Sermão de Santo António aos peixes
Indíce
1. Contextualização histórico literária
8. Quatro-olhos
2. Padre António Vieira
9. Recursos expressivos
3. Capítulo III
10. Refugiado
4. Peixes
11. ACNUR
5. Peixe de Tobias
12. Padre António Vieira e os refugiados
6. Rémora
13. Webgrafia
7. Torpedo
14. Fim
Contextualização histórico literária
O Barroco
Este tempo foi marcado por um sentimento de decadência motivado pela perda da grandeza política e económica alcançada em anos anteriores.
O desastre de Alcácer Quibir e a consequente perda da independência nacional ajudam a explicar o clima de desânimo que invade a cultura
portuguesa da época.
Com o movimento da Restauração, a antiga esperança carismática é projetada na figura de D. João IV.
Acabam por surgir textos que concretizam de forma exemplar o modelo do louvor barroco - hiperbólico, engenhoso, excessivo, lúdico e a sobrevalorização do ornato estilístico.
As escolas dirigidas pela Companhia de Jesus fazem parte das instituições culturais que mais profundamente determinaram a identidade do ambiente cultural desta época.
O sistema de ensino aplicado nestas escolas treinava os educandos em técnicas de argumentação e de domínio da palavra - a retórica. Forma
Literatura de dimensão pragmática, com o objetivo de denunciar e corrigir, e como instrumento de divulgação de ideais religiosos.
A Oratória
O Sermão
- Objetivos: docere, delectare e movere (ensinar, deleitar e convencer);
- Arte de falar em público;
- Com a intenção de instruir, mas também encantar e sensibilizar, persuadindo o público/auditório a adotar determinados comportamentos.
O Sermão era uma forma literária que tinha uma força enorme. Os oradores concentravam em si todas as atenções. A eles cabia a tarefa de educar e seduzir as almas. Um destes "príncipes da palavra” era o Padre António Vieira.
Vieira é muito popular e os seus Sermões são referência para o público e para outros oradores;
Defende os cristãos-novos perseguidos pela Inquisição;
Padre António Vieira, o homem e a sua palavra
A defesa dos cristãos-novos é feita numa atitude humanitária, patriótica e solidária pela Companhia de Jesus. Contudo, associada também estava uma finalidade económica, na medida em que os recursos dos cristãos-novos apoiavam Portugal nesta fase de crise a nível económico, político e social.
Utiliza a palavra falada ou escrita como instrumento de ação;
A sua obra emerge de realidades fortemente vividas;
Padre António Vieira, o observador crítico
- Através de Vieira é possível desenhar os factos políticos, diplomáticos e governativos;
- Vieira lança o seu olhar crítico e emite pareceres, propõe medidas, dá conselhos e relata a sua própria ação no plano político;
- Padre António Vieira denuncia as atrocidades cometidas contra os índios, incluindo aqueles que tinham sido mortos no processo de colonização;
- Para além de defender os indígenas, pretendia a abolição das leis que os tornavam cativos.
Padre António Vieira- Biografia
Publicação do 1° volume de Sermões, em 1679;
Fez os seus estudos na Baía;
Continuação da biografia
Regressou a Portugal, em 1641;
Pertence à Companhia de Jesus;
É julgado, encarcerado e castigado, pelo Tribunal da Inquisição, entre 1665 e 1669;
Morte, no Brasil, em
1697.
Sermão de Padre António Vieira
- Discurso religioso, com caráter persuadível, que representa uma alegoria moral e política;
- Vieira utiliza o esquema alegórico como meio de satirizar e caricaturar o poder dos brancos maranhenses: constrói como auditório fictício os peixes, para dirigir, indiretamente, uma forte crítica social aos colonos, condenando o seu comportamento, com o objetivo de o alterar. Vieira pretendia seduzir e persuadir o auditório, servindo-se de um discurso alegórico, mas claro e objetivo, de modo a que fosse entendido e motivasse a emenda dos homens. A sua preocupação é os comportamentos errados dos homens e por isso atribui qualidades aos peixes que não encontra no ser humano.
