Want to create interactive content? It’s easy in Genially!

Get started free

Os Maias - capítulos V a X

Susana Dias

Created on October 16, 2022

Start designing with a free template

Discover more than 1500 professional designs like these:

Animated Chalkboard Presentation

Genial Storytale Presentation

Blackboard Presentation

Psychedelic Presentation

Chalkboard Presentation

Witchcraft Presentation

Sketchbook Presentation

Transcript

Os MaiasEça de Queirós

Episódios da Vida Romântica

Capítulo V UM SERÃO NO RAMALHETE CARLOS E OS SEUS PROJETOS DE TRABALHO OS CONDES GOUVARINHO

  • Caracterização do ambiente no Ramalhete, principalmente dos serões nos quais se joga whist, bilhar, se compõe música, canta..., retratando-se o ambiente de requinte, ao mesmo tempo que se toma contacto com determinadas personagens da crónica de costumes.
  • No escritório de Afonso joga-se uma partida de whist entre Afonso, D. Diogo, o general Sequeira e Vilaça. Ao entrar Carlos informa um Afonso ansioso sobre o estado de saúde da sua primeira doente, a mulher do padeiro Marcelino. (p. 113)
  • Depois dos comentários sobre um Ega desaparecido e vivendo do dinheiro da mãe, Carlos abeira-se da mesa de bilhar e dos seus jogadores – o marquês de Souselas e o conde Steinbroken – e apostadores – Cruges e Eusébio. Substitui--se o bilhar pelo canto, dando-se destaque a Steinbroken e ao seu talento como barítono. (p. 116)
  • O serão decorre com os mais variados diálogos entre os comparsas, por vezes discutindo-se política, que vão revelando traços dos temperamentos dos mesmos. (p. 122)
  • O laboratório de Carlos mantém-se inerte devido à dispersão do mesmo por outras atividades próprias de homem rico e sem necessidade de ganhar a vida em trabalho profissional: duas horas diárias de armas com o velho Randon; visitas a alguns doentes do bairro; consultas grátis no seu consultório; os cavalos, o luxo, o bricabraque; a colaboração na Gazeta Médica, pensando em fazer “um livro de ideias gerais que se devia chamar Medicina Antiga e Moderna” (p. 128)
  • Ega entrega-se à sua paixão por Raquel Cohen e, no consultório de Carlos, Ega lê um ardente capítulo do seu livro, homenagem à sua judia e que Ega, pouco tempo depois, declamará em casa de Cohen. Este acontecimento será referenciado na "Gazeta do Chiado", o que encolariza Ega, pois trata-se de uma crítica romântica subjetiva e não objetiva. Com efeito, o estilo empregue pelo jornalista devia ser o referencial e não o declamatório. (p. 130)
  • Ega informa Carlos de que os Gouvarinho, principalmente a condessa, desejavam conhecê-lo (cf. o neologismo "gouvarinhar"). A evocação da condessa faz com que Carlos a procure em S. Carlos, mas em vão. (p. 135)
  • Carlos dialoga com Batista, criado de Carlos desde os tempos de Santa Olávia, ficando a saber do desentendimento e mesquinhez do casal Gouvarinho. (p. 137)
  • Passado algum tempo depois, Ega apresenta, em S. Carlos, o amigo ao conde, pretexto para a referência ao discurso empoladamente balofo do Gouvarinho, tendo tido também oportunidade de conhecer a condessa que, num convite implícito, comenta com Carlos que “recebiam às terças-feiras”. (p. 141)

RESPONDE...

1. Qual a funcionalidade da apresentação do “serão no Ramalhete”, com que se inicia o capítulo V?

2. Compara os projetos de Carlos e de Ega.

1. Funcionalidade da apresentação do “serão no Ramalhete”: Mostra-nos o parasitismo social de quem consome e nada produz, gastando o tempo em ócios inúteis. Afonso da Maia, o general Sequeira, D. Diogo, o Marquês de Souselas, Steinbroken e outros entregam-se ao jogo, símbolo da ociosidade.

