Portugal: O Estado Novo
1933 a 1974
Portugal
Campo do Tarrafal
A comida era sempre a mesma, de péssima qualidade, diminuta e mal confecionada. Era de tal modo intragável que os presos tapavam as narinas com bolas de pão para conseguirem ingeri-la.”, informação exibida na antiga cozinha do campo."
"A dieta no Campo do Tarrafal"
“A dieta no campo de concentração era uma arma e foi utilizada para humilhar os presos; para além de ser uma das principais fontes de doenças como o beribéri, escorbuto, xeroftalmia, anemia, infeções intestinais, entre outras.
https://www.almadeviajante.com/campo-do-tarrafal/
Mocidade Portuguesa
António de Oliveira de Salazar a discursar
Desfile da mocidade portuguesa, em Lisboa, 1948.
Da Ditadura Militar ao Estado Novo
- A ditadura militar instaurou-se com o golpe militar de 28 de maio de 1926, e durou até 1933.
- A ditadura não conseguiu estabilizar a pátria, devido à falta de preparação dos ditadores, o que agravou o défice orçamental, levando ao esmorecer da adesão ao movimento, observado nos primeiros tempos.
- Em 1928, António de Oliveira Salazar torna-se Ministro das Finanças, obtendo sucesso financeiro.
- Em 1932, Salazar é nomeado para a chefia do governo.
- Salazar pretendia instaurar uma nova política, com um Estado autoritário, onde condicionaria as liberdades individuais aos interesses nacionais.
"Estado Novo- República portuguesa"
Da Ditadura Militar ao Estado Novo
- Salazar acabou com o liberalismo, a democracia e o parlamentarismo. Reforçou o autoritarismo e conservadorismo do Estado através de lemas como: "Estado Forte" e "Tudo pela Nação, nada contra a Nação";
- Salazar conseguiu o apoio da hierarquia religiosa, de devotos católicos, de grandes proprietários agrícolas, da burguesia, dos monárquicos, fascistas e militares.
- A concretização dos ideais salazaristas baseou-se nos modelos fascistas, especialmente o italiano.
- O Estado Novo distinguiu-se dos restantes fascismos pelo seu conservadorismo e tradicionalismo.
"Óscar Carmona e António de Oliveira Salazar chegam à assembleia"
Da Ditadura Militar ao Estado Novo
- Era proibido questionar valores morais como, Deus, pátria, família, autoridade, paz social, hierarquia, moralidade e austeridade. Além disso, promoveu a defesa das tradições portuguesas.
- O Estado Novo, virou costas à modernidade, uma vez que, enalteceu o mundo rural, protegia a religião católica como religião de Portugal, reduziu a mulher a um papel passivo, sendo modelo de grande feminilidade, esposa carinhosa e submissa e uma mãe sacrificada e virtuosa.
"Gomes da Costa e as suas tropas desfilam em Lisboa"
Principais características do Estado Novo
- Enquadramento das Massas;
"Salazar a acenar para o povo"
Aproximação do Estado Novo ao Fascismo Italiano
- Partido único (PT: União Nacional / IT: Partido Nacional Fascista);
- Totalitarismo do Estado;
- Controlo da economia por parte do Estado;
- Controlo do exército;
- Repressão e violência:
- Polícia politica (PT: PIDE/ IT: OVRA); -Milícias( PT: camisas verdes/ IT: camisas negras); -Prisões Políticas.
- Censura;
- Ideias muito precisas da cultura;
- Culto ao chefe;
- Lema (PT: "Tudo pela nação, nada contra a nação"/ IT: "Tudo no Estado, nada contra o Estado").
"Registo Geral de presos pela PIDE"
Mecanismos repressivos do Estado Novo
- O caráter autoritário e totalitário do Estado Novo assentava no culto do chefe e na negação dos direitos e liberdades individuais.
- As organizações repressivas do Estado Novo eram a Censura Prévia, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) e a Legião Portuguesa (a milícia portuguesa).
