Padre António Vieira
Sermão de Santo António aos peixes
Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Português, lecionada pela professora Laurinda Fernandes.
Grupo 1, 10ºI
2022/2023
Índice
1. Contextualização
2. Análise da Obra
3. Padre António Vieira
4. Relação Padre António Vieira/Refugiados
5. Reflexão
6. Referências
Contextualização
Histórico-política e cultural
Período Barroco
1580 - 1756
O Barroco em Portugal inicia-se durante o período da colonização do Brasil e de diversos conflitos com os holandeses. Estes tentavam conquistar parte do território que estava sob o domínio português.
Além disso, o surgimento da União Ibérica, os diversos conflitos com a Espanha e a Guerra da Restauração, enfraqueciam ainda mais o país. Estes fatores foram essenciais para o surgimento de uma grande crise económica, política e social no país.
Assim, Portugal estava sob o domínio espanhol e lutava pela sua independência, que somente conquista em 1640.
Em geral, a Europa enfrentava momentos de crise entre o humanismo renascentista e o medievalismo religioso.
Podemos dizer que o Barroco foi um momento de transição, onde diversas descobertas científicas incitaram muitas dúvidas, sobretudo no campo religioso.
Com a Reforma Protestante de Martinho Lutero, a Igreja Católica começa a enfraquecer-se em certas regiões da Europa e a perder muitos fiéis.
Diante disto, surge um período de perseguição religiosa, ao mesmo tempo que o humanismo renascentista inaugura uma nova era: a Idade Moderna.
Destaca-se que o Renascimento, que teve início na Itália, influenciou e abrangeu aspetos importantes da cultura e das artes.
LITERATURA BARROCA PORTUGUESA
A Literatura Barroca Portuguesa teve o seu início no final do século XVI. Este período estendeu-se até meados do século XVIII, quando surgiu um novo estilo literário: O Arcadismo.
Também conhecido como Seiscentismo, o Barroco na Literatura Portuguesa teve como nome de maior destaque o padre António Vieira, autor de “Sermões”, escritas em estilo conceptista.
Análise da Obra
Capítulos I, II e VI
CAPÍTULO I
Exórdio: Parte do discurso que se reveste de grande importância na medida em que é o primeiro passo para a “captatio benevolentiae”, a atenção e benevolência dos ouvintes.
Partindo do conceito predicável “vos estis sal terrae", retirado da Sagrada Escritura, o orador dá início ao sermão. O tema é apresentado, desenvolvido e é dada uma possível solução. Assim, teremos:
“ V ó s s o i s o s a l d a t e r r a ” .
CAPÍTULO I
“ V ó s s o i s o s a l d a t e r r a ” .
Mensagens Evangélicas
Pregadores
Ouvintes
Propriedades:
Sal
▪ Conservar
▪ Evitar a corrupção
Pregadores▪ Louvar o bem ▪ Impedir o mal
CAPÍTULO I
A Terra está corrompida
Porque o sal não salga
Porque a terra não se deixa salgar
Pregadores
Ouvintes
Motivos▪ Os ouvintes não querem receber a verdadeira doutrina. ▪ Os ouvintes querem imitar o que os pregadores fazem e não o que eles dizem. ▪ Os ouvintes querem servir os seus apetites em vez de servir a Cristo.
Motivos▪ Os pregadores não pregam a verdadeira doutrina. ▪ Os pregadores dizem uma coisa e fazem outra. ▪ Os pregadores pregam-se a si mesmos e não a Cristo.
CAPÍTULO I
Através dos processos retóricos o Padre pretende:
Levar os ouvintes a refletirem e tomarem consciência dos seus atos incorretos de modo a persuadir os homens a corrigir as suas atitudes e comportamentos em relação aos seus semelhantes.
Exemplos:
- Interrogação Retórica - "(...) ou qual pode ser a causa desta corrupção?"
- Apóstrofe - "Vós," (acusação, para criar consciencialização)
- Paralelismo Anafórico - "deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar" (provocação).
