Fernando Pessoa
As Ilhas
Afortunadas
Trabalho realizado por: Leonor Antunes, nº21, 12ºF Escola Secundária Henriques Nogueira
Mensagem Terceira Parte (Pax in Excelsis) "O Encoberto"
Subparte: "Os Símbolos" Quarto
INDEX
"O Encoberto"
Análise
Análise
Contextualização
Externa
Confluência de Lendas
O mito do Quinto Império
Análise
Análise
O que é?
Análise do Tema
Expressividade
Análise
As Ilhas Afortunadas
Bibliografia
Interna
Poema
Análise
Análise
Fim
A simbologia das Ilhas
A Relação com os lusíadas
Em Mensagem, a parte "O Encoberto" é uma referência a D. Sebastião, que personifica a morte e, em simultâneo, a ressureição de Portugal. Após as partes "Brasão" e "Mar Português", em que se evidencia a promessa de um Império Português e a sua concretização, "O Encoberto" revela-nos, para além da decadência desse Império, a possibilidade de um ressurgimento, orientado pelo mito sebastianista.
"O Encoberto"
Contextualização
O mito do
Quinto Império
O Quinto Império pretendeu ser uma reposição atualizada de quatro outros impérios que existiram na antiguidade clássica e oriental: o egípcio, o assírio-caldaico, o persa e o romano.
Padre António Vieira, no século XVII, conceptualizou esse sonho mítico. Todavia, também se encontrou noutros autores, como Camões, n'Os Lusíadas, como referência a um visionarismo patriótico. Na Mensagem, Fernando Pessoa pega de novo neste mito, aludindo ao regresso de D. Sebastião, que simboliza a criação de uma civilização espiritual própria e universal, fundindo os ensinamentos, cultura e moral cristã dos Impérios anteriores.
As Ilhas
Afortunadas
Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutamos, cala,
Por ter havido escutar.
E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.
São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar.
Mensagem, 26-3-1934
Análise
A simbologia das Ilhas
As Ilhas Afortunadas fazem parte da tradição clássica. Mitologicamente, aparecem referidas como paraísos, local do repouso dos deuses e dos heróis míticos, onde os heróis seriam recebidos, após a morte, glorificados pelos deuses (um éden/eternidade pagã). Fernando Pessoa apropria-se deste mito, transformando estas Ilhas na terra onde está D. Sebastião, de onde um dia regressará.
Confluência de Lendas
Em paralelo com o mito sebastianista é também possível encontrar no poema partes reminiscentes à famosa lenda do Rei Artur, o lendário herdeiro do trono da Grã-Bretanha, que, ao ser gravemente ferido, na sua última batalha, é levado à ilha de Avalon, uma Ilha Afortunada, em que ficou, adormecido, à espera de acordar num dia de suprema necessidade para restaurar o seu reino e salvar o seu povo.
“As ilhas afortunadas” expressa a fé da regeneração de um Império moribundo, tendo como referência o mito sebástico e as ilhas, como anunciadoras de uma ressureição espiritual e moral, tendo sido tidas em conta como a voz da esperança face à magoa de um país por cumprir.
Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar? É a voz de alguém que nos fala, Mas que, se escutamos, cala, Por ter havido escutar.
Análise Interna
1ª Estrofe
Veja-se com que subtileza Pessoa usa a ironia na análise da lenda e, simultaneamente, no contraponto a todos os que acreditavam realmente que o rei iria regressar igual, humano, a cavalo, incólume. Que voz vem no som das ondas/Que não é a voz do mar?”, ou seja, que voz se ouve sem ser o som das ondas? É certamente uma voz, uma presença, “mas que se escutarmos, cala, /Por ter havido escutar”, ou seja, é uma voz que fala mas que não quer ser ouvida.
E só se, meio dormindo, Sem saber de ouvir ouvimos, Que ela nos diz a esperança A que, como uma criança Dormente, a dormir sorrimos.
Análise Interna
2ª Estrofe
Na segunda estrofe descobrimos que é uma voz de esperança, que funciona como um apelo à ação e que se torna perceptível quando se deixa de tentar escutá-la, surpreendendo com o seu significado. Portugal é comparado a uma “criança/Dormente”, pois de igual forma se encontra num estado de apatia. A nação persegue uma realidade que se vai desvanecendo. Havendo uma submissão do povo em relação ao destino e à realidade.