- Os mecanismos de controlo da população foram o Secretariado da Propaganda Nacional, a Federação Nacional para a alegria no trabalho (FNAT), a Mocidade Portuguesa e a Obra das Mães pela Educação Nacional (OMEN), bem como a educação.
"Sala de aula do ensino primário do Estado Novo"
Política Colonial
- Para resolver os problemas de ordem e pacificação do Ultramar e satisfazer as necessidades da Nação Portuguesa, foi necessário definirem uma Solução Portuguesa e uma Política Ultramarina Portuguesa.
- O Ato Colonial foi primeiro documento constitucional do Estado Novo, promulgado a 8 de julho de 1930, que viria a integrar a futura Constituição de 1933. Consiste nas normas regulamentares do sistema de órgãos do poder colonial, tem um carácter nacionalista, evidente nas disposições respeitantes à defesa dos interesses portugueses contra as perturbações estrangeiras. A Sociedade das Nações, pretendia ilegalizar o trabalho forçado nas colónias, considerado, pelo estado, uma ameaça para o império Português, uma vez que, a economia dependia das colónias, devido, à abundância de matérias-primas e mão-de-obra africana.
"Constituição Política da República Portuguesa de 1933, Ato Colonial de 1935"
Luso-tropicalismo – “Portugal começa no Minho e acaba em Timor”
1. Baseando-se nos factos históricos, nomeadamente, na época dos descobrimentos, para legitimar o colonialismo, Portugal, via-se com o papel paternalista de “dever civilizar” os indígenas, algo que impedia qualquer proximidade e igualdade entre colonos e africanos, contrariamente ao estipulado no Ato Colonial, pois os povos africanos sempre foram subalternizados.
2. Salazar pediu a revogação do Ato Colonial alterando a conceção colonial portuguesa. As colónias passam a “províncias ultramarinas”, a narrativa oficial começa a focar-se numa versão de que Portugal não é apenas Portugal, mas sim, o conjunto de países com províncias ultramarinas, de colonizadores com colonos, um país indissociável das suas partes, todas elas iguais entre si e todos os seus habitantes irmãos entre eles.
Mapa "Portugal não é um país pequeno"- propaganda Salazarista
3. Contudo, o Estatuto dos Indígenas, revisto em 1954, continuava a negar a cidadania portuguesa à maioria da população de Angola, Moçambique e Guiné, não coincidindo com a nova revogação do Ato Colonial.
Luso-tropicalismo – “Portugal começa no Minho e acaba em Timor”
As Exposições coloniais do Porto (1934) e Lisboa (1940) serviram para o propósito de criar a mística imperial, trouxeram aldeias de tribos africanas para por em exposição, desprovidas de humanidade, como se fosse um jardim zoológico, para criar a ideia de exotismos dos territórios ultramarinos. A verdade é que as forças políticas nunca permitiram que as colónias fossem mais do que um poço de recursos naturais explorados, vivendo: à custa do trabalho forçado dos locais; com barreiras no acesso à educação; falta de acesso a cuidados de saúde; a impossibilidade de ocupação de cargos políticos e sem a própria autodeterminação.
Luso-tropicalismo – “Portugal começa no Minho e acaba em Timor”
-
Em 1960, a Organização das Nações Unidas exigiu que Portugal se desfizesse do seu império colonial, algo visto internamente pela opinião pública contra o que era considerada uma “desconsideração” em relação ao país.
“Portugal uno e indivisível do Minho a Timor”, foi um dos slogans que ganhou força nos anos sessenta em Portugal, uma vez que, a comunidade internacional pressionava o país a abandonar o império.
O Estado Novo passou, então, a designar as colónias por províncias d'além-mar ou províncias ultramarinas, supostamente, considerando Portugal uma “Nação Multirracial e Pluricontinental”.
- Portugal foi dos últimos países a descolonizar e fê-lo à custa de uma guerra "imbecil" em todos os sentidos, a guerra colonial.
Começaram a surgir focos de resistência armada em vários países colonizados, que culminariam com a sua independência depois do golpe de estado de 25 de Abril.
As colónias portuguesas, hoje todas elas independentes, nem sequer colhem os frutos do suposto “sucesso” da sua colonização.