Capítulo III
Peixes presentes no capítulo III
Peixe de Tobias
- Tobias caminhava acompanhado pelo Anjo São Rafael (“Ia Tobias caminhando com o Anjo S. Rafael”) até ser atacado por um peixe (“um grande peixe com a boca aberta em ação de que o queria tragar”);
- Após o ataque do peixe a Tobias, o Anjo São Rafael acalma-o e aconselha-o, acabando por retirar as entranhas do peixe, que revelaram possuir poderes divinos e curativos (“Fê-lo assim Tobias, e perguntando que virtude tinham as entranhas daquele peixe que lhe mandara guardar, respondeu o anjo que o fel era bom para sarar a cegueira, e o coração para lançar fora os demónios.”);
- As entranhas deste peixe, representam a solução para os demónios e a cegueira, isto é, os pecados e a ignorância dos homens. Assim sendo, o ataque deste peixe revelou ser sagrado, pois o peixe era de bom coração, “um retrato marítimo de Santo António”. O fel do peixe curava a cegueira e o seu coração expulsava os demónios (“o fel era bom para sarar a cegueira, e o coração para lançar fora os demónios”).
Analogia com Santo António
- O peixe representa o poder purificador da palavra e efeito de consciencialização nos ouvintes. Tal como o fel do peixe cura a cegueira do homem, a palavra de Santo António acorda o homem da sua vaidade;
- O coração do peixe tem a capacidade de afugentar os demónios bem como a palavra de Santo António livra os ouvintes dos seus defeitos e da sua maldade. (“Pois a quem vos quer tirar as cegueiras, a quem vos quer livrar dos demónios, perseguis vós?! Só uma diferença havia entre Santo António e aquele peixe: que o peixe abriu a boca contra quem se lavava, e Santo António abria a sua contra os que não queriam lavar.”).
Os homens não querem “ver” a mensagem de Cristo (cegueira) e não “expulsam” de si o pecado (“Abria Santo António a boca contra os hereges, e enviava-se a eles, levado do fervor e zelo da fé e glória divina. E eles que faziam? Gritavam como Tobias e assombravam-se com aquele homem e cuidavam que os queria comer.”).
Crítica aos homens
Rémora
- No segundo parágrafo, foi apresentado um novo peixe, a Rémora;
- A Rémora é pequena no corpo mas grande na força e no poder, permitindo guiar um bom caminho (“daquele peixezinho tão pequeno no corpo e tão grande na força e no poder”);
- De facto, estamos na presença de um peixe de pequenas dimensões que possui uma barbatana dorsal transformada em ventosa. Segundo as obras da antiguidade, este animal teria a propriedade de fazer parar uma nau se pegasse no seu leme (“se se pega ao leme de uma nau da Índia, apesar das velas e dos ventos, e de seu próprio peso e grandeza, a prende e amarra mais que as mesmas âncoras sem se poder mover”);
- A Terra precisa de uma Rémora, pois assim não haveria tantos naufrágios, isto é, se todos os homens tivessem um coração puro haveria menos corrupção, infortúnios e injustiça (“Oh se houvera uma rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida, e que menos naufrágios no mundo!”).
Analogia com Santo António
A língua de Santo António era uma Rémora na Terra porque tinha força para dominar as paixões humanas: a soberba, a vingança, a cobiça e a sensualidade (“Se alguma rémora houve na terra, foi a língua de Santo António”; “Nau Soberba, Nau Vingança, Nau Cobiça, Nau Sensualidade”).
Crítica aos Homens
Os homens perdem- se num “mar” de tentação e pecado e deixam-se levar pelas paixões humanas, pela soberba e pela cobiça, porque não seguem o caminho da virtude (“Nau Soberba, Nau Vingança, Nau Cobiça, Nau Sensualidade”).