São ilhas afortunadas, São terras sem ter lugar, Onde o Rei mora esperando. Mas, se vamos despertando, Cala a voz, e há só o mar.
Análise Interna
3ª Estrofe
Em relação à terceira estrofe podemos concluir que as “Ilhas Afortunadas” são um lugar fora do tempo e do espaço, onde se encontra o Desejado que virá fundar o Quinto Império “onde o Rei mora esperando”. O regresso de D. Sebastião não é físico, mas sim simbólico. A voz que se ouve não se encontra em nenhuma ilha material, mas é, sim, um mistério. D. Sebastião regressa em símbolo, não em carne. Ou seja, ele simboliza a regeneração da pátria, a salvação.
A relação com Os Lusíadas
Nos Lusíadas e neste poema, é possível identificar uma relação entre as Ilhas dos Amores e as Ilhas Afortunadas, embora, ainda, essencialmente diferentes. Nos lusíadas, as Ilhas dos Amores constituem um paraíso terrestre em que não existem pecados. Nelas, os heróis portugueses são premiados pelos seus feitos e glorificados. Na Mensagem, as Ilhas Afortunadas são um espaço mítico intemporal, morada do mito lusitano e parte da utopia portuguesa.
Análise Externa
a b c c b d e f f e g h i i h
Que voz vem no som das ondas Que não é a voz do mar? É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutamos, cala,
Por ter havido escutar.
E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.
São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar.
Métrica constituída por três quintilhas, com 15 versos em redondilha maior (7 sílabas) que apresentam, de forma contínua, uma sequência de uma rima solta (no primeiro verso de cada estrofe) e rima interpelada (nos restantes quatro).
ESquema Rimático
Fim
Bibliografia
AS ILHAS AFORTUNADAS, Mensagem: Leonor Antunes
leonornetoantunes
Created on February 22, 2023
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Fernando Pessoa
As Ilhas
Afortunadas
Trabalho realizado por: Leonor Antunes, nº21, 12ºF Escola Secundária Henriques Nogueira
Mensagem Terceira Parte (Pax in Excelsis) "O Encoberto"
Subparte: "Os Símbolos" Quarto
INDEX
"O Encoberto"
Análise
Análise
Contextualização
Externa
Confluência de Lendas
O mito do Quinto Império
Análise
Análise
O que é?
Análise do Tema
Expressividade
Análise
As Ilhas Afortunadas
Bibliografia
Interna
Poema
Análise
Análise
Fim
A simbologia das Ilhas
A Relação com os lusíadas
Em Mensagem, a parte "O Encoberto" é uma referência a D. Sebastião, que personifica a morte e, em simultâneo, a ressureição de Portugal. Após as partes "Brasão" e "Mar Português", em que se evidencia a promessa de um Império Português e a sua concretização, "O Encoberto" revela-nos, para além da decadência desse Império, a possibilidade de um ressurgimento, orientado pelo mito sebastianista.
"O Encoberto"
Contextualização
O mito do
Quinto Império
O Quinto Império pretendeu ser uma reposição atualizada de quatro outros impérios que existiram na antiguidade clássica e oriental: o egípcio, o assírio-caldaico, o persa e o romano.
Padre António Vieira, no século XVII, conceptualizou esse sonho mítico. Todavia, também se encontrou noutros autores, como Camões, n'Os Lusíadas, como referência a um visionarismo patriótico. Na Mensagem, Fernando Pessoa pega de novo neste mito, aludindo ao regresso de D. Sebastião, que simboliza a criação de uma civilização espiritual própria e universal, fundindo os ensinamentos, cultura e moral cristã dos Impérios anteriores.
As Ilhas
Afortunadas
Que voz vem no som das ondas Que não é a voz do mar? É a voz de alguém que nos fala, Mas que, se escutamos, cala, Por ter havido escutar. E só se, meio dormindo, Sem saber de ouvir ouvimos, Que ela nos diz a esperança A que, como uma criança Dormente, a dormir sorrimos. São ilhas afortunadas, São terras sem ter lugar, Onde o Rei mora esperando. Mas, se vamos despertando, Cala a voz, e há só o mar.