2. Comparação dos projetos de Carlos e de Ega: - Projetos de Carlos: o laboratório (sem utilidade); o consultório (deserto); a revista (mero projeto); a Medicina Antiga e Moderna (adiada). - Realidade: os cavalos, as carruagens, o bricabraque; a tentação da Gouvarinho; a memória dos amores passados. - Projetos de Ega: a revista, o cenáculo, As Memórias de Um Átomo (tudo adiado). - Realidade: um capítulo de As Memórias de Um Átomo no mais puro estilo romântico: amoroso e medievalista; o romance com a Cohen. os projetos em crise

Capítulo VI A VILA BALZAC O JANTAR NO HOTEL CENTRAL

  • Carlos visita Ega na sua casa, a Vila Balzac, situada “na solidão da Penha de França” que funciona como refúgio para os amores ilícitos de Ega e de Raquel Cohen. Nesse ambiente denota-se o contraste entre o “ser” (real) e o “parecer” (idealizado, das descrições de Ega), num cenário de sordidez e de sensualidade. (p. 145)
  • Os amigos conversam sobre a soirée dos Gouvarinhos a que Carlos assistira dias antes, entediado com as conversas balofas dos condes: o anterior interesse pela condessa descambara em tédio, como, aliás, lhe acontecera sempre com todas as suas paixões. Ega comenta o don juanismo de Carlos, considerando que o seu amigo havia de terminar "numa tragédia infernal", claro indício trágico, e que acreditava que havia de encontrar a “sua mulher”, pois estariam “ambos insensivelmente, irresistivelmente, fatalmente, marchando um para o outro!...”(p. 149)
  • No regresso a Lisboa, o coupé de Carlos cruza-se com uma caleche de praça onde um sujeito de chapéu baixo ia lendo um jornal, Craft, um inglês que, na opinião de Ega, era das "melhores coisas" que Lisboa tinha. (p. 153)
  • Ega quer homenagear o banqueiro Cohen e para tal prepara-se o Jantar no Hotel Central. (p. 154)
  • Já no peristilo do Hotel Central dá-se o primeiro encontro de Carlos com aquela que vai ser a protagonista da sua grande história de amor, Maria Eduarda, “uma senhora alta, loira, com um meio véu muito apertado e muito escuro que realçava o esplendor da sua carnação ebúrnea”. (p. 156)
  • Num gabinete do primeiro andar do hotel Carlos e Craft encontram Ega conversando com Dâmaso Salcede, pela primeira vez apresentado a Carlos, que se encarrega de identificar a “esplêndida mulher” como pertencente a gente “muito chique” – os Castro Gomes. Dâmaso utiliza esse conhecimento de forma a atrair a atenção de Carlos, o seu “ídolo, expressão máxima do chique”. (p. 157)
  • Entretanto chega Alencar, o poeta representante da escola ultrarromântica, que abraça longamente Carlos apresentando-se como amigo íntimo de seus pais. (p. 159)
  • Finalmente aparece Cohen, logo rodeado de atenções bajuladoras da parte de Ega. O primeiro tema da conversa à mesa – um crime recente na Mouraria – faz desencadear uma acesa discussão sobre a escola naturalista. (p. 161)
  • Ega notando o ar enfadado de Cohen desvia a conversa para temas mais afins do banqueiro – o de um empréstimo em vias de se realizar – o que faz Cohen considerar que “Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita (...) tão sabida como o imposto”. Ao argumento de Carlos sobre a inevitabilidade de bancarrota que tal visão política perspetiva, Cohen assegura que a bancarrota era tão segura como a eminência da falência do país. Ega, inflamado, explica que a bancarrota traria a revolução republicana para varrer a monarquia e o “crasso pessoal do constitucionalismo”. Mas imediatamente sustém o seu ímpeto para não desagradar a Cohen. (p. 165)
  • Contra as reformas que, paternalmente, Cohen admite necessárias no país, Ega, incorrigível, contesta que “Portugal não precisa de reformas”, mas “da invasão espanhola” e logo a conversa descai sobre a hipótese de invasão espanhola. (p. 167)
  • Com o jantar a chegar ao fim, Ega e Alencar discutem novamente a propósito da poesia moderna, o que vem pôr em destaque a crítica literária portuguesa, feita de: ataques pessoais, de calúnias, de questiúnculas formais e de agressões físicas. Devido à intervenção dos restantes convivas, Ega e Alencar acabam por se reconciliar e dar mostras de arrependimento, com abraços e protestos de amizade. (p. 172)
  • Carlos regressa a casa pelo Aterro acompanhado de Dâmaso, sempre bajulador, e de Alencar que evoca os bons tempos passados da sua mocidade e da mocidade de Pedro. (p. 176)
  • Já no seu quarto Carlos evoca o passado de seus pais e a forma como ficara a conhecê- -lo por Ega, bêbedo, depois confirmado pelo avô – a fuga da mãe com a filha, a morte do pai, a morte da irmã. (p. 182)
  • O sono que finalmente o toma é agitado pela visão de uma bela mulher passando por ele, qual Juno subindo ao Olimpo. Também Alencar lhe povoa o sonho, recitando teatralmente os versos que nessa noite lhe ouvira: “Abril chegou, sê minha!”. (p. 184)

