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"Ulisses"- Manuel Alegre

Diana Filipa Carvalho Paulo

Created on February 10, 2023

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Transcript

Ulisses

MANUEL ALEGRE

MANUEL ALEGRE

12/05/1936

  • Estudou direito e esteve ligado às artes representativas;
  • Participou ativamente nas lutas académicas e na denúncia da ditadura do Estado Novo;
  • Foi mobilizado para Angola, onde é preso pela PIDE em 1963;
  • Foi dentro da prisão que escreveu as suas primeiras obras:
( "Praça da canção" e "O canto e as armas"- critica frontal ao regime e à guerra colonial) ;
  • Proibido de exercer qualquer atividade politica no seu regresso;
  • Militou ainda ativamente na luta clandestina e movimento juvenil ;
  • Partiu novamente para o exilio e só retornou após a revolução do 25 de Abril.
Fig.1

ALEGRE,Manuel.30 Anos de Poesia.Lisboa:Dom Quixote.1995

Poesia: 1965-Praça da Canção; 1967-O Canto e as Armas "Variações sobre o poema pouco original do medo"; - 30 anos de Poesia, 1995 "Como se faz um poema";- 30 anos de Poesia, 1995 Ficção: "1995- "Alma" Literatura Infantil: 2007- "Barbi-Ruivo,o meu primeiro Camões"

Obras importantes:

Fig 2,3, 4 e 5
Ilustrações das obras de Manuel Alegre
Premiações/ Conquistas:

Política: -Foi o segundo mais votado nas eleições portuguesas de 2006, perdendo apenas contra o Aníbal Cavaco da Silva ; -Doutoramento "Honoris Causa" pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em Outubro de 2018); -Condercoações em Ordens tanto nacionais como internacionais; 1998 - Prémio de Literatura Infantil pelo livro " As Naus de Verde Pinho"; 1998 - Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores,pelo livro "Senhora das Tempestades";

Profissional:
Militar:

Literatura:

Fig.6

Manuel Alegre após receber o prémio "Camões 2017"

2008 – Prémio D. Dinis, patrocinado pela Fundação da Casa Mateus, pelo livro "Doze Naus".
Corrente literária:

Séc.XX 1965-2017 -A princípios do século XX surgiu o grupo da "Renascença Portuguesa", em torno da revista "A Águia", e ao redor do qual se integrava o movimento conhecido como Saudosismo; -Revista Orpheu- Introdução do movimento modernista em Portugal , 1915 Estado Novo-Opressão da liberdade de expressão; -Muitas obras em prosa e em verso; - Críticas subliminares à ditadura; Classicismo- Valorização da Antiguidade Clássica Retorno ao passado na sua demanda pelas origens (Alusão a vários acontecimentos históricos).

Fig.7

Ilustração de um texto censurado com o lápis azul pela PIDE

Temáticas recorrentes:

-Busca da Liberdade e da Democracia; -Poesia como arma; -A obra poética como crónica de um tempo( Estado Novo) ; -A tradição histórica nacional-demanda pelas origens(busca de acontecimentos históricos) -Esquecimento do passado e novo enraizamento; -O drama do exílio; -O Amor e a Morte; -Crítica ao regime ditatorial e ao Salazarismo.
Fig.8
Ilustração de uma pena

Ulisses

Ó mar ó noite ó voz das coisas silenciosas já Penélope deposta o meu reino conquistado De espuma (como de rosas) coroado deixai-me junto à costa. Meu reino por um barco. E por meu arco.

Deixai-me à costa coroada de espumaque Ulisses já não tem arco não tem rainha.Ulisses já sem reino e já sem barco. Deixai-me coroado Ulisses já sem coroa nem resposta quando pergunta(quando pergunto) por sua (minha) cidade Lisboa. Deixai-me desarmado junto à costa.

Manuel Alegre,1995

Fig.9 - Ilustração de um herói grego
Estrutura interna:

Porquê o título "Ulisses"?

-Citação ao seu sentimento patritota e ao Classicismo (valorização da Antiguidade Clássica)

Ulisses: Nome grego cujo signficado é irritado.

Tema: Busca da Liberdade e da Democracia através da retoma de um herói das origens; Assunto: A personagem Ulisses apresenta-se sem nada,sem motivos para lutar e sem esperança, após lhe ter sido tirado tudo e estar perante uma Lisboa perdida. Ao longo do poema, o própio poeta mostra compartilhar estes mesmo sentimentos negativos com o Ulisses, ao fazer intervenções na primeira pessoa.