Torpedo
- No terceiro parágrafo, é apresentado um novo peixe, o Torpedo. Este é um peixe pequeno, que usa uma descarga elétrica como mecanismo de defesa contra os pescadores (“Está o pescador com a cana na mão, o anzol no fundo e a bóia sobre a água, e em lhe picando na isca o torpedo, começa a lhe tremer o braço.”);
- O Padre António Vieira considerava que se os homens possuíssem as virtudes do peixe Torpedo, seriam menos manipulados pelos “pescadores do nosso elemento” : os tribunais, os nobres, os reis, os comerciantes, etc.
Analogia com Santo António
Crítica aos Homens
Tal como o Torpedo faz tremer os pescadores, Santo António também faz tremer os corruptos/malfeitores, com a sua palavra (“Vinte e dois pescadores destes se acharam acaso um sermão de Santo António, e as palavras do Santo os fizeram tremer a todos”).
Os pescadores representam aqueles que se aproveitam do poder para satisfazer a sua ganância. Os homens deviam recear o pecado (“tremer”) para o evitar e para encontrar o caminho para a Salvação.
Quatro-Olhos
- Por último, é apresentado um novo peixe, o Quatro-Olhos;
- Este peixe possui dois pares de olhos (“os Portugueses lhe chamavam quatro-olhos, quis averiguar ocularmente a razão deste nome, e achei que verdadeiramente têm quatro olhos”), estando sempre alerta para o que está acima e abaixo dele (“os da parte superior olham direitamente para cima, e os da parte inferior direitamente para baixo.”), não reparando no que está à sua frente (não repara na vaidade dos homens). David, líder dos judeus, desejava poder ser como esta criatura para poder ignorar as vaidades dos homens e poder olhar diretamente para o Céu e para o Inferno (“Ele queria voltados os seus olhos, de modo que não vissem a vaidade”; “havia-lhos de voltar Deus de modo que só vissem e olhassem para o outro mundo em ambos os seus hemisférios; ou para cima, olhando direitamente para o Céu, ou para baixo, olhando direitamente para o Inferno.”).
Analogia com Santo António
Crítica aos Homens
O Padre António Vieira afirma que o peixe deve ter aprendido a pregar com Santo António, na medida em que ensina aos homens que devem pensar apenas no Céu e no Inferno (“Quero acabar este discurso dos louvores e virtudes dos peixes com um, que não sei se foi ouvinte de Santo António e aprendeu dele a pregar.”; “e esta a doutrina que me pregou aquele peixezinho tão pequeno”).
Os homens vivem em cegueira e não "olham" para baixo, para o que fazem na Terra, nem para cima, para o Céu e para a Salvação.
Recursos expressivos
Recurso a uma identidade superior
Gradação crescente
Gradação decrescente
"Está o pescador com a cana na mão, o anzol no fundo (…) picando na isca a Torpedo”. Neste recurso, verifica-se uma gradação decrescente do pescador para o peixe.
“passa a virtude do peixezinho, da boca ao anzol, do anzol à linha, da linha à cana e da cana ao braço do pescador.” O objetivo deste recurso é intensificação para mais.
“O Apóstolo Santiago”; “as palavras do Santo”; “David”. Este recurso tem como objetivo dar credibilidade ao discurso do Padre António Vieira.
Interrogação retórica: “quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada da rémora?”; “Um peixe de tão bom coração e de tão proveitoso fel, quem o não louvará muito?”; “Pode haver maior, mais breve e mais admirável efeito?”. Este recurso não tem como objetivo obter uma resposta, mas sim estimular a reflexão dos indivíduos sobre um respetivo assunto.
Apóstrofe: Na frase “Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração” é feita um apóstrofe aos “moradores do Maranhão”, ou seja, um apelo a que vejam as entranhas dele mesmo, Padre Vieira, e o seu coração virtuoso, porque curam a cegueira do pecado. “...olhai, peixes, …"; “Esta língua, peixes, do vosso pregador”. A apóstrofe “peixes” refere diretamente os destinatários da mensagem do pregador, aproximando os dois polos da comunicação: emissor e recetor. Antítese: “mar/terra”, “Céu/Inferno; “para cima/para baixo”. O significado contraditório das expressões, destaca a mensagem que o Padre António Vieira tenta passar, a constante atenção ao céu e ao inferno (a agir pelo bem, e a pensar na existência do mal).
