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Mestre, são plácidas

Matilde Costa

Created on November 10, 2022

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Transcript

Ricardo Reis

Mestre, são plácidas

Margarida Pinteus nº4 Matilde Costa nº5 Filipa Gomes nº4

Disciplina: PortuguêsAno Letivo 2022/2023

Índice

1.

Introdução

2.

Semelhanças com Alberto Caeiro o Mestre Ingénuo e Características clássicas no poema

3.

Epicurismo

4.

Estoicismo

5.

Análise da 1ª estrofe

6.

Análise da 2ª estrofe

7.

Análise da 3ª estrofe

8.

Análise da 4ª estrofe

9.

Análise da 5ª estrofe

10.

Análise da 6ª estrofe

11.

Análise da 7ª estrofe

12.

Análise da 8ª estrofe

13.

Expressividade de palavras com valor negativo e uso de palavras que remetem à ideia de calma

14.

Análise formal e estrutura interna

15.

Bibliografia

Introdução

Ricardo Reis é um dos heterónimos de Fernando Pessoa, que nasceu dia 19 de setembro de 1887, no Porto e cujo a morte nunca foi enunciada, porque o seu criador morreu antes de o fazer. Frequentou um colégio de jesuítas e formou-se em medicina. Em 1919, foi obrigado a fugir para o Brasil, devido ao regime republicano recém-instalado em Portugal. Este é o heterónimo que deu a Fernando Pessoa um maior poder de despersonalização e um maior distanciamento de si próprio.

Características clássicas no poema

Semelhanças com Alberto Caeiro o Mestre Ingénuo

  • Poema com estrutura de ode;
  • Presença de bucolismo e ataraxia;
  • Referências pagãs;
  • Uso de verbos conjugados nos modos indicativo e conjuntivo;
  • Aceitação da condição de ser humano e as suas limitações
  • Relação de Ricardo Reis com a natureza (rios, girassóis, sol e flores) através da contemplação das suas virtudes.
  • As crianças como sendo o exemplo a seguir para que se possa viver descontraídamente.
  • Filosofia de vida que diz que devemos simplesmente viver com o que temos sem aspirar a mais.

Conceito de epicurismo

EPICURISMO

  • É uma filosofia ensinada pelo filósofo Epicuro;
  • Defende que o homem só consegue alcançar um equilíbrio interior e uma felicidade absoluta se enfrentar e vencer os seus medos por completo;
  • Todo o prazer que a vida nos oferece, tem de ser analisado com calma, para não causar sofrimento, no corpo, na alma e no espírito;
  • O ideal é manter o corpo saudável e livre de desejos, para ser possível manter um espírito tranquilo;
  • Há necessidade de eliminar duas perturbações, o temor dos deuses e o medo da morte. A morte não deve ser temida, porque depois da morte deixa de haver dor, prazer e sofrimento.
Legenda de Epicuro

Conceito de estoicismo

ESTOICISMO

  • Defende que o Homem deve buscar a felicidade, não tendo como foco o prazer e desejos fisicos, mas sim, a sua autossuficiência e a sua inteligência;
  • O Homem deve desenvolver a sua lógica e racionalidade, para não sucumbir a pensamentos destrutivos, pois tem que os negar e vencer;
  • Só uma pessoa pensadora consegue perceber as regras do mundo, para assegurar o bem estar pessoal e interpessoal;
  • Deve evitar pensamento como a raiva, inveja e ciúme, mesmo que para isso tenha de ser rebaixado e humilhado;
  • A virtude e o bem são os únicos caminhos que levam o ser humano à felicidade plena.
Legenda da figura: Zenão

Análise da 1ª estrofe

Apóstrofe que dá início a uma dedicatória de Ricardo Reis ao seu mestre, Alberto Caeiro. Na qual pretende partilhar a sua descoberta de como se deve viver a vida.

Representa a fugacidade do tempo: a ideia de que estamos a avançar para a morte já que o tempo não para.

Mestre, são plácidas1 Todas as horas Que nós perdemos. Se no perdê-las, Qual numa jarra, Nós pomos flores.

Comparação entre as flores e a morte. As flores remetem para beleza e a pureza da natureza, contudo é uma visão efémera da vida, uma vez que esta não nos dá garantia de eternidade, tal como as flores que acabarão por murchar. A jarra, por sua vez é um recipiente que é preencido ou não com conteúdo, neste caso com as horas e a forma como essas são passadas, e ainda com o objetivo de preservar memórias.

(1) plácidas: serenas

Análise da 2ª estrofe

Não há tristezas Nem alegrias Na nossa vida. Assim1 saibamos, Sábios incautos2, Não a viver,

Ausência de emoções. O sujeito poético defende que não devemos mostrar entrega ou compromisso, ou seja, devemos estar indeferentes a emoções complexas e intensas.

Antítese: contraste entre duas ideias opostas, neste caso entre a sabedoria e a ingenuidade.

O sujeito poético não se compromete com nada, não se intomete, nem participa de modo ativo nas questões da vida quotidiana. Para além disso sugere que nos limitemos a existir e a assistir como que em segundo plano, ao passo de intervir e viver a vida, para que não tenhamos alegrias ou tristezas.

(1)assim: conector conclusivo (2)incauto: imprudente, ingénuo

Análise da 3ª estrofe

O sujeito poético demostra indiferença ao limitar-se a deixar o tempo passar, e que a vida siga o seu rumo, sem que saia das margens/ limites.