RESPONDE...

1. O Jantar do Hotel Central é o primeiro exemplo dos “Episódios da Vida Romântica”. Quais os objetivos deste episódio?

2. Identifica os intervenientes no Jantar do Hotel Central e explica a funcionalidade dessas personagens na obra.

1. Objetivos do episódio Jantar do Hotel Central: - retratar a sociedade lisboeta (portuguesa) da segunda metade do século XIX; - apresentar Carlos a essa sociedade.

2. Intervenientes no Jantar do Hotel Central e funcionalidade dessas personagens na obra: - João da Ega, promotor da homenagem a Cohen e representante do Realismo/ Naturalismo; - Cohen, o homenageado, representante das Finanças; - Tomás de Alencar, o poeta ultrarromântico; - Dâmaso Salcede, o novo-rico, representante dos vícios do novo-riquismo burguês, “a catedral dos vícios”; - Carlos da Maia, o médico e o observador crítico, a quem será confiado o “ponto de vista interno” do romance; - Craft, o britânico, representante da cultura artística e britânica.

Capítulo VII PREPARATIVOS PARA A SOIRÉE DE MÁSCARAS A CONDESSA GOUVARINHO NO CONSULTÓRIO DE CARLOS

  • Craft torna-se íntimo do Ramalhete devido às tendências idênticas que o uniam a Carlos – diletantismo, gosto pelo bricabraque, a esgrima. Também Afonso nutria simpatia por esse inglês. (p. 186)
  • Carlos continua a não ter doentes e, por isso, dedica-se ao seu ensaio sobre a Medicina Antiga e Moderna. (p. 187)
  • Também Dâmaso se torna frequentador do Ramalhete, não por afinidades espirituais, mas pela habilidade que pusera em se insinuar, elogiando muito, dedicado servilmente a Carlos, oferecendo-lhe os seus préstimos, despachando- -lhe encomendas, copiando-lhe os artigos médicos com a sua bela caligrafia, imitando-lhe os gostos, os hábitos e os fatos. Continua sórdido nos seus pormenores de alcova, vaidoso das suas conquistas, fanfarrão e cobarde. (p. 187)
  • Ega pede dinheiro a Carlos para pagar uma letra a Eusebiozinho. Incita o amigo a visitar a condessa de Gouvarinho, uma vez que esta mostra interesse em Carlos. Fala-se da soirée de máscaras dos Cohen, sobretudo dos fatos de cada um (Craft não vai ao baile, Dâmaso vai de selvagem, Carlos pretende ir de dominó e Ega faz segredo do seu fato). (p. 195)
  • Dâmaso desaparece do Ramalhete e Carlos procura-o em vão. (p. 201)
  • No Aterro, por duas vezes, Carlos vê a “deusa pisando a terra” que o encantara. (p. 202)
  • Um dia, a condessa de Gouvarinho visita Carlos no seu consultório, a pretexto de um furúnculo no pescoço do seu filho Charlie. Carlos compreendeu a intenção da condessa e esta acaba por obter dele a promessa de uma visita ao seu chá das cinco. (p. 205)
  • Conversa no Ramalhete, na sala de bilhar: Carlos, Taveira, Craft, Steinbroken, Cruges. Nessa noite, Carlos tem a informação de que os acompanhantes de Dâmaso são os Castro Gomes e que teriam ido para Sintra. Discute-se o artigo adulador de Ega a Cohen na “Gazeta Ilustrada” e a falta de “senso moral”. Nessa mesma noite, Carlos convida Cruges para um passeio a Sintra. (p. 211)

RESPONDE...