Interjeição: A interjeição “Oh” presente na frase “Oh se houvera uma rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida, e que menos naufrágios no mundo!”, introduz um desejo de orador de que houvesse uma Rémora na Terra, com tanta força como a do mar, que diminuiria o número de calamidades (“perigos na vida” e “naufrágios no mundo”), que se abatem sobre os homens. “Oh quão altas e incompreensíveis são as razões de Deus, e quão profundo o abismo de seus juízos!”. Deus é inexplicável, estamos sempre aquém dos seus desejos, mas que existe um sentido na sua vontade, isso sim é uma verdade absoluta em que o Padre António Vieira acredita piamente, evidenciando isso nesta frase, mostrando o seu espanto na interjeição “Oh”. “Ah moradores do Maranhão”. A interjeição “Ah” pretende captar a atenção dos ouvintes, os moradores do Maranhão.
Comparação: “...unidos como os dois vidros de um relógio de areia”. O peixe, com dois pares de olhos, unidos como os dois vidros de um relógio de areia, tem uma boa e diferenciada visão. “... parecia um retrato marítimo de Santo António”. O peixe de Tobias é comparado com Santo António, porque o seu fel e o seu coração eram como a palavra de Deus. “Neste leme, porém, tão desobediente e rebelde, mostrou a língua de António quanta força tinha, como rémora …". Neste recurso expressivo é comparada a língua de Santo António com a Rémora, pois a língua de Santo António, com o seu poder persuasivo, é capaz de travar as paixões humanas, orientando, segundo a razão, as ações dos homens.
Metáfora: “Pois a quem vos quer tirar as cegueiras, a quem vos quer livrar dos Demónios, perseguis vós?!”. Esta metáfora acentua a ideia de que os homens vivem cegos, isto é, em pecado, e atacam quem quer curar a sua cegueira, ou seja, recolocá-los no caminho do bem, e exprime a indignação do orador com os seus ouvintes por causa da hostilidade que demonstram relativamente a quem só quer o seu bem. “águias que são os linces do ar”. Esta metáfora salienta a visão excecional das águias e a sua rapidez. “Nau Soberba, Nau Vingança, Nau Cobiça, Nau Sensualidade”. Esta metáfora serve para criticar os pecados capitais.
Anáfora: “Quantos, correndo... Quantos, embarcados...”; “...as palavras do Santo os fizeram tremer a todos de sorte que todos, tremendo, se lançaram a seus pés, todos, tremendo, confessaram seus furtos, todos, tremendo, restituíram o que podiam... todos enfim mudaram de vida e de ofício, e se emendaram"; "Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração.”. As anáforas pretendem realçar a mensagem do Padre para levar os ouvintes a ouvir com atenção, construindo uma enumeração com a repetição dos pronomes indefinidos (“quantos”; “todos”) e dos verbos (“abri”; “vede”).
REFUGIADO
Refugiado é toda a pessoa que, em razão de perseguições devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social, opinião política, sexualidade ou identidade de género, encontra-se fora do seu país de origem e que, por causa destes mesmos fatores, não pode ou não quer regressar ao mesmo, devido à grave e generalizada violação de direitos humanos, sendo obrigado a deixar o seu país de nacionalidade para encontrar refúgio em outros países.
ACNUR
A agência da ONU que apoia os refugiados é a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), consolidada depois da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de ajudar os europeus deslocados.
Info
Padre António Vieira e os refugiados
O Padre Vieira defendeu incansavelmente os direitos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
António Vieira defendeu os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (aqueles cujas famílias eram católicas há gerações), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.
Devido às suas crenças, o Padre foi expulso do Brasil. Retornou a Portugal, onde foi perseguido e processado pela Inquisição; após o perdão, foi para Roma, onde pregou durante alguns anos. Em 1861, Padre António Vieira retornou ao Brasil, pois não podia regressar a Portugal, devido à Inquisição, assemelhando-se à situação dos refugiados, porque tal como eles, o Padre foi expulso do seu país de origem, por causa das suas crenças, tal como muitos refugiados são obrigados a sair das sua terras, devido á sua religião.
