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ricardo reis
Joana Filipa Rodrigues Moreira
Created on October 11, 2022
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Transcript
FERNANDO PESSOA HETERÓNIMO
Ricardo Reis
Index
01. "Segue o teu destino"
02. "Uns com os olhos postos no passado"
03. "Vem sentar-te comigo, Lidia"
RICARDO REIS - BIBLIOGRAFIA
Ricardo Reis foi criado quando Fernando Pessoa escreveu os "Poemas de Índole Pagã". Nasceu no Porto, em Portugal, no dia 19 de setembro de 1887. Estudou em colégio de jesuítas e formou-se em medicina. Era monarquista e exilou-se no Brasil em 1919 por discordar da Proclamação da República Portuguesa.
"Segue o teu destino"
01
"Segue o teu destino"
O tema deste poema é "A relação Homem / Deus / Destino determina a filosofia de vida que cada um leva". A análise do conteúdo passa-nos o “Carp Diem” - aproveitar o que é teu porque tudo é temporário, fazer a sua realidade e mostrar ninguém é igual a nós. O poema retrata a situação diária em que o ser humano se questiona sobre o significa da vida e do seu dia-a-dia.
"Segue o teu destino"
01
- o "destino" diz respeito à vida, que correspondem a todos os dias que correm
- Pode ter dois significados: por um lado, é um incentivo a amar o que a vida nos fornece; por outro, significa amar aquilo que a vida fez de nós.
- A "sombra de árvores alheias" representa tudo o que è adjacente à nossa vida, ou seja,perguntas paradoxais, problemas, sofrimento, etc.
Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses.
É uma clara demonstração de que a realidade é o que nós fazemos dela, com uma ajuda dos Deuses, mesmo que não o cheguemos a entender; o "mais ou menos" refere-se a situações menos agradáveis da vida, como problemas, entre outros.
Demonstra que nós somos apenas um e que por mais que o neguem, não poderemos ser nunca alguém que não somos, porque de facto, somos.
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É uma incitação a viver simplesmente, esquecendo coisas que não são consideradas importantes. É uma alusão a estar satisfeito consigo próprio.
Significa esquecer toda a dor e viver consoante o nosso destino.
"Segue o teu destino"
01
- O poeta convida o leitor a sair da sua espera e a ver a vida esquecendo a sua posição e passar a ser observador para evitar inquietações.
- A resposta à interrogação da vida está além dos Deuses uma vez que esta é absurda, uma vez que existe para além do divino e apenas a conhecemos porque julgamos saber o que é, mas de facto, apenas julgamos saber.
Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos Deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam.
O poeta incita a sermos deuses no interior de cada um de nós, a ser mestre dos nossos sentimentos, para que assim possamos alcançar a chamada felicidade.
É uma expressão que idealiza e ilustra claramente em como o facto de nós pensarmos no porquê de tudo leva-nos a atingir uma crescente inquietude e frustração. Assim, o estatuto de Deuses fora-lhes atribuido naturalmente e não porque estes se julgaram de tal.
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01
Análise formal
O poema apresenta 5 estrofes, com 5 versos em cada um, apresenta rima branca e métrica irregular.
2ª estrofe: "Só nós somos sempre/ iguais a nós próprios." - Aliteração 5ª estrofe: "Deuses são deuses" - Aliteração 5ª estrofe: "Os deuses são deuses/ Porque não se pensam." - Metáfora
Figuras de estilo
"Uns, com os olhos postos no passado,"
02
"Uns, com os olhos postos no passado,"
O sujeito poético neste poemas diz que “uns” e “outros” são os que não são capazes de viver o presente. Assim, “uns” vivenciam o tempo olhando para o passado, o que significa não ver a realidade, pois já não existe. “Outros” olham para o futuro e, por isso, também não vêem a realidade, uma vez que apenas existe na imaginação.
"Uns, com os olhos postos no passado,"
02
- "uns" recordam e vivenciam o que já passou, não dando importância ao presente; vendo o que não o vêem mais.
- E "outros" vêem o futuro, que apenas existe na imaginação e, por isso, também não tomam consciência do presente; tentando ver o que não se pode ver.
Uns, com os olhos postos no passado, Veem o que não veem: outros, fitos Os mesmos olhos no futuro, veem O que não pode ver-se. Porque tão longe ir pôr o que está perto — O dia real que vemos? No mesmo hausto Em que vivemos, morremos. Colhe O dia, porque és ele.
- o presente é a sua única certeza.
- o sujeito poético recusa a memória e o antecipar do futuro - sendo assim o presente o momento de realização do Homem.
