'
Esquema
Rimático
O poema "Contrariedades" de Cesário Verde possui um esquema rimático variado, sem seguir um padrão fixo ao longo dos versos. Segue abaixo um exemplo de esquema rimático para uma das estrofes do poema:
No poema como um todo, é possível notar a presença de diversas rimas, tais como: - Rimas Cruzadas; - Rimas Internas; - Rimas Alternadas; - E Rimas Emparelhadas;
Esquema Rimático ABCB
"Ao longo das paredes rasas, O vento corre, à sua vontade, Sem as sentir, as vãs fachadas Sorriem, na sua imonilidade."
Nesta estrofe, há uma rima cruzada entre o primeiro e o terceiro verso (Paredes/Fachadas). E uma rima interna entre o segudo e o quarto verso (Vontade/Imobilidade).
Sílabas Métricas
6. e em vão o céu ob - scu - ro eu vou su - bin - do (3ª, 6ª, 10ª); 7. Con - tra - di - ções vãs do pen - sa - men - to (3ª,6ª e 10ª); 8. que a al - ma tor - tu - rar e que, no en - tan - to,(4ª, 7ª e 10ª); 9. nin - guém sen - tiu no co - ra - ção as dor - es (4ª, 7ª e 10ª); 10. com que eu vi - vo e mor - ro a to - das as ho - ras (5ª, 8ª e 10ª);
O poema é um soneto que tem como métrica o decassílabo (versos de dez silabas métricas).
As sílabas métricas de cada verso são as seguintes:
1. Con - tra - ri - e - da - des (6ª e 10ª sílabas tônicas); 2. es - te - co - ra - ção con - tra - di - to (4ª, 7ª e 10ª); 3. ain - da que o so - lhe - i- ro a - que - ça o gri - lo (3ª, 6ª e 10ª); 4. e o ve - rão - põe ne - les ou - ro e bri - lho (4ª, 7ª e 10ª); 5. Em vão o mar pro - fun - do eu vou me - din - do (4ª, 7ª, 10ª);
Assim, cada verso possui exatamente dez sílabas métricas.
F i g u r a s d e e s t i l o
O poema apresenta diversas figuras de estilo, tais como:
3. Personificação: o poema descreve elemenos da natureza como o "verão"; 4. Anáfora: a repetição de palavras no incio de versos, como "Em vão" nos versos 5 e 6; 5. Onomatopeia: há utilização de palavras que imitam sons como "tic-tac" no 14ºverso;
1. Antítese: o poema compara ideias opostas; 2. Metáfora: " o mar profundo eu vou medindo";
Conclusão
Reflexão sobre a natureza e a vida urbana
As coisas boas em um primeiro momento, muitas das vezes têm um lado sombrio
A vida na cidade é cheia de contradições
Vale a pena lutar para encontrar significado e beleza no meio de todas as contrariedades da cidade