Quiz
Começar
Questão 01
O Padre António Vieira defendia os índios do Brasil escravizados pelos colonos.
Verdadeiro
Falso
Questão 02
Onde é que o Padre Vieira fez os seus estudos?
Lisboa
Baía
Porto
Questão 03
Que efeitos tinham as entranhas do peixe de Tobias?
Poderes divinos e curativos
Poderes demoníacos e maléficos
Questão 04
Qual é a crítica feita aos homens através do peixe de Tobias?
Os homens perdem-se num “mar” de tentação e pecado e deixam-se levar pelas paixões humanas
Os homens deviam recear o pecado (“tremer”) para o evitar e para encontrar o caminho para a Salvação
Os homens não querem “ver” a mensagem de Cristo (cegueira) e não “expulsam” de si o pecado
Questão 05
Qual é o processo retórico presente no excerto “Oh se houvera uma rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar"?
Metáfora
Interjeição
Antítese
Questão 06
Qual é a particularidade do peixe Torpedo?
É pequeno no corpo, mas grande na força e no poder
Usa uma descarga elétrica como mecanismo de defesa contra os pescadores
Possui dois pares de olhos
Questão 07
Qual é o último peixe a ser apresentado?
Quatro-olhos
Torpedo
Rémora
Questão 08
Em quais das opções está presente uma gradação crescente?
"Está o pescador com a cana na mão, o anzol no fundo (…) picando na isca a Torpedo”
“Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração”
“passa a virtude do peixezinho, da boca ao anzol, do anzol à linha, da linha à cana e da cana ao braço do pescador.”
Questão 09
Qual é o objetivo do recurso a uma identidade superior?
Dar credibilidade ao discurso
Aproximar os dois polos da comunicação: emissor e recetor
Intensificar para mais
Bom trabalho!
Webgrafia
- https://pt.slideshare.net/AlexandraMadail/cap-iiipav-sermao
- https://portugues-fcr.blogspot.com/2019/10/analise-do-capitulo-iii-de-sermao-de.html
- https://www.studocu.com/pt/document/ensino-secundario-portugal/portugues/5-cap-resumo-do-capitulo-iii-do-sermao-de-santo-antonio-aos-peixes/9691594
- https://ciberjornal.files.wordpress.com/2015/05/resumo-do-sermao-de-santo-antonio-aos-peixes.pdf
- https://pt.scribd.com/presentation/459998556/Contextualizacao-historico-literaria-Sermao-de-Santo-Antonio-aos-Peixes-1-ppt
- https://unric.org/pt/refugiados/
Obrigado pela vossa atenção!!
Ano letivo 2022/2023 Escola Secundária Camilo Castelo Branco Professora Laurinda Fernandes Turma 11ºE, Grupo 2
Sermão de Santo António aos Peixes
Inês Pinto
Created on October 26, 2022
Start designing with a free template
Discover more than 1500 professional designs like these:
View
Higher Education Presentation
View
Psychedelic Presentation
View
Vaporwave presentation
View
Geniaflix Presentation
View
Vintage Mosaic Presentation
View
Modern Zen Presentation
View
Newspaper Presentation
Explore all templates
Transcript
Sermão de Santo António aos peixes
Indíce
1. Contextualização histórico literária
8. Quatro-olhos
2. Padre António Vieira
9. Recursos expressivos
3. Capítulo III
10. Refugiado
4. Peixes
11. ACNUR
5. Peixe de Tobias
12. Padre António Vieira e os refugiados
6. Rémora
13. Webgrafia
7. Torpedo
14. Fim
Contextualização histórico literária
O Barroco
Este tempo foi marcado por um sentimento de decadência motivado pela perda da grandeza política e económica alcançada em anos anteriores. O desastre de Alcácer Quibir e a consequente perda da independência nacional ajudam a explicar o clima de desânimo que invade a cultura portuguesa da época. Com o movimento da Restauração, a antiga esperança carismática é projetada na figura de D. João IV. Acabam por surgir textos que concretizam de forma exemplar o modelo do louvor barroco - hiperbólico, engenhoso, excessivo, lúdico e a sobrevalorização do ornato estilístico.