Mas decorrê-la, Tranquilos, plácidos, Tendo as crianças Por nossas mestras, E os olhos cheios De Natureza...

As crianças simbolizam a ingeniudade e a felicidade simples e por isso Reis diz que devemos tomá-as como exemplo, se queremos viver uma vida plácida e tranquila, pois elas vivem sem preocupações e sem a noção da passagem do tempo que nos guia indubitávelmente para a morte.

Presença do bucolismo, que remete a Alberto Caeiro, que acredita que a vida deve ser vivida com respeito para com a Natureza.

Análise da 4ª estrofe

Bucolismo da Natureza: exaltação da simplicidade e riqueza do contacto com a Natureza

A ideia aqui presente é a que devemos viver no limite da própria vida (ideal estoicista), ou seja, não estabelecemos metes e objetivos prévios a alcançar.

A beira-rio, A beira-estrada, Conforme calha, Sempre no mesmo Leve descanso De estar vivendo.

Significa simplesmente viver a vida, enquanto podemos, sem agitações.

Verbo conjugado no gerúndio, o que dá a ideia de uma ação em curso, ou seja que o desejo de ter uma vida tranquila se prolongue/ mantenha.

Análise da 5ª estrofe

O tempo dá a sensação de uma entidade maior, na medida que tem muita importância

Verbo conjugado no presente do indicativo, que indica certeza e verdade.

O tempo passa, Não nos diz nada. Envelhecemos. Saibamos, quase Maliciosos, Sentir-nos ir.

Marca de passagem de tempo

Nesta sextilha o tempo funciona como uma metáfora para o amadurecimento e esperiência, que traz consigo a sensação de destruição e envelhecimento. O sujeito poético conclui que para contornar este temor e sobressalto há que se desvalorizar e conformar com a fugacidade da vida e a indutibilidade da morte, ou seja, Reis aceita a condição de ser humano, concluindo que devemos seguir tranquilamente com a vida, conscientes do que nos rodeia, já que é excusado contariar o inevitável.

Análise da 6ª estrofe

O sujeito poético rearfima a inutilidade de fazer qualquer tipo de esforço, porque é impossível escapar à ação cruel e inevitável do tempo.

Não vale a pena Fazer um gesto. Não se resiste Ao deus atroz1 Que os próprios filhos Devora sempre.

Reis estabelece uma relação entre Saturno, o deus atroz e o tempo, já que ambos cometem ações cruéis. Saturno porque devorou cinco dos seis filhos à nascença e o tempo porque de um certo modo também nos devora e consome, roubando-nos vitalidade e vivacidade.

Perifrase: Reis diz por muitas palavras que o tanto Saturno como o tempo matam. Disfemismo: modo de comunicar uma realidade de forma rude e impiedosa.

(1) atroz: cruel, desumano. Referência pagã

Análise da 7ª estrofe

Verbo no modo conjuntivo com a intenção de persuadir o recetor a aderir uma filosofia de vida

Ataraxia: Reis busca pela paz de espirito realizando ações que remetem á serenidade da Natureza

Colhamos flores. Molhemos leves As nossas mãos Nos rios calmos, Para aprendermos Calma também.

Simboliza a passagem do tempo, ainda que de forma serena, ou seja, há que aceitar as coisas como elas são e desfrutar do momento presente (Carpe Diem).

Análise da 8ª estrofe

Ligação com a natureza: O sujeito poético diz que devemos seguir o curso da natureza tal como os girassóis seguem o curso do sol.

Girassóis sempre Fitando o Sol, Da vida iremos Tranquilos, tendo Nem o remorso De ter vivido.

Eufemismo que suaviza a ideia de morte.

Estes versos significam chegar à morte de mãos vazias, ou seja, não ter nada a esconder desde que vivamos tranquilamente.

Aspetos a salientar neste poema

Expressividade de palavras com valor negativo: Ao longo do poema vemos a utilização de palavras como o "não" e o "nem", com o objetivo de enfatizar a recusa e o desinteresse do sujeito poético perante a vida. Uso de palavras que remetem à ideia de calma: Adjetivos como "plácidas", "calmos", "tranquilos" e nomes como "Calma" e "descanso", procuram centrar a mensagem do poema ao máximo, a forma como o tempo deve ser vivido, ou seja de forma serena.

Análise formal e estrutura interna

Formalmente este poema tem a infuência de Horácio, e por isso diz-se uma ode, constituída por seis sextilhas de versos tetrassílabicos com irregularidade rimática e ausência de rimas. A 1ª parte corresponde à 1ª estrofe - o sujeito poético verifica a fugacidade do tempo e dá conselhos de como devêmos vivê-lo. A 2ª parte engloba a 2ª, 3ª e a 4ª e aqui somos confrontados com a condição de ser humanos e somos aconselhados a aceitar a realidade. A 3ª parte está presente na 5ª e 6ª estrofes e aqui o sujeito poético diz- nos a razão do seu conselho: a morte é certa e por isso tudo é inútil. E por último a 4ª parte corresponde á 7ª e 8ª estrofes e é onde o sujeito poético apresenta a solução para os seus temores, que consiste em adotar uma atitude apática e imparcial em relação à tristeza, alegria e sobretudo à morte.

Bibliografia

Pinto DIas Alexandre, Nunes Patrícia (2017) ENTRE NÓS E AS PALAVRAS, SANTILLANA

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