CAPÍTULO II
O sermão é uma alegoria porque os peixes são metáfora dos homens, as suas virtudes são, por contraste, a metáfora dos defeitos dos homens e os seus vícios são diretamente metáfora dos vícios dos homens. O pregador fala para os peixes, mas quem o escuta são os homens (os peixes ouvem e não falam, os homens falam muito e ouvem pouco).
Os peixes
Qualidades
Ouvem e não falam
Defeitos
Não se convertem
CAPÍTULO II
Partindo de duas propriedades do sal, divide o sermão em duas partes, estabelecendo um paralelismo entre o sal e o sermão:
- o pregador louva o bem, as virtudes dos peixes
- o pregador repreende o mal, os vícios dos peixes
- o sal conserva o são
- o sal preserva da corrupção
O pregador vai partir do geral para o particular. Assim, começará por falar das virtudes dos peixes, em geral, e a seguir irá particularizar alguns casos. O mesmo acontecerá com as repreensões.
CAPÍTULO II
Louvores naturais aos peixes
Virtudes naturais dos peixes
• obediência, quietação, atenção, respeito e devoção com que ouviram a pregação de Santo António.• não se domam (Segundo Aristóteles). • não se domesticam (Segundo Aristóteles). • escaparam todos do dilúvio porque não tinham pecado.
• foram as primeiras criaturas criadas por Deus.• foram as primeiras criaturas nomeadas pelo Homem. • são os mais numerosos e os maiores.
CAPÍTULO II
Evidencia-se que os animais que convivem com os homens foram castigados, estão domados e domesticados, sem liberdade.
Animais que se domesticam
Do araves que se criam e vivem com os homens - rouxinol, papagaio, açor, aves de rapina.
Terrestrescão, cavalo, boi, bugio, leões, tigres.
CAPÍTULO II
Contrariamente, os peixes: “lá se vivem nos seus mares e rios”, “ lá se mergulham nos seus pegos”, “lá se escondem nas suas grutas”. A diferença entre os peixes e os outros animais é aqui marcada pelo advérbio de lugar “lá”, longe dos homens, e pelos determinantespossessivos, pois não só vivem longe como num espaço que lhes pertence. Toda a liberdade de que usufruem os peixes é contraposta à prisão em que vivem os restantes animais pela adversativa “mas”: “Cante-lhe (…) o rouxinol” mas “na sua gaiola”.
Os peixes não foram castigados por Deus no dilúvio, isso deveria servir de exemplo
para os homens que pouco ouvem, falam muito, e não respeitam a palavra de Deus. De tudo o
que ficou dito conclui-se que os homens não são amigos de ninguém e, por isso, um grande
filósofo respondeu que a melhor terra do mundo era a mais deserta “porque tinha os homens
mais longe”.
CAPÍTULO II
Alguns Recursos Expressivos:
- A antítese Céu/lnferno, que repete semanticamente a antítese bem/mal, está ligada quer à divisão do Sermão em duas partes, quer às duas finalidades globais do mesmo.
- A apóstrofe (“Vede, peixes”; “Vindo pois, irmãos”) refere diretamente o destinatário da mensagem e do pregador, aproximando os dois polos da comunicação: emissor e recetor.
- A personificação dos peixes associada à apóstrofe e às atitudes dos mesmos (“Haveis de saber, irmãos peixes…”; “ atenção com que ouvistes a palavra de Deus” ).
- A gradação crescente na enumeração dos animais que vivem próximos dos homens mas presos.
- A comparação, "como peixes na água", tem o caráter de um provérbio que significa viver livremente.
CAPÍTULO VI
Peroração (ou epílogo): conclusão com a utilização de um desfecho forte, capaz de impressionar e convencer o auditório e levá-lo a pôr em prática os ensinamentos do pregador.
CAPÍTULO VI
O orador quer que os homens imitem os peixes, isto é, guardem respeito e obediência a Deus. Numa palavra, pretende que os homens se convertam (metanóia).
