"Adeus"
Eugénio de Andrade
"Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis."
André Gregório nº2 Leonor Gonçalves nº16 Mafalda Martins nº19 12ºC 27/03/2023
Índice
Biografia
Webgrafia
Análise do poema
Poema
Conclusões
- Temática
- Estilística
- Formal
Biografia
Era filho de pais camponeses mas passou a maior parte da sua infância com a mãe devido à separação dos mesmos
Foi em 1936 que começou a escrever os primeiros versos e em 1939 que publicou o seu primeiro poema
Eugénio de Andrade nasceu a 19 de janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia (Fundão) e morreu a 13 de junho de 2005 no Porto
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou
não chega para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Adeus
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor…,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas
estremeciam só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Análise do poema
Formal
Estilística
Temática
Temática
Adeus
O titulo do poema dá-nos quase de imediato a ideia de uma despedida, do fim de alguma coisa que existia mas que já não existe.
Neste caso, foi a relação amorosa entre o Eu poético e um Tu que terminou, que se gastou ao longo do tempo.
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com sol das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
A repetição do verbo "gastar", reforça a ideia do tempo desperdiçado a tentar resolver os erros cometidos
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Agora, no presente, o "Eu" já não sente nada mas relembra, que no passado, o "Tu" fazia parte de si
Temática
Às vezes tu dizias : os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava! Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os teus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Marca de discurso direto (característica da poesia moderna)
Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.
Como chegou à conclusão que já não há nada a fazer, o sujeito despede-se.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor…, já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar.
Para o Eu, já não vale a pena recordar o passado pelo facto das memórias já não serem felizes, já não lhe trazerem magia;
Acredita que o amor é temporário e quer se livrar de tudo o que lhe lembra o seu antigo companheiro, a sua fuga da realidade, o seu "aquário";
De tantas palavras que diziam um ao outro, a magia destas acabou por desaparecer e restou apenas o "frio";
Análise do poema
Formal
Estilística
Temática
Estilística
Recursos expressivos:
"Gastámos" (vv. 4-7)
Anáfora
"Os teus olhos são peixes verdes" "(...) no tempo em que o teu corpo era um aquário (...)"
Metáfora
"O passado é inutil como um trapo" "(...) uns olhos como todos os outros"
Comparação
Estilística
Recursos expressivos:
"(...) para afastar o frio das quatro paredes." "(...) tempo dos segredos."
Perífrase
"Gastámos o olhos com o sal das lágrimas"
Apóstrofe
Hipérbole
"(...) meu amor."
"Só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração"
Antítese
Análise do poema
Formal
Estilística
Temática
Formal
O poema é composto por 7 estrofes:
um terceto
uma oitava
um monóstico
Estrofes irregulares e versos soltos. O esquema rimático é irregular como a própria métrica.
uma quintilha
uma sétima
uma nona
uma sextilha
Conclusão
Com o passar do tempo este amor vai se desmoronando e o autor acaba por expressar a sua dor da separação, mas ao mesmo tempo agradecer também pelos bons momentos vividos.
O poema "Adeus" dá nos a ideia de um passado amoroso vivido pelo sujeito poético que o considerava perfeito.
No final, ao ganhar consciência que já não havia nada a fazer pelo amor, o sujeito poético despede-se com "Adeus".
Este poema tem características narrativas, ao contar um história expressando o que se sentiu no passado e o que sente no presente.
Webgrafia
https://www.ebiografia.cm/eugenio_de_andrade/
https://prezi.com/xdbhecasskfn/adeus-eugenio-de-andrade/
https://prezi.com/p/hw9ynx1p6jkp/eugenio-de-andrade-adeus/
12º C Eugénio de Andrade
André Trindade Gregório
Created on March 27, 2023
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"Adeus"
Eugénio de Andrade
"Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis."
André Gregório nº2 Leonor Gonçalves nº16 Mafalda Martins nº19 12ºC 27/03/2023
Índice
Biografia
Webgrafia
Análise do poema
Poema
Conclusões
Biografia
Era filho de pais camponeses mas passou a maior parte da sua infância com a mãe devido à separação dos mesmos
Foi em 1936 que começou a escrever os primeiros versos e em 1939 que publicou o seu primeiro poema
Eugénio de Andrade nasceu a 19 de janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia (Fundão) e morreu a 13 de junho de 2005 no Porto
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! e eu acreditava.
Adeus
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os meus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor…, já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.
Análise do poema
Formal
Estilística
Temática
Temática
Adeus
O titulo do poema dá-nos quase de imediato a ideia de uma despedida, do fim de alguma coisa que existia mas que já não existe.
Neste caso, foi a relação amorosa entre o Eu poético e um Tu que terminou, que se gastou ao longo do tempo.
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com sol das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
A repetição do verbo "gastar", reforça a ideia do tempo desperdiçado a tentar resolver os erros cometidos
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro! Era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Agora, no presente, o "Eu" já não sente nada mas relembra, que no passado, o "Tu" fazia parte de si
Temática
Às vezes tu dizias : os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava! Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, no tempo em que o teu corpo era um aquário, no tempo em que os teus olhos eram peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Marca de discurso direto (característica da poesia moderna)
Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.
Como chegou à conclusão que já não há nada a fazer, o sujeito despede-se.
Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor…, já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar.
Para o Eu, já não vale a pena recordar o passado pelo facto das memórias já não serem felizes, já não lhe trazerem magia;
Acredita que o amor é temporário e quer se livrar de tudo o que lhe lembra o seu antigo companheiro, a sua fuga da realidade, o seu "aquário";
De tantas palavras que diziam um ao outro, a magia destas acabou por desaparecer e restou apenas o "frio";
Análise do poema
Formal
Estilística
Temática
Estilística
Recursos expressivos:
"Gastámos" (vv. 4-7)
Anáfora
"Os teus olhos são peixes verdes" "(...) no tempo em que o teu corpo era um aquário (...)"
Metáfora
"O passado é inutil como um trapo" "(...) uns olhos como todos os outros"
Comparação
Estilística
Recursos expressivos:
"(...) para afastar o frio das quatro paredes." "(...) tempo dos segredos."
Perífrase
"Gastámos o olhos com o sal das lágrimas"
Apóstrofe
Hipérbole
"(...) meu amor."
"Só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração"
Antítese
Análise do poema
Formal
Estilística
Temática
Formal
O poema é composto por 7 estrofes:
um terceto
uma oitava
um monóstico
Estrofes irregulares e versos soltos. O esquema rimático é irregular como a própria métrica.
uma quintilha
uma sétima
uma nona
uma sextilha
Conclusão
Com o passar do tempo este amor vai se desmoronando e o autor acaba por expressar a sua dor da separação, mas ao mesmo tempo agradecer também pelos bons momentos vividos.
O poema "Adeus" dá nos a ideia de um passado amoroso vivido pelo sujeito poético que o considerava perfeito.
No final, ao ganhar consciência que já não havia nada a fazer pelo amor, o sujeito poético despede-se com "Adeus".
Este poema tem características narrativas, ao contar um história expressando o que se sentiu no passado e o que sente no presente.
Webgrafia
https://www.ebiografia.cm/eugenio_de_andrade/
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