Mensagem, 26-3-1934
Análise
A simbologia das Ilhas
As Ilhas Afortunadas fazem parte da tradição clássica. Mitologicamente, aparecem referidas como paraísos, local do repouso dos deuses e dos heróis míticos, onde os heróis seriam recebidos, após a morte, glorificados pelos deuses (um éden/eternidade pagã). Fernando Pessoa apropria-se deste mito, transformando estas Ilhas na terra onde está D. Sebastião, de onde um dia regressará.
Confluência de Lendas
Em paralelo com o mito sebastianista é também possível encontrar no poema partes reminiscentes à famosa lenda do Rei Artur, o lendário herdeiro do trono da Grã-Bretanha, que, ao ser gravemente ferido, na sua última batalha, é levado à ilha de Avalon, uma Ilha Afortunada, em que ficou, adormecido, à espera de acordar num dia de suprema necessidade para restaurar o seu reino e salvar o seu povo.
“As ilhas afortunadas” expressa a fé da regeneração de um Império moribundo, tendo como referência o mito sebástico e as ilhas, como anunciadoras de uma ressureição espiritual e moral, tendo sido tidas em conta como a voz da esperança face à magoa de um país por cumprir.
Que voz vem no som das ondas Que não é a voz do mar? É a voz de alguém que nos fala, Mas que, se escutamos, cala, Por ter havido escutar.
Análise Interna
1ª Estrofe
Veja-se com que subtileza Pessoa usa a ironia na análise da lenda e, simultaneamente, no contraponto a todos os que acreditavam realmente que o rei iria regressar igual, humano, a cavalo, incólume. Que voz vem no som das ondas/Que não é a voz do mar?”, ou seja, que voz se ouve sem ser o som das ondas? É certamente uma voz, uma presença, “mas que se escutarmos, cala, /Por ter havido escutar”, ou seja, é uma voz que fala mas que não quer ser ouvida.
E só se, meio dormindo, Sem saber de ouvir ouvimos, Que ela nos diz a esperança A que, como uma criança Dormente, a dormir sorrimos.
Análise Interna
2ª Estrofe
Na segunda estrofe descobrimos que é uma voz de esperança, que funciona como um apelo à ação e que se torna perceptível quando se deixa de tentar escutá-la, surpreendendo com o seu significado. Portugal é comparado a uma “criança/Dormente”, pois de igual forma se encontra num estado de apatia. A nação persegue uma realidade que se vai desvanecendo. Havendo uma submissão do povo em relação ao destino e à realidade.
São ilhas afortunadas, São terras sem ter lugar, Onde o Rei mora esperando. Mas, se vamos despertando, Cala a voz, e há só o mar.
Análise Interna
3ª Estrofe
Em relação à terceira estrofe podemos concluir que as “Ilhas Afortunadas” são um lugar fora do tempo e do espaço, onde se encontra o Desejado que virá fundar o Quinto Império “onde o Rei mora esperando”. O regresso de D. Sebastião não é físico, mas sim simbólico. A voz que se ouve não se encontra em nenhuma ilha material, mas é, sim, um mistério. D. Sebastião regressa em símbolo, não em carne. Ou seja, ele simboliza a regeneração da pátria, a salvação.
A relação com Os Lusíadas
Nos Lusíadas e neste poema, é possível identificar uma relação entre as Ilhas dos Amores e as Ilhas Afortunadas, embora, ainda, essencialmente diferentes. Nos lusíadas, as Ilhas dos Amores constituem um paraíso terrestre em que não existem pecados. Nelas, os heróis portugueses são premiados pelos seus feitos e glorificados. Na Mensagem, as Ilhas Afortunadas são um espaço mítico intemporal, morada do mito lusitano e parte da utopia portuguesa.
Análise Externa
a b c c b d e f f e g h i i h
Que voz vem no som das ondas Que não é a voz do mar? É a voz de alguém que nos fala, Mas que, se escutamos, cala, Por ter havido escutar. E só se, meio dormindo, Sem saber de ouvir ouvimos, Que ela nos diz a esperança A que, como uma criança Dormente, a dormir sorrimos. São ilhas afortunadas, São terras sem ter lugar, Onde o Rei mora esperando. Mas, se vamos despertando, Cala a voz, e há só o mar.
Métrica constituída por três quintilhas, com 15 versos em redondilha maior (7 sílabas) que apresentam, de forma contínua, uma sequência de uma rima solta (no primeiro verso de cada estrofe) e rima interpelada (nos restantes quatro).
ESquema Rimático
Fim
Bibliografia