"Salazar a discursar"
Política Económica do Estado Novo
- Salazar defendia uma política em que se gastasse bem o que se possuía e não se despendesse mais do que os próprios recursos.
- A estabilidade financeira era a prioridade de Salazar e do Estado Novo.
- Para o equilíbrio orçamental foi feita uma melhor administração do dinheiro público, criaram-se novos impostos, aumentaram tarifas alfandegárias sobre as importações, reduzindo a dependência externa.
"Cartaz de propaganda a comparar D. Afonso Henriques com Salazar"
- A neutralidade do país na 2ª Guerra Mundial foi favorável para o equilíbrio financeiro, uma vez que se poupou no armamento e defesa do território.
- A exportação de Volfrâmio e as reservas de ouro significativas, estabilizaram as finanças.
- A estabilidade financeira deu ao Estado Novo uma imagem de credibilidade e competência governativa.
"Discurso de Salazar ao povo português"
Política Cultural
- Implementada pelo SPN (Secretariado de Propaganda Nacional) em 1933, devido à necessidade de uma produção submetida ao regime;
- Consistia num projeto de controlo total da produção cultural através da censura e da repressão;
"Cartaz de filme de 1941"
Política Cultural
- Tinha como objetivo propagar e exaltar o ideário do Estado Novo, ou seja, o amor á pátria, o culto aos heróis, as virtudes familiares e a confiança no progresso;
- Evidenciava uma estética moderna e aberta ao seu tempo, com o intuito de promover uma união entre o conservadorismo e o modernismo.
"Projeto da política cultural do estado"
Consequências da política cultural nas artes
- Adesão mais positiva nas áreas do cinema e do teatro;
- O estado assumia-se como um fator importante na contratação de artistas;
- Patrocínio de artistas e produções através de exposições.
"A lição de Salazar"
Consequências da política cultural no domínio literário
- Falta de adesão de escritores;
- Pouco destaque dos escritores premiados pelo regime;
- Elaboração de uma lista de obras “essenciais” da literatura pela SPN em 1947.
"Propaganda ao cinema"
Bibliografia
Webgrafia
Manual: Um Novo Tempo de História, História A, 12º ano, Porto Editora
https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$estado-novo https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/EstadoNovo.aspx https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$ato-colonial-1930 https://observador.pt/opiniao/lusotropicalismo-e-o-mito-da-portugalidade/
https://www.buala.org/pt/a-ler/o-luso-tropicalismo-e-o-colonialismo-portugues-tardio
https://ensina.rtp.pt/explicador/organizacoes-repressivas-e-de-controlo-do-estado-novo/ https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://aedah.pt/biblioteca/wp-content/uploads/2021/02/Portugal-e-o-Estado-Novo.pdf&ved=2ahUKEwj6u43-kcP8AhVA8bsIHWMqDkEQFnoECA8QAQ&usg=AOvVaw2apaNwisyHEAm9KesCQ0_9
Portugal: O Estado Novo
Constança Nunes12
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Portugal: O Estado Novo
1933 a 1974
Portugal
Campo do Tarrafal
A comida era sempre a mesma, de péssima qualidade, diminuta e mal confecionada. Era de tal modo intragável que os presos tapavam as narinas com bolas de pão para conseguirem ingeri-la.”, informação exibida na antiga cozinha do campo."
"A dieta no Campo do Tarrafal"
“A dieta no campo de concentração era uma arma e foi utilizada para humilhar os presos; para além de ser uma das principais fontes de doenças como o beribéri, escorbuto, xeroftalmia, anemia, infeções intestinais, entre outras.
https://www.almadeviajante.com/campo-do-tarrafal/
Mocidade Portuguesa
António de Oliveira de Salazar a discursar
Desfile da mocidade portuguesa, em Lisboa, 1948.
