Brevíssima
História da Língua Portuguesa
'Uma língua é o lugar donde se vê o mundo e de ser nela pensamento e sensibilidade. Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. '
Vergílio Ferreira, A voz do mar, 1991.
Índice
Processo diacrónico de evolução da língua portuguesa
Norma linguística e dialetos: a pluralidade da língua.
Processo diacrónico de evolução da língua portuguesa
1.1
Do Latim ao Português
A formação da língua portuguesa
Processo diacrónico (dinâmica de evolução ao longo do tempo) de continuidades e de inovações (fonológicas, morfológicas e sintáticas) que resulta na constituição do português como unidade linguística diferenciada do sistema original latino e dos outros sistemas românicos. Exemplo: "oculu-" (latim) > "olho" (português) # "ojo" (castelhano).
Mas que latim? O denominado latim vulgar, o latim do quotidiano das populações, pouco influenciado por modelos de educação formal ou modelos literários – o latim culto de Vergílio e Cícero – e que teve continuidade nas línguas românicas. O galego-português (? sécs X-XI) é a forma que o latim vulgar ganha no ângulo noroeste da península Ibérica.
Fases do processo diacrónico de evolução da língua portuguesa
1- Romanização: todos os processos sociais e culturais que resultaram da conquista da península pelos Romanos a partir do séc. II a.C. Adoção do latim pelas populações da península.
2- Ocupação Germânica: Suevos e Visigodos (séc. V) – Diversificação do latim falado e fenómenos de empréstimos linguísticos (processo de transferência de palavras de uma língua para outra).
3- Ocupação Árabe e Reconquista: a formação do reino de Portugal (sécs. XII-XIII) e a exportação do galego-português para sul. Empréstimos linguísticos, individualização do português e a constituição da norma linguística (eixo Lisboa-Coimbra).
4- A cultura humanista (séc. XVI): gramáticas, tratados de ortografia e dicionários na fixação do Português padrão.
Cronologia e periodização da língua portuguesa (Brocardo).
Séculos XVI e XVIII
Séculos XV e XVI
Século XVIII -
Séculos XIII e XIV
Galego-português (Teyssier e outros)
PORTUGUÊS ANTIGO (Cintra).
Português Clássico.
Português pré-clássico (Vázquez Cuesta & Luz)
PORTUGUÊS MÉDIO (Cintra).
Português Moderno.
Os documentos mais antigos escritos em português
O Testamento de D. Afonso II (1214).
A Notícia de Torto (1214-1216)
«En’o nome de Deus. Eu rei don Afonso pela gracia de Deus rei de Portugal, seendo sano e saluo, temẽte o dia de mia morte, a saude de mia alma e a proe de mia molier raina dona Orraca e de me(us) filios e de me(us) uassalos e de toido meu reino fiz mia mãda p(er) q(eu) de- »
D(e) noticia d(e) torto que fecer(ũ) a Laurẽci(us) Fernãdiz por plazo que fec(e) Gõcauo
[2] Ramiriz antre suos1 filios e Lourẽzo Ferrnãdiz q(u)ale podedes saber: e oue au(e)r d(e) erdad(e)
+info
+info
Atividade: "Começa por 'Al'? Se calhar é de origem árabe." Os empréstimos linguísticos na evolução do português.
Os empréstimos linguísticos são um fenómeno estruturante de qualquer idioma: a língua forma-se também pelo contato com outras línguas, culturas. Faça uma breve pesquisa sobre os empréstimos linguísticos do árabe ao português e veja a que áreas de saber correspondem esses empréstimos (e.g., veja se o Ciberdúvidas tem uma entrada para os arabismos).
Verificação de conhecimentos
Norma linguística e dialetos: a pluralidade da língua
2.1
Dialetos e variante padrão.
Definição dos conceitos de "norma" e de "dialeto".
A norma ou língua-padrão é uma entre as variedades de um idioma, mas atua como ideal linguístico de uma comunidade – de correção idiomática – , o que lhe confere uma força uniformizadora sobre as outras variedades. É a norma que é utlizada nas instituições políticas-administrativas do Estado e nos contextos de educação formais..
