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12C - CONTO: "GEORGE"- GRUPO 3

Beatriz Santo (2022/EBSAS/12C)

Created on February 27, 2023

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Transcript

  • LEITURA E EDUCAÇÃO LITERÁRIA: 19 VALORES
  • TRABALHO: 19 VALORES (-1 valor - 18 valores - por não apresentarem autoavaliação)

Conto de Maria Judite de Carvalho

"GEORGE"

Português | Fevereiro 2023

Beatriz Oliveira | Beatriz E. Santo | Luís Guimarães

ÍNDICE

1. Vida e Obra - vídeo;2. Personagens; 3. Sequências Narrativas; 4. Análise Textual; 5. Diálogos - Vídeo; 6. Espaços; 7. Tempos; 8. Narrador; 9. Temas; 10. Estilo-Linguagem 11. Simbologia dos Nomes; 12. Trailer; 13. Desafio; 14. Webgrafia;

Grupo n.º 3 - distribuição de tarefas

Luís Guimarães n.º

Beatriz E. Santo n.º4

Beatriz Oliveira n.º3

TAREFAS

TAREFAS

TAREFAS

- Vida e Obra - Personagens - Simbologia dos Nomes - Diálogo - vídeo - Trailer

- Sequências Narrativas - Narrador - Tempos - Personagens - Análise Textual - Desafio - Elaboração do Genially

- Espaços - Temas - Estilo-linguagem - Revisão do Genially

Áreas de competências - Perfil do aluno

Conhecedor / Sabedor/ Culto / Informado (A,B, G, I, J) Indagador / Investigador (C, D, F, H, I) Sistematizador / Organizador (A, B, C, I, J) Criativo (A, C, D, J) Comunicador (A, B, D, E, H) Responsável / Autónomo (C, D, E, F, G, I, J)

Conto de Maria Judite de Carvalho

"GEORGE"

começar

MENU

personagens

análise textual

diálogo

sequências narrativas

Vida e obra

espaços

Tempos

Temas

estilo-linguagem

narrador

trailer

webgrafia

simbologia dos nomes

desafio

Vida e Obra

próximo

VIDA E OBRA

Personagens

próximo

PERSONAGENS

gI - JUVERNTUDE

Características Psicológicas

Características Físicas

  • A “rapariguinha” que retrata a inocência, a juventude, a vida familiar na vila, com os pais.
  • Na vida dela existe um conflito de gerações: por um lado temos os pais incultos e ligados à terra natal, e por outro, uma filha ambiciosa que quer uma vida melhor e liberdade, por isso emigra, deixando tudo para trás.
  • Ligada à memória de George.
  • Idade: 18 anos
  • Olhos grandes e semi-cerrados
  • Boca fina
  • Cabelos escuros e lisos
  • Pescoço alto
  • Frágil
  • Lindo sorriso branco
  • Vestuário: vestido amplo e claro
  • Ânsia de liberdade
  • Ânsia de descobrir o mundo
  • Gosto pelo desenho
  • Recusa do modelo de vida que a sociedade espera dela: confinada ao casamento e à vila

Características Socioeconómicas

  • Proveniente de uma família rude que desvaloriza a cultura e o saber
  • Pobre

gEORGE - MATURIDADE

Características Psicológicas

Características Físicas

  • Mulher independente, profissional e financeiramente bem-sucedida, que ainda jovem decidiu partir da vila, deixar os pais e o tipo de vida que projetavam para ela.
  • O tempo atual, de realização pessoal, profissional e amorosa (a personagem conseguiu ter sucesso como pintora, o que lhe deu bons rendimentos/dinheiro e liberdade para ir vivendo os seus amores).
  • Falsa completude existencial.
  • Isolada e solitária
  • Instável em termos afetivos - desvalorização das relações afetivas
  • Desajustamento existencial
  • Desapego de objetos que tragam recordações
  • Sobrevalorização do dinheiro
  • Idade: 45 anos
  • Vestuário: vestido largo e claro
  • Mudança sucessiva da cor de cabelo
  • Olhos de pupilas escuras, semicirculares

Características Socioeconómicas

  • Pintora com estilo próprio, de renome a nível europeu
  • Rica e materialista
  • Sofisticada

gEORGina - velhice

Características Psicológicas

Características Físicas

  • A velhice, o espectro da solidão e da inevitabilidade da morte.
  • A velhice é um "crime", o "único sem perdão", pois o espelho será implacável e dir-lhe-á a verdade: está fisicamente enrugada, decrépita e vive até à morte na sua "casa mobilada".
  • A mulher que adverte George para a decadência física que a velhice acarreta. A esperança no dinheiro para evitar os males da velhice (a solidão, o vazio...). Sem esperança de futuro
  • Consciente da passagem do tempo e da efemeridade da vida
  • Consciente da efemeridade do poder e do dinheiro numa sociedade que exclui
  • Consciente da importância dos laços afetivos
  • Triste por não ter recordações do passado
  • Idade: quase 70 anos
  • Velha
  • Mãos enrugadas
  • Cabelos pintados de acaju
  • Rosto pintado de vários tons de rosa, sem grande perfeição
  • Boca esborratada

Características Socioeconómicas

  • Rica: a mala italiana, a pintura do cabelo, etc...

