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Auto da Barca do Inferno
sufirosa
Created on March 1, 2023
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Transcript
Auto da Barca do Inferno
Gil Vicente
O Auto da Barca do inferno tem um ato uma vez que o cenário é sempre um rio e um cais onde estão ancoradas duas Barcas. A peça divide-se em várias cenas de acordo com a saída e entrada das personagens.
1. Estrutura Externa
Cada cena é dividida em três momentos: A Exposição - Apresentação das personagens; O Conflito - Há diálogo entre as personagens, o Diabo e o Anjo; O Desenlace - Com a sentença de cada personagem.
2 .Estrutura Interna
Gil Vicente consegue dar unidade à ação através de um único espaço e de duas personagens fixas, o Diabo e o Anjo.
Há o julgamento das almas humanas após a morte, depois do julgamento, as personagens embarcam na Barca do Inferno (Diabo) ou na Barca da glória (Anjo), tudo depende da vida terrena que levaram e de todos os seus feitos, formas de estar e ser ao longo da sua vida na terra.
3 .Personagens
A própria personagem caracteriza-se (autocaracterização), ou então as outra personagens identificam por palavras os traços da personagem em questão.
Caracterização Direta
Caracterização de uma personagem a partir de aspetos como: Comportamento: Gestos, tiques, entre outros; A forma como fala e a linguagem utilizada; A forma como se veste. Na caracterização indireta o leitor/espetador tem de tirar as suas conclusões no que se refere aos traços psicológicos, sociais e culturais da personagem em questão.
Caracterização Indireta
As personagens do Auto da Barca do Inferno são Personagens-Tipo porque representam uma classe social, tem uma determinada profissão ou mesmo um credo. Todos trazem elementos simbolicos , que representam a vida terrenademonstrando que não estavam arrependidos dos pecados cometidos em vida.
As personagens são planas quando não apresentam dimensão psicológica e não evoluem. No Auto da Barca do Inferno estando as personagens a representar a morte não há essa dimensão nem evolução das mesmas ao longo de toda a peça.
O Anjo e o Diabo são Personagens Alegóricos porque representam respetivamente o Bem e o Mal, o Céu e o Inferno. Ao longo da Obra são "juizes" das almas, com base nos pecados que estas cometeram ao longo da sua vida na terra.
Percurso Cénico
Cais
Anjo
Diabo
Anjo
Diabo
Diabo
Diabo
- Parvo
- Fidalgo;
- Onzeneiro;
- Sapateiro;
- Frade;
- Alcoviteira;
- Carregador e Procurador.
Diabo
Anjo
- Quatro Cavaleiros
Diabo
- Enforcado;
- Judeu
O Parvo fica no cais porque não é responsável pelos seus atos e o Judeu vai a reboque da barca porque, não se identificando com a religião católica, não tenta embarcar na barca da Glória e é recusado pelo diabo.
Símbolos Cénicos
O Parvo - Não tem - Simbaliza que é simples e humilde, não é acusado de nada; O Frade - Broquel/capacete/espada - Simboliza o apega aos prazeres e vicios; - Hábito - Condição sacerdotal (Classe Social - Clero); - Florença - Quebra dos votos de castidade, imoralidade e infedilidade a Deus. Foi acusado de incumprimento na totalidade às leis religiosas, quebrou os votos de castidade ao folgar com uma mulher e dedicava-se aos prazeres mundanos. O Sapateiro - Avental/ formas dos sapatos- Simboliza a sua profissão e os seus pecados. Acusado de roubou o povo, de ser mentiroso, viveu desonestamente e foi escomungado. A Alcoviteira - Raparigas/joias/roupas7estrato de cortiça/casa movediça, cofres de enleios/armários de mentiras/almofadas/frutos alheios - Simbolizavam a sua atividadeprofissional e os seus pecados (imoralidade, mentira,roubo) Viveu "santa vida", desencaminhou as raparigas, roubou e mentiu.
O Corregedor e o Procurador - Processos/vara/livros - Simbolizavam a atividade profissional e os pecados (processos mal conduzidos, subornos) Foram acusados de aceitar subornos, não ajudar os mais necessitados, mentir, serem injustos, enriquecer à custa dos outros, deixaram-se corromper, não julgaram com imparcialidade e não confessaram todos os seus pecados. O Enforcado - Corda - Representa a forma como o Enfocado morreu e a critica aos oficiais da Justiça que condenavam injustamente. Não teve acusações. O Judeu - Bode - Simbolizava o seu fanatismo religioso. Acusado de praticar o Judaísmo, tentar subornar os outros, não respeitar os dias de jejum e abstinência e de profanar os locais sagrados.
4. Linguagem
Registo Cuidado - Fidalgo; Frade; Corregedor e Procurador; Registo Corrente - Alcoviteira Onzeneiro; Sapateiro; Fidalgo; Parvo; Enforcado; Registo Popular - Onzeneiro; Sapateiro; Frade; Alcoviteira; Fidalgo; Parvo; Calão - Parvo; Sapateiro; Judeu; Corregedor e Procurador; Giria - Sapateiro; Frade. Sapateiro - "forminhas" - refere-se às formas dos sapatos; "badana" - refere-se borda delgada do couro que usava para fazer sapatos; "cordovão" - couro de cabra curtido que usava nos seus sapatos.
5. Cómico
No Auto da Barca do Inferno os tipos de cómico presentes são: Cómico de Linguagem - A linguagem não se adequa à situação, recurso à ironia e ao sarcasmo; Cómico da Situação - A personagem não se adapta à situação em que se encontra; Cómico de Carácter - O carácter da personagem não se adequa à situação. Gil Vicente recorre ao cómico para criticar a sociedade da sua época.
6.Forma poética
Forma métrica - O Auto da Barca do Inferno, está escrito em verso. As estrofes geralmente são, oitavas com esquema ritmico ABBAACCA ( rima interpolada e emperelhada). Quanto à metrica, predomina a redondilha maior (versos de sete silabas métricas).
7.Contexto Histórico
Gil Vicente através do Auto da Barcva do Inferno, demonstra a crise de Portugal no Século XVI, criticando a sociedade da época, pricipalmente pela tendênciada busca pelo beneficio próprio sem se importar com a forma como o conseguiram alcançar. A nação estava dividida entre classes sociais e havia um descontentamento geral. O Rei era controlado pelos nobres, que eram influenciados pelos padres, que, por sua vez eram influenciados pelos mercadores. Não existia diálogo entre as classes, cada um ia em busca do seu próprio interesse. A nação estava assim dividida e em crise.
Conclusão
Após ler o Auto da Barca do Inferno, e realizar este trabalho, cheguei à conclusão que esta obra se mantém atual até aos dias de hoje. Apesar da evolução dos tempos continuamos a ver muitos dos pecados das personagens a serem cometidos diáriamente. Continuamos assim num Portugal do Século XXI, onde muitas vezes a corrupção, desonestidade e mentira são noticiadas diáriamente. As pessoas continuam a pensar apenas no seu próprio beneficio sem ter em conta se podem prejudicar o seu semelhante. Vivemos nos dias de hoje numa sociedade pouco evoluida ao nivel humano e pessoal, continua a não existir diálogo entre as classes e cada vez mais estas estão divididas e afastadas, começa assim a ser visivel o descontentamento geral. Considero com isto a obra de Gil Vicente bastante atual uma vez que ainda espelha em muito os dias em que vivemos atualmente.
FIM
Francisco Silva 9º D Nº8