Da Ditadura Militar ao Estado Novo
"Estado Novo- República portuguesa"
Da Ditadura Militar ao Estado Novo
"Óscar Carmona e António de Oliveira Salazar chegam à assembleia"
Da Ditadura Militar ao Estado Novo
"Gomes da Costa e as suas tropas desfilam em Lisboa"
Principais características do Estado Novo
"Salazar a acenar para o povo"
Aproximação do Estado Novo ao Fascismo Italiano
- Partido único (PT: União Nacional / IT: Partido Nacional Fascista);
- Totalitarismo do Estado;
- Controlo da economia por parte do Estado;
- Controlo do exército;
- Repressão e violência:
- Polícia politica (PT: PIDE/ IT: OVRA); -Milícias( PT: camisas verdes/ IT: camisas negras); -Prisões Políticas."Registo Geral de presos pela PIDE"
Mecanismos repressivos do Estado Novo
"Sala de aula do ensino primário do Estado Novo"
Política Colonial
"Constituição Política da República Portuguesa de 1933, Ato Colonial de 1935"
Luso-tropicalismo – “Portugal começa no Minho e acaba em Timor”
1. Baseando-se nos factos históricos, nomeadamente, na época dos descobrimentos, para legitimar o colonialismo, Portugal, via-se com o papel paternalista de “dever civilizar” os indígenas, algo que impedia qualquer proximidade e igualdade entre colonos e africanos, contrariamente ao estipulado no Ato Colonial, pois os povos africanos sempre foram subalternizados.
2. Salazar pediu a revogação do Ato Colonial alterando a conceção colonial portuguesa. As colónias passam a “províncias ultramarinas”, a narrativa oficial começa a focar-se numa versão de que Portugal não é apenas Portugal, mas sim, o conjunto de países com províncias ultramarinas, de colonizadores com colonos, um país indissociável das suas partes, todas elas iguais entre si e todos os seus habitantes irmãos entre eles.
Mapa "Portugal não é um país pequeno"- propaganda Salazarista
3. Contudo, o Estatuto dos Indígenas, revisto em 1954, continuava a negar a cidadania portuguesa à maioria da população de Angola, Moçambique e Guiné, não coincidindo com a nova revogação do Ato Colonial.
Luso-tropicalismo – “Portugal começa no Minho e acaba em Timor”
As Exposições coloniais do Porto (1934) e Lisboa (1940) serviram para o propósito de criar a mística imperial, trouxeram aldeias de tribos africanas para por em exposição, desprovidas de humanidade, como se fosse um jardim zoológico, para criar a ideia de exotismos dos territórios ultramarinos. A verdade é que as forças políticas nunca permitiram que as colónias fossem mais do que um poço de recursos naturais explorados, vivendo: à custa do trabalho forçado dos locais; com barreiras no acesso à educação; falta de acesso a cuidados de saúde; a impossibilidade de ocupação de cargos políticos e sem a própria autodeterminação.
Luso-tropicalismo – “Portugal começa no Minho e acaba em Timor”
"Salazar a discursar"
Política Económica do Estado Novo
"Cartaz de propaganda a comparar D. Afonso Henriques com Salazar"
"Discurso de Salazar ao povo português"
Política Cultural
"Cartaz de filme de 1941"
Política Cultural
"Projeto da política cultural do estado"
Consequências da política cultural nas artes
"A lição de Salazar"
Consequências da política cultural no domínio literário
"Propaganda ao cinema"
Bibliografia
Webgrafia
Manual: Um Novo Tempo de História, História A, 12º ano, Porto Editora
https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$estado-novo https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/EstadoNovo.aspx https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$ato-colonial-1930 https://observador.pt/opiniao/lusotropicalismo-e-o-mito-da-portugalidade/ https://www.buala.org/pt/a-ler/o-luso-tropicalismo-e-o-colonialismo-portugues-tardio https://ensina.rtp.pt/explicador/organizacoes-repressivas-e-de-controlo-do-estado-novo/ https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://aedah.pt/biblioteca/wp-content/uploads/2021/02/Portugal-e-o-Estado-Novo.pdf&ved=2ahUKEwj6u43-kcP8AhVA8bsIHWMqDkEQFnoECA8QAQ&usg=AOvVaw2apaNwisyHEAm9KesCQ0_9