Vieira nunca se apresenta como o modelo acabado de um pregador. Ele tenta sê-lo, mas sente que ainda tem muito para aprender para alcançar esse mérito. Os peixes estão acima do pregador e este sente um pouco de inveja pois apresenta um retrato dele próprio como pecador.
CAPÍTULO VI
Orador
Peixes
- tem inveja dos peixes,- ofende a Deus com palavras, - tem memória, - ofende a Deus com o pensamento, - ofende a Deus com a vontade, - não atinge o fim para que Deus o criou, - ofende a Deus.
• têm mais vantagens do que o pregador:
- a sua bruteza é melhor do que a razão do orador, - não ofendem a Deus com a memória, - o seu instinto é melhor que o livre-arbítrio do orador; não falam; não ofendem a Deus com o pensamento; não ofendem a Deus com a vontade; atingem sempre o fim para que Deus os criou, • não ofendem a Deus.
CAPÍTULO VI
Depois de ter inventariado os louvores e os defeitos dos peixes/homens, não
poderia deixar de apelar aos ouvintes para que louvem a Deus. A escolha do hino
Benedicite (“Louvai, Peixes, a Deus…”) cumpre fielmente esse objetivo, encerrando o
Sermão com um tom festivo, adequado à comemoração de Santo António, cuja festa se celebrava. A palavra Ámen significa "Assim seja", "que todos louvem a Deus".
“Como não sois capazes de Glória, nem Graça, não acaba o vosso Sermão em Graça, e Glória.”
O quiasmo realizado na colocação em ordem inversa das palavras glória e graça sugere a transposição dos peixes para os homens, já que os peixes não são capazes de nenhuma dessas virtudes, sejam-no os homens. Sugere também uma mudança: a conversão (metanóia), porque só em graça os homens podem dar glória a Deus.
Padre António Vieira
Biografia
CARREGA NO MEU PERFIL
Padre António Vieira e Refugiados
Relação
Refugiados
São pessoas que se vêm forçadas a abandonar as suas casas devido a conflitos armados, violência generalizada, perseguições religiosas ou por motivos de nacionalidade, raça, grupo social ou opinião pública. Procuram refúgio em outros países para reconstruir as suas vidas com dignidade, justiça e paz. ( Convenção de Genebra - estatuto dos refugiados, ONU 1951, Art. 1 )
Relação com o Padre António Vieira
Padre António Vieira, com 6 anos, mudou-se com a família para o Brasil onde estudou num Colégio Jesuíta e, aos 15 anos, saiu de casa para incorporar a vida de Jesus. Desde muito cedo ficou conhecido como pregador. Vieira voltou para Lisboa, em 1641, onde conseguiu a admiração do rei que o nomeou de “Pregador da Corte” e o encorajou a fazer missões diplomáticas no exterior. Depois de alguns fracassos diplomáticos, Vieira regressou ao Brasil com o objetivo de liderar missões jesuítas, fugindo da Inquisição. Depois de retornar a Portugal, o Padre António, ao ficar sem a proteção de D. João IV, que faleceu em 1656, e por não pensar da maneira que a Inquisição queria que ele pensasse, foi acusado de heresia e exilado para a cidade do Porto onde depois foi preso pela Inquisição. Após isso seguiu para Roma, de maneira a não sofrer ainda mais perseguições.
Relação com o Padre António Vieira
Podemos então relacionar os refugiados com o Padre António Vieira, visto que desde novo ele se relacionava com povos de outras religiões e culturas e daí não ir de acordo com os pensamentos e ideias impostas pela Inquisição. Pelo facto do Padre não querer ser calado por esta, foi exilado, ou seja, forçado a abandonar a sua terra, Lisboa, devido às perseguições religiosas, tal como acontece em alguns casos de refugiados na atualidade.
PARA REFLETIR
A importância dos Direitos Humanos, a importância da IGUALDADE !