Dialetos definem-se como as variedades regionais de uma língua (pronúncia, gramática e vocabulário). O português europeu apresenta três grandes grupos de dialetos: os galegos, os portugueses setentrionais e os portugueses centro-meridionais (Cintra).
Os dialetos do português europeu (Cintra).
Galegos
Setentrionais
Centro-Meridionais
Clique no mapa para abrir a página do Instituto Camões
Alguns traços fonéticos diferenciadores entre os dialetos portugueses setentrionais e os dialetos portugueses centro-meridionais
1.º) a «troca do b pelo v» - binho, abó por vinho e avó.
2..º) a «pronúncia do ch como tx ou tch» - tchave, atchar por chave e achar.
3. º) a «pronúncia de ou como o-u ou à-u» - õru por ouro.
4.º) a «passagem de ei a ê» - a monotongação do ditongo ei: ferrêro por ferreiro.
Atividade: "Não digas "quêjo", é queijo!" - Reflexão sobre a noção de correto na língua.
Concorda com a ideia do português "correto" na expresão oral? Acha que a variante padrão deve submeter todas as outras variantes da língua ou a pluralidade da expressões é algo que deve ser celebrado como património da língua?
A língua: uma "pluralidade regrada"
Deste brevíssimo percurso podemos compreender que o português, como qualquer língua falada por uma comunidade linguística, não é homogéneo.
As variações atestadas na língua portuguesa resultam de fatores históricos (diacronia), geográficos (variação diatópicas: falares locais, variantes regionais), sociais (variação diastrática, social: nível culto, nível popular) e situacionais (variação diafásica: linguagem escrita, linguagem falada).
Os registos lexicográficos: os dicionários como registo de mudança e de estabilização da língua. O exemplo do Novo Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
Verificação de conhecimentos
Fim
Brevíssima história da língua portuguesa
Marcos Manuel Cardoso Carvalho
Created on April 15, 2023
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Brevíssima
História da Língua Portuguesa
'Uma língua é o lugar donde se vê o mundo e de ser nela pensamento e sensibilidade. Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. '
Vergílio Ferreira, A voz do mar, 1991.
Índice
Processo diacrónico de evolução da língua portuguesa
Norma linguística e dialetos: a pluralidade da língua.
Processo diacrónico de evolução da língua portuguesa
1.1
Do Latim ao Português
A formação da língua portuguesa
Processo diacrónico (dinâmica de evolução ao longo do tempo) de continuidades e de inovações (fonológicas, morfológicas e sintáticas) que resulta na constituição do português como unidade linguística diferenciada do sistema original latino e dos outros sistemas românicos. Exemplo: "oculu-" (latim) > "olho" (português) # "ojo" (castelhano).
Mas que latim? O denominado latim vulgar, o latim do quotidiano das populações, pouco influenciado por modelos de educação formal ou modelos literários – o latim culto de Vergílio e Cícero – e que teve continuidade nas línguas românicas. O galego-português (? sécs X-XI) é a forma que o latim vulgar ganha no ângulo noroeste da península Ibérica.
Fases do processo diacrónico de evolução da língua portuguesa
1- Romanização: todos os processos sociais e culturais que resultaram da conquista da península pelos Romanos a partir do séc. II a.C. Adoção do latim pelas populações da península.
2- Ocupação Germânica: Suevos e Visigodos (séc. V) – Diversificação do latim falado e fenómenos de empréstimos linguísticos (processo de transferência de palavras de uma língua para outra).
3- Ocupação Árabe e Reconquista: a formação do reino de Portugal (sécs. XII-XIII) e a exportação do galego-português para sul. Empréstimos linguísticos, individualização do português e a constituição da norma linguística (eixo Lisboa-Coimbra).
4- A cultura humanista (séc. XVI): gramáticas, tratados de ortografia e dicionários na fixação do Português padrão.
