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Tenho pena e não respondo

Filipa Soares

Created on November 14, 2022

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Transcript

tenho pena e não respondo

fernando pessoa

Ana campos, nº4

fernando pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Nasceu a 13 de junho de 1888 e faleceu a30 de novembro de 1935

Tenho pena e não respondo. Mas não tenho culpa enfim De que em mim não correspondo Ao outro que amaste em mim Cada um é muita gente. Para mim sou quem me penso, Para outros- cada um sente O que julga, e é um erro imenso Ah, deixem-me sossegar Não me sonhem nem me outrem Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem?

estrutura externa

Tenho pena e não respondo A Mas não tenho culpa enfim B De que em mim não correspondido A Ao outro que amaste em mim B[Rima cruzada, métrica regular]

estrutura interna

Cada um é muita gente. Para mim sou quem me penso, Para outros - cada um sente O que julga, e é um erro imenso. Cada pessoa o interpreta de uma forma única. Sente que não consegue dar o que lhe é pedido. Forma como ele tem que agradar os outros sendo uma pessoa diferente do que sente ser. Teme que os outros o encontrem, porque ele não se quer encontrar a si próprio. Reacção passiva-agressiva às exigências do amor.

Tenho pena e não respondo. Mas não tenho culpa enfim De que em mim não correspondo Ao outro que amaste em mim. Incapacidade de: - amar; - corresponder às expetativas que os outros têm; - expressar devidamente os seus sentimentos.

Ah, deixem-me sossegar Não me sonhem nem me outrem Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem? Forma como ele tem que agradar os outros sendo uma pessoa diferente do que sente ser Teme que os outros o encontrem, porque ele não se quer encontrar a ele próprio

estrutura interna

Quanto ao tema do poema em análise, ele enquadra-se no tópico do amor e sobretudo à incapacidade de amar. Trata-se, no entanto, não tanto num tema típico da obra Pessoana, mas mais um estado de alma que nos transporta ao quotidiano do poeta. O facto de ele dizer que não corresponde ao que ela amou nele - isso relaciona-se com o que disse. Pessoa não sente em si capacidade de corresponder e pensa que os sentimentos são expressos na solidariedade que ele conhece nos seus raciocínios solitários. Trata-se, em toda a simplicidade, da infantilidade de Pessoa perante Ophélia( mulher que fernando pessoa tentou um relacionamento] . Aliás, esta infantilidade, ou este medo de avançar para compromissos, está bem expresso nos poemas do mesmo. Se Pessoa na terceira estrofe parece falar em despersonalização (apresto), o que realmente ele está a falar é muito mais simples: ele refere-se à maneira como as pessoas têm de agradar umas às outras. Está a falar da maneira como ele tem de agradar ao seu "amor", sendo uma pessoa diferente do que sente ser. Tudo o que dizemos se confirma na última estrofe: “Se eu não me quero encontrar, Quererei que outros me encontrem?” A verdade é que Fernando Pessoa tinha demasiado receio de saber quem era. É certo que a despersonalização e a multiplicação de personalidade tem a ver com isto - é também, mas não só, uma defesa psicológica perante a vida. O outro é sempre uma ameaça na obra de Pessoa, sobretudo um outro próximo - porque os outros são espelhos de quem somos, e mostram-nos muitas vezes coisas que nós próprios não conseguimos (ou queremos) ver. Se Pessoa não se queria ver a si próprio, compreende-se então que temesses os outros. Por medo que o encontrassem, porque ele não se queria encontrar a si próprio."