Referências
- https://padlet.com/fernandeslaurinda2009/11I
- https://wakelet.com/wake/UEoqjpYyie5CCYMiYgKib
- https://wakelet.com/i/invite?code=8eqd9pb3
- https://unescoportugal.mne.gov.pt/pt/temas/construir-sociedades-doconhecimento
- https://unescoportugal.mne.gov.pt/pt/temas/aprender-a-viver-juntos/dialogointercultural
- https://www.retornovoluntario.pt/sobre.php
- https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Projetos/Agenda_Europeia_Migracoe
- s/Documentos/manual_professor_completo.pdf
- http://www.famalicaoeducativo.pt/_de_famalicao_para_o_mundo_contributos_d
- a_historia_local
- file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/papel-org-intern-migracoes-assistenciafluxos.pdf
- https://wakelet.com/wake/qNKMY3zcjyfR6S38D8Hek
- Pinto, D. A. ; Andrade, A. ; Cardoso, C. & Cameira, C. (2022). Novo Mensagens 11, Texto Editores. ISBN: 9789724756950 Páginas consultadas: [ 20, 67 ]
EQUIPA
Joel Dias
Patrícia Borges
Luís Moreira
Ana Carvalho
Nº25
Nº17
Nº14
Nº3
OBRIGADA!
Trabalho Grupo 1 - Sermão de Santo António aos Peixes
Patrícia Borges
Created on October 31, 2022
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Padre António Vieira
Sermão de Santo António aos peixes
Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Português, lecionada pela professora Laurinda Fernandes.
Grupo 1, 10ºI
2022/2023
Índice
1. Contextualização
2. Análise da Obra
3. Padre António Vieira
4. Relação Padre António Vieira/Refugiados
5. Reflexão
6. Referências
Contextualização
Histórico-política e cultural
Período Barroco
1580 - 1756
O Barroco em Portugal inicia-se durante o período da colonização do Brasil e de diversos conflitos com os holandeses. Estes tentavam conquistar parte do território que estava sob o domínio português. Além disso, o surgimento da União Ibérica, os diversos conflitos com a Espanha e a Guerra da Restauração, enfraqueciam ainda mais o país. Estes fatores foram essenciais para o surgimento de uma grande crise económica, política e social no país. Assim, Portugal estava sob o domínio espanhol e lutava pela sua independência, que somente conquista em 1640.
Em geral, a Europa enfrentava momentos de crise entre o humanismo renascentista e o medievalismo religioso. Podemos dizer que o Barroco foi um momento de transição, onde diversas descobertas científicas incitaram muitas dúvidas, sobretudo no campo religioso. Com a Reforma Protestante de Martinho Lutero, a Igreja Católica começa a enfraquecer-se em certas regiões da Europa e a perder muitos fiéis. Diante disto, surge um período de perseguição religiosa, ao mesmo tempo que o humanismo renascentista inaugura uma nova era: a Idade Moderna. Destaca-se que o Renascimento, que teve início na Itália, influenciou e abrangeu aspetos importantes da cultura e das artes.
LITERATURA BARROCA PORTUGUESA
A Literatura Barroca Portuguesa teve o seu início no final do século XVI. Este período estendeu-se até meados do século XVIII, quando surgiu um novo estilo literário: O Arcadismo. Também conhecido como Seiscentismo, o Barroco na Literatura Portuguesa teve como nome de maior destaque o padre António Vieira, autor de “Sermões”, escritas em estilo conceptista.
Análise da Obra
Capítulos I, II e VI
CAPÍTULO I
Exórdio: Parte do discurso que se reveste de grande importância na medida em que é o primeiro passo para a “captatio benevolentiae”, a atenção e benevolência dos ouvintes.
Partindo do conceito predicável “vos estis sal terrae", retirado da Sagrada Escritura, o orador dá início ao sermão. O tema é apresentado, desenvolvido e é dada uma possível solução. Assim, teremos:
“ V ó s s o i s o s a l d a t e r r a ” .
CAPÍTULO I
“ V ó s s o i s o s a l d a t e r r a ” .