Sequências Narrativas

próximo

sequências narrativas

ANalepse

Imaginação: diálogo entre george e georgina (o seu futuro); Georgina desaparece.

prolepse

George recorda o seu passado em retrospectiva.

Depois de conversar com gi, george apanha o comboio em direção a amesterdão

George regrassa á vila onde morou para vender a casa dos pais

Imaginação: George dialoga com Gi; Gi e George afastam-se.

George começa a projetar-se no futuro e a pensar como ele será.

Memória:George é acompanhada por gi (o seu passado).

George dialoga com georgina dentro do comboio

Memória: George recorda o passado pela última vez, de forma fugaz.

george encontra-se com gi e ambas conversam

Tempos - cronologia

George, já velha, continua rica porém sente-se muito sozinha e vai viver com o último dos seus amores

torna-se uma pintora famosa que vive vários amores, sempre desapegada a objetos e a relações afetivas

George sai da casa dos pais aos 18 anos para ir viver fora

george passa por algumas dificuldades financeiras, estando sempre a mudar de casa

george já com 45 anos volta para a vila para vender a casa dos pais e volta para amestardão

espaços

Psicológico
Físicos
Sociocultural

Apresenta uma certa Ilusão e inexperiência da vida no passado, para um conhecimento/experiência da vida, uma desvalorização pelas relações afetivas, materialismo e um certo cansaço em relação à vida, e finalmente, no futuro, tem uma certa consciência da finitude (tudo acaba) Em contrapartida com o seu presente, passa a ter uma desvalorização dos bens materiais e reconhece a importância das relações afetivas.

Passou de pobreza no passado, para um sucesso profissional e prosperidade financeira, para no futuro, começar a desvalorizar a prosperidade e o sucesso profissional perante a consciência do envelhecimento e da morte.

  • Vila parada no interior: (Simboliza o regresso ao passado)
  • Casa na infância
  • Ponto de confluência de lugares e tempos
  • Locais de passagem: (simboliza a visão do futuro)
  • Viagem de comboio
  • As várias casas alugadas
  • Amesterdão
  • Estados Unidos

Omnisciente

NARRADOR

Subjetivo

clica em cada imagem para saber mais

Heterodiegético

Análise textual

próximo

Análise textual

Tempo Espaço

Andam lentamente, mais do que se pode, como quem luta sem forças contra o vento, ou como quem caminha, também é possível, na pesada e espessa e dura água do mar. Mas não há água nem vento, só calor, na longa rua onde George volta a passar depois de mais de vinte anos. Calor e também aquela aragem macia e como que redonda, de forno aberto, que talvez venha do sul ou de qualquer outro ponto cardeal ou colateral, perdeu a bússola não sabe onde ou quando, perdeu tanta coisa sem ser a bússola. Perdeu ou largou? Caminham pois lentamente, George e a outra cujo nome quase quis esquecer, quase esqueceu. Trazem ambas vestidos claros, amplos, e a aragem empurra-os ao de leve, um deles para o lado esquerdo de quem vai, o outro para o lado direito de quem vem, ambos na mesma direção, naturalmente. O rosto da jovem que se aproxima é vago e sem contornos, uma pincelada clara, e quando os tiver, a esses contornos, ele será o rosto de uma fotografia que tem corrido mundo numa mala qualquer, que tem morado no fundo de muitas gavetas, o único fetiche de George. As suas feições ainda são incertas, salpicando a mancha pálida, como acontece com o rosto das pessoas mortas. Mas, tal como essas pessoas, tem, vai ter, uma voz muito real e viva, uma voz que a cal e as pás de terra, e a pedra e o tempo, e ainda a distância e a confusão da vida de George, não prejudicaram. Quando falar não criará espanto, um simples mal-estar.