- O sujeito poético denuncia a sua angústia perante a efemeridade da vida e a passagem inexorável do tempo que o conduzirá fatalmente à morte.
- refere que o nosso destino é a morte (visão fatalista da vida)
- O carácter exortivo do poema está ligado à transmissão de uma moral, ou seja, de uma arte de viver que o sujeito poético apresenta a um "tu", que a deverá adotar. Assim, a exortação é conseguida através do emprego do imperativo "Colhe", e da segunda pessoa do singular ("és") que implica a existência de um "tu" que segue os ensinamentos do "eu".
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02
FIGURAS DE ESTILO
- "Uns, com os olhos postos no passado (...) no futuro" - Antítese (passado/futuro)
- "Vêem o que não vêem" - Oxímero
- "Vêem / O que não pode ver-se" - Paradoxo
- A repetição anafórica de pronomes demonstrativos ("Este", "esta" e "isto") indica proximidade temporal e espacial enfatizando a importância de viver o instante presente.
- "Porque tão longe ir pôr o que está perto " - Antítese
- "No mesmo hausto... morreremos" - Paradoxo (vivemos/morreremos)/ Hipérbole
- "Colhe/ O dia, porque és ele" - Metáfora
02
ANÁLISE FORMAL
CLASSIFICAÇÃO DA RIMA
- maioritariamente ausente
- traduz um "estilo livre"
CLASSIFICAÇÃO DAS ESTROFES
- 3 estrofes com 4 versos: quadras
CLASSIFICAÇÃO DOS VERSOS
PONTUAÇÃO
- hexassílabos - 6 sílabas
- eneassílabos - 9 sílabas
- decassílabos - 10 silabas
- hendecassílabos - 11 sílabas
- confere ritmo e musicalidade ao poema
- indica as pausas que evidenciam algumas palavras e/ou expressões
"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio."
ANÁLISE FORMAL
- rima branca
- regularidade estrófica e métrica
- oito quadras
03
TEMA
Abdicação consciente face aos sentimentos e gozos da vida
1ª PARTE : 1ª e 2ª estrofes
03
A efemeridade da vida
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos). Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses.
- A metáfora do rio e o correr da água (simbolo da passagem inexorável)
- A inutilidade de qualquer compromisso.
- A necessidade de predomínio da razão sobre a emoção, como defesa contra o sofrimento
- Elementos clássicos: o ambiente bucólico, o nome "Lídia" e o papel do Fatum
2ª PARTE : 3ª e 4ª estrofes
03
A inutilidade dos compromissos
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassossegos grandes. Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, E sempre iria ter ao mar.
- O enlaçar e desenlaçar das mãos como recusa de qualquer compromisso.
- O enlaçar e desenlaçar das mãos como recusa de qualquer compromisso.
- A morte como única certeza do percurso existencial.
- A recusa constante de todo e qualquer excesso (amores, ódios, paixões, invejas..."
- Evitar todos os desassossegos que possam provocar dor
3ª PARTE : 5ª e 6ª estrofes
03
A busca da tranquilidade
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias, Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro Ouvindo correr o rio e vendo-o. Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as No colo, e que o seu perfume suavize o momento — Este momento em que sossegadamente não cremos em nada, Pagãos inocentes da decadência.
- O estabelecer de um "programa de vida": a vida deve ser vivida de formaserena e calma; deixemo-la passar à nossa frente, controlando as nossas emoções e sentimentos.
- Valorização do carpe diem: captemos o "perfume" do momento, evitemos o conhecimento das coisas.
4ª PARTE : 7ª e 8ª estrofes
03
A ausência de perturbação face à morte
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos Nem fomos mais do que crianças. E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio, Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio, Pagã triste e com flores no regaço.
- - A aceitação pacífica da morte é consequência da demissão do eu perante a vida. Assim, a morte não deve ser motivo sofrimento, pois ainda não foi presenciada. A vida passa, por isso devemos assumir cumpromissos, devemos fazer apenas pela tranquilidade.
- Justificação para o modelo de vivência amorosa definido pelo poeta.
03
RECURSOS EXPRESSIVOS
- A enumeração "Sem amores, nem ódios, nem paixões (...) Nem invejas (...) Nem cuidados..."
- As duas gradações com assíndeto - "trocar beijos e abraços e carícias", "... te arda ou te fira ou te mova"
- A comparação "passamos como o rio"
- As expressões metafóricas do "antes" (a vida) e do "depois" (a morte)
- O eufemismo que está presente nas perífrases "se for sombra antes" e "e se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio",