Want to create interactive content? It’s easy in Genially!

Get started free

Grupos Focais

Alexandra Costa

Created on December 21, 2022

Start designing with a free template

Discover more than 1500 professional designs like these:

Higher Education Presentation

Psychedelic Presentation

Vaporwave presentation

Geniaflix Presentation

Vintage Mosaic Presentation

Modern Zen Presentation

Newspaper Presentation

Transcript

Unidade curricularMETODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO LEB

Grupos focais como técnica de investigação qualitativa: desafios metodológicos

Índice

Introdução

Grupos focais como método de investigação qualitativa: desafios metodológicos

Grupos focais: definição e caracterização

2.1

Modalidades de grupos focais

2.2

O processo de pesquisa com grupos focais

2.3

O processo de discussão em grupos focais

2.4

Questões metodológicas

2.5

Considerações finais

Referências bibliográficas

introdução

Objetivos

Os grupos focais têm sido cada vez mais utilizados em pesquisas de diversas disciplinas científicas. O artigo consultado (Gondim, 2003) tem como objetivo principal definir, caracterizar metodologicamente e contextualizar o uso dos grupos focais como técnica de investigação qualitativa. Para além disso, visa analisar os fatores que afetam o processo de discussão dos grupos focais e, em consequência, a validade dos seus resultados, apontada como um dos maiores desafios metodológicos desta técnica.

1.1

abordagens à investigação em ciências sociais

Abordagem qualitativa ou ideográfica

Abordagem quantitativa ou nomotética

  • Contrariamente ao objeto físico, o homem reflete sobre si, sendo capaz de se construir, como pessoa, tornando necessário o uso de um modelo diferente do da ciência natural, baseado na descrição, no entendimento, na busca de significado, na interpretação, na linguagem e no discurso.
  • Baseada na teoria crítica, do construtivismo e do participacionismo, que defende que o sujeito investigado não é independente do processo de investigação, conduzindo a um conhecimento valorativo e ideológico.
  • assume-se que o investigador não se consegue distanciar da implicação direta no processo de investigação, atendendo a que a sua forma de olhar e de interpretar os fenómenos está dependente do seu próprio contexto sócio-cultural.
  • os critérios de qualidade residem na compreensão de uma realidade particular, na autoconscientização e na ação humana.
  • Centra-se no que é mensurável e quantificável, como meio de atingir um conhecimento válido e universal. Defende, assim, a aproximação entre ciência social e ciência natural.
  • Baseada em pressupostos filosóficos como os do positivismo e do pós-positivismo que, enunciando um afastamento entre o objeto e o sujeito, conduzirão a um conhecimento verdadeiro.
  • Verifica-se a convicção de que o investigador é desinteressado e crítico.
  • A qualidade da pesquisa está dependente da objetividade e da generalização dos resultados.

VS

Grupos focais como método de investigação qualitativa: desafios metodológicos

2.1

Grupos focais: Definição e caracterização

Grupos focais

Definição e caracterização

São um método intermédio entre a observação participante e as entrevistas em profundidade. Distinguem-se das entrevistas grupais pelo papel diferenciado do entrevistador e do moderador. Enquanto o entrevistador tem um papel ativo e individualizado, ouvindo a opinião de cada um e comparando as respostas, o moderador é apenas um facilitador do processo de discussão dos temas. A unidade de análise do grupo focal é o próprio grupo e importa recolher dados sobre a interação e a interinfluência dos indivíduos. Enquanto método de recolha de dados em investigação, os grupos focais podem ser usados para finalidades diversas, desde a procura de informações como base para a tomada de decisão ou para o delineamento de pesquisas futuras, até à promoção de auto-reflexão e de transformação social.

Grupos focais são um método de recolha de dados utilizado na investigação em ciências sociais em que um grupo restrito de pessoas (normalmente entre 4 a 10) interage e discute acerca de um tópico especial sugerido pelo pesquisador. Esta discussão é facilitada e orientada por um moderador. Caracterizam-se por serem“um recurso para compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos.” (Veiga & Gondim, 2001)

2.2

Grupos focais: modalidades

2.2 Grupos focais

Modalidades (Fern, 2001)

Grupos focais clínicos

Grupos focais exploratórios

Grupos focais vivenciais

Foco: domínio da intra-subjetividade. Parte do pressuposto de que a pessoa desconhece muitos dos seus comporta-mentos, o que torna importante a obser-vação do outro e o julgamento clínico. Orientação teórica: procura compreender crenças sentimentos e comportamentos. Orientação prática: visa descobrir projeções, identificações, tendências e resistência à persuasão.

Foco: análise dos processos internos ao grupo. Orientação teórica: permite a comparação dos resultados com os de entrevistas por telefone ou face a face (análise intergrupal). Orientação prática: procura entender a a linguagem do grupo e o impacto de estratégias, programas, propagandas e produtos nas pessoas (análise intragrupal).

Foco: produção de conteúdos e identificação de aspetos comuns de um grupo alvo (intersubjetividade). Orientação teórica: procura gerar hipóteses. Orientação prática: visa produzir novas ideias, identificar necessidades e expectativas e a descobrir novos usos para um produto específico.

2.2 Grupos focais

Modalidades (Morgan, 1997)

Grupos focais como técnica complementar

Grupos focais auto-referentes

Grupos focais como proposta multi-métodos qualitativos

Funcionam como estudo preliminar para a avaliação de programas de intervenção e a construção de questionários e escalas.

Usados como principal fonte de dados. Permitem aprofundar e definir questões, responder a indagações de pesquisa, investigar perguntas de natureza cultural e avaliar opiniões, atitudes, experiências anteriores e perspectivas futuras.

Usados em combinação com outras técnicas, como:

  • entrevista individual (melhor conhecimento das opiniões individuais, facilitando a avaliação do confronto de opiniões)
  • observação do participante (comparação do conteúdo produzido no grupo com o quotidiano dos participantes).

2.3

O processo de pesquisa com grupos focais

Grupos focais: opções metodológicas

Recursos tecnológicos

Composição dos grupos

Local de realização

Tipo de análise dos resultados

Tipo de moderador

  • número de elementos
  • homogeneidade ou heterogeneidade dos participantes (cultura, idade, género, estatuto social, etc)
  • face-a-face
  • mediado por tecnologias de informação
  • naturais, contexto onde ocorre
  • artificiais, realizados em laboratórios
  • diretividade
  • não-diretividade
  • de processos
  • de conteúdo: oposições, convergências, temas centrais de argumentação intra e intergrupal, análises de discurso, linguísticas, etc.

Tipos de pesquisa com grupos focais

Krueger e Casey (2000)

Pesquisa académica

Pesquisa de mercado

Pesquisa comunitária

  • comprometida com o rigor metodológico
  • geralmente tem uma duração mais alargada
  • análise baseada nas transcrições de gravações em vídeo e nas notas de campo.
  • foca-se na consciencialização para a ação prática indicada pelo próprio grupo,
  • decorre geralmente em ambientes da comunidade
  • realiza-se num espaço de tempo alargado.
  • Recorre a pessoas da comunidade para coordenar o processo juntamente com o pesquisador.
  • procura uma resposta mais rápida às questões emergentes
  • em geral curta duração.
  • a análise é baseada no relato dos profissionais e dos clientes que observam a discussão atrás do espelho unidirecional.

2.4

O processo de discussão em grupos focais

Processos que interferem nos grupos focais

Participantes que ‘apanham boleia’

Influência da informação

Bloqueio de produção

Influência social

Apreensão da avaliação Autoconsciência Influência normativa

Elementos que não se empenham na participação na discussão, por sentir de algum modo a sua responsabilidade diluída no grupo. O moderador pode intervir, neste caso, para procurar uma participação ativa e empenhada de todos os elementos do grupo focal.

Perante os argumentos apresentados, os que não têm a opinião tão formada são facilmente influenciados a construir as suas opiniões a partir dos outros. O papel do moderador é fundamental para recuperar opiniões divergentes que o grupo insista em ignorar.