Mensagens Evangélicas
Pregadores
Ouvintes
Propriedades:
Sal ▪ Conservar ▪ Evitar a corrupção
Pregadores▪ Louvar o bem ▪ Impedir o mal
CAPÍTULO I
A Terra está corrompida
Porque o sal não salga
Porque a terra não se deixa salgar
Pregadores
Ouvintes
Motivos▪ Os ouvintes não querem receber a verdadeira doutrina. ▪ Os ouvintes querem imitar o que os pregadores fazem e não o que eles dizem. ▪ Os ouvintes querem servir os seus apetites em vez de servir a Cristo.
Motivos▪ Os pregadores não pregam a verdadeira doutrina. ▪ Os pregadores dizem uma coisa e fazem outra. ▪ Os pregadores pregam-se a si mesmos e não a Cristo.
CAPÍTULO I
Através dos processos retóricos o Padre pretende:
Levar os ouvintes a refletirem e tomarem consciência dos seus atos incorretos de modo a persuadir os homens a corrigir as suas atitudes e comportamentos em relação aos seus semelhantes.
Exemplos:
CAPÍTULO II
O sermão é uma alegoria porque os peixes são metáfora dos homens, as suas virtudes são, por contraste, a metáfora dos defeitos dos homens e os seus vícios são diretamente metáfora dos vícios dos homens. O pregador fala para os peixes, mas quem o escuta são os homens (os peixes ouvem e não falam, os homens falam muito e ouvem pouco).
Os peixes
Qualidades Ouvem e não falam
Defeitos Não se convertem
CAPÍTULO II
Partindo de duas propriedades do sal, divide o sermão em duas partes, estabelecendo um paralelismo entre o sal e o sermão:
O pregador vai partir do geral para o particular. Assim, começará por falar das virtudes dos peixes, em geral, e a seguir irá particularizar alguns casos. O mesmo acontecerá com as repreensões.
CAPÍTULO II
Louvores naturais aos peixes
Virtudes naturais dos peixes
• obediência, quietação, atenção, respeito e devoção com que ouviram a pregação de Santo António.• não se domam (Segundo Aristóteles). • não se domesticam (Segundo Aristóteles). • escaparam todos do dilúvio porque não tinham pecado.
• foram as primeiras criaturas criadas por Deus.• foram as primeiras criaturas nomeadas pelo Homem. • são os mais numerosos e os maiores.
CAPÍTULO II
Evidencia-se que os animais que convivem com os homens foram castigados, estão domados e domesticados, sem liberdade.
Animais que se domesticam
Do araves que se criam e vivem com os homens - rouxinol, papagaio, açor, aves de rapina.
Terrestrescão, cavalo, boi, bugio, leões, tigres.
CAPÍTULO II
Contrariamente, os peixes: “lá se vivem nos seus mares e rios”, “ lá se mergulham nos seus pegos”, “lá se escondem nas suas grutas”. A diferença entre os peixes e os outros animais é aqui marcada pelo advérbio de lugar “lá”, longe dos homens, e pelos determinantespossessivos, pois não só vivem longe como num espaço que lhes pertence. Toda a liberdade de que usufruem os peixes é contraposta à prisão em que vivem os restantes animais pela adversativa “mas”: “Cante-lhe (…) o rouxinol” mas “na sua gaiola”.
Os peixes não foram castigados por Deus no dilúvio, isso deveria servir de exemplo para os homens que pouco ouvem, falam muito, e não respeitam a palavra de Deus. De tudo o que ficou dito conclui-se que os homens não são amigos de ninguém e, por isso, um grande filósofo respondeu que a melhor terra do mundo era a mais deserta “porque tinha os homens mais longe”.
CAPÍTULO II
Alguns Recursos Expressivos:
CAPÍTULO VI
Peroração (ou epílogo): conclusão com a utilização de um desfecho forte, capaz de impressionar e convencer o auditório e levá-lo a pôr em prática os ensinamentos do pregador.
CAPÍTULO VI
O orador quer que os homens imitem os peixes, isto é, guardem respeito e obediência a Deus. Numa palavra, pretende que os homens se convertam (metanóia).