As escolas dirigidas pela Companhia de Jesus fazem parte das instituições culturais que mais profundamente determinaram a identidade do ambiente cultural desta época. O sistema de ensino aplicado nestas escolas treinava os educandos em técnicas de argumentação e de domínio da palavra - a retórica. Forma Literatura de dimensão pragmática, com o objetivo de denunciar e corrigir, e como instrumento de divulgação de ideais religiosos.
A Oratória
O Sermão
O Sermão era uma forma literária que tinha uma força enorme. Os oradores concentravam em si todas as atenções. A eles cabia a tarefa de educar e seduzir as almas. Um destes "príncipes da palavra” era o Padre António Vieira.
Vieira é muito popular e os seus Sermões são referência para o público e para outros oradores;
Defende os cristãos-novos perseguidos pela Inquisição;
Padre António Vieira, o homem e a sua palavra
A defesa dos cristãos-novos é feita numa atitude humanitária, patriótica e solidária pela Companhia de Jesus. Contudo, associada também estava uma finalidade económica, na medida em que os recursos dos cristãos-novos apoiavam Portugal nesta fase de crise a nível económico, político e social.
Utiliza a palavra falada ou escrita como instrumento de ação;
A sua obra emerge de realidades fortemente vividas;
Padre António Vieira, o observador crítico
Padre António Vieira- Biografia
Publicação do 1° volume de Sermões, em 1679;
Fez os seus estudos na Baía;
Continuação da biografia
Regressou a Portugal, em 1641;
Pertence à Companhia de Jesus;
É julgado, encarcerado e castigado, pelo Tribunal da Inquisição, entre 1665 e 1669;
Morte, no Brasil, em 1697.
Sermão de Padre António Vieira
Capítulo III
Peixes presentes no capítulo III
Peixe de Tobias
Analogia com Santo António
Os homens não querem “ver” a mensagem de Cristo (cegueira) e não “expulsam” de si o pecado (“Abria Santo António a boca contra os hereges, e enviava-se a eles, levado do fervor e zelo da fé e glória divina. E eles que faziam? Gritavam como Tobias e assombravam-se com aquele homem e cuidavam que os queria comer.”).
Crítica aos homens
Rémora
Analogia com Santo António
A língua de Santo António era uma Rémora na Terra porque tinha força para dominar as paixões humanas: a soberba, a vingança, a cobiça e a sensualidade (“Se alguma rémora houve na terra, foi a língua de Santo António”; “Nau Soberba, Nau Vingança, Nau Cobiça, Nau Sensualidade”).
Crítica aos Homens
Os homens perdem- se num “mar” de tentação e pecado e deixam-se levar pelas paixões humanas, pela soberba e pela cobiça, porque não seguem o caminho da virtude (“Nau Soberba, Nau Vingança, Nau Cobiça, Nau Sensualidade”).
Torpedo
Analogia com Santo António
Crítica aos Homens
Tal como o Torpedo faz tremer os pescadores, Santo António também faz tremer os corruptos/malfeitores, com a sua palavra (“Vinte e dois pescadores destes se acharam acaso um sermão de Santo António, e as palavras do Santo os fizeram tremer a todos”).
Os pescadores representam aqueles que se aproveitam do poder para satisfazer a sua ganância. Os homens deviam recear o pecado (“tremer”) para o evitar e para encontrar o caminho para a Salvação.
Quatro-Olhos
Analogia com Santo António
Crítica aos Homens
O Padre António Vieira afirma que o peixe deve ter aprendido a pregar com Santo António, na medida em que ensina aos homens que devem pensar apenas no Céu e no Inferno (“Quero acabar este discurso dos louvores e virtudes dos peixes com um, que não sei se foi ouvinte de Santo António e aprendeu dele a pregar.”; “e esta a doutrina que me pregou aquele peixezinho tão pequeno”).
