Fernando Pessoa
"Pobre velha música!"
PortuguêsSalesianos de Manique - Escola Matteo Ozzello, n.º 13 Rafael Nascimento, n.º 16
Índice
1. Introdução
2. Leitura e análise do poema
3. Desenvolvimento temático
4. A infância para o sujeito poético
5. Estrutura formal
6. Recursos expressivos característicos
Introdução
Poema "Pobre velha música"
Não é um poema datado
Publicado na revista Athena
Pertence à poesia do ortónimo
Leitura e análise do poema
Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.
Pobre velha música!
Não sei porque agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins).
Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
Recordo outro ouvir-te. Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.
Leitura e análise do poema
Aspetos fundamentais:
- Fernando Pessoa contrapõe o período da infância ao presente; - Para o sujeito poético a infância é um “período dourado da sua existência”, o qual, porém, não regressará. - Nostalgia da Infância - Este período surge através de um estímulo sensorial (música), que o transporta à sua infância.
Análise do poema - divisão em partes lógicas
Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.
Pobre velha música!
Não sei porque agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.
3ª Parte
1ª Parte
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins).
Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
Recordo outro ouvir-te. Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.
2ª Parte
"Pobre velha música!" - Parte 1
Pobre velha música!
Não sei porque agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.
A nostalgia da infância é desencadeada pela audição de uma música.
O sujeito poético revela grande dúvida e incerteza acerca das razões da sua emoção.
Pessoa revela perda da vontade, inércia, que se traduzem na dor de pensar.
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins).
Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
"Pobre velha música!" - Parte 2
Recordo outro ouvir-te.Não sei se te ouviNessa minha infância Que me lembra em ti.
O sujeito poético viaja à sua infância ao escutar uma melodia que ouvira.
O passado é lembrado de forma vaga/difusa e duvidosa.
O sujeito poético sente saudade, angústia e nostalgia da infância, época que deseja recuperar - quando ouve a música, lembra-se do passado em que também a ouvia, sentindo saudades desse tempo.
Ver
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins).
Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
"Pobre velha música!" - Parte 3
Com que ânsia tão raivaQuero aquele outrora! E eu era feliz? Não sei: Fui-o outrora agora.
O sujeito poético sente-se triste e irritado pelo facto da infância ser um tempo perdido e irrecuperável.
Pessoa deseja retornar à infância, o tempo da inocência, da inconsciência e da ausência da dor de pensar.
O «eu» lírico sente uma permanente incapacidade de ser feliz -A felicidade na infância é construída no presente, através da memória, da recordação.
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins).
Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
A nostalgia da infância no sujeito poético
Infância
Fase da vida feliz, pela inconsciência, pela inocência de nada saber ou pensar, pela despreocupação, pela imaginação.
Infância: tempo impossível de recuperar - paraíso perdido
Antítese entre infância (passado) e presente - tempo negativo
Música: elo de ligação entre infância e vida adulta (passado e presente)
E, para ti, o que é a infância?
Estrutura formal
Número de estrofes: 3 (quadras)
Pobre velha música!
Não sei porque agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado.
a
b c b
Esquema rimático: ABCB
Versos brancos alternados com versos rimados cruzados
Métrica: Redondilha menor (cinco sílabas métricas)
"A música tem essa inefável qualidade de evocar, de forma subtil e paradoxalmente profunda, momentos inolvidáveis da nossa vida."
obrigado!
PortuguêsSalesianos de Manique - Escola Matteo Ozzello, n.º 13 Rafael Nascimento, n.º 16
Temáticas principais da poesia do ortónimo
Fragmentação do eu
Teoria do fingimento
Nostalgia da infância
Dor de pensar
Tédio existencial
Inadaptação social
Constante ansiedade
Recusa das explicações científicas da realidade
pobre velha música - português
raafonson
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Fernando Pessoa
"Pobre velha música!"