Análise textual

Tempo Espaço

Agora estão mais perto e ela encontra, ainda sem os ver, dois olhos largos, semicerrados, uma boca fina, cabelos escuros, lisos, sobre um pescoço alto de Modigliani. Mas nesse tempo, dantes, não sabia quem era Modigliani e outros que tais, não eram lá de casa, os pais tinham sido condenados pelas instâncias supremas à quase ignorância, gente de trabalho, diziam como se os outros não trabalhassem, e sorriam um pouco com a superioridade dessa mesma ignorância se a ouviam falar de um livro, de um filme, de um quadro nem mensar, o único que tinham visto talvez fosse a velha estampa desbotada do Angelus que estava na casa de jantar. Com superioridade, pois, e também com uma certa indignação. Ou seria mesmo vergonha? Como quem ouve um filho atrasado dizer inépcias diante de gente de fora que depois, Senhor, pode ir contar ao mundo o que ouviu. E rir. E rir. Já não sabe, não quer saber, quando saiu da vila e partiu à descoberta da cidade grande, onde, dizia-se lá em casa, as mulheres se perdem. Mais tarde partiu por além-terra, por além-mar. Fez loiros os cabelos, de todos os loiros, um dia ruivos por cansaço de si, mais tarde castanhos, loiros de novo, esverdeados, nunca escuros, quase pretos, como dantes eram. Teve muitos amores, grandes e não tanto, definitivos e passageiros, simples amores, casou-se, divorciou-se, partiu, chegou, voltou a partir e a chegar, quantas vezes? Agora está - estava - até quando? em Amsterdão.

Análise textual

Tempo Espaço

Depois de ter deixado a vila, viveu sempre em quartos alugados mais ou menos modestos, depois em casas mobiladas mais ou menos agradáveis. As últimas foram mesmo francamente confortáveis. Vives numa casa mobilada sem nada de teu? Mas deve ser um horror, como podes?, teria dito a mãe, se soubesse. Não o soube, porém. As cartas que lhe escrevia nunca tinham sido minuciosas, de resto detestava escrever cartas e só muito raramente o fazia. Depois o pai morreu e a mãe logo a seguir. Uma casa mobilada, sempre pensou, é a certeza de uma porta aberta de par em par, de mãos livres, de rua nova à espera dos seus pés. As pessoas ficam tão estupidamente presas a um móvel, a um tapete já gasto de tantos passos, aos bibelots acumulados ao longo das vidas e cheios de recordações, de vozes, de olhares, de mãos, de gente, enfim. Pega-se numa jarra e ali está algo de quem um dia apareceu com rosas. Tem alguns livros, mas poucos, como os amigos que julga sinceros, sê-lo-ão? Aos outros livros, dá-os, vende-os a peso, que leve se sente depois! - Parece-me que às vezes fazes isso, enfim, toda essa desertificação, com esforço, com sofrimento - disse-lhe um dia o seu amor de então. - Talvez - respondeu -, talvez. Mas prefiro não pensar no caso. Queria estar sempre pronta para partir sem que os objetos a envolvessem, a segurassem, a obrigassem a demorar-se mais um dia que fosse. Disponível, logo pensava. Senhora de si. Para partir, para chegar. Mesmo para estar onde estava.

Análise textual

Tempo Espaço

Os pais não sabiam compreender esse desejo de liberdade, por isso se foi um dia com uma velha mala de cabedal riscado, não havia outra lá em casa. Mas prefere não pensar nos primeiros tempos. E as suas malas agora são caras, leves, malas de voar, e com rodinhas. A outra está perto. Se houve um momento de nitidez no seu rosto, ele já passou, George não deu por isso. Está novamente esfumado. A proximidade destrói ultimamente as imagens de George, por isso a vai vendo pior à medida que ela se aproxima. É certo que podia pôr os óculos, mas sabe que não vale a pena tal trabalho. Param ao mesmo tempo, espantam-se em uníssono, embora o espanto seja relativo, um pequeno espanto inverdadeiro, preparado com tempo. - Tu? - Tu, Gi? Tão jovem, Gi. A rapariguinha frágil, um vime, que ela tem levado a vida inteira a pintar, primeiro à maneira de Modigliani, depois à sua própria maneira, à de George, pintora já com nome nos marchands das grandes cidades da Europa. Gi com um pregador de oiro que um dia ficou, por tuta e meia, num penhorista qualquer de Lisboa. Em tempos tão difíceis. - Vim vender a casa. - Ah, a casa.