Os homens vivem em cegueira e não "olham" para baixo, para o que fazem na Terra, nem para cima, para o Céu e para a Salvação.
Recursos expressivos
Recurso a uma identidade superior
Gradação crescente
Gradação decrescente
"Está o pescador com a cana na mão, o anzol no fundo (…) picando na isca a Torpedo”. Neste recurso, verifica-se uma gradação decrescente do pescador para o peixe.
“passa a virtude do peixezinho, da boca ao anzol, do anzol à linha, da linha à cana e da cana ao braço do pescador.” O objetivo deste recurso é intensificação para mais.
“O Apóstolo Santiago”; “as palavras do Santo”; “David”. Este recurso tem como objetivo dar credibilidade ao discurso do Padre António Vieira.
Interrogação retórica: “quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada da rémora?”; “Um peixe de tão bom coração e de tão proveitoso fel, quem o não louvará muito?”; “Pode haver maior, mais breve e mais admirável efeito?”. Este recurso não tem como objetivo obter uma resposta, mas sim estimular a reflexão dos indivíduos sobre um respetivo assunto. Apóstrofe: Na frase “Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração” é feita um apóstrofe aos “moradores do Maranhão”, ou seja, um apelo a que vejam as entranhas dele mesmo, Padre Vieira, e o seu coração virtuoso, porque curam a cegueira do pecado. “...olhai, peixes, …"; “Esta língua, peixes, do vosso pregador”. A apóstrofe “peixes” refere diretamente os destinatários da mensagem do pregador, aproximando os dois polos da comunicação: emissor e recetor. Antítese: “mar/terra”, “Céu/Inferno; “para cima/para baixo”. O significado contraditório das expressões, destaca a mensagem que o Padre António Vieira tenta passar, a constante atenção ao céu e ao inferno (a agir pelo bem, e a pensar na existência do mal).
Interjeição: A interjeição “Oh” presente na frase “Oh se houvera uma rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida, e que menos naufrágios no mundo!”, introduz um desejo de orador de que houvesse uma Rémora na Terra, com tanta força como a do mar, que diminuiria o número de calamidades (“perigos na vida” e “naufrágios no mundo”), que se abatem sobre os homens. “Oh quão altas e incompreensíveis são as razões de Deus, e quão profundo o abismo de seus juízos!”. Deus é inexplicável, estamos sempre aquém dos seus desejos, mas que existe um sentido na sua vontade, isso sim é uma verdade absoluta em que o Padre António Vieira acredita piamente, evidenciando isso nesta frase, mostrando o seu espanto na interjeição “Oh”. “Ah moradores do Maranhão”. A interjeição “Ah” pretende captar a atenção dos ouvintes, os moradores do Maranhão.
Comparação: “...unidos como os dois vidros de um relógio de areia”. O peixe, com dois pares de olhos, unidos como os dois vidros de um relógio de areia, tem uma boa e diferenciada visão. “... parecia um retrato marítimo de Santo António”. O peixe de Tobias é comparado com Santo António, porque o seu fel e o seu coração eram como a palavra de Deus. “Neste leme, porém, tão desobediente e rebelde, mostrou a língua de António quanta força tinha, como rémora …". Neste recurso expressivo é comparada a língua de Santo António com a Rémora, pois a língua de Santo António, com o seu poder persuasivo, é capaz de travar as paixões humanas, orientando, segundo a razão, as ações dos homens.
Metáfora: “Pois a quem vos quer tirar as cegueiras, a quem vos quer livrar dos Demónios, perseguis vós?!”. Esta metáfora acentua a ideia de que os homens vivem cegos, isto é, em pecado, e atacam quem quer curar a sua cegueira, ou seja, recolocá-los no caminho do bem, e exprime a indignação do orador com os seus ouvintes por causa da hostilidade que demonstram relativamente a quem só quer o seu bem. “águias que são os linces do ar”. Esta metáfora salienta a visão excecional das águias e a sua rapidez. “Nau Soberba, Nau Vingança, Nau Cobiça, Nau Sensualidade”. Esta metáfora serve para criticar os pecados capitais.