Sentimento do autor ao ver um Portugal perdido

"Deixai-me coroado Ulisses já sem coroa nem resposta 1uando pergunta(quando pergunto) por sua (minha) cidade Lisboa." vv.6-10

Porém...

Ulisses- personagem corajoso ,inteligente e astuto. -Não se deixou render quando tudo parecia estar perdido e trouxe de novo a glória ao seu reino.

Visto como um sinal de esperança e uma referência para o autor
Pode ser ainda uma referência ao nascimento de Lisboa descoberta por Ulisses
Fig.10- Ilustração de Ulisses

2ª parte-[2ª ESTROFE] “Deixai-me coroado Ulisses já sem coroa nem resposta quando pergunta (quando pergunto) por sua (minha) cidade Lisboa. Deixai-me desarmado Junto à costa.”v.6-13 -Foco na coroa para apontar a antiga glória de Portugal mas agora perdida e ausente; -O autor compartilha o mesmo sentimento que Ulisses de dúvida e de angústia ao já não saber reconhecer Lisboa e Portugal Retoma do pedido para regressar a casa

Estrutura interna:

Divisão do poema "Ulisses": 1ª parte- [1ª ESTROFE] “Deixai-me junto à costa coroado de espuma que Ulisses já não tem arco não tem rainha Ulisses já sem reino e já sem barco.”vv.1-5 -Alusão ao mito Ulisses e à sua demanda; -Ulisses encontra-se sem nada, não tem motivos para lutar pois tiraram-lhe tudo ; - Sente-se envergonhado, desanimado, desiludido - Os portugueses já não têm motivos para continuar a lutar e descobrir; -Pedido de regresso às origens;

3ª parte-[3ª ESTROFE] "Ó mar ó noite ó voz das coisas silenciosas Já Penelope deposta O meu reino conquistado De espuma (como de rosas) Coroado Deixai-me junto à costa Meu reino por um barco. E por meu arco."v.14-20

- Retoma das glórias portuguesas, enaltecendo a pátria; -Referência ao sentimento patriota do autor; --Sentimento de esperança; -Busca de motivos para continuar a lutar; - Evocação do mar como o engrandecimento português;

ESTRUTRA interna:

Ó mar ó noite ó voz das coisas silenciosas já Penélope deposta o meu reino conquistado De espuma (como de rosas) coroado deixai-me junto à costa. Meu reino por um barco. E por meu arco.

Mensagem que o autor quis deixar:

Ulisses

Deixai-me junto à costa coroada de espumaque Ulisses já não tem arco não tem rainha. Ulisses já sem reino e já sem barco. Deixai-me coroado Ulisses já sem coroa nem resposta quando pergunta(quando pergunto) por sua (minha) cidade Lisboa. Deixai-me desarmado junto à costa.

-Autor usa a personagem Ulisses para criticar indiretamente o regime opressor em que Portugal se encontra inserido atualmente; -Este afirma que assim como Ulisses se encontra perdido, após lhe ter sido tirado tudo (cargos políticos e liberdade) Arco- Desejo da vingança Barco- Meio que possibilita o regresso à pátria Coroa- Poder Penélope- Lar,amor; Contudo, no fim relembra que Portugal não se resume só ao período negro que se apresenta e revela que a esperança ainda não está perdida e o seu desejo de luta e vingança ainda está firme; - Poesia como arma assim como Ulisses utilizou o cavalode tróia.

Intertextualidade:

  • Fernando Pessoa:

RETOMA DOS HERÓIS DE ORIGEM PARA RELEMBRAR A GLÓRIA DE PORTUGAL

Um dos maiores poetas do séc.XX; Considerado um segundo Camões; Modernista-autor da Revista "Orpheu" (grande impacto inovador na literatura do séc.XX) Na obra "A Mensagem" observa-se que há: -Valorização dos heróis do passado; -Valorização da pátria portuguesa; -Fortes sentimentos nacionalistas; - Exaltação que Portugal irá ser glorioso novamente (Quinto Império-sebastianismo) Pessoa retoma também Ulisses: "Mensagem" 1ª PARTEBrasão-Os Castelos- Ulisses (...)Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos criou. (...)