Cronologia e periodização da língua portuguesa (Brocardo).
Séculos XVI e XVIII
Séculos XV e XVI
Século XVIII -
Séculos XIII e XIV
Galego-português (Teyssier e outros) PORTUGUÊS ANTIGO (Cintra).
Português Clássico.
Português pré-clássico (Vázquez Cuesta & Luz) PORTUGUÊS MÉDIO (Cintra).
Português Moderno.
Os documentos mais antigos escritos em português
O Testamento de D. Afonso II (1214).
A Notícia de Torto (1214-1216)
«En’o nome de Deus. Eu rei don Afonso pela gracia de Deus rei de Portugal, seendo sano e saluo, temẽte o dia de mia morte, a saude de mia alma e a proe de mia molier raina dona Orraca e de me(us) filios e de me(us) uassalos e de toido meu reino fiz mia mãda p(er) q(eu) de- »
D(e) noticia d(e) torto que fecer(ũ) a Laurẽci(us) Fernãdiz por plazo que fec(e) Gõcauo [2] Ramiriz antre suos1 filios e Lourẽzo Ferrnãdiz q(u)ale podedes saber: e oue au(e)r d(e) erdad(e)
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Atividade: "Começa por 'Al'? Se calhar é de origem árabe." Os empréstimos linguísticos na evolução do português.
Os empréstimos linguísticos são um fenómeno estruturante de qualquer idioma: a língua forma-se também pelo contato com outras línguas, culturas. Faça uma breve pesquisa sobre os empréstimos linguísticos do árabe ao português e veja a que áreas de saber correspondem esses empréstimos (e.g., veja se o Ciberdúvidas tem uma entrada para os arabismos).
Verificação de conhecimentos
Norma linguística e dialetos: a pluralidade da língua
2.1
Dialetos e variante padrão.
Definição dos conceitos de "norma" e de "dialeto".
A norma ou língua-padrão é uma entre as variedades de um idioma, mas atua como ideal linguístico de uma comunidade – de correção idiomática – , o que lhe confere uma força uniformizadora sobre as outras variedades. É a norma que é utlizada nas instituições políticas-administrativas do Estado e nos contextos de educação formais..
Dialetos definem-se como as variedades regionais de uma língua (pronúncia, gramática e vocabulário). O português europeu apresenta três grandes grupos de dialetos: os galegos, os portugueses setentrionais e os portugueses centro-meridionais (Cintra).
Os dialetos do português europeu (Cintra).
Galegos
Setentrionais
Centro-Meridionais
Clique no mapa para abrir a página do Instituto Camões
Alguns traços fonéticos diferenciadores entre os dialetos portugueses setentrionais e os dialetos portugueses centro-meridionais
1.º) a «troca do b pelo v» - binho, abó por vinho e avó.
2..º) a «pronúncia do ch como tx ou tch» - tchave, atchar por chave e achar.
3. º) a «pronúncia de ou como o-u ou à-u» - õru por ouro.
4.º) a «passagem de ei a ê» - a monotongação do ditongo ei: ferrêro por ferreiro.
Atividade: "Não digas "quêjo", é queijo!" - Reflexão sobre a noção de correto na língua.
Concorda com a ideia do português "correto" na expresão oral? Acha que a variante padrão deve submeter todas as outras variantes da língua ou a pluralidade da expressões é algo que deve ser celebrado como património da língua?
A língua: uma "pluralidade regrada"
Deste brevíssimo percurso podemos compreender que o português, como qualquer língua falada por uma comunidade linguística, não é homogéneo. As variações atestadas na língua portuguesa resultam de fatores históricos (diacronia), geográficos (variação diatópicas: falares locais, variantes regionais), sociais (variação diastrática, social: nível culto, nível popular) e situacionais (variação diafásica: linguagem escrita, linguagem falada). Os registos lexicográficos: os dicionários como registo de mudança e de estabilização da língua. O exemplo do Novo Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
Verificação de conhecimentos
Fim