1. Carlos aparece-nos neste capítulo dividido do ponto de vista amoroso. 1.1. Explica a afirmação. 2. Qual o objetivo do passeio a Sintra para o qual Carlos convida Cruges?

1. Afirmação: “Carlos aparece-nos neste capítulo dividido do ponto de vista amoroso”: A personagem de Carlos (personagem modelada) vai-se adensando, dividido entre a idealização amorosa da “deusa” e o desejo sensual da Gouvarinho. 2. Objetivo do passeio a Sintra para o qual Carlos convida Cruges: Propiciar o encontro de Carlos com a deusa que avistara pela primeira vez na entrada do Hotel Central e, posteriormente, por duas vezes, no Aterro.

Capítulo VIII PASSEIO A SINTRA

  • Pela manhã Carlos vai buscar Cruges que agora vive na Rua de S. Francisco para irem a Sintra. (p. 218)
  • Na Porcalhota, tomam um almoço campestre, Cruges deixa-se invadir por um certo bucolismo e conversam sobre Ega e a ignorância do país. (p. 221)
  • Durante a viagem, Carlos medita nos motivos ocultos da sua ida a Sintra, desejando que Dâmaso, na “Lawrence” lhe apresentasse aquela “deusa loira”. Ao chegarem ao Ramalhão, já Carlos desistira de se instalar na “Lawrence”, achando insuportável a ideia de ser apresentado por um Dâmaso tosco e arrogante. (p. 222)
  • Carlos e Cruges vão instalar-se no Nunes onde encontram Eusébio almoçando com o amigo Palma Cavalão e duas espanholas e assistem a uma cena degradante entre os intervenientes referidos. (p. 224)
  • No passeio para Seteais, Carlos e Cruges param junto ao hotel da “Lawrence” e admiram tudo o que os cerca. (p. 231)
  • Junto à “Lawrence” vão também encontrar Alencar, que, num discurso romântico, evoca o seu passado amoroso em Sintra. (p. 234)
  • O diálogo entre os três amigos prolonga-se, com Cruges entusiasmado com todos os recantos de Sintra, Carlos, impaciente, arrastando-os para Seteais. Após a descrição do palacete enxovalhado, Cruges conta a Alencar o episódio com Palma Cavalão e Eusébio e as suas amantes espanholas. (p. 236)
  • Cruges, após nova referência às queijadas para a mãe, descobre os penedos que recordava da infância. Alencar recita mais um poema ali inspirado e convida os seus amigos a olhar para a paisagem através do vão do arco, tendo, por topo, o Palácio da Pena. (p. 239)
  • Contra a opinião dos amigos que desejavam partir para a Pena, Carlos arrasta-os para a “Lawrence”, onde acaba por saber que o senhor Salcede e os senhores Castro Gomes haviam partido para Mafra. (p. 241)
  • A frustração traz a Carlos o aborrecimento de Sintra e decide regressar a Lisboa. (p. 246)
  • Enquanto Cruges e Carlos iriam ao Nunes (onde se reencontram com Eusebiozinho e companhia) pagar a conta e solicitar o break para a partida, Alencar, na “Lawrence”, providencia o jantar: “bacalhau à Alencar”, onde se falará de poesia. (p. 247)
  • Carlos, Alencar e Cruges regressam de uma viagem frustrada: Carlos sem a “deusa”, Cruges esquecendo-se das queijadas para a mãe. (p. 250)

RESPONDE...