Decorre da dificuldade dos participantes em prestar atenção à discussão e organizar o seu pensamento para intervir, em simultâneo.

2.5

grupos focais: questões metodológicas

2.5 Grupos focais

Críticas apontadas

Tamanho da amostra

Falta de controle do desempenho do moderador

Nível de resposta a ser considerado

Aponta-se que, tendo os grupos focais um número de participantes reduzido e constituindo uma ‘amostra por conveniência’, esta não seria representativa e os dados não seriam generalizáveis. No entanto, não se trata, com esta metodologia, de procurar alcançar uma representatividade estatística, mas de compreender um fenómeno num contexto particular.

Existe uma interdependência na produção de respostas que surgem numa discussão de grupo, sendo difícil distinguir o que pertence a uma em particular. Para efeito de interpretação dos resultados, uma opinião expressa por um participante, mesmo que não seja partilhada pelos outros, é referida como sendo do grupo, visto que é este a unidade de análise.

O moderador é obrigado a ajustar o seu grau de intervenção à dinâmica particular de cada grupo, pelo que não é possível definir um papel uniforme para este interveniente.

2.5 Grupos focais

Críticas apontadas

Forma de interpretação

Limitações de se comparar resultados

O investigador não é um observador neutro e objetivo, no sentido em que interpreta aquilo que observa a partir dos seus próprios valores, formação e experiência. Esta subjetividade da interpretação pode ser minimizada quando a observação é feita por vários investigadores que podem assim discutir as suas interpretações.

Dificuldades em se comparar os resultados dos grupos focais com os gerados por outras técnicas de investigação.

considerações finais

Considerações finais

Usos e limitações dos grupos focais

Este tipo de metododologia de investigação é muito útil em várias organizações, nomeadamente nas escolas, nos trabalhos em grupos de pais, professores e alunos, pois auxiliam na análise de problemas e na tomada de decisões e mesmo no diagnóstico e avaliação da qualidade dos serviços prestados. Mas pode ser igualmente útil em organizações formais, no setor da saúde, na política e no marketing. É necessário o apoio de mais estudos sistemáticos para se poderem ultrapassar as dificuldades que condicionam este tipo de análise grupal.

A escolha dos grupos focais, como a de qualquer outro método de pesquisa, deve ser fundamentada na clareza acerca do propósito da investigação. Os investigadores encontram nos grupos focais um método que lhes permite explorar crenças, valores, atitudes, opiniões e processos de influência grupal. Para além disso, constitui um suporte para a geração de hipóteses, a construção teórica e a elaboração de instrumentos. Trata-se de um método que pode ser usado quando o foco de análise do pesquisador é o grupo.

Unidade curricularMETODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO LEB

Referências bibliográficas

Alexandra Costa 56034 Ana Fernandes 21000 Bruno Alexandre 52703 Ibrahim Almeida 52706 Isabel da Silva 56453 Nairy Fernandes Managem 52739 Márcia Reis Pereira 56033

Fern, E.F. (2001). Advanced focus group research. California: Thousand Oaks. Gondim, S. M. G. (2003). Grupos focais como técnica de investigação qualitativa: desafios metodológicos. In: Paidéia, 12(24), 2003, Salvador: UFBa, p. 149-161. Guba, E. G., & Lincoln, Y. S. (2005). Paradigmatic Controversies, Contradictions, and Emerging Confluences. In N. K. Denzin & Y. S. Lincoln (Eds.), The Sage handbook of qualitative research (pp. 191–215). Sage Publications Ltd. Krueger, R.A. & Casey, M.A.(2000). Focus groups. A practical guide for applied research. California: Thousands Oaks. Morgan, D. (1997). Focus group as qualitative research. Qualitative Research Methods Series. 16. London: Sage Publications Rychlak, J.F. (1993) A suggested principle of complementarity for psychology. American Psychologist, 48 (9), 933-42. Veiga, L. & Gondim, S.M.G. (2001). A utilização de métodos qualitativos na ciência política e no marketing político. Opinião Pública. 2(1), 1-15

Unidade curricularMETODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO LEB

Obrigado!