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12ºB- Arredores- Nuno Júdice
Mariana Furtado Santos
Created on March 27, 2023
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Transcript
Arredores
NUno júdice
Trabalho realizado por: Margarida Barrelas nº4 Leonor Pires nº16 Mariana Santos nº18
Índice
bibiografia e bibliografia do autor
Poema
análise do poema
conclusão
bibliografia
Biografia e Bibliografia do Autor
Autor: Nuno Manuel Gonçalves Júdice Glória é um ensaísta, poeta, ficcionista, e professor universitário. Nascimento: Portugal a 29 de abril de 1949. Formação: Universidade de Lisboa e na NOVA. Algumas obras publicadas: A Noção de Poema (1972) A Fonte da Vida (1997) O Mito da Europa (2017) Alguns prémios: Prémio Bordalo da Casa da Imprensa (1999) Prémio internacional de poesia camaiore, Itália (2017) Prémio Rosalía de castro do Centro PEN Galiza (2018)
Arredores
No tempo em que havia quintas e hortas em Lisboa, e se ia para lá aos domingos, eu ficava em casa. E em vez de ir para as quintas e para as hortas, em vez de apanhar couves e de ordenhar ovelhas, lia poemas que falavam das quintas e das hortas de Lisboa, como se isso substituísse o ar do campo e o cheiro dos estábulos. É por isso que hoje, quando me lembro dos arredores de Lisboa onde havia quintas e hortas, o que lembro são as horas de leitura de poemas sobre esses arredores, e os passeios que eles me faziam dar aos domingos, substituindo os lugares reais com mais exatidão do que se eu tivesse ido a esses lugares. Visitei, assim, quintas e hortas pela mão do Cesário Verde e do Álvaro de Campos, e soube por eles tudo o que precisava de saber sobre os arredores de Lisboa, que hoje já não existem porque Lisboa entrou por eles e transformou as quintas em prédios e as ovelhas em automóveis. Não me arrependo, então, de ter lido Cesário e Campos enquanto ouvia balir os rebanhos que vinham pastar a Lisboa, nas traseiras do meu prédio, onde as mulheres das hortas vendiam leite e queijo fresco, às escondidas da polícia. Hoje, já não sei onde se escondem essas mulheres, nem há quintas e hortas em Lisboa; mas ficaram os poemas que ainda me levam a passear às quintas e hortas que já não existem, onde apanho couves e ordenho ovelhas por entre prédios e automóveis.
Ánalise do poema
análise temática
Este poema retrata a imaginação de viajar pelos arredores de Lisboa, conhecendo as «quintas e as hortas», apesar de não fisicamente. Ao invéns de sair aos domingos, para visitar esses locais, como todos os outros, o «eu» ficava em casa a ler poemas, de Cesário Verde e Álvaro de Campos, sobre as «quintas e as hortas» da cidade de Lisboa, dessa forma a imaginação está bastante presente neste poema, pois é através da mesma e da poesia que o «eu» viaja por Lisboa e conhece os seus encantos.
Ánalise do poema
análise Estilística
Metáfora- "Visitei, assim, quintas/ e hortas pela mão do Cesário Verde e do Álvaro de Campos" (vv. 11-12)Comparação- "como se isso substituísseo ar do campo e o cheiro/ dos estábulos" (vv.6-7) Repetição- "quintas e hortas" (v.1); "para as quintas e para as hortas"(v.3)
Ánalise do poema
análise Estilística
"Visitei, assim, quintas e hortas pela mão do Cesário Verde e do Álvaro de Campos, e soube por eles tudo o que precisava de saber sobre os arredores de Lisboa, que hoje já não existem porque Lisboa entrou por eles e transformou as quintas em prédios e as ovelhas em automóveis. "
METÁFORA
(vv. 11-12)
Expressividade...
Ánalise do poema
análise Estilística
"No tempo em que havia quintas e hortas em Lisboa, e se ia para lá aos domingos, eu ficava em casa. E em vez de ir para as quintas e para as hortas, em vez de apanhar couves e de ordenhar ovelhas, lia poemas que falavam das quintas e das hortas de Lisboa, como se isso substituísse o ar do campo e o cheiro dos estábulos"
Expressividade...
COMPARAÇÃO
(vv. 6-7)
Ánalise do poema
análise Estilística
"No tempo em que havia quintas e hortas em Lisboa, e se ia para lá aos domingos, eu ficava em casa. E em vez de ir para as quintas e para as hortas, em vez de apanhar couves e de ordenhar ovelhas, lia poemas que falavam das quintas e das hortas de Lisboa, como se isso substituísse o ar do campo e o cheiro dos estábulos. É por isso que hoje, quando me lembro dos arredores de Lisboa onde havia quintas e hortas, (...)"
Repetição
(v.1 e v.3)
Expressividade...
Ánalise do poema
No tempo em que havia quintas e hortas em Lisboa, e se ia para lá aos domingos, eu ficava em casa. E em vez de ir para as quintas e para as hortas, em vez de apanhar couves e de ordenhar ovelhas, lia poemas que falavam das quintas e das hortas de Lisboa, como se isso substituísse o ar do campo e o cheiro dos estábulos. É por isso que hoje, quando me lembro dos arredores de Lisboa onde havia quintas e hortas, o que lembro são as horas de leitura de poemas sobre esses arredores, e os passeios que eles me faziam dar aos domingos, substituindo os lugares reais com mais exatidão do que se eu tivesse ido a esses lugares. Visitei, assim, quintas e hortas pela mão do Cesário Verde e do Álvaro de Campos, e soube por eles tudo o que precisava de saber sobre os arredores de Lisboa, que hoje já não existem porque Lisboa entrou por eles e transformou as quintas em prédios e as ovelhas em automóveis. Não me arrependo, então, de ter lido Cesário e Campos enquanto ouvia balir os rebanhos que vinham pastar a Lisboa, nas traseiras do meu prédio, onde as mulheres das hortas vendiam leite e queijo fresco, às escondidas da polícia. Hoje, já não sei onde se escondem essas mulheres, nem há quintas e hortas em Lisboa; mas ficaram os poemas que ainda me levam a passear às quintas e hortas que já não existem, onde apanho couves e ordenho ovelhas por entre prédios e automóveis.
análise formal
- 1 estrofe e 23 versos
- Versos longos
- Rima solta/ Sem rima
- Sílabas irregulares
Conclusão
Concluímos que o poema apresenta vários elementos paratextuais: o título "Arredores" e a epígrafe de Álvaro de Campos. Assim como o título, a epígrafe remete para o tema da visita às hortas, que o sujeito poético fará através dos "outros", também no poema de Nuno Júdice a visita às hortas é feita através dos outros, ou seja, através da leitura.
Bibliografia
Pereira, M; Delindro, F. Palavras 12. 1ªedição. Porto: Areal editores,2022 (pág.224)
Nuno Júdice – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org); https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_J%C3%BAdice , [acedido a 4/4/2023]