1. A viagem de Carlos a Sintra à procura de Maria Eduarda é motivo para a apresentação de vários temas. Indica-os.

1. Temas apresentados a propósito da viagem de Carlos a Sintra à procura de Maria Eduarda: - circularidade da viagem – retorno ao ponto de partida – tema do eterno retorno; - a viagem dura um dia: breve tempo, a indiciar, quer a brevidade da vida, quer a brevidade da relação amorosa; - a desilusão final, indício da futura teoria: nada vale a pena; - tema da frustração; - o elogio do campo; - Sintra, refúgio para a burguesia citadina, local de aventuras da alta-roda e esquálidas escapadas com meretrizes alugadas ao dia; - ...

Capítulo IX VISITA MÉDICA DE CARLOS A ROSA NO HOTEL CENTRAL EGA, UM MEFISTÓFELES DERROTADO O RETRATO DE GOUVARINHO NUM BOUDOIR DE ADULTÉRIO

  • Dia da soirée de máscaras dos Cohen, Carlos tenta escrever, em vão, de manhã, sentado à banca. Entretanto, recebe a visita de Vilaça por causa de negócios, o que não modifica o seu estado de espírito. (p. 252)
  • Carlos recebe um convite dos Gouvarinhos para jantar. (p. 254)
  • Conversa com o avô sobre as ideias e a forma: a preocupação dos portugueses pela beleza formal, ainda que com o comprometimento da ideia. (p. 254)
  • Chegada do Ega, que vem pedir uma espada para o fato de máscara para a soirée dos Cohen que se realiza nesse dia. (p. 255)
  • Dâmaso, desaparecido do Ramalhete, vem pedir a Carlos o seu auxílio médico para a filha dos Castro Gomes, Rosa (Rosicler), que adoecera na ausência deles, e cuja governanta requeria um médico inglês ou que conhecesse a língua. Através dessa bonita criança e de Miss Sara, a governanta, vai conhecendo factos da vida familiar da mulher que ama. (p. 257)
  • Diálogo entre Carlos e Dâmaso sobre os Castro Gomes e revelação das pretensões de Dâmaso em ter um romance com Madame Castro Gomes, na ausência do marido. (p. 265)
  • À noite, quando Carlos se prepara para o baile dos Cohen, Ega aparece, esbaforido, contando a Carlos o seu desaire social e sentimental, com Cohen expulsando-o de sua casa diante de duas testemunhas, ameaçando-o de o correr a pontapés e apelidando-o de infame. Ega queria um duelo e Carlos tenta chamá-lo à razão. Os dois amigos vão até aos Olivais pedir a opinião de Craft e este diz que Ega deve esperar para saber se Cohen o manda desafiar. No entanto, acha pouco provável que isso venha a acontecer, porque considera que Cohen não iria pôr em causa a sua reputação de respeitabilidade em escândalos comprometedores. (p. 268)
  • O Cohen não manda desafiar Ega e este fica a saber, por uma criada dos Cohen, que Raquel levara uma tareia do marido e depois haviam partido para Inglaterra. (p. 282)
  • Durante essa semana, Ega foi desancado no Grémio, no Chiado e na casa Havanesa por todos quantos o odiavam: reação hipócrita da sociedade lisboeta. (p. 288)
  • Ega decide voltar a Celorico para ali concluir as suas Memórias de um Átomo, para poder vir a triunfar “sobre a cidade, esmagando os medíocres”. Segundo Afonso da Maia, Ega tivera uma “péssima estreia”, tendo vindo de Celorico seis meses antes com ótimas intenções de trabalho e afinal para lá voltava, escorraçado e com dívidas. Também Carlos se sente amargurado, ao adaptar a si o comentário do avô, já que a sua própria vida se revela inútil. (p. 289)
  • Carlos encontra-se com os Gouvarinhos, acentuando-se assim a intimidade entre Carlos e a condessa. (p. 291)
  • Numa tarde em que Carlos se vestia para ir ao chá da condessa, Dâmaso aparece e queixa-se das dificuldades em iniciar o desejado romance com a “brasileira”. Informa Carlos que Castro Gomes havia de lhe mandar um bilhete de agradecimento por ter tratado Rosa, o que torna Carlos feliz, já que, assim, seria desnecessária a intervenção de Dâmaso nas apresentações. (p. 292)
  • No chá da Gouvarinho critica-se o sistema educativo demasiado sobrecarregado e exigente para as crianças. Surge Teles da Gama que vem falar ao conde e não se demora, dada a ausência do mesmo. (p. 293)
  • Já sozinhos, ocorre uma cena de amor entre Carlos e a condessa, que marca o início da aventura amorosa dos dois, subitamente interrompida com a chegada do conde que discursara na Câmara. (p. 296)

RESPONDE...

