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O Quinto Império - Mensagem, Fernando Pessoa
margarida freire
Created on March 3, 2023
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Transcript
O Quinto império
começar
Quinto Império
- mito que surgiu através da bíblia;
- os portugueses Padre António Vieira e Fernando Pessoa interpretaram e modificaram este mito;
- na obra Mensagem, Fernando Pessoa anuncia um novo império portugês, um império espiritual, o que iria originar uma vitória universal e um novo estado glorioso do país.
O sebastianismo
Mito que surgiu em Portugal nos finais do século XVI
Esperança no regresso do rei D. Sebastião, tão desejado, que irá salvar Portugal
Inserção do poema na obra
Brasão
Os Símbolos
Mar Português
MENSAGEM
"O Quinto Império"
Os Avisos
O Encobero
Os Tempos
Pax in excelsis
O quintoimpério
Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa — os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião?
Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura.
Exemplo - 1ª estrofe
Estrutura externa
Tris te de quem vi ve em ca sa,
Triste de quem vive em casa,Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar!
Rima cruzada
Rima emparelhada
- 5 estrofes;
- Quintilhas (cada estrofe tem 5 versos);
- Esquema rimático: A/B/A/A/B;
- Rima cruzada (a/b/a), interpolada (b/a/a/b) e emparelhada (b/a/a/b);
- Versos em redondilha maior (7 sílabas métricas).
Rima interpolada
Primeira Estrofe
Análise e interpretação:
Triste de quem vive em casa,Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar!
- deceção e desespero do sujeito poético perante a atitude do povo português que não ousa sonhar;
- oposição "Triste"/"Contente";
- apelo ao povo português para que volte a ser glorioso;
Segunda Estrofe
Análise e interpretação:
- descontentamento do sujeito poético perante a felicidade daqueles que se contentam com viver apenas porque estão vivos ("Vive porque a vida dura");
- sem sonhar, o homem vive como uma raiz, sepultado à vida institiva ou "a lição da raiz";
- a inevitabilidade da morte está presente na própria essência material do Homem desde a sua origem ("Ter por vida a sepultura").
Triste de quem é feliz!Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura.
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Metáfora
Análise e interpretação:
Terceira Estrofe
- reflexão sobre o tempo, "Eras sobre eras se somem/ No tempo que em eras vem", (vv. 11 e 12);
- a insatisfação é uma caracteristica humana, "Ser descontente é ser homem", (v. 13);
- as nossas forças estão na alma e sonhos, "Que as forças cegas se domem/ Pela visão que a alma tem!", (vv. 14 e 15).
Eras sobre eras se somemNo tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem!
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15
verso central: remete para uma condição inerente ao Homem " o descontentamento"
Quarta Estrofe
conector conclusivo
E assim, passados os quatroTempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou.
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Análise e interpretação:
• “os quatro/ Tempos do ser que sonhou” (vv. 16 e 17) são uma referência aos quatro grandes impérios; • passados os quatro impérios, irá nascer um quinto império: o império espiritual português; • a terra será o local onde se formará o Quinto Império; • o presente decadente (“erma noite”) será o ponto de partida para um futuro promissor (“dia claro”).
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1 - atro: negro; escuro; funesto. 2 - erma: solitária; deserta; só; vazia.
Análise e interpretação:
Quinta Estrofe
• com o passar dos anos, os quatro impérios, “Grécia, Roma, Cristandade,/ Europa”, tal como o Homem, acabam por desaparecer ("os quatro se vão/ Para onde vai toda idade"), sendo substituídos pelo Quinto Império; • D. Sebastião é um símbolo de sonho e esperança (mito messiânico); • interrogação final com um sentido de apelo à construção do Quinto Império, assente na “verdade” e no mito sebastianista.
Grécia, Roma, Cristandade,Europa - os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião?
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Recursos Expressivos
Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa — os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião?
Repetição
Personificação
Paradoxo Antítese
Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura.
Personificação
Metáfora
Metáfora
Antítese
Paradoxo
Enumeração
Interrogação retórica
Relação comOS lusíadas
- o sujeito poético, tal como no poema “O Quinto Império”, está desapontado com o estado do país;
- sem o sonho, o presente fica estagnado e é impossível construir o Quinto Império e um futuro glorioso para Portugal;
- se o homem não sonhar, o "Encoberto" (D. Sebastião) não regressará para ajudar na construção do império espiritual;
- N’Os Lusíadas surge um prenúncio do Quinto Império, Vasco da Gama conhece a Rainha das Nereidas, que lhe mostra a “máquina do mundo” que exibia não só as glórias do passado, mas também a glorificação futura do povo português;
Último canto d’Os Lusíadas- Canto X “Aqui, só verdadeiros, gloriosos Divos estão, porque eu, Saturno e Jano, Júpiter, Juno, fomos fabulosos, Fingidos de mortal e cego engano. Só pera fazer versos deleitosos Servimos; e, se mais o trato humano Nos pode dar, é só que o nome nosso Nestas estrelas pôs o engenho vosso.”
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SimbologiA DO NÚMERO 5
poema "O Quinto Império"
5 estrofes, cada uma com 5 versos
Portugal seria o Quinto Império
bandeira de Portugal: 5 quinas, com as 5 chagas de cristo dentro de cada quina
número 5:
- “União”
- “Equilibrio”
- “Centro”
- “Harmonia”
O quintoimpério
Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa — os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião?
Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura.
Heróis nacionais
D. Manuel I
(1469-1521)
reinado de 1495-1521
Sophia de Mello Breyner Andresen
(1919-2004)
Soldado Milhões
Dália Cunha
( 1895 - 1970)
(1928-2022)
Jogo do Galo
Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou.
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versos 19 e 20
versos 11 e 12
versos 14 e 15
Recurso expressivo
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Função sintática do "que"
Interpretar os versos
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