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Ilha dos Amores

Carolina P

Created on December 2, 2022

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Transcript

OS LUSÍADAS

CANTO IX

ÍNDICE

1. Introdução

2. Análise das Estâncias

3. Música Escolhida

4. Crítica

5. Conclusão

Os Lusíadas, Luiz Vaz de Camões

INTRODUÇÃO

Plano da Viagem

  • Os portugueses ficam retidos na Índia;
  • Depois de resolverem os conflitos, iniciam a viagem de regresso a Lisboa;
  • No caminho são confrontados com uma ilha.
Plano da Mitologia
  • A deusa Vénus preparou-lhes a Ilha dos Amores;
  • Os portugueses são recebidos pelas ninfas.
Plano das Reflexões do Poeta
  • Considerações do poeta;
  • O caminho para atingir a fama e a imortalidade.

José Malhoa, Ilha dos Amores, 1908

IX, 90

IX, 88

Assi a fermosa e a forte companhia O dia quase todo estão passando Nua alma, doce, incógnita alegria, Os trabalhos tão longos compensando; Porque dos feitos grandes, da ousadia Forte e famosa, o mundo está guardando O prémio lá no fim, bem merecido, Com fama grande e nome alto e subido.

Que as imortalidades que fingia A antiguidade, que os Ilustres ama, Lá no estelante Olimpo, a quem subia Sobre as asas ínclitas da Fama, Por obras valerosas que fazia, Pelo trabalho imenso que se chama Caminho da virtude, alto e fragoso, Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso:

IX, 89

Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas, Tethys e a Ilha angélica pintada, Outra cousa não é que as deleitosas Honras que a vida fazem sublimada. Aquelas preminencias gloriosas, Os triunfos, a fronte coroada De palma e louro, a glória e maravilha: Estes são os deleites desta Ilha.

Camões explicita o simbologismo da Ilha dos Amores, (recompensa oferecida por Vénus).

IX, 91

Não eram senão prémios que reparte, Por feitos imortais e soberanos, O mundo cos varões que esforço e arte Divinos os fizeram, sendo humanos. Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte, Eneas e Quirino e os dous Tebanos, Ceres, Palas e Juno com Diana, Todos foram de fraca carne humana.

Camões reflete sobre o valor da Fama, em que, tal como a ilha, os deuses representam simbolicamente a recompensa.

IX, 92

Mas a Fama, trombeta de obras tais, Lhe deu no Mundo nomes tão estranhos De Deuses, Semideuses, Imortais, Indígetes, Heróicos e de Magnos. Por isso, ó vós que as famas estimais, Se quiserdes no mundo ser tamanhos, Despertai já do sono do ócio ignavo, Que o ânimo, de livre, faz escravo.

IX, 95

IX, 93

E fareis claro o Rei que tanto amais, Agora cos conselhos bem cuidados, Agora co as espadas, que imortais Vos farão, como os vossos já passados. Impossibilidades não façais, Que quem quis, sempre pôde; e numerados Sereis entre os Heróis esclarecidos E nesta «Ilha de Vénus» recebidos.

E ponde na cobiça um freio duro, E na ambição também, que indignamente Tomais mil vezes, e no torpe e escuro Vício da tirania infame e urgente; Porque essas honras vãs, esse ouro puro, Verdadeiro valor não dão à gente. Milhor é merecê-los sem os ter, Que possuí-los sem os merecer.

IX, 94

Ou dai na paz as leis iguais, constantes, Que aos grandes não dem o dos pequenos, Ou vos vesti nas armas rutilantes, Contra a lei dos immigos Sarracenos: Fareis os Reinos grandes e possantes, E todos tereis mais e nenhum menos: Possuireis riquezas merecidas, Com as honras que ilustram tanto as vidas.

Camões aconselha todos os que procuram ser reconhecidos, a adotar certos comportamentos.

A Lei da Recompensa, Teresinha Landeiro e Salvador Sobral

A lei da recompensa

Vénus tinha uma grande estima pelo povo português, sendo este gesto, forma de enaltecê-los.

Uma mão aberta sobre a mão que a sustém Uma mão de dar, recebe também Se essa mão se abrir para abrir mão do que não tem Vai poder pousar na mão de mais alguém Feita de segredos Uma mão de medos Mostrou-se contida Não vá querer a vida Escapar-lhe entre os dedos

Realça os sentimentos de medo e fragilidade sentidos, que se traduz na recompensa aos lusos pelos sacrifícios.

Se uma mão contida Pousar sem licença Dá-lhe a mão estendida É Lei da Recompensa

O esforço despendido dá acesso a uma recompensa.

“Uma canção sobre dar amor, ensinar a receber amor, e um dia ser recompensado pelo amor que soubemos dar (…)”

Salvador Sobral e Teresa Landeirinho

Mitificação/Divinização do herói

  • Os deuses proporcionam aos portugueses a imortalidade;
  • Glorificação pelo seu empenho e bravura;
  • Isto conseguido através de feitos, esforço e sacrifício;
Exortação aos que merecem a imortalidade
  • Incentiva os portugueses a reformarem a sua postura;
  • Enumera as condições para alcançar a glória.

CONCLUSÃO

Caráter simbólico da Ilha dos Amores

  • Conclusão do percurso;
  • Os navegadores receberam a recompensa merecida.

FIM

Trabalho realizado por Lourenço Baltazar nº14, Carolina Pestana nº4, Miguel Martins nº16, Tomás Ferreira nº7