1. Explica o simbolismo do disfarce esfrangalhado de Ega e do seu exílio em Celorico de Basto. 2. Em que medida o comentário de Afonso (“péssima estreia”) funciona como um indício do desenlace da ação?

1. Simbolismo: - o disfarce esfrangalhado de Ega – a destruição de Ega; - o exílio de Ega em Celorico de Basto – purificação no campo. 2. Comentário de Afonso (“péssima estreia”) como indício do desenlace da ação: - o comentário de Afonso funciona como premonição da liquidação de Ega e também de Carlos, de quem aquele é confidente e cúmplice.

Capítulo X TOURADA NACIONAL VERSUS CORRIDA DE IMPORTAÇÃO O DOMINGO DAS CORRIDAS DE CAVALOS O CONVITE DE MARIA EDUARDA

  • Descrição sumária das três semanas em que dura o romance furtivo entre Carlos e a condessa de Gouvarinho. Encontros marcados para a casa de uma tia da condessa, a velha e santa Miss Jones. Nesse dia, o encontro deu-se numa tipóia de praça que serviu de alcova aos seus amores. Manifesta saciedade e até uma certa repugnância física de Carlos por uma amante que se revela demasiado possessiva e ardente. (p. 300)
  • Carlos encontra o marquês hipocondríaco a quem convida alegremente para jantar. Conversam sobre Ega, que está em Celorico, ouvindo o padre Serafim e escrevendo uma comédia – “O Lodaçal” – para se vingar de Lisboa. O marquês informa-o sobre as corridas de domingo. (p. 303)
  • Novo encontro com a deusa que, saberemos mais tarde, dá pelo nome de Maria Eduarda. Elaboração de planos para possibilitar uma apresentação de Carlos. (p. 305)
  • No Ramalhete, Carlos, o marquês, Afonso e Craft comentam as corridas. A propósito delas, Afonso defende as touradas mostrando o seu nacionalismo. Carlos aproveita a presença de Dâmaso e propõe-lhe o seu plano de visita aos Olivais com os Castro Gomes. Afonso entrega-se à caridade discreta e comovida. (p. 307)
  • Episódio das corridas.(pp. 312 a 341)
  • No domingo das corridas, Carlos e Craft dirigem-se ao hipódromo no faetonte de Carlos. Param na bilheteira onde se gera uma discussão com o bilheteiro que não tem troco de uma libra. Carlos mostra-se impaciente, como estivera, aliás, toda essa semana, já que viu frustrados os seus sonhos de encontro com a mulher amada, sem nenhuma explicação de Dâmaso, inexplicavelmente desaparecido do Ramalhete. (p. 312)
  • À entrada do hipódromo, “abertura escalavrada num muro de quintarola”, trava-se uma acesa discussão que provoca o engarrafamento de dog-carts, caleches de praça, insultos dos ocupantes, a intervenção deselegante da polícia, a mostrar a falta de educação como princípio nacional. (p. 313)
  • Já dentro do hipódromo improvisado, onde se denota uma feição provinciana evidente, encontram Taveira querendo animar as corridas, apostando numa égua de Clifford. (p. 314)
  • Por sugestão de Carlos, vão “ver as mulheres” – as senhoras do High Life dos jornais, dos camarotes de S. Carlos, em fila muda, vestidas com seriedade, “canteirinho de camélias meladas” no dizer de Taveira, parafraseando Ega. Carlos cumprimenta conhecidas suas – as duas irmãs de Taveira, a viscondessa de Alvim, a Joaninha Vilar, as Pedrosas. Carlos conversa com D. Maria da Cunha sobre Ega, instalado em Celorico a escrever “O Lodaçal” para se vingar de Lisboa. Entretanto, chega Alencar. Carlos, perdida a esperança de encontrar a sua deusa, pensa regressar ao Ramalhete. Outras senhoras se dirigem à tribuna onde se encontram – a menina Sá Videira, a ministra da Baviera, a baronesa Craben. D. Maria da Cunha, casamenteira, apresenta Alencar à sua amiga Concha. (p. 316)
