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Alberto Caeiro
Catarina Viterbo
Created on January 7, 2023
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Transcript
"Quando vier a primavera"
01
Interpretação do poema
Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.
SENTIDO GLOBAL - Aceitação da morte com naturalidade e tranquilidade pelo sujeito poético;
- Constatação que a sua ausência não condicionará o curso da Natureza.
Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.
- Se a natureza ignora a sua morte, é porque ele faz parte dela e é aceite por ela como seu constituinte;
- Quando a morte vier, tudo permanecerá exatamente igual;
- O indivíduo e o que o rodeia fazem parte da realidade;
- Afirma que não tem desejos para depois da sua morte porque essas preferências já não dependem de si;
- Descrença na vida espiritual;
- A realidade é o que se pode ver e não se consegue alterar, porque assim o tem que ser.
Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.
VOCABULÁRIO ESPECÍFICO
Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.
RECURSOS EXPRESSIVOS
- Anáfora
- Interrogação retórica
Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.
DIVISÃO DO POEMA
02
Análise estilística
VARIEDADE MÉTRICA/ESTRÓFICA
A poesia de Caeiro apresenta, geralmente, irregularidade estrófica e métrica, e não apresenta rima.
MARCAS DA POESIA DE ALBERTO CAEIRO
- Vê, de forma objetiva e espontânea, a realidade;
- Ignora os pensamentos metafísicos;
- Não se preocupa com o futuro nem com o passado;
- Privilegia as sensações, destacando a visual;
- Utiliza uma linguagem simples e familiar
- Utiliza um vocabulário limitado e repetitivo;
- Recorre a comparações com termos comuns;
- Defende o objetivismo, o concretismo e a simplicidade.
03
Atualidade
«Ninguém quer morrer. Nem mesmo as pessoas que querem ir para o céu querem morrer para lá chegar. E ainda assim, a morte é o destino que todos partilhamos. Nunca ninguém escapou a ela. E é assim que tem de ser, porque a Morte é muito possivelmente a melhor invenção da Vida. É o agente transformador da Vida. Limpa o velho e abre caminho para o novo.»
Steve Jobs
FIM