  • Luís de Camões:
- Grande Admirador (queria ser o próximo Camões); -Camões está inserido no Classicismo português; -Valorização dos heróis do passado; -Valorização da pátria portuguesa; -Fortes sentimentos nacionalistas; Camões retoma Ulisses : Estância e 58- Canto lll- "Os Lusíadas": Entrando a boca já do Tejo ameno,Co'o arraial do grande Afonso unidos,Cuja alta fama então subia aos Céus,Foi posto cerco tos muros Ulisseus."
Fig.12- Fernando Pessoa
Fig.11-Luís Vaz de Camões

Intertextualidade:

  • Alexander O'Neil
"O Poema pouco original do medo" -Desejo de liberdade ; - -Crítica à falta da mesma e à opressão política,estava na "lista negra" do Estado Novo.
DESEJO DA LIBERDADE E INSATIFAÇÃO PERANTE O REGIME ATUAL
  • Miguel Torga
"Camões" Séc.XX (inseridos na mesma época literária); -Ideia de renovação; -Novo enraizamento ; -Demanda pelas origens e busca de acontecimentos históricos; - Poesia como forma de liberdade de expressão; -Apego ao solo português.

Fig.14-Miguel Torga

Fig.13 - Alexandre O'Neil
Estrutura externa:

Dei/xai/-me/ jun/to à/ cos/ta/ co/ro/a/da/ de/ es/pu/maque /Uli/sses/ já/ não/tem ar/co não /tem/ rai/nha. Uli/sses/ já/ sem/ rei/no/ e/ já/ sem/ bar/co/. (...) Ó /mar /ó /noi/te ó/ voz/ das/ coi/sas/ si/len/ci/o/sas já /Pe/né/lo/pe/ de/pos/ta o/ meu/ rei/no/ con/quis/ta/do De /es/pu/ma/ (co/mo/ de/ ro/sas) co/ro/a/do dei/xai/-me /jun/to à/ cos/ta. Meu/ rei/no/ por/ um/ bar/co. E/ por/ meu/ ar/co.

A B C D B C

O poema é constituído por: - 3 estrofes; 1ª Estrofe- Quintilha(5 versos); 2ª Estrofe- Oitava( 8 versos); 3ª Estrofe- Sextilha (6 versos) -20 versos no total; - Escanção métrica: 1-14 sílabas métricas; -Classificação métrica: Verso monossílado- Verso Bárbaro; -Rima externa; -Rima cruzada/emparelhada; .-Rima pobre/rica VERSILIBRISMO

A A C A C A C
Estrutura externa:´ Recursos expressivos presentes no poema: -Alegoria (autor usa a realidade concreta de Ulisses para representar uma ideia); - Anáfora ( "não tem arco ,não tem rainha."vv.2-4 "já sem reino e já sem barco."vv.4-5); -Antítese ("Deixai-me coroado Ulisses já sem coroa")vv.6-7; -Apóstrofe ("Ó mar ó noite ó voz das coisas silenciosas")vv.14; -Enumeração ("...Ulisses já não tem arco não tem rainha. Ulisses já sem reino e já sem barco." vv.2-4);
-Metáfora ("Meu reino por um barco. E por meu arco."vv.20 "...o meu reino conquistado De espuma (como de rosas)"vv..16-17); -Metonímia ("por sua (minha) cidade Lisboa."vv.11); -Paralelismo ("Deixai-me junto à costa coroada de espuma ... Deixai-me coroado . ... Deixai-me desarmado..."vv.1-11); -
Webgrafia/Bibliografia:

Manual: p.218-230 p. 372-384

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Alegre#Livros

.https://portugues-fcr.blogspot.com/2022/09/analise-do-poema-variacoes-sobre-o.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)

https://ensina.rtp.pt/artigo/livros-e-escritores-censurados-pelo-estado-novo/

https://www.cidadeecultura.com/lenda-portuguesa/#:~:text=Essa%20lenda%20portuguesa%20se%20refere%20ao%20in%C3%ADcio%20da,rio%20Tejo.%20Ali%2C%20encontrou%20o%20reino%20de%20Ufiusa.

https://www.bing.com/search?q=classiciismo+caracteristicas&qs=n&form=QBRE&sp=-1&ghc=1&lq=0&pq=classiciismo+caracteristica&sc=10-27&sk=&cvid=B9DA1C5C111D42D3BA485EE80EB80420&ghsh=0&ghacc=0&ghpl=

https://pt.wikipedia.org/wiki/Censura_em_Portugal

https://brasilescola.uol.com.br/literatura/luis-camoes.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Orpheu_(revista)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_literatura_em_Portugal

Fig.1-14- Google Images

“Não há machado que corte a raiz ao pensamento.” -Manuel Alegre

Jéssica VILELA,12ºLH1

Diana Paulo,12ºlh1

Obrigada pela vossa atenção! :)