Vieira nunca se apresenta como o modelo acabado de um pregador. Ele tenta sê-lo, mas sente que ainda tem muito para aprender para alcançar esse mérito. Os peixes estão acima do pregador e este sente um pouco de inveja pois apresenta um retrato dele próprio como pecador.
CAPÍTULO VI
Orador
Peixes
- tem inveja dos peixes,- ofende a Deus com palavras, - tem memória, - ofende a Deus com o pensamento, - ofende a Deus com a vontade, - não atinge o fim para que Deus o criou, - ofende a Deus.
• têm mais vantagens do que o pregador: - a sua bruteza é melhor do que a razão do orador, - não ofendem a Deus com a memória, - o seu instinto é melhor que o livre-arbítrio do orador; não falam; não ofendem a Deus com o pensamento; não ofendem a Deus com a vontade; atingem sempre o fim para que Deus os criou, • não ofendem a Deus.
CAPÍTULO VI
Depois de ter inventariado os louvores e os defeitos dos peixes/homens, não poderia deixar de apelar aos ouvintes para que louvem a Deus. A escolha do hino Benedicite (“Louvai, Peixes, a Deus…”) cumpre fielmente esse objetivo, encerrando o Sermão com um tom festivo, adequado à comemoração de Santo António, cuja festa se celebrava. A palavra Ámen significa "Assim seja", "que todos louvem a Deus".
“Como não sois capazes de Glória, nem Graça, não acaba o vosso Sermão em Graça, e Glória.”
O quiasmo realizado na colocação em ordem inversa das palavras glória e graça sugere a transposição dos peixes para os homens, já que os peixes não são capazes de nenhuma dessas virtudes, sejam-no os homens. Sugere também uma mudança: a conversão (metanóia), porque só em graça os homens podem dar glória a Deus.
Padre António Vieira
Biografia
CARREGA NO MEU PERFIL
Padre António Vieira e Refugiados
Relação
Refugiados
São pessoas que se vêm forçadas a abandonar as suas casas devido a conflitos armados, violência generalizada, perseguições religiosas ou por motivos de nacionalidade, raça, grupo social ou opinião pública. Procuram refúgio em outros países para reconstruir as suas vidas com dignidade, justiça e paz. ( Convenção de Genebra - estatuto dos refugiados, ONU 1951, Art. 1 )
Relação com o Padre António Vieira
Padre António Vieira, com 6 anos, mudou-se com a família para o Brasil onde estudou num Colégio Jesuíta e, aos 15 anos, saiu de casa para incorporar a vida de Jesus. Desde muito cedo ficou conhecido como pregador. Vieira voltou para Lisboa, em 1641, onde conseguiu a admiração do rei que o nomeou de “Pregador da Corte” e o encorajou a fazer missões diplomáticas no exterior. Depois de alguns fracassos diplomáticos, Vieira regressou ao Brasil com o objetivo de liderar missões jesuítas, fugindo da Inquisição. Depois de retornar a Portugal, o Padre António, ao ficar sem a proteção de D. João IV, que faleceu em 1656, e por não pensar da maneira que a Inquisição queria que ele pensasse, foi acusado de heresia e exilado para a cidade do Porto onde depois foi preso pela Inquisição. Após isso seguiu para Roma, de maneira a não sofrer ainda mais perseguições.
Relação com o Padre António Vieira
Podemos então relacionar os refugiados com o Padre António Vieira, visto que desde novo ele se relacionava com povos de outras religiões e culturas e daí não ir de acordo com os pensamentos e ideias impostas pela Inquisição. Pelo facto do Padre não querer ser calado por esta, foi exilado, ou seja, forçado a abandonar a sua terra, Lisboa, devido às perseguições religiosas, tal como acontece em alguns casos de refugiados na atualidade.
PARA REFLETIR
A importância dos Direitos Humanos, a importância da IGUALDADE !
Referências
EQUIPA
Joel Dias
Patrícia Borges
Luís Moreira
Ana Carvalho
Nº25
Nº17
Nº14
Nº3
OBRIGADA!