PortuguêsSalesianos de Manique - Escola Matteo Ozzello, n.º 13 Rafael Nascimento, n.º 16
Índice
1. Introdução
2. Leitura e análise do poema
3. Desenvolvimento temático
4. A infância para o sujeito poético
5. Estrutura formal
6. Recursos expressivos característicos
Introdução
Poema "Pobre velha música"
Não é um poema datado
Publicado na revista Athena
Pertence à poesia do ortónimo
Leitura e análise do poema
Com que ânsia tão raiva Quero aquele outrora! E eu era feliz? Não sei: Fui-o outrora agora.
Pobre velha música! Não sei porque agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado.
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins). Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
Recordo outro ouvir-te. Não sei se te ouvi Nessa minha infância Que me lembra em ti.
Leitura e análise do poema
Aspetos fundamentais:
- Fernando Pessoa contrapõe o período da infância ao presente; - Para o sujeito poético a infância é um “período dourado da sua existência”, o qual, porém, não regressará. - Nostalgia da Infância - Este período surge através de um estímulo sensorial (música), que o transporta à sua infância.
Análise do poema - divisão em partes lógicas
Com que ânsia tão raiva Quero aquele outrora! E eu era feliz? Não sei: Fui-o outrora agora.
Pobre velha música! Não sei porque agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado.
3ª Parte
1ª Parte
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins). Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
Recordo outro ouvir-te. Não sei se te ouvi Nessa minha infância Que me lembra em ti.
2ª Parte
"Pobre velha música!" - Parte 1
Pobre velha música! Não sei porque agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado.
A nostalgia da infância é desencadeada pela audição de uma música.
O sujeito poético revela grande dúvida e incerteza acerca das razões da sua emoção.
Pessoa revela perda da vontade, inércia, que se traduzem na dor de pensar.
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins). Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
"Pobre velha música!" - Parte 2
Recordo outro ouvir-te.Não sei se te ouviNessa minha infância Que me lembra em ti.
O sujeito poético viaja à sua infância ao escutar uma melodia que ouvira.
O passado é lembrado de forma vaga/difusa e duvidosa.
O sujeito poético sente saudade, angústia e nostalgia da infância, época que deseja recuperar - quando ouve a música, lembra-se do passado em que também a ouvia, sentindo saudades desse tempo.
Ver
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins). Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
"Pobre velha música!" - Parte 3
Com que ânsia tão raivaQuero aquele outrora! E eu era feliz? Não sei: Fui-o outrora agora.
O sujeito poético sente-se triste e irritado pelo facto da infância ser um tempo perdido e irrecuperável.
Pessoa deseja retornar à infância, o tempo da inocência, da inconsciência e da ausência da dor de pensar.
O «eu» lírico sente uma permanente incapacidade de ser feliz -A felicidade na infância é construída no presente, através da memória, da recordação.
PESSOA, Fernando (1998). Ficções do Interlúdio - 1914-1935 (ed. Fernando Cabral Martins). Lisboa: Assírio & Alvim, pp. 11, 96.
A nostalgia da infância no sujeito poético
Infância
Fase da vida feliz, pela inconsciência, pela inocência de nada saber ou pensar, pela despreocupação, pela imaginação.
Infância: tempo impossível de recuperar - paraíso perdido
Antítese entre infância (passado) e presente - tempo negativo
Música: elo de ligação entre infância e vida adulta (passado e presente)
E, para ti, o que é a infância?
Estrutura formal
Número de estrofes: 3 (quadras)
Pobre velha música! Não sei porque agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado.
a b c b
Esquema rimático: ABCB Versos brancos alternados com versos rimados cruzados
Métrica: Redondilha menor (cinco sílabas métricas)
"A música tem essa inefável qualidade de evocar, de forma subtil e paradoxalmente profunda, momentos inolvidáveis da nossa vida."
obrigado!
PortuguêsSalesianos de Manique - Escola Matteo Ozzello, n.º 13 Rafael Nascimento, n.º 16
Temáticas principais da poesia do ortónimo
Fragmentação do eu
Teoria do fingimento
Nostalgia da infância
Dor de pensar
Tédio existencial
Inadaptação social
Constante ansiedade
Recusa das explicações científicas da realidade