Anáfora: “Quantos, correndo... Quantos, embarcados...”; “...as palavras do Santo os fizeram tremer a todos de sorte que todos, tremendo, se lançaram a seus pés, todos, tremendo, confessaram seus furtos, todos, tremendo, restituíram o que podiam... todos enfim mudaram de vida e de ofício, e se emendaram"; "Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração.”. As anáforas pretendem realçar a mensagem do Padre para levar os ouvintes a ouvir com atenção, construindo uma enumeração com a repetição dos pronomes indefinidos (“quantos”; “todos”) e dos verbos (“abri”; “vede”).
REFUGIADO
Refugiado é toda a pessoa que, em razão de perseguições devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social, opinião política, sexualidade ou identidade de género, encontra-se fora do seu país de origem e que, por causa destes mesmos fatores, não pode ou não quer regressar ao mesmo, devido à grave e generalizada violação de direitos humanos, sendo obrigado a deixar o seu país de nacionalidade para encontrar refúgio em outros países.
ACNUR
A agência da ONU que apoia os refugiados é a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), consolidada depois da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de ajudar os europeus deslocados.
Info
Padre António Vieira e os refugiados
O Padre Vieira defendeu incansavelmente os direitos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi). António Vieira defendeu os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (aqueles cujas famílias eram católicas há gerações), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.
Devido às suas crenças, o Padre foi expulso do Brasil. Retornou a Portugal, onde foi perseguido e processado pela Inquisição; após o perdão, foi para Roma, onde pregou durante alguns anos. Em 1861, Padre António Vieira retornou ao Brasil, pois não podia regressar a Portugal, devido à Inquisição, assemelhando-se à situação dos refugiados, porque tal como eles, o Padre foi expulso do seu país de origem, por causa das suas crenças, tal como muitos refugiados são obrigados a sair das sua terras, devido á sua religião.
Quiz
Começar
Questão 01
O Padre António Vieira defendia os índios do Brasil escravizados pelos colonos.
Verdadeiro
Falso
Questão 02
Onde é que o Padre Vieira fez os seus estudos?
Lisboa
Baía
Porto
Questão 03
Que efeitos tinham as entranhas do peixe de Tobias?
Poderes divinos e curativos
Poderes demoníacos e maléficos
Questão 04
Qual é a crítica feita aos homens através do peixe de Tobias?
Os homens perdem-se num “mar” de tentação e pecado e deixam-se levar pelas paixões humanas
Os homens deviam recear o pecado (“tremer”) para o evitar e para encontrar o caminho para a Salvação
Os homens não querem “ver” a mensagem de Cristo (cegueira) e não “expulsam” de si o pecado
Questão 05
Qual é o processo retórico presente no excerto “Oh se houvera uma rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar"?
Metáfora
Interjeição
Antítese
Questão 06
Qual é a particularidade do peixe Torpedo?
É pequeno no corpo, mas grande na força e no poder
Usa uma descarga elétrica como mecanismo de defesa contra os pescadores
Possui dois pares de olhos
Questão 07
Qual é o último peixe a ser apresentado?
Quatro-olhos
Torpedo
Rémora
Questão 08
Em quais das opções está presente uma gradação crescente?
"Está o pescador com a cana na mão, o anzol no fundo (…) picando na isca a Torpedo”
“Abri, abri estas entranhas; vede, vede este coração”
“passa a virtude do peixezinho, da boca ao anzol, do anzol à linha, da linha à cana e da cana ao braço do pescador.”
Questão 09
Qual é o objetivo do recurso a uma identidade superior?
Dar credibilidade ao discurso
Aproximar os dois polos da comunicação: emissor e recetor
Intensificar para mais
Bom trabalho!
Webgrafia
Obrigado pela vossa atenção!!
Ano letivo 2022/2023 Escola Secundária Camilo Castelo Branco Professora Laurinda Fernandes Turma 11ºE, Grupo 2