Análise textual

Tempo Espaço

É esquisito não lhe causar estranheza que Gi continue tão jovem que podia ser sua filha. Quieta, de olhar esquecido, vazio, e que não se espante com a venda assim anunciada, as tão subitamente, sem preparação, da casa onde talvez ainda more. - Que pensas fazer, Gi? - Partir, não é? Em que se pode pensar aqui, neste cu de Judas, senão em partir? Ainda não me fui embora sa por causa do Carlos, mas...O Carlos pertence a isto, nunca se irá embora.Só a ideia o apavora, não é? - Sim. Só a ideia. - Ri-se de partir, como nós nos rimos de uma coisa impossível, de uma ideia louca. Quer comprar uma terra, construir uma casa a seu modo. Recebeu uma herança e só sonha com isso. Creio que é a altura de eu... - Creio que sim. - Pois não é verdade? - Ainda desenhas?

Análise textual

Tempo Espaço

- Se não desenhasse dava em maluca. E eles acham que eu tenho muito jeitinho, que hei de um dia ser uma boa senhora da vila, uma esposa exemplar, uma mãe perfeita, tudo isso com muito jeito para o desenho. Até posso fazer retratos das crianças quando tiver tempo, não é verdade? - É o que eles acham, não é? - A mãe está a acabar o meu enxoval. - Eu sei. Há um breve silêncio, depois George diz devagar: - Que calor, cheira a queimado, o ar. Terá sido sempre assim? - Farto-me de dizer: cheira a queimado, o ar. Ninguém me ouve. - Ninguém ouve ninguém, não sabes? Que aprendeste com a vida, mulher? A sua voz está mole, pegajosa, difícil, as palavras perdem o fim, desinteressadas de si próprias, é como se se preparassem para o sono. - Creio que estou atrasada - diz então, olhando para o relógio. - Estou mesmo - acrescenta, olhando melhor. - E não posso perder o comboio. Amanhã bem cedo sigo para Amsterdão. Estou a viver em Amesterdão, agora. Tenho lá um atelier. - Amesterdão é? Onde fica isso?

Análise textual

Tempo Espaço

Mas é uma pergunta que não pede resposta. Gi fá-la por fazer e sorri o seu lindo sorriso branco de 18 anos. Depois ambas dão um beijo rápido, breve, no ar, não se tocam, nem tal seria possível, começam a mover-se ao mesmo tempo, devagar, como quem anda na água ou contra o vento. Vão ficando longe, mais longe. E nenhuma delas olha para trás. O esquecimento desceu sobre ambas. Agora está à janela a ver o comboio fugir de dantes, perder para todo o sempre árvores e casas da sua juventude, perder mesmo a mulher gorda, da passagem de nível, será a mesma ou uma filha ou uma neta igual a ela? Árvores, casas e mulher acabam agora mesmo de morrer, deram o último suspiro, adeus. Uma lágrima que não tem nada a ver com isto mas com o que se passou antes - que terá sido que já não se lembra? -, uma simples lágrima no olho direito, o outro, que esquisito, sempre se recusa a chorar. É como se se negasse a compartilhar os seus problemas, não e não. A figura vai-se formando aos poucos como um puzzle gasoso, inquieto, informe. Vê-se um pedacinho bem nítido e colorido mas que logo se esvai para aparecer daí a pouco, nítido ainda, mas esfumado. George fecha os olhos com a força possível, tem sono, volta a abri-los com dificuldade, olhos de pupilas escuras, semicirculares, boiando num material qualquer, esbranquiçado e oleoso.

Análise textual

Tempo Espaço

À sua frente uma senhora de idade, primeiro esboçada, finalmente completa, olha-a atentamente. De idade não, George detesta eufemismos, mesmo só pensados, uma mulher velha. Tem as mãos enrugadas sobre uma carteira preta, cara, talvez italiana, italiana, sim, tem a certeza. A velha sorri de si para consigo, ou então partiu para qualquer lugar e deixou o sorriso como quem deixa um guarda-chuva esquecido numa sala de espera. O seu sorriso não tem nada a ver com o de Gi - porque havia de ter? -, são como o dia e a noite. Uma velha de cabelos pintados de acaju, de rosto pintado de vários tons de rosa, é certo que discretamente mas sem grande perfeição. A boca, por exemplo, está um pouco esborratada. Sem voz e sem perder o sorriso diz: - Verá que há de passar, tudo passa. Amanhã é sempre outro dia. Só há uma coisa, um crime, que ninguém nos perdoa, nada a fazer. Mas isso ainda está longe, muito longe, para quê pensar nisso? Ainda ninguém a acusa, ainda ninguém a condena. Que idade tem? - Quarenta e cinco anos. Porquê? - É muito nova - afirma. - Muito nova. - Sinto-me velha, às vezes. - É normal. Eu tenho quase 70 anos. Como estava a chorar, pensei. Encolhe os ombros, responde aborrecida: - Não tive desgosto nenhum, nenhum. Um encontro, um simples encontro...