  • Um novo desejo invade Carlos – procurar Dâmaso, conhecer o motivo do falhanço da sua proposta de visita aos Olivais, mas é Craft que encontra e que lhe apresenta Clifford, o elegante sportsman, dono de cavalos de corridas e amigo do rei de Espanha. Dirigem-se os três ao bufete, instalado debaixo da tribuna, sem ornatos, assemelhando-se a uma taberna. Uma animação falsa corre o bufete, com hurras a Clifford e a Carlos. O general Sequeira considera uma “sensaboria” “aquela corrida insípida, sem cavalos e sem jóqueis, com meia dúzia de pessoas a bocejar em roda”, reivindicando para a Inglaterra e a França a excelência desse desporto. (p. 321)
  • Instala-se a desordem, terminando a primeira corrida numa cena de pancadaria, já que quem perdera a mesma acusa o juiz das corridas de burla, afirmando que “o que havia naquele hipódromo era compadrice e ladroeira”. (p. 324)
  • Carlos encontra a Gouvarinho que tem de ir no dia seguinte ao Porto aos anos do pai e engendra um plano para que Carlos a acompanhe. (p. 327)
  • Teles da Gama chama-os para a tribuna, para apostarem com as senhoras, entre as quais reina alguma animação. A Carlos coubera no sorteio o “Vladimiro” de Darque e aposta tudo nele alegremente, apesar do potro ir atrás de todos na corrida que então se realizava e de que Clifford retirara a sua “Mist”. Segue-se a descrição da corrida, sublinhada pela incitação dos assistentes, corrida que põe em confronto final, contra todas as expectativas, “Minhoto” e “Vladimiro” que a vence por duas cabeças adiante do adversário. Carlos ganha e recebe da ministra da Baviera, furiosa, o provérbio “Heureux au jeu...” (Feliz no jogo...”) que funciona como indício de futura desgraça nos amores de Carlos. (p. 328)
  • Carlos encontra Dâmaso gabando-se de uma conquista amorosa de ocasião e queixando-se da troça que o seu véu provocara. Dá informações sobre os Castro Gomes: o marido partira para o Brasil e alugara um apartamento para a mulher no prédio de Cruges junto ao Grémio. Carlos delicia-se com essas informações, pois sente-se mais próximo da mulher amada, mas aproxima-se da condessa que o chama com o olhar, recusa friamente ceder ao capricho dela de embarcar na noite seguinte, com ela disfarçada, para uma paragem em Santarém, mas acaba por se deixar envolver nos seus trejeitos de sedução. (p. 337)
  • As corridas vão terminando no meio da indiferença geral. A terceira: a do Prémio de El-Rei e a quarta: a do Prémio de Consolação terminam de forma grotesca. (p. 340)
  • Carlos despede-se de Craft, regressa ao Ramalhete, não sem antes passar pela rua de S. Francisco, em falso pretexto de visita a Cruges, que não está, retrocedendo depois para olhar a janela da sua deusa “como se olha uma estrela”. Ao portão do Ramalhete encontra Craft que lhe descreve mais uma cena de murros no final das corridas. (p. 341)
  • De volta ao Ramalhete, Carlos recebe um bilhete de Maria Eduarda, requisitando os seus serviços como médico para um familiar doente. (p. 343)

RESPONDE...

1. O que podemos concluir depois de assistirmos ao fracasso das corridas de cavalos?

1. Conclusão a retirar depois de assistirmos ao fracasso das corridas de cavalos: As corridas terminam de forma algo grotesca e caricatural, pondo a nu a contradição entre o ser e o parecer: imitação servil do que se fazia lá fora, em Londres e em Paris; acabam em desordens que fazem estalar o verniz postiço de civilização.

Bom Trabalho!