Análise textual

Tempo Espaço

- Também tenho muitos encontros, eu. Não quero tê-los mas sou obrigada a isso, vivo tão só. Cheguei à ignominia de pedir a pessoas conhecidas retratos da minha família. Não tinha nenhum, só um retrato meu, de rapariguinha. E retratos de amigos, também. De amigos desaparecidos, levados pelas tempestades, os mais queridos, naturalmente. Porque... o tal crime de que lhe falei, o único sem perdão, a velhice. Um dia vai acordar na sua casa mobilada... - Como sabe que... - E verá que está só e olhará para o espelho com mais atenção e verá que está velha. Irremediavelmente velha. - Tenho um trabalho que me agrada. - Não seja tonta, menina. Outro dia vai reparar, ou talvez já tenha dado por isso, que está a ver pior, e outro ainda que as mãos lhe tremem. E, se for um pouco sensata, ou se souber olhar em volta, descobrirá que este mundo já não lhe per-tence, é dos outros, dos que julgam que Baden Powell é um tipo que toca guitarra e que Levi Strauss é uma marca de calças. - Isso é ignorância, não tem nada a ver com a idade. - Talvez seja ignorância, também. Talvez seja. Estou a incomodá-la, parece-me. - Dói-me simplesmente a cabeça. - Desculpe.

Análise textual

Tempo Espaço

George fecha os olhos com força e deixa-se embalar por pensamentos mais agradáveis, bem-vindos: a exposição que vai fazer, aquele quadro que vendeu muito bem o mês passado, a próxima viagem aos Estados Unidos, o dinheiro que pôs no banco. O dinheiro no banco, nos bancos, é uma das suas últimas paixões. Ela pensa - sabe? - que com dinheiro ninguém está totalmente só, ninguém é totalmente abandonado. A velha Georgina já o deve ter esquecido. A velhice também traz consigo, deve trazer, um certo esquecimento das colsas essenciais, pensa. Abre os olhos para lho dizer, para lho pensar, para lho atirar em silêncio à cara enrugada, mas a velha já ali não está. O calor de há pouco foi desaparecendo e agora não há vestígios daquela aragem de forno aberto. O ar está muito levemente morno e quase agradável. George suspira, tranquilizada. Amanhã estará em Amesterdão na bela casa mobilada onde, durante quanto tempo?, vai morar com o último dos seus amores.

Temas

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Estilo-linguagem

O estilo-linguagem deste conto não contem “palavras a mais”; sugere, penetra, define e magoa pelo facto de a autora ter tido uma estrita economia nas palavras.

Além disso, estão presentes diversos recursos expressivos que servem para causar uma certa emoção ao leitor como, por exemplo, a presença de :

  • interrogações retóricas;
  • adjetivações;
  • enumerações;
  • antíteses;
  • metáforas;
  • sinestesias;

Por outo lado, esses sentimentos também estão presentes nos adjetivos utilizados, nas frases nominais e nos substantivos isolados, dando uma certa ênfase emocional ao conto.

Diálogo

ver vídeo

simbologia dos nomes

George

Georgina

Gi

É provavelmento o nome artístico da personagem principal uma vez que se trata de um nome masculino, transmitindo uma maior superioridade, relativo ao tempo em que se passa a ação.
É uma possível abreviatura do nome Georgina e é composta por uma sílaba. Este nome mostra como a personagem é jovem e ingénua pois ela não é tratada pelo nome completo apenas por uma alcunha carinhosa.
É o nome mais longo, mais sério, pesado (até pelo número de sílabas que o constitui), condizendo com a sua idade: quase 70 anos, e com a sua feminilidade.

TRAILER

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DESAFIO

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webgrafia

  • https://portugues-fcr.blogspot.com/2019/05/resumo-do-conto-george.html
  • https://slidesgo.com/theme/memories-photo-album-infographics
  • https://www.studocu.com/pt/document/best-notes-for-high-school-pt/portugues/george-resumo-do-conteudo-e-analise-tematica/14467468
  • https://estudoemcasa.dge.mec.pt/2020-2021/12o/portugues/26
  • https://pt.slideshare.net/mvcc/resumo-do-conto-george
  • https://periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios/article/download/9703/6390/26606
  • https://cdn1.newsplex.pt/media/2018/11/8/664422.jpg?type=artigo
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Judite_de_Carvalho
  • http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=9333
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)
  • https://ensina.rtp.pt/artigo/o-estado-novo/
  • https://slidesgo.com/theme/old-scrap-paper-aesthetic-portfolio
  • https://